Probióticos em lácteos: Melhor impossível

O conceito de probióticos - micro-organismos vivos que são promotores de saúde - é antigo. Data de mais de 100 anos e iniciaram com a observação de que povos búlgaros (amantes do consumo de iogurtes) apresentavam longevidade. Será que poderiam haver em determinados leites fermentados Lactobacillus (ou outras culturas) capazes de resistir ao processo de digestão e [...]

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O conceito de probióticos – micro-organismos vivos que são promotores de saúde – é antigo. Data de mais de 100 anos e iniciaram com a observação de que povos búlgaros (amantes do consumo de iogurtes) apresentavam longevidade. Será que poderiam haver em determinados leites fermentados Lactobacillus (ou outras culturas) capazes de resistir ao processo de digestão e, chegando ao intestino, competir com outras bactérias intestinais que seriam produtoras de substâncias tóxicas que abreviariam a vida? Sim! Era possível. O segredo dos búlgaros foi descoberto! E a partir daí começou a corrida pelo isolamento destas culturas benéficas, seu estudo aprofundado (in vitro, in vivo, estudos clínicos) e incorporação em alimentos. O desafio, porém, sempre foi grande, especialmente do ponto de vista tecnológico, já que o papel dos probióticos não é deixar os produtos mais aromáticos, cremosos ou saborosos, mas tão somente fazer bem para a saúde!

O casamento probióticos + lácteos sempre foi o que mais deu certo, em especial porque a matéria prima leite é um ambiente onde os probióticos gostam de estar e assim apresentam a capacidade de sobreviver nas altas contagens exigidas pela legislação em vigor. E por esses motivos é que temos no Brasil queijos, iogurtes e outros leites fermentados adicionados destas culturas probióticas. Mas esses não são os dois únicos produtos lácteos onde os probióticos já provaram sobrevier bem, mas outros veículos lácteos em potencial são os sorvetes, buttermilk, leite em pó, leites infantis, leite não fermentado (pasteurizado e adicionado de probióticos posteriormente), entre outros.

Agora uma grande novidade em relação aos probióticos – e isso não faz mais de 10 anos que foi descoberto – é que o próprio leite materno contém probióticos! A grande surpresa veio acompanhada da intrigante pergunta – “Como eles chegaram lá?” Pensemos de Bifidobactérias que foram encontradas no leite materno. Pois bem, essas bactérias são anaeróbias (não toleram a presença de oxigênio) e são naturais do intestino. Como sair do intestino e ir parar no leite? Não sabemos muito bem ainda, mas existe uma teoria chamada “Migração Ativa”, segundo a qual algumas células especializadas (células dendríticas) seriam capazes de capturar bactérias benéficas do intestino, transporta-las pelo sistema linfático e fazer seu “delivery” no leite materno. Não é incrível? E a natureza sempre fez isso, nós é que não sabíamos! Adicionar probióticos em produtos lácteos – o por que não no próprio leite – é uma forma de imitar o que a natureza faz de forma sábia e complexa. Dá trabalho, mas vale a pena! E lácteo com probióticos é uma excelente combinação. Melhor impossível!

Referências

JOST, T. et al. Vertical mother-neonatetransferof maternal gutbacteria via breastfeeding. Environmental Microbiology, p. 1-14, 2013.

JEURINK, P. V. et al. Humanmilk: a sourceof more lifethanwe imagine. Beneficial Microbes, v.4, p. 17-30, 2013.
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Material escrito por:

Adriane Elisabete Antunes de Moraes

Adriane Elisabete Antunes de Moraes

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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