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Uso da silagem de girassol na alimentação de cordeiros

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 20/06/2007

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Muitas gramíneas e leguminosas são utilizadas para confecção de silagens, porém as culturas do milho e do sorgo destacam-se neste processo, por sua facilidade de cultivo, altos rendimentos e características desejáveis quanto ao processo fermentativo.

A ensilagem do milho permite a produção de silagem de alta qualidade devido aos seus conteúdos relativamente ideais de matéria seca e de carboidratos solúveis e à sua baixa capacidade de tamponamento (Wilkinson, 1998). A silagem de milho é tida como padrão e, geralmente, como referência para estimar o valor de outras silagens.

Entretanto, em determinadas épocas do ano têm sido necessárias novas opções de culturas, capazes de completarem seu ciclo com precipitações pluviométricas inadequadas. Nessas condições, o girassol apresenta-se como alternativa, pois sua capacidade de extrair a água disponível na camada de 0 a 2 metros de profundidade foi estimada em, aproximadamente, 92%, contra 64% do sorgo (Bremner et al., 1986), sendo capaz de tolerar períodos secos e produzir grande quantidade de matéria seca (4 a 11 t MS/ha) (Sheaffer et al., 1977).

A cultura do girassol também apresenta maior resistência ao frio e ao calor, em relação às demais culturas, apresentando ampla adaptabilidade às diferentes condições edafo-climáticas, sendo assim, opção nos sistemas de rotação e sucessão de culturas.

Como alimento para ruminantes, a silagem de girassol apresenta composição bromatológica distinta da silagem de milho, com teores mais elevados de proteína bruta, de extrato etéreo e de matéria mineral; diferença na composição da parede celular, com valores mais elevados de lignina, valores de NDT entre 71 e 75%, ingestões de matéria seca ao redor de 2,2% do peso vivo (Henrique et al., 1998). Evangelista & Lima (2001) cometam que o baixo teor de MS tem sido apontado como uma das principais limitações da cultura, o que pode gerar produção excessiva de efluentes, carreando nutrientes da forragem para fora do silo.

Pereira et al. (2002) estudando diferentes idades de corte de girassol (30 a 51 dias após florescimento) para produção de silagem (Tabela 1), observaram variações nos teores de MS de 20,43 a 61,63%. Os valores de proteína bruta (PB) estiveram próximos a 11% e aparentemente não foram influenciados pela época de ensilagem. As frações fibrosas apresentaram-se constante até 44 dias após o florescimento, entretanto aos 51 dias observou-se elevação desta fração. Segundo os autores, o corte mais tardio da cultura gerou redução da degradabilidade da MS e PB avaliada em ovinos.

Tabela 1. Composição química das silagens de girassol, ensiladas aos 30, 37, 44 e 51 dias


Fonte: adaptado de Pereira et al. (2002)

Bueno et al. (2004) compararam a silagem de girassol em relação a silagem de milho, com níveis crescentes de concentrado na ração (20, 40 e 60%) no desempenho de cordeiros da raça Suffolk.

As curvas de crescimento dos cordeiros exibiram padrões distintos, em função da dieta consumida (silagens e teores de concentrado), o que produziu diferenças nos pesos finais (Figura 1). A ração à base de silagem de girassol com 20% de ração concentrada propiciou desempenho insatisfatório, podendo ser visualizado pelo formato da curva de pesos. Segundo os autores, para as rações que continham silagem de girassol, foi necessário maiores quantidades de ração concentrada para se obter ganho de peso satisfatório.


Clique na figura para visualizá-la melhor.

Figura 1. Crescimento de cordeiros alimentados com dietas à base de silagem de girassol e silagem de milho, com distintas proporções de ração concentrada comercial (RCC)

A ingestão média diária de matéria seca, o ganho médio diário e a conversão alimentar apresentaram diferença entre os fatores avaliados (Tabela 2). Houve diferença significativa para ingestão média diária de MS entre as silagens somente para os animais alimentados com a menor proporção de ração concentrada (20%), o que pode ser atribuído às diferenças no valor nutritivo das silagens. O maior conteúdo de ligno-celulose na parede celular presente na silagem de girassol acarretou provável redução no esvaziamento ruminal, desfavorecendo a ingestão voluntária (Mertens, 1994).

Tabela 2. Ingestão média diária de matéria seca, ganho médio diário de peso vivo (g), conversão alimentar (kg MS ingerida/kg de ganho de peso vivo) de cordeiros em crescimento e coeficiente de variação (CV)


Fonte: Adaptado de Bueno et al. (2004).

Nas rações com maiores proporções de concentrado, não foram evidenciadas diferenças significativas para esta variável, possivelmente em virtude do melhor ambiente ruminal gerado pelo concentrado. Os valores de ingestão de MS, nos níveis elevados de ração concentrada, foram adequados aos cordeiros em terminação, contudo, nas proporções mais baixas, não foram satisfatórios para um bom desempenho animal (NRC, 1985). Quanto ao ganho de peso, houve efeito significativo entre as dietas com menores proporções de ração concentrada (Tabela 2), tendo destaque a silagem de milho, enquanto, nas dietas com elevada proporção de ração concentrada os ganhos médios diários de peso vivo não apresentavam diferença significativa.

Isto evidencia que animais alimentados com silagem de girassol necessitam de maior complementação com ração concentrada para produzir resultados semelhantes aos alimentados com dietas à base de silagem de milho (Bueno et al., 2004). Porém, dentro de um sistema de produção, a opção pela silagem de girassol pode ser de caráter logístico, visto à suas vantagens de produção em períodos de condições adversas.

Referências bibliográficas

GONÇALVES, L.C.; TOMICH, T.R.; PEREIRA, L.G.R. Produção e utilização de silagens de girassol. In: SIMPÓSIO DE FORRAGICULTURA E PASTAGENS, 1., 2000, Lavras. Anais... Lavras: Universidade Federal de Lavras, 2000. p.203-236.

BUENO, M.S; FERRARI Jr, E.;POSSENTI, R.A. et al. Desempenho de Cordeiros Alimentados com Silagem de Girassol ou de Milho com Proporções Crescentes de Ração Concentrada. Revista Brasileira de Zootecnia. v.33, n.6, p.1942-1948, 2004.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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CARLOS GUPY SERRA BARGÃO ROBALO

CANARANA - MATO GROSSO

EM 19/11/2010

Na versão para impressão, ao clicar para faze-lo, nada acontece, deve estar ocorrendo algum tipo de erro, na pagina.

Um grande abraço
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/04/2009

Prezado Juliano,

Talvez essa possibilidade não seje viável, pois terá uma fermentação intermediária.

O que aconselharia é realizar um levantamento de custos de produção das duas silagens e dos ingredientes concentrados que irá utilizar na ração.
Se os animais possuirem genética de qualidade eles respondem muito bem a dietas de alto grão, o que fará com que o uso da silagem de girassol seja suficiente.

É necessário fazer alguns cálculos.
Atenciosamente
Rafael e Thiago
JULIANO

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/04/2009

Observei o material comparativo entre silagem de girasol e silagem de milho e fazendo uma ligeira analise pensei em fazer um teste de silagem com as duas culturas num mesmo silo! Alguem ja fez este teste?

Porque pela minha analise deste trabalho percebi que os animais nao têm uma boa palatabilidade da silagem de girassol pura, prejudicando a ingestão deste material. Se melhorarmos esta palatabilidade sera que não conseguiriamos aumentar o ganho de peso?

Minha propriedade fica situada no sertão da Bahia em Irece e o girassol é uma cultura viavel para a região pois é bastante resistente a periodos de estiagem que um grave problema da nossa região que tem uma irregularidade do periodo chuvoso.

Se houver algum trabalho neste sentido gostaria de ter acesso! precisamos aprender mais a trabalhar nestas regiões de dificil manejo devido ao clima!