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Que milho vamos plantar para silagem? - Parte 2: Textura do grão

POR AGRIMILK

PRODUÇÃO

EM 17/10/2014

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Em algumas regiões do Brasil ainda é comum o questionamento por técnicos e produtores sobre a recomendação de milho de grão dentado versus milho de grão duro para a produção de silagem de planta inteira ou mesmo silagem de grãos colhidos com alta umidade (acima de 30%).

Quanto à definição, o milho grão duro tem endosperma de maior densidade, grânulos de amido de cor amarelada que são mais fortemente ligados a uma matriz proteica (prolaminas) à medida que o grão se aproxima da maturação fisiológica. Milho de grão dentado (ou mole) tem os grânulos de amido mais esbranquiçados e ligados mais fracamente à matriz proteica. Geralmente, os híbridos dentados são mais farináceos e têm menor densidade de grão (mais espaço de ar entre os grânulos de amido) nas avaliações de peso/volume. Contudo, especialistas afirmam que 60% da densidade é atribuida ao tamanho do núcleo, forma do grão, conteúdo de germe e maturidade.

Prolaminas são as proteínas que constituem a camada que “protege” o amido do grão e são constituídas por zeínas, principalmente, e outras proteínas como albuminas, globulinas e glutelinas, cuja concentração tende a ser mais elevada no endosperma vítreo do que no endosperma farináceo. Essa matriz proteica pode interferir no acesso das bactérias do rúmen aos grânulos de amido.

É importante lembrar que a vitrificação da matriz proteica se intensifica a partir da maturação fisiolológica, caracterizada pelo “ponto preto” na base grão, que agora deve ter umidade entre 30 a 38%. Nesse momento é que se colhe milho para ensilagem de grãos ou mesmo produção de sementes, ou seja, o momento ideal de ensilagem da planta inteira (volumoso) ocorreu vários dias antes.

Trabalhos de pesquisa demonstram que no momento ideal da ensilagem da planta de milho, com grãos na metade da linha do leite (farináceo-duro), não existe diferença significativa na degradabilidade ou na produção de leite e sólidos quando comparados híbridos do tipo grão duro com híbridos de grão mole (dentado), conforme ilustrado nas tabelas 01 e 02, respectivamente.

Tabela 1. Degradabilidade ruminal do grão de milho de diferentes texturas.
 
L. Leite = 50% da linha do leite no grão; M. Fisiológica = Maturação fisiológica do grão
Dig. Digestibilidade em 24 h; Res, Resíduo apos 72 h de digestão;
Fonte: adaptado de Pereira et al. Sci. Agric. V.61, n.4, 2004.

Tabela 2. Comparação de silagens de milho de diferentes texturas de endosperma na produção de leite.
 
Fonte: Anais do 2° Workshop de Milho para silagem – ESALQ/USP, 2000.

De acordo com Seglar (2011) os resultados de pesquisa comparando a digestibilidade do amido de milhos com diferentes vitriosidades são importantes para a compreensão dos mecanismos específicos que podem limitar a digestão do amido. Contudo, deve-se ter muito cuidado em se usar essas informações na produção de leite, carne e rações, uma vez que nessas pesquisas são comparados híbridos com valores extremos de vitreosidades, variando de 3% até 66%, enquanto que os híbridos de milho comerciais americanos empregados em rações têm vitriosidade variando entre 55 a 65%.

A fementação durante o processo de ensilagem também contribui de modo significativo para a maior digestibilidade do amido do milho. A atividade microbiana durante a fermentação e a ação química de vários produtos finais de fermentação (ex.ácidos orgânicos) reduzem os efeitos negativos da zeínas (prolaminas) sobre a digestibilidade do amido. Segundo Mahanna (2010) a digestibilidade do amido de grãos ensilados com mais de 26% de umidade aumentam cerca de 2% ao mês até doze meses após a ensilagem.

Os critérios mais importantes para a escolha do híbrido para produção de silagem devem ser agronômicos. Os híbridos efetivamente dentados, ou seja, aqueles de baixa vitriosidade e menor densidade de grãos são mais susceptíveis a pragas e doenças, devido em grande parte a sua genética “temperada” (clima) e, por isso, apresentam menores produtividades de forragem e de grãos, principalmente. O que vemos no campo é a antecipação do corte da planta, de maneira a não evidenciar a baixa sanidade desse tipo de híbrido, razão pelo qual notamos a menor quantidade de grãos nas fezes.

A colheita antecipada também facilita o corte, uma vez que mais de 70% dos produtores não afia as facas da ensiladeira ao menos uma vez ao dia, não faz o ajuste da contra faca e, no caso de colheita com forrageiras autopropelidas, não acompanha a velocidade de colheita e o processamento dos grãos. Isso muitas vezes leva o produtor a crer que a presença de grãos de milho nas fezes das vacas é devido ao atraso na colheita ou “tipo de grão” do híbrido.

Com relação à safrinha, além dos riscos com estiagem, a lavoura demanda maiores cuidados no manejo de pragas e doenças. Também cabe refletir de que forma é feita a secagem e o armazenamento de milho no Brasil, em especial na safrinha, quando nossos silos estão abarrotados de soja. Imaginem se tivéssemos grãos dentados com baixa densidade e vitriosidade.

Referências bibliográficas

Seglar, W. J. Vitreous starch in corn hybrids.
https://www.pioneer.com/CMRoot/Pioneer/US/Non_Searchable/agronomy/ars_pdfs/2011_Vitreous_Starch_HQ.pdf



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Concurso Taça Brasil de Silagem de Milho

Devido ao sucesso alcançado com o Concurso Taça Brasil de Silagem de Milho lançado no ano passado, o MilkPoint, em parceria com o laboratório 3rLab, realizará mais uma edição do concurso neste ano objetivando identificar e homenagear os produtores das melhores silagens de milho do Brasil.

Vale a pena lembrar que as 20 melhores silagens ganharão destaque sendo expostas no Interleite Brasil que ocorrerá nos dias 03 e 04 de agosto em Uberlândia/MG. Além de ganhar cortesia para o evento, o ganhador terá uma matéria exclusiva na revista Leite Integral e no portal MilkPoint. Fique atento, acompanhe as novidades e participe! Não perca a oportunidade de mostrar que sua silagem está entre as melhores do Brasil!

Quer saber como participar? Acesse o hotsite do concurso, entenda as etapas e não perca essa chance.


 

AGRIMILK

João Ricardo Alves Pereira
Professor Adjunto da UEPG - PR - Zootecnia
Coordenador do Projeto de Extensão "Zootecnia no Campo"
Proprietário da Vitalle Nutrição Animal - Empresa de Consultoria em Produção e Conservação de Forragens
Produtor de Leite

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