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Problemas de pele no rebanho? Pode ser Dermatofitose!

POR ANDRÉ MACIEL CRESPILHO

PRODUÇÃO

EM 28/05/2009

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A pele corresponde ao maior órgão do corpo, representando a primeira e principal barreira entre o ambiente externo e o organismo animal. Sendo assim, enfermidades que acometem a pele tornam-se especialmente importantes, pois podem comprometer não somente a qualidade do couro (importante fonte de receita para muitos sistemas de produção), como também levar à queda significativa no ganho de peso e causar até mesmo a morte do animal (MACÊDO et al., 2008).

Nesse contexto, o objetivo dessa matéria é apresentar ao leitor a Dermatofitose, uma importante micose cutânea que pode acometer ovinos e caprinos.

Dermatofitose - Uma doença cosmopolita

As Dermatofitoses, conhecidas também como "Tinha, Dermatite Micótica, Micose dos Cordeiros ou Ringworm" são micoses cutâneas infecto-contagiosas de curso crônico determinadas por um grupo de fungos classificados como Dermatófitos, principalmente dos gêneros Microsporum e Trichophyton (PEREIRA e MEIRELES, 2001).

As micoses acometem animais de diferentes espécies, incluindo os bovinos, ovinos, caprinos, eqüinos, suínos, cães, gatos, aves, animais silvestres e até mesmo o homem, representando, portanto, uma zoonose (enfermidade que pode ser transmitida dos animais aos humanos) de ocorrência mundial.

A doença se manifesta principalmente em regiões de clima tropical e sub-tropical, particularmente em áreas quentes e úmidas, embora uma maior incidência de casos ocorra nos meses de inverno (RADOSTITS et al., 2002).

A transmissão da micose pode ocorrer de forma direta, através do contato com animais enfermos, ou indireta, veiculada a partir de material contaminado como escovas, tesouras, rinetas ou tosquiadeiras. A introdução de animais portadores no rebanho associada a fatores estressantes como alta lotação, queda da resistência devido a carência alimentar, estresse da desmama e mudança de alimentação favorecem o surgimento das micoses (Pereira e Meireles, 2001). Anderson et al., (2005) salientam que a alta freqüência de banhos e tosquias na preparação de animais para feiras ou exposições favorecem o desenvolvimento da doença, sobretudo nos animais mais jovens.

Após a introdução de animais doentes na propriedade ocorre a contaminação ambiental, tornando instalações e áreas de manejo como cochos, cercas e baias importantes fontes de infecção para os ovinos e caprinos.

Sinais clínicos da doença

O aparecimento de lesões predominantemente circulares na região da cabeça, orelhas e pescoço, que podem se alastrar para outras regiões e envolver grandes áreas do corpo do animal constituem o achado mais comum dos quadros de Dermatofitose em ovinos. De uma forma geral, as lesões circulares possuem de 1 a 3 cm de diâmetro podendo estar desprovidas de pêlos ou cobertas por crostas. Lesões semelhantes são observadas em caprinos, embora a doença tenha uma maior predisposição para se alastrar por todas as partes do corpo nessa espécie (RADOSTITS et al., 2002).


Figura 1: Dermatofitose em ovinos. A = extensa área de alopecia (queda dos pêlos) em região do dorso de ovelha. B= queda de pêlos e formação de crostas em orelha de ovino. Adaptado de Macêdo et al., (2008).

Os animais acometidos geralmente não apresentam grau considerável de prurido (coceira), embora o desconforto seja sempre evidente. Segundo Anderson et al., (2004), pode-se notar algum grau de prurido quando a infecção é causada pelo fungo Trichophyton spp, sendo que animais jovens são mais seriamente atingidos.


Figura 2: A= aspecto da lesão crostosa causada por Dermatófitos em região do flanco de ovino. B= fungos do gênero Microsporum spp isolados a partir de feridas de animais enfermos. C= lesões circulares em pescoço de cordeiro, características dos quadros de micose.

Tratamento e prevenção

Embora alguns animais portadores da Dermatofitose possam apresentar cura espontânea após 3 a 4 meses de infecção, o tratamento é amplamente praticado e recomendável por que reduz a contaminação do ambiente pelos animais enfermos (RADOSTITS et al., 2002).

Soluções tópicas de iodo (2 a 5%), clorexidina (2%), cal sulfurada (2 a 5%) e medicação antifúngica tópica (captan 3%) são efetivas no tratamento das lesões (ANDERSON et al., 2005).

A utilização de antifúngicos injetáveis é controversa e geralmente não recomendável, sendo que para infecções disseminadas em um grupo de animais (surtos de doença) preconizam-se os banhos ou pulverizações (STANNARD, 1994).
A Dermatofitose se dissemina por meio de material utilizado para tosquia, de mantas e de outros equipamentos. Portanto, a limpeza adequada do equipamento com soluções anti-sépticas após a utilização auxilia no controle da enfermidade (ANDERSON et al., 2005).

Outras medidas como isolamento dos animais infectados, desinfecção de instalações de manejo com soluções de formalina, Biocid ou hipoclorito de sódio e adequado suporte alimentar (tanto aos animais enfermos como àqueles que ainda não manifestaram a micose) são importantes no controle dos surtos da doença (RADOSTITS et al., 2002; PEREIRA e MEIRELES, 2001).

A suplementação de zinco à dieta (óxido de zinco na proporção de 1:5000 ou 200 gramas/1000kg de matéria seca) corresponde a uma alternativa eficaz para o tratamento de animais enfermos e para a prevenção do aparecimento de novos casos de Dermatofitose nos rebanhos (XYLOURI-FRAGIADAKI et al., 2002).

Em virtude do potencial zoonótico das Dermatofitoses (fácil transmissão entre os animais e o homem), funcionários, técnicos e pecuaristas devem sempre utilizar luvas de proteção durante o manejo ou tratamento dos animais doentes (ANDERSON et al., 2005).

Agradecimentos: Ao Prof. Dr. Franklin Riet-Correa que gentilmente cedeu parte das imagens apresentadas nessa matéria.

Referências

ANDERSON, D.E.; RINGS, D.M.; PUGH, D.G. Enfermidades do Sistema Tegumentar. In:___. Clínica de Ovinos e Caprinos. 1.ed. São Paulo: Editora Roca Ltda. v.1, p. 233-234, 2005.

MACÊDO, J.T.S.A; RIET-CORREA, F.; DANTAS, A.F.M. et al. Doenças da pele em caprinos e ovinos no semi-árido Brasileiro. Pesquisa Veterinária Brasileira, v.28, n. 12, p.633-642, 2008.

PEREIRA, D.B.; MEIRELES, M.C.A. Dermatofitoses. In:___. Doenças de Ruminantes e Eqüínos. 2.ed. São Paulo: Varela Editora e Livraria Ltda. v.1, p.367-373, 2001.

RADOSTITS, O.M.; GAY, C.C.; BLOOD, D.C. et al. Doenças Causadas por Algas e Fungos. In:___. Clínica Veterinária - Um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e eqüinos. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. v.1, p.1150-1152, 2002.

STANNARD, A.A. Moléstias micóticas. In:___.Tratado de Medicina Interna de Grandes Animais. 1.ed. São Paulo: Manole. v.2, 1262-1263, 1994.

XYLOURI-FRAGIADAKI, E.; PAPADOPOULO, C.V.; BRYONI, G. Can zinc be used for the treatment of Microsporum gypseum dermatitis in man as well as in sheep? International Journal of Antimicrobial Agents, v.20, p.230-231, 2002.

ANDRÉ MACIEL CRESPILHO

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JANAINE

EM 11/07/2019

É normal cair os pelos de um filhote de carneiro?
ISAC BASTOS DE CARVALHO

EM 03/12/2018

oi tenho uma bezerra com a pele avermelhada e incomodada pode ser com sol pois a pele pode esta sensiveu oque poder como tratar
ISADORA CAMPOS

EM 04/07/2018

Á alguns dias um bezerro começou a cair o pelo e consequentemente veio a perda do couro em várias partes do corpo. Em uma fazenda vizinha ocorreu o mesmo. Onde veio a falência de vários. No momento achamos ser intoxicação. Porém fizemos o tratamento sem melhora. Alguém sabe por favor o que pode ser.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/10/2017

Excelente!
IZABEL DE ARAUJO PEREIR

INDIANÓPOLIS - PARANÁ

EM 01/10/2017

A quinze dias nasceu um bezerro aqui no sitio com a semana mais ou menos ele esta perdendo os pelos ao passar as mãos dele o pelo se solta pq? Estou preocupada
FÁBIO BENTO

CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO - SERGIPE

EM 22/08/2017

Tenho uns nelore eles estão com algumas manchas pequenas arredondada, perda de pelo gostaria de saber o que pode ser ???
JAIR

IPIRANGA DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/08/2017

Tenho uns terneiros  hangus  e 2 deles tao caindo o pelo  em  rodas no corpo  perto cabeca
MARCIO JOSE ALVES DE SA

PAULO AFONSO - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 18/05/2017

no meio do meu rebanho so tenho 1 carneiro com coseira nas costas e ta caindo o cabelo e ferindo a pele que remedio eu do a ele pra ele melhorar eu sou Marcio
ANA MARIA

TAQUARIVAÍ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/01/2017

minha egua tem alergia a braquiara como tratar? qual medicamento posso usar? aqui onde moro é um sitio e a braquiara alimenta o gado a minha egua é alimentada com grama estrela mas não tem como ela não ter contato com a braquiara. Por favor me ajude.
RODRIGO LUCENA

CAICÓ - RIO GRANDE DO NORTE - OVINOS/CAPRINOS

EM 09/04/2016

Estou passando por mesmo problema C meu rebanho gostaria de saber como tratar essa dermatofitose! rodrigoprocopio@bol.com.br

Agradeço a ajuda
JOSE NILO AQUINO

SÃO BORJA - RIO GRANDE DO SUL

EM 16/01/2016

Vou colocar aqui o que enviei ao Sr. Lucio por email....para constar !

Sr.Francisco Teixeira Lucio

Na oportunidade em que apresento minhas saudações , informo que o link que tratava do assunto foi removido ( alterado ) e não é mais possível acessar ele.

Aqui nesse link o Sr. poderá consultar ( mais informações )...mas lembre-se que ele é de um órgão governamental ,estando sujeito a chuvas e trovoadas . E tem que fazer cadastro.



       http://sbrt.ibict.br/sitemap



cadastro aqui:



http://busca.ibict.br/SearchSBRT/categoryTree.do?command=treeNodeSelect&categoryTree=categoryTree&categoryId=c21



Alguns medicamentos produzem fotossensibilização.



Talvez isso lhe ajude:



http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/5330



http://bdtd.ibict.br/vufind/Search/Results?lookfor=ovinos+brachi%C3%A1ria&type=AllFields



Quem puder colaborar...ajude com mais informações.


FRANCISCO TEIXEIRA LUCIO

PORTO VELHO - RONDÔNIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 14/01/2016

PARA JOSÉ NILO AQUINO, ESTOU NA REGIÃO NORTE, ONDE AS PASTAGENS DE BRACHIARIA DOMINAM, GOSTARIA DE SABER ONDE ENCONTRAR O SERVIÇO BRASILEIRO DE RESP.TECNICAS SOBRE CRIAÇÃO DE OVINOS EM BRACHIARIA. OBRIGADO EMAIL CAVALOVELHO.PVH@HOTMAIL.COM. LUCIO
BRUNO ROCHA DE MOURA

CRATO - CEARÁ - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 18/02/2014

Amigo, gostaria de saber se há algum medicamento comercial com essa formula descrita no artigo, no caso negativo como conseguir os produtos descritos acima.



abraço.  
ALVACI FRANCISCO.

IGARASSU - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 08/08/2013

Boa noite!!!!!! eu tenho um rebanho de ovelha, que apresenta caso de dermatofitose, Eu peço ajuda, mim indique que Remédio eu uso, é como!!!!!! espero resposta, Boa noite.
JOSE NILO AQUINO

SÃO BORJA - RIO GRANDE DO SUL

EM 30/07/2009

Prezado Rauthemar Duarte,

Recomendo ler a resposta do Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas sobre "Criação de ovinos em brachiaria" no seguinte endereço:

http://sbrtv1.ibict.br/upload/sbrt6182.pdf?PHPSESSID=03a93dbf25176433fe9f5f454a2dc119

Cordiais Saudações...


ANDRÉ MACIEL CRESPILHO

BARUERI - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/06/2009

Prezado Rauthemar Duarte,

Freqüentemente nos deparamos com quadros parecidos com o do seu reprodutor. No entanto, o inchaço apresentado (definido como edema na região submandibular) não corresponde a nenhuma enfermidade específica e sim, a um sinal clínico que pode ocorrer em várias doenças independentes.

Dentre as possíveis causas primárias para esse inchaço destacam-se o desbalanço alimentar e verminoses como principais causas de hipoproteinemia (queda da concentração de proteínas no organismo que leva ao acúmulo de líquidos), linfadenite caseosa e quadros de intoxicação.

O edema na região do pescoço pode levar a compressão das vias aéreas superiores, justificando a dificuldade respiratória apresentada por seu animal.

Frente a essa gama de possibilidades, torna-se uma difícil tarefa diagnosticar o problema de seu reprodutor a distância, sendo que qualquer recomendação realizada sem o exame clínico do animal não passaria de mera especulação.

Como medidas gerais, sugerimos a realização de exame coproparasitológico (exame de fezes), fornecimento de sal mineral específico para a espécie ovina (prevenindo possíveis quadros de intoxicação por desbalanço de minerais) e formação de áreas de quarentena dentro da propriedade para receber animais de outros criatórios antes da introdução ao rebanho. Para recomendações mais específicas procure um médico veterinário de sua confiança.

Espero que tenha contribuído!

Muito obrigado pela pergunta.
RAUTHEMAR DUARTE

BONITO - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 05/06/2009

Ola.Tenho um pequeno rebanho de ovinos comerciais. Um pouco de ovinos lanados e deslanados.

Recentemete adquiri um reprodutor da raça Texel de idade entre 5 a 6 meses, onde crio em piquetes de braquiarão,decumbes,tanzania e grama comum. Faço somente aplicação de vermifugos e sal mineral bovino, e a poucos dias este carneiro apresentou um inchaço em baixo do quiexo como se fosse uma papada,onde passou a respirar como se tivesse com as vias respiratorias congestinadas.

Fiz aplicação de ivomec oral antes do sintoma aparecer ,procurei um veterinario onde me receitou aplicaçõse de um atinflmatorio , atitermico e analgesico. Passaram se uma semana e o sintoma não desapareceu. Gostaria de saber qual o procedimento a fazer e se o medicamento foi correto e o que acomete este carneiro.
DANILO ANTÔNIO

TORIXOREU - MATO GROSSO

EM 02/06/2009

parabéns pelo artigo, muitos criadores em regime extremamente extensivo passam por esse problema e ñ sabem o que é e nem que pode ser uma doença de pele e que tbém que é uma zoonose. parabéns novamente!!