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Manejo do Capim Elefante no Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" - ESALQ-USP

POR RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PRODUÇÃO

EM 24/11/2008

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O capim Elefante (Pennisetum purpureum Schum.) é uma espécie de origem africana, descoberta em 1905, na áfrica tropical, hoje Zimbabwe. Foi introduzida no Brasil em 1920, no Rio Grande do Sul, através de mudas oriundas dos Estados Unidos. Considerado uma das gramíneas tropicais de maior produção, seu potencial produtivo pode variar de 10 a 80 toneladas de MS ha-1 por ano.

Ao analisarmos a produção desta gramínea, verificamos que há inúmeros fatores que podem influenciar a sua produção, como por exemplo: cultivares, híbridos, altura de corte, fertilidade do solo, fatores climáticos, eliminação do meristema apical e área foliar remanescente após o pastejo.

Desde a sua chegada ao país, chamou a atenção de técnicos e pecuaristas por seu porte avantajado e grande capacidade de produção, sendo, portanto, prontamente recomendado para capineiras. Apesar disto, nos levantamentos realizados durante as décadas de 40 e 50, foi relatado que a gramínea não era muito utilizada como capineira, talvez pela inexistência de energia elétrica nas propriedades rurais da época, aumentando com isso a dificuldade de picar o material antes do fornecimento para os animais. A partir dos anos 60 houve uma grande explosão da área cultivada para uso exclusivo de capineiras.

No final dos anos 60 e início de 70, foram instalados vários sistemas de pastagens utilizando o capim Elefante, através de créditos subsidiados disponíveis. Porém, as tentativas foram geralmente fracassadas como conseqüência da rápida degradação dos pastos. Os meristemas apicais eram removidos com freqüência já que os pastos eram manejados incorretamente e na maioria das vezes roçados para se igualar as plantas. Em função das dificuldades relatadas pelos produtores, estudos passaram a ser realizados com o objetivo de estabelecer práticas adequadas de manejo para esta espécie sob pastejo.

O estudo pioneiro realizado na ESALQ, que foi trabalho de mestrado do professor Moacyr Corsi em 1972, permitiu elucidar algumas questões importantes ligadas ao manejo de pastagens de capim Elefante, tais como invasão de plantas invasoras (como grama batatais e soja perene) no caso de pastos em recuperação, e a duração do período de descanso das parcelas. Nesse estudo de Corsi, o período de 45 dias foi considerado o intervalo de desfolha (ID) ideal com períodos de ocupação de 3 a 5 dias. Na época este foi o manejo que ofereceu melhores condições de utilização, permitindo lotações de até 12 unidades animais (UA) ha-1 durante a estação chuvosa.

Com base nos dados de Corsi (1972), o Departamento de Zootecnia da ESALQ- USP passou a adotar as recomendações de Corsi (1972) em seu sistema intensivo de produção de bovinos leiteiros, implantado exclusivamente com pastagens de capim Elefante em 1971. Foi adotado naquela época, o método do pastejo rotativo com períodos fixos de descanso de 45 dias e alturas pós-pastejo propostas de 30 - 40 cm. No início da primavera, todos os perfilhos desenvolvidos das gemas basais deveriam ser decapitadas, estimulando a brotação de gemas axilares, e esses perfilhos aéreos seriam utilizados até o fim da estação.

Porém, os estudos relacionados com o manejo do capim Elefante e outros capins tropicais, não pararam. Em diversos artigos científicos e de difusão, tem se discutido o critério ideal para determinar o intervalo de desfolha (ID) mais adequado para capim Elefante ao longo do ano.

Mais recentemente, alguns pesquisadores (como Da Silva; Sbrissia), têm questionado o uso de ID fixos quando os pastos são submetidos a pastejo rotativo. De acordo com esses autores, a utilização de ID fixos resultam em menor eficiência de colheita do pasto e maior dificuldade em manter a altura pós-pastejo adequada para as diversas espécies forrageiras tropicais. Os referidos autores têm proposto o critério de entrada dos animais no pasto quando este apresenta interceptação de luz de 95%, e no caso do Capim Elefante este momento equivale a altura média do dossel de 1 metro, independente do número de dias de descanso que tiverem.

Mesmo no departamento de Zootecnia da ESALQ/USP, vários estudos continuaram sendo realizados para encontrar o melhor manejo para o capim Elefante. Durante os últimos anos foram testados diversos ID fixos como: 37, 35, 27 dias e até ID variável, baseado somente na altura do pasto no momento da entrada dos animais.

O último trabalho conduzido na ESALQ comparou dois manejos de Capim Elefante: pastos manejados com 27 dias de intervalo de desfolha, chamado de tratamento de ID fixo e pastos manejados com altura fixa de 1 metro, independente do número de dias que tivesse chamado de tratamento de ID variável. O período de ocupação dos piquetes pelas vacas experimentais foi de dois dias. Em seguida os piquetes eram ocupados pelos animais de repasse. Foi estabelecida altura média do dossel de 40cm após o pastejo de repasse.

A Tabela 1 apresenta os dados referentes às características do dossel forrageiro.

Tabela 1. ID, alturas pré e pós-pastejo, massa pré e pós-pastejo e densidade volumétrica do dossel forrageiro com ID fixo ou variável.

Clique na imagem para ampliá-la.

Os pastos do tratamento com ID variável (pastejado no momento que atingissem 1 metro de altura) foram pastejados em média a cada 23 dias, com variação ao longo das 10 semanas experimentais de 11 a 33 dias de ID. A grande variação no ID nos pastos manejados com base em altura, de 11 a 33 dias durante os meses de janeiro a abril, reforçam a colocação de Da Silva (2005) quanto à inadequação da adoção de ID fixos para manejar pastagens tropicais e as prováveis vantagens da adoção do critério por altura média do dossel.

A adoção de ID fixos definidos em termos de dias, pode alterar a qualidade e a quantidade de forragem colhida pelo animal, uma vez que podem resultar em intervalos entre pastejos mais longos ou mais curtos do que o necessário.

Nos sistemas comerciais de produção, uma dificuldade bastante comum dos manejadores de pasto tem sido o controle adequado de resíduos pós-pastejo em pastagens cespitosas manejadas com doses altas de nitrogênio. As alturas de pós-pastejo obtidas foram inferiores para os tratamentos com ID variáveis comparativamente com o tratamento de ID fixos de 27 dias.

Com relação ao desempenho animal, os animais mantidos nos pastos que eram manejados de acordo com a altura tiveram aumento de 1,5 Kg/dia de leite comparado com os animais mantidos nos pastos com ID fixos de 27 dias (12,32 versus 10,8 kg de leite dia -1). Não houve nenhuma diferença em relação a composição do leite entre os dois tratamentos.

De todos dados coletados neste experimento, o que mais chamou a atenção foram as taxas de lotação e as produções de leite por área Tabela 2.

Tabela 2 - Taxa de lotação média durante período experimental.

Clique na imagem para ampliá-la.

Os tratamentos com ID variáveis resultaram em períodos mais curtos de desfolha utilizando com isso menores áreas de pastagem do que os tratamentos de ID fixos de 27 dias (1,2 X 1,6 ha). Em conseqüência, maiores taxas de lotação foram obtidas com os tratamentos de ID variáveis comparativamente com os tratamentos de ID fixos.

Como conseqüência da maior produção de leite e maiores valores numéricos de taxa de lotação nos sistemas com ID variáveis, nestes foram obtidos valores numéricos maiores de produção de leite por área que nos tratamentos com ID fixos de 27 dias.

Depois deste trabalho, o manejo dos pastos de Capim Elefante Departamento de Zootecnia da Esalq-USP foi alterado. Atualmente, o Departamento adota o manejo com intervalo de desfolha variável, ou seja, o momento de entrada dos animais nos piquetes é quando estes atingem altura média de 1 metro, independente do número de dias que precisarem para atingir esta altura. Lembrando que a altura de 1 metro para o Capim Elefante equivale ao momento em que o dossel consegue interceptar 95% de interceptação luminosa e atinge o ponto de maior deposição líquida de matéria seca, conseqüentemente melhor momento para ser colhido pelo animal.

Referência

CARARETO, R. 2007. Uso de uréia de liberação lenta para vacas alimentadas com silagem de milho ou pastagens de capim Elefante manejadas com intervalos fixos ou variáveis de desfolhas. Dissertação de mestrado. Universidade de São Paulo.

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

Profa. Dra. Universidade de Brasília - UnB

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ALDO COELHO CARVALHO

PIRACEMA - MINAS GERAIS

EM 28/10/2019

Como erradicar o capim Cameron?
MARCELO RENATO DE ALMEIDA ARAÚJO

CRUZETA - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2019

Boa noite, qual seria o herbicida que eu posso aplicar em capim elefante pra o controle das ervas daninhas sendo grande parte folhas largas.
MAURÍCIO FRANCISCO PEREIRA

DOURADOQUARA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/09/2017

Muito boa a explicação ! parabéns !

Eu gostaria de saber como faço para matar o capim elefante, ele está tomando conta do meu canavial !

Desde já agradeço !

Obrigado!  
GILMTUAR BRUNETTO

CUIABÁ - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/02/2017

Na cana pode usar o Sencor na dosagem de 1.5 litros por 100 litros de agua ele é seletivo e controla praticamente todas as ervas daninhas.
RICARDO LAMPERT

LAGUNA - SANTA CATARINA - OVINOS/CAPRINOS

EM 16/03/2016

Também procuro algum herbicida que acabe com invasores e não afetem o capim cameroon.
LEANDRO BERNS

VERÊ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/10/2013

meus parabéns
CARLOS

RIBEIRÃO CLARO - PARANÁ

EM 17/03/2013

bom dia gostaria de ser informado, que tipo de herbicida posso usar para proteger cana e capim napier, quero so matar mato. grato
GUILHERME DAGNONI

IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/10/2011

Ótimo artigo!



Onde conseguimos mudas de capim-elefante no estado de SP?



Obrigado!
RAFAEL HELENO CUNHA

ESTUDANTE

EM 04/09/2011

Acredito q um dos passos para se conseguir maximizar a producao por hectare e trabalhar com forrageiras altamente produtivas,parabens pelo artigo!


CLEBER EDUARDO GEIER

SERTÃO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/07/2011

rafaela bom dia estou pensando em adquirir o capim elefante pioneiro, para gado de leite, vc acha q é um bom material para pastoreio intensivo aq no rs, no inverno posso semear aveia e azevem na mesma area, qual a altura ideal para deixar de reserva no inverno para proteger a planta, obrigado.
HERBERT VILELA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/05/2011

O capim elefante Paraíso não foi copmentado como fonteb de energia
HERBERT VILELA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/05/2011

O capim abordado não é o Capim elefente hexaploide(hibrido)
RODRIGO DE MELO BRUNO

CACOAL - RONDÔNIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/02/2011

Dr. Rafaela, parabens pelo artigo....Conheço bem esse experimento de piquetes do pasto elefante napier, todo em volta do retiro de leite na esalq, onde corsi, dizia que plantou isso na decada de 70 e nunca mais fez reforma de pasto....
Bem nesse caso como você dividiria os piquetes, como você faria caso em certa epoca tivesse uma estiagem, claro que em sistema serqueiro, esse sistema de tempo variavel ou IL 95, obteve qual produção de MS/ano.
Claro que seu trabalho seria o idela para os produtores acolherem, mais em areas grande se torna dificil, pois as pessoas veem muito trabalho em remanejar animais ou em suplementar em caso de falta de pastagem....
Em 2007, falavam que nesse mesmo lugar o corsi estava trabalham com altura pos pastejo de 20cm do elefante, voce sabe alguma coisa sobre isso para informar.....
Sobre o mombaça falam hoje em que altura, seria o 90cm ou sabe não?
Sobre trabalho onde possa encontrar mais sobre essas atualizações sobre manejo de pasto, me informe por favor. drigobruno@hotmail.com
Abraços e boa sorte nesse seu caminho...
MARINO MARCHI

BOA VISTA DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 01/02/2011

Prezada Rafaela muito bom este trablho,parabens. Aqui na minha região é bastante utilizado o pastoreio rotativo em grama tifton com bom resultado,mas tem a cigarinha das pastagens que esta tirando o sono dos produtores .Gostaria de saber qual o manejo mais indicado ou recomendado para controle sustentavel desta praga .sem agredir o meio ambiente e prezervar as outras espécies,um produto que era utilizado não se encontra mais no mercado .O produto era o metaril um produto fisiológico que atuava so´na raga.
obrigado.
RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 30/06/2010

Prezado Marribe Síria Cardena
até o momento eu desconheço estudos que que apontem qual melhor altura para corte do capim elefante destinado a capineira, relacionado com interceptação luminosa. O que vemos na prática é o corte entre 1, 5 e 1,8 metros de altura e rente ao solo.
Obrigada,
Rafaela.
MARRIBE

MIRASSOL D'OESTE - MATO GROSSO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 14/06/2010

Prezada Rafaela, muito bom seu artigo ....parabéns pela iniciativa de escrever sobre o capim elefante, vejo que se tem muito ainda o que falar e estudar, dado os comentários...

Gostaria de saber qual é a altura para corte na capineira, e que altura devo corta-lo do chão ?? pois alguns dizem ser rente ao chão e outros dizem ser há alguns centimetros.

Obrigada.
MARCOS GOES

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 05/04/2010

Parabéns pelo artigo, tenho saudades de suas aulas.

Marcos Goes
RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 10/03/2010

Prezado Jose Carlos o Farrill Vannini Hausknecht ,
para o capim Tanzânia a altura é de 70cm e para o Brizantha 25 cm.
Muito obrigada.
JOSE CARLOS O FARRILL VANNINI HAUSKNECHT

OUTRO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/03/2010

Parabéns pelo artigo, vc poderia informar qual altura que daria 95% de interceptação luminosa para Brizanta e Tanzânia?
MARLON ROSA NAUE

CANGUÇU - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/01/2010

Muito bom o artigo, vou escrever minha experiência com esta produção.
Aqui no RS a melhor veriedade é TAIWAN , para produzir uma capineira o produtor tem que saber a melhor variedade para sua região do país, aqui no sul é o TAIWAN, existe 9 nou 10 tipos de taiwan.
A ensilagem aqui no RS é feita no inverno, e para melhorar o valor nutritivo do capim elefante é adicionado 20% de uma leguminosa, minha prefirida é o feijão miúdo, coloco também 1 kg de milho moído no cocho junto com a silagem.
Então a constituição do produto para o inverno fica: silagem( capim elefante + feijão miúdo) + milho moído + pastagem ( capim natural + azevém/ trevo branco + azevén / ervilhaca + azevén) + concentrado.
No verão corto o capim elefante a 1,20m a 1,80 + tifton 85 + brachiária + cinodons + concentrado.
A adubação eu faço com uma mistura de humus + calcário + cinzas 300 g por "tosseira" em agosto e dezembro.
o capim que tenho esta em áreas separadas, num total de 1 equitare, preten do este ano colocar fileiras com distância de 5 metros de distância nos piquetes.
Espero ter ajudado, e parabéns Rafaela.