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Fatores que devem ser observados no pastejo rotacionado

PRODUÇÃO

EM 03/07/2013

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O engenheiro agrônomo e mestre em Ciência Animal e Pastagem, Murilo Saraiva Guimarães, de Piracicaba/SP, comentou a dúvida de uma leitora do FarmPoint sobre pastejo rotacionado. Abaixo leia a carta na íntegra e participe deixando a sua opinião sobre o assunto! 

“Camila, boa tarde.

Sou Engenheiro Agrônomo e tenho Mestrado em Ciência Animal e Pastagem, ambos pela ESALQ/USP. Vejo que as perguntas que você faz são as mesmas nas cabeças de muitos produtores. Para tentar ajudar você e outros que podem estar fazendo as mesmas perguntas, vou descrever alguns fatores que devem ser observados para responder essas questões.

Primeiramente a quantidade de animais/ha deve variar de acordo com a produtividade de forragem do seu rotacionado e a produtividade irá variar com a estação climática do ano, localidade da propriedade, capim escolhido, nível de intensificação (quantidade de adubo, eficiência de pastejo, dias de ocupação, etc.), fertilidade do solo, altura de resíduo, altura de entrada, etc. Sendo assim, para encontrar a sua taxa de lotação do módulo do rotacionado seria ideal que fosse feita uma orçamentação forrageira, em que se estima demanda e suprimento de forragem na sua propriedade, isso iria ajudar nas tomadas de decisão de quanto intensificar, estratégias de forragem de inverno, etc. Lembre-se que taxa de lotação muito baixa pode levar ao subpastejo e taxa de lotação muito alta ao superpastejo e ambas as situações podem causar degradação do pasto.

Quanto ao número de dias de ocupação de cada piquete não ultrapasse os 3 dias, pois isso afeta a rebrota do capim, o que causaria queda da produtividade e velocidade de crescimento do mesmo. Quanto menor o período de ocupação, desde que com período certo de descanso do piquete, melhor será a qualidade da forragem consumida em casos de baixa lotação. Outro fator muito importante é determinar qual é o nível de desempenho desejado para os animais, pois quando se deseja priorizar desempenho por animal, devemos usar taxas de lotação menores, período de ocupação curtos (um dia ou menos), priorizar qualidade de forragem e em alguns casos fazer uso de lotes de repasse.

Quando priorizamos o desempenho por área devemos usar taxas de lotação altas (sempre evitando o superpastejo, que pode levar a degradação do pasto) e os períodos de ocupação podem ser maiores (nunca ultrapassando 3 dias). Deve-se priorizar a eficiência do pasto e lembrar que a produção é por área e não por animal, pois seus animais poderão não ter o maior ganho de peso individualmente, mas você atingirá um ganho/área em kg, por exemplo, maior. Por isso, cada sistema deve ser avaliado individualmente.

Infelizmente não existe uma receita para seguir. É comum ouvirmos frases como "eu faço tudo igual ao do vizinho, mas o meu nunca fica igual". Isso ocorre pelas particularidades que só o seu sistema de produção tem.

Aconselho que antes de iniciar o plantio, procure um consultor ou assistência técnica para te auxiliar de forma específica nas suas condições de clima, solo, plantas, animais e mercado que deseja atingir. Isso te ajudará a fazer as escolhas certas nos momentos certos. Espero ter ajudado, apesar de não poder responder de forma específica com números "mágicos".


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WALDERI FRANCISCO DE CARVALHO OLIVEIRA

CAMPO MAIOR - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 14/11/2013

Estou acompanhando matérias e comentários que possam auxiliar na estruturação de criação de ovinos. A busca é por conhecimento e experiências que estabeleça o melhor tipo de forragens para alimentação de ovinos na região do semi-árido do nordeste, sabendo-se que na região o período de estiagem é no mínimo de 6 meses. é de conhecimento também que a maiorias dos produtores rurais da região utilizam  em suas propriedades o capim  andropogon. Esse seria mesmo melhor para atender a alimentação de ouvinos! Que outra forragem poderia ser produzida para alimentar ouvinos.
MURILO SARAIVA GUIMARÃES

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 10/07/2013

Prezado Bento,



Meu email é murilo@camposa.com.br. Me mande um email que lhe envio meus principais contatos e podemos ver no que eu posso te ajudar.
BENTO J A MORAES

PIRACICABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 10/07/2013

Muito bom o comentário.Eu preciso dos dados do Prof Murilo para que eu possa fazer contato com ele
MURILO SARAIVA GUIMARÃES

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/07/2013

Claimtom, muito obrigado pelo seu depoimento. Ele mostra como o sucesso do manejo de pastagem vem com muita persistência,  anos de aprendizado e trabalho. Parabéns aos produtores que persistiram no programa e já trabalham de forma eficiente com capins de alta produção. Tenho certeza que isso refletiu positivamente na produção de leite e na rentabilidade desses sistemas de produção.
CLAILTOM PEREIRA DE OLIVEIRA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/07/2013

Trabalhamos com produção de leite bovino em sistema de intensificação utilizando como base a rotação de pastagens. Esse sistema incrementa o aproveitamento da forragem, seja ela de média a alta produção. Ou seja, trabalha-se com B. Decumbens até um Panicum melhorado. O que faz aumentar o nível da tecnologia e seu uso é, especificamente, a experiência do produtor. Portanto, nada melhor que o dia-a-dia, os erros e acertos, as tomadas de decisões, a troca de experiência, a curiosidade, a consulta a orientadores etc. Juntando com a boa vontade e a persistência, o produtor de leite que não desiste nas primeiras dificuldades, criará um ambiente favorável à sustentabilidade do sistema de pastejo de rotacionado. Deve-se partir da ideia de que se está adotando a técnica é pra evoluir com a produção de forragem dos capins, tirar melhor aproveitamento da área e dos animais. Mas, iniciar basicamente com ações e técnicas validadas como: correção de solo, reposição de nutrientes químicos e matéria orgânica, respeitar a altura de entrada e saída dos animais no pastejo (relação folhas/caule), seleção de animais produtivos, anotações de dados da atividade, acatar as orientações do bom consultor técnico, etc. Aqui pra nós, iniciamos um projeto com assistência a mais de 20 produtores de leite, mas somente, 2 ou 3 ainda permanecem com a técnica de pastejo rotacionado. Estes aprenderam a manejar o pasto que hoje, já trabalham com capins de alta produção: Panicuns, Cynodons, etc. Seguimos, basicamente, o que já foi exposto: pastejo de 3 dias, número de piquetes o suficiente para que o capim se recupere (de início, se mede com uma régua, mas mesmo assim, tem-se desuniformidade de tamanho,cor e rebrota) e uma adubação orgânica com os restos do curral curtido. Com a experiência adquirida, parte-se para uma melhor organização de tamanho e número de piquetes, acertando o tempo de pastejo (reduzindo) e incrementando a nutrição das plantas (calagem superficial e NPK), para depois, reformar o pasto implantando uma melhor espécie forrageira.