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Distribuição das excretas de bovinos em pastagem

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 21/03/2012

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É com certeza um grande desafio a distribuição de fezes e urina no pasto uma vez que é desuniforme. Portanto, torna-se mal distribuídos os nutrientes que retornam à pastagem, sendo influenciados em função do comportamento do animal e ainda o manejo empregado no sistema.

Bovinos geralmente urinam 8 a12 vezes por dia e defecam 11 a 16 vezes por dia. Ovinos urinam 18 a 20 vezes e defecam 7 a 26 vezes por dia. Cada vez que o bovino e carneiro urinam o volume médio excretado varia de 1,7 a 2,3 litros e 0,11 a 0,19 litros, respectivamente. Já o peso médio por defecação varia de 0,03 a 0,17 kg para ovinos (Haynes e Williams, 1993, citados por Joost, 1996). Ainda, outros autores, verificaram que bovinos Nelores mantidos em gramíneas do gênero Brachiaria ou Panicum produzem cerca de 1 kg/dia de esterco para cada 100 kg de peso vivo. Logicamente que os valores referidos tendem a variar de acordo com a estrutura do animal, da dieta e principalmente de condições climáticas.

Na atividade leiteira, por exemplo, normalmente os animais são trazidos do pasto para áreas próximas ao curral duas vezes por dia para serem ordenhados. Somente na espera na sala de ordenha, estima-se que 14% das excretas produzidas por vacas Holandesas não retornaram ao pasto. Na ocasião em que o período de espera das vacas é realizado em piquetes próximos ao curral, alguma quantidade destes nutrientes ainda poderá ser aproveitada pelas plantas aí existentes. Contudo, a deposição em lugares não produtivos, fatalmente ocorre. Cita-se as proximidades de cochos, bebedouros, abrigos para os animais, abrigos para ordenha, lugares com sombra, no pátio do curral e em cursos de água.

Outro aspecto a ser considerado na distribuição desuniforme de nutrientes pelas excretas dos bovinos é que sua deposição pode estar associada ao desenvolvimento de deficiências nutricionais para plantas de algumas áreas e excesso de nutrientes em outras.

Em fazendas de exploração leiteira na Nova Zelândia com piquetes rotacionados utilizados no período diurno e consorciados com gramínea/leguminosa, observou-se dominância da leguminosa. O inverso aconteceu para os piquetes usados no período noturno (predominância da gramínea). Tal fato foi atribuído aos maiores retornos de N pelas excreções dos animais no pastoreio noturno acarretando menor concentração de N no solo nas áreas de uso diurno. Nesta ocasião, o desenvolvimento das leguminosas não foi prejudicado, haja vista sua capacidade de fixação de N atmosférico (Haynes 1993).

Cabe ressaltar que as áreas usadas no período noturno foram menores, o que proporcionou melhor distribuição das excretas e consequente aproveitamento pelas plantas. Além disso, maior número de evacuações acontece durante o pastoreio noturno, o que pode explicar áreas de maior concentração de fezes produzidas neste período favorecendo a gramínea nesta condição.

Em termos de manejo, o conhecido como pastejo "rotacionado" com elevada taxa de lotação, permite uma menor tendência dos animais em se agruparem, tendo melhoria na distribuição das excretas no piquete. Entretanto, caso haja algum atrativo para os animais nestas áreas (sombras, aguadas, cercas) e um maior período de pastejo, a uniformidade na distribuição das excretas pode não ocorrer. Alguns estudos verificaram 60% das fezes e 55% da urina produzidas pelos bovinos foram depositadas em áreas de descanso.

Na ocasião de dias muito quentes é normal que os bovinos se abriguem em locais que ofereçam sombra e tendem a ir ao bebedouro com maior frequência. Para melhor distribuição das excretas, sugere-se o uso de bebedouros portáteis, mudando de lugar frequentemente.

Pode-se imaginar que, quanto maior a uniformidade da distribuição das excretas no pasto, mais reduzida será a necessidade de uso de fertilizantes para atender as necessidades nutricionais das plantas. Essa heterogeneidade de fertilidade do solo, bem como, a irregularidade de produção de forragem nestes ambientes é desenvolvida e mantida pelo pastejo seletivo imposto pelo animal.

O efeito proporcionado pelas fezes em relação à produção animal pode ser resultado da combinação de uma série de fatores como: número, tamanho, peso e área ocupada pelas fezes, padrão de distribuição no pasto, efeito no crescimento e consumo das forrageiras, taxa de decomposição, bem como a dependência desses fatores aos aspectos relacionados às condições climáticas e ao manejo adotado em cada propriedade.

A presença das fezes em pontos do pasto, normalmente, causa rejeição ao consumo do animal ficando essa porção não consumida até que o efeito da rejeição diminua com o tempo ou novas áreas mais recentes recebam excretas passando a substituí-los.

Há estimativas que garrotes de 1 a 2 anos defecam em áreas que abrangem cerca de 0,3m2/dia e touros e vacas em torno de 0,8m2/dia. Áreas que variam de 5 a 12 vezes o diâmetro das fezes não são pastejadas, devido especialmente ao odor. O período de rejeição pode variar de 2 a 3 meses ou ainda por períodos maiores que 12 meses. Logo, é significativa a redução da área efetiva de pastejo.

Nesta ocasião, a incorporação das fezes ao solo, realizada por besouros coprófagos (conhecidos como "besouro rola bosta") poderia reduzir o tempo e a formação de áreas de rejeição. Haja vista que o bolo fecal enterrado acaba sendo decomposto de maneira mais rápida, disponibilizando quantidades significativas de N e P. Deve-se considerar que por volta de 10% do N do esterco são perdidos por volatilização de amônia até 3 dias após dejeção. Para o N da urina, as perdas chegam até 30 e 76% em solo coberto e descoberto, respectivamente.

Enfim, os efeitos na produção de forragem, proporcionadas pelas excretas dos animais no pasto, é de grande importância. O manejo correto do pastejo favorece não só a produção de forragem, mas também a distribuição de excretas que é responsável pela reposição de parte de nutrientes no solo que implica em menores gastos com adubos, viabilizando o sistema produtivo.

Referências bibliográficas

HAYNES, R.J.; P.H. WILLIAMS. Nutrient cycling and soil fertility in the grazed pasture ecosystem. Advanced Agronomy, v.49, p.119-199, 1993.

JOOST, R.E. Nutrient cycling in forage systems. In: JOOST, R.E; ROBERTS, C.A. (Eds.) Nutrient cycling in forage systems. Columbia: Misouri, 1996. p. 1-12.



LUIZ CARLOS VIEIRA JÚNIOR

Zoootecnista, Doutorando em Zootecnia
Nutrição e Produção de Ruminantes
UNESP/Botucatu

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

WELTON BATISTA CABRAL

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Agricultura Tropical/UFMT

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MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/07/2018

Ana bom dia

Sinceramente eu nunca vi nenhum trabalho que fale sobre isso, no entanto, precisamos saber qual a concentração de Ureia na urina e o quanto isso é aproveitado no solo. Porém, eu desconheço um trabalho que fale sobre o assunto e não tenho ideia do quanto pode ser acrescido na pastagem. Saliento também que você não irá conseguir fechar as quantidades de ureia somente com a urina. Além disso, o cheiro na pastagem vai interferir no pastejo pelo animais comprometendo sua produção.
Att. Marco Aurélio Factori
ANA PAULA BOTELHO BARBOSA

EM 27/07/2018

ola sou gerado ,eu trabalho com piquete rotacional ,todos montado com inrigacao are de 2 hectarias piquetada .Eu trabalho com ureia mensalmente em cada puiquete apos o pastoreio .Qual a proporcao de urina de vaca que eu posso substituir a ureia ?
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/07/2018

Prezado Roberto.

Primeiramente, retire imediatamente os animais deste local. Não deixe de forma algum os animais beberem esta água. Isto não é saudável para os animais. Recomendo cercar a área e fornecer esta mesma água (que vai se renovando com o tempo) em uma caixa fora desta represa ou lago. Porém, a quantidade excessiva de excretas pode sim interferir no crescimento e desenvolvimento de peixes deste local. Att. Marco Aurélio Factori
ROBERTO RAMOS

LUZIÂNIA - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/07/2018

Obrigado por me responder
Eu gostaria de saber se vc tem algum artigo que fala a respeito destes efeitos nos peixes ou na biodiversidade aquática causados pelo excesso de amônia das fezes e o de ureia nas ruínas ou se vc pode indicar me alguém pois estou fazendo um estudo

Desde já agradeço amigo
EM RESPOSTA A ROBERTO RAMOS
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/07/2018

Prezado Roberto.

Me desculpe mas não tenho esta informação. Att. Marco Aurélio Factori
ROBERTO RAMOS

LUZIÂNIA - GOIÁS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/07/2018

Boa noite MARCO AURÉLIO FACTORI
Tudo bem?
Tenho um lago artificial e meu gado bebe água e defesa e urina nele todos os dias. Eu gostaria de saber se a quantidade de amônia e ureia contida nas fezes e na urina podem matar a matéria orgânica ou a vida aquática levando a escassez de alimentos orgânicos para a vida aquática (peixes)deste lago? E qual a quantidade para que isso aconteça?
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/03/2018

Bom dia Eduardo

Sim, somos os autores. Att. Marco Aurélio Factori
EDUARDO BRUNA MARQUES SILVA

EM 15/03/2018

Sou aluno de Zootecnia, gostaria de fazer uma citação em minha pesquisa sobre este artigo, gostaria de confirmar se são os três autores os responsaveis pelo texto, no caso, Luiz Carlos Viera Junior, Marco Aurélio Factori e Welton Batista Cabral?
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/05/2014

Prezado Osnei



Estamos sempre a disposição. Um grande abraço e obrigado pelos comentários.

Att. Marco Aurélio Factori
OSNEI ABEL LOPES

IRATI - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/05/2014

Boa tarde!!! Sou técnico em Agropecuária lotado na Secretaria Municipal de Agropecuária, estamos intensificando o trabalho voltado a Bacia leiteira no município, que conta com 350 produtores com produção que vai de 50lts/dia a 800 lts/dia nas propriedades. Informações importantes e esclarecedoras irão nos ajudar a desenvolver com mais eficiência a cadeia produtiva de leite em nosso município. Parabéns a todos os colaboradores do milkpoint.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/04/2014

Prezado Ananias



Como você citou, com certeza este esterco deve ser oriundo de uma compostagem (material estabilizado e quase sem cheiro), pois este processo elimina todo e qualquer problemas quanto a contaminação do pasto com larvas de parasitas, no entanto sobre o fato do cheiro na pastagem e diminuição do consumo do pasto pelo animal pode ser comprometido em função das quantidades aplicadas. Mas ainda, saliento que em sistemas de irrigação o fato da utilização da mesma acaba lavando o pasto e com isso, em função do descanso deste pasto (no caso como citado ao redor de 20 dias) não terá problemas com o consumo. Sendo assim, deste forma, este manejo de irrigação de estrumes como você citou poderá ter benefícios. Para tanto, todo e qualquer manejo deve ser bem estudado para que não haja problemas. Considerando esta situação, o processo torna-se favorável. Estamos a disposição. Um grande abraço, Att. Marco Aurélio Factori.
CELMO ALVES

ITAMARANDIBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/04/2014

Aproveitar a fezes dos bovinos e uma uma alternativa muito interessante, com o altos custos dos fertilizantes químico  eu vejo como uma saída para minimizar os custos de produção e uma forma sustentável de produzir. Pretendo usar o esterco do meu curral, estarei economizando e fazendo a limpeza do ambiente evitado doenças e moscas. Visitei uma propriedade que tá fazendo isso, ele aduba o capim tifton e o resultado e espetacular.
ANANIAS DUARTE

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 11/04/2014

Vi um video de uma fazenda no sudoeste baiano, com alta produção de leite/ha., em que aparece uma mini-canhão aspegindo estrume das vacas na pasto de tifton irrigado. Não deu pra saber se aquilo era estervo curtido (tipo biofertilizante) ou se era fresco mesmo. O que deu pra perceber é que o sistema é rotacionado, com 21, 22 dias de descanso e um de pastejo. Confesso que fiquei interessado, porém tenho dúvida como usar o esterco como adubo e não prejudicar/contaminar o pasto.

Factori, conto com seus valorosos conhecimentos.
LUCAS MARTINS COUTO

ITAOCARA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/04/2014

Marco Aurélio Factori, obrigado pelo esclarecimento.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/04/2014

Prezado Ananias



Nos que agradecemos pelo contato. Estamos a disposição.

Att. Marco Aurélio Factori
ANANIAS DUARTE

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 07/04/2014

Caramba ... isso é que é informação de qualidade e valiosíssima para o manejo do pasto e pastejo. dez, nota dez. Há muito, procurava por essa informação. Obrigado e parabéns.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/01/2014

Prezado Nelsomar



Muito obrigado pelo comentário. No caso de irrigação e ainda devido às quantidades colocadas na área, o fato da diminuição do consumo pode ser minimizado pois a água da irrigação ao mesmo tempo espalha as fezes e acaba "lavando" o capim. Colocar o esterco, sem  a posterior  irrigação, com certeza irá promover diminuição no pastejo pelos animais.

Um grande abraço. Att. Marco Aurélio Factori.
NELSOMAR PEREIRA FONSECA

MUTUM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/01/2014

Em minha propriedade tenho hoje 28 piquetes de Mombaça, irrigados pôr aspersão tubos enterrados, onde o esterco e a urina da minha sala de ordenha e área de espera cai em um depósito e posteriormente, uma vez pôr semana ou semana e meia, este material e aspergido na área, e faço ao mesmo tempo a irrigação, onde os animais já passaram, de preferência nos últimos piquetes, dando assim tempo para o capim crescer, não tendo observado ainda rejeição no pastejo. O numero de vacas na ordenha esta sendo em média de 40 animais.

Nelsomar Pereira Fonseca
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/01/2014

Prezado Lucas



O uso de desejos em pastagens deve ser feito tomando os devidos cuidados em relação a dois aspectos, quanto ao cheiro (que pode reduzir o consumo de pasto pelos animais, por isso deve ser dado um descanso ao capim, de preferência no período de chuvas) e ainda cuidados com a proliferação de ovos e larvas de vermes, mas no seu caso como fará a compostagem este fator é minimizado. Caso tenha alguma capineira para colocar o esterco acredito ser melhor pois neste caso pode colocar o esterco in natura (ou ainda verde, como alguns chamam) que não há problemas. Na distribuição, em pasto procure esparramar bem e coloque poucas quantidades, mas como falei anteriormente tome cuidados com o consumo do pasto depois para os animais. Em áreas em descanso ou áreas que irão ser implantadas, o esterco pode ser acrescido normalmente. Qualquer coisa estamos a disposição.

Att., Marco Aurélio Factori
LUCAS MARTINS COUTO

ITAOCARA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/01/2014

Construí um curral e uma esterqueira, gostaria de receber alguma informação ou algum comentário da maneira correta de como utilizar esse dejeto em minhas pastagens?  Obrigado, Lucas Martins Couto.                      
IGOR SANTOS FREITAS

MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 09/10/2013

Parabéns pelo artigo. Esse assunto é de suma importância para melhorias no manejo de uma propriedade. Muito bom.
RICARDO SCHMIDT DIAS -

SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/06/2012

Eu também ja notei que se espalhar as fezes reduz bastante o tempo de áreas de rejeição.