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Dieta de alto grão vs urolitíase em pequenos ruminantes

POR THALES DOS ANJOS DE FARIA VECHIATO

E ENRICO LIPPI ORTOLANI

PRODUÇÃO

EM 12/11/2008

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A ovinocultura está crescendo nos últimos 5 anos por ser uma criação de ciclo curto, maior taxa de lotação em regiões onde o valor do hectare é alto, uma alternativa de fonte de renda em pequenas propriedades, associada a um rápido retorno econômico do capital investido por parte dos pecuaristas.

A pecuária nacional tem se intensificado a cada dia, seja nos setores de consultoria e contratação de pessoas especializadas, visando melhorar as áreas de sanidade, manejo e nutrição.

O manejo nutricional é o mais sujeito a mudanças. Por exemplo, em meados de 2000 a proporção volumoso : concentrado era de 60% : 40% nos confinamentos, sendo que hoje em dia existem dietas de baixo grão (até 40% de concentrado energético na dieta total), médio grão (41 a 69%) e alto grão (acima de 70%).

Dietas com altos teores de concentrados energéticos apresentam vantagens em comparação às dietas ricas em volumosos, pois são de fácil depósito e manejo, proporcionam rápido acabamento de carcaça e ganho de peso elevado em animais confinados. Com esse tipo de dieta, o cordeiro que antes ficava de 60 a 90 dias confinado, é terminado em 45 - 60 dias. Porém, apesar dessas vantagens, os animais ficam expostos a algumas afecções digestivas, como acidose, intoxicação por uréia, timpanismo e urolitíase.

A urolitíase é uma enfermidade que ocorre com freqüência em pequenos ruminantes. Os concentrados energéticos, em especial os grãos (milho, sorgo, trigo, arroz, soja etc.), são muito ricos em energia, proteínas e fósforo, porém, são pobres em fibra efetiva, predispondo ao surgimento da urolitíase. Quando as dietas são predominantemente constituídas por grãos ocorre diminuição do tempo de ruminação (cerca de quatro vezes menos que em uma dieta rica em volumosos), diminuindo, então, a produção de saliva.

A alta ingestão de fósforo aumenta a quantidade do mesmo na corrente sanguínea, aumentando sua excreção via urina. A reciclagem do fósforo ingerido se dá pela produção de saliva, a qual é reduzida juntamente com a diminuição do tempo de ruminação. Ao invés de ser excretado pela saliva, o fósforo passa a ser eliminado pela urina, predispondo à formação de cálculos, levando ao quadro de urolitíase. Portanto, quanto maior for o período e capacidade da dieta em estimular a ruminação, menor será o teor de fósforo sangüíneo, e por conseqüência, menor será a eliminação de fósforo pela urina.

O fósforo urinário em altas concentrações em algumas circunstâncias se torna insolúvel, formando cristais que amalgamados, formam cálculos capazes de obstruir a uretra dos pequenos ruminantes. Porém, as quantidades de fósforo excretadas via urina são baixas em ovinos que recebem grandes volumes de forragens ou fibras na dieta total.

A literatura cita que teores de fósforo acima de 0,8% promoveram o surgimento da urolitíase em 73% dos ovinos estudados, sendo que ocorreu maior predisposição naqueles da raça Texel. Os machos são mais acometidos do que as fêmeas devido ao maior comprimento e menor diâmetro de sua uretra. Normalmente, os locais de obstrução são o processo uretral (apêndice vermiforme) e a flexura sigmóide, a qual corresponde ao "S" peniano. Os cálculos geralmente são formados por sais de cálcio ou fosfato. Porém, em pH urinário ácido ocorrerá a formação de cálculos de silicato, e em pH alcalino, de cálculos de estruvita e fosfatos. O pH da urina dos ruminantes tende a ser alcalino. Tal fato, associado à alta ingestão de fósforo predispõe à formação de cálculos de estruvita e fosfatos, principalmente. No entanto, a dieta exerce influência direta no pH urinário.

Animais com urolitíase podem apresentar bruxismo, dor ao urinar, contrações abdominais constantes, urinar em "gotas", presença de sangue na urina e cristais nos pêlos ao redor do prepúcio, semelhantes a areia.

Figura 1: Ovino com urolitíase - nota-se o edema na região prepucial.


Fonte: Google imagem, 2008.

O tratamento deverá ser feito e acompanhado por um médico veterinário, uma vez que o risco de ruptura de uretra ou bexiga é grande nos casos de urolitíase.

Para evitar o surgimento de urolitíase os técnicos têm recomendado o uso de cloreto de amônio para acidificar a urina e prevenir o surgimento dos cálculos. A utilização excessiva deste sal pode desencadear o surgimento de efeitos colaterais, tais como a diminuição do consumo de matéria seca e acidose sistêmica.

Bibliografia consultada

PUGH, D.G. Clínica de Ovinos e Caprinos. São Paulo: Roca, 2004. p.300-305.

RADOSTITS, O. M.; GAY, C. C.; BLOOD, D. C.; HINCHCLIFF, K. W. Clínica veterinária: um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e eqüinos. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 1737 p

THALES DOS ANJOS DE FARIA VECHIATO

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TUANE CONCEIÇÃO

MIRACEMA - RIO DE JANEIRO

EM 18/11/2008

Primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo estudo. A urolitíase está se tornando uma enfermidade comum de se ver. Acompanhei um caso em dois caprinos, onde a causa tinha sido ingestão de ração para eqüinos. em um dos animais a bexiga já tinha rompido levando à uroperitôneo. Infelizmente o tratamento não obteve sucesso, ambos faleceram. Gostaria de saber se o uso do ácido acético para acidificação da urina é correto?
Grata.
FERNANDA LOBO FERNANDES

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2008

Boa tarde senhores,
Ótima abordagem sobre grãos vs urolitíase. A prevenção é realmente de extrema importância, visto que o tratamento nem sempre é eficaz.
Gostaria de saber a respeito da proporção a ser utilizada de cloreto de amônio na dieta e também o que os senhores dizem sobre o uso de calcário calcítico ao invés do cloreto de amônio na prevenção desta enfermidade?
Grata.