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Controle zootécnico na prática

POR OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

PRODUÇÃO

EM 30/05/2008

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Em meu último artigo tratei o assunto escrituração zootécnica e econômica e fiquei muito feliz ao receber um grande número de comentários, positivos diga-se de passagem, e também uma série de pedidos para que eu indicasse formas de anotar, sugerisse uma planilha ou um software de controle.

Pois bem, primeiro vamos colocar as coisas em ordem. Quem irá fazer as anotações? Se quem vai anotar está acostumado com o uso de computador, a anotação pode ser feita diretamente em planilha num micro, num lap top ou num palm top. No entanto, sugiro o uso de papel para essa primeira anotação, para transcrição para o computador o mais breve possível. Porquê? Porque aprisco, balança e tronco são locais cheios de poeira, excrementos e sujeitos a pequenos acidentes aos quais o papel quase sempre resiste, mas os computadores não. Por outro lado, a maior parte dos dados anotados pode ser feita pelos trabalhadores de campo (cuidado! Esses dados têm que ser conferidos sempre), e muitas vezes o proprietário ou o gerente não estão presentes nos eventos diários.

Quanto à identificação é imprescindível numerar os animais (colar, brinco, tatuagem, etc.). O número tem que ser único, não se podem aproveitar brincos e colares com número de outros animais, pois isso cria confusões nas anotações. É sempre bom adotar numeração crescente, pois assim já se tem idéia da geração à qual aquele animal pertence e pode-se identificar erros de anotação com mais facilidade (por exemplo, pai com número maior que o do filho).

Pois bem, já dei a idéia do uso das agendas no artigo anterior. Essas agendas são do tipo que a gente ganha de empresas ou compra em papelarias. Para mim essa idéia da minha amiga Dra. Maria Isabel Boffil é a mais genial. O funcionário tem que estar sempre com a agenda em mãos (prenda uma caneta com um fio à agenda para evitar desculpas para não anotar na hora). O acontecimento é anotado na página correspondente ao dia e na ordem em que ocorre. Deve-se anotar:

• Nascimento de cordeiro: número da mãe, número do pai, peso ao nascer, número do brinco, tipo de nascimento (simples, duplo, triplo...), observações gerais (abandonado pela mãe, defeitos físicos, etc);
• Mortes: número do animal e causa aparente;
• Pesagens dos animais, tanto de cordeiros que deve ser feita pelo menos mês a mês, quanto de adultos, que pode ser mais espaçada, mas deve-se sempre aproveitar as passagens de animais no brete para vermifugação e vacinação para realizar pesagem;
• No caso das produções leiteiras, deve-se anotar o peso do leite produzido por cada cabra ou ovelha, pelo menos uma vez a cada duas semanas. O peso é melhor que o volume, porque não depende de o leite estar frio ou quente, ter espuma ou não;
• Vacinações e vermifugações: se for todo o rebanho, fazer uma lista com os números dos animais tratados. Isso é importante para identificar algum animal que tenha ficado de fora por qualquer motivo. A pesagem nessa ocasião é útil para determinar a dose de vermífugo a ser usada e também será útil porque o custo de vermifugação será computado de acordo com o volume ministrado;
• Medicação. Se um animal recebe um medicamento, como um antibiótico, deve-se anotar o número desse animal, o medicamento aplicado e a dose. Se a medicação é para todo o rebanho, vale o que já dissemos para o caso de vacinações e vermifugações;
• Suplementação alimentar. Os rebanhos costumam receber alguma suplementação de minerais (sal mineral), volumosos (cana, capim, feno, silagens). A data de início da suplementação deve ser anotada, assim como a categoria que a está recebendo e o volume (peso) utilizado. Na suplementação constante, como a de sal mineral, deve constar o início e o final do uso de uma quantidade (um saco, por exemplo), para determinar o consumo, ou o peso consumido em determinado tempo. Esse item tem grande importância na determinação dos custos;

Na anotação econômica (esta fica sempre a cargo de quem gerencia):

• Nas vendas, anotar o número e o peso de cada animal vendido, bem como o valor recebido por quilo. Se o animal for vendido por unidade, anotar o peso é dispensável, mas pode contribuir nas avaliações futuras. Anotar o motivo de venda (abate, descarte voluntário, reprodução). No caso dos animais vendidos para reprodução é bom anotar para onde foram vendidos. Nas produções leiteiras anotar as vendas de leite e o valor recebido, ou a venda de produtos (queijos, iogurte, doces). Se houver venda de outro produto, como esterco, couro, sangue, também deverá ser anotada;
• Compras ligadas ao funcionamento do sistema: quantidade e preço de adubos, calcário e sementes para pastagens, óleo diesel para trator, tanto para pastagens como para silagens, plantios e colheitas, arame, tela, grampos, mourões, telhas, ferramentas, etc. Esses itens devem ser anotados em livro a parte, dentro de cada mês. Medicamentos, vacinas, vermífugos, sal mineral, concentrados e volumosos. O abate para consumo pelos empregados deve entrar como compra pelo valor normal de venda, ou pelo custo de produção (há controvérsia);
• Pagamentos de contas (luz, telefone, ITR, etc), salários e encargos, mão de obra temporária, desde que envolvidos com a produção.

A idéia da agenda me parece assim tão boa porque as anotações são feitas a qualquer momento, criando um hábito e também porque não se acumula trabalho. O tratador vai curar o umbigo de um recém nascido e já coloca brinco, pesa e anota os dados. Não é tão trabalhoso. A anotação econômica já requer mais disciplina, pois às vezes fazemos compras ou pagamos contas em momentos nos quais não é tão fácil anotar imediatamente, mas se no final de todo dia anotarmos os gastos a tarefa fica mais fácil. Outro meio é usar envelopes com a identificação de mês e ano e guardar as notas fiscais.

Com as anotações em ordem, devemos passá-las para fichas de papel ou para planilhas e programas em computador. As fichas de papel dão mais trabalho quando se quer uma informação mais elaborada, como por exemplo, total de quilos de leite produzidos por uma ovelha em cada uma de suas lactações, média de ganho de peso de cordeiros no período da seca, etc. Numa planilha eletrônica simples essas estatísticas ficam mais fáceis de serem obtidas, e em softwares de controle de rebanho, pode-se obter esses resultados com muito mais facilidade.

Um alerta é necessário, no entanto. Quando as anotações estão em fichas ou em planilhas, é mais fácil para o melhorista (pesquisador ou técnico que trabalha com melhoramento) adequar os dados aos programas de análise. Os softwares podem até oferecer algum tipo de análise genética, mas para programas de melhoramento, onde estão envolvidas várias fazendas, o melhor é passar os dados brutos para o melhorista, para que sejam adequados ao tipo de análise a ser usada.

Eu poderia até montar uma planilha para anotações e colocá-la disponível, mas vou teimar em fazer isso somente quando os possíveis usuários se comprometerem a usá-la para anotar e gerenciar o empreendimento pecuário, e a enviarem os dados para análise. O melhor seria que assumissem um compromisso de colocarem esses dados à disposição de programas de melhoramento. Até lá, sugiro que cada um monte suas fichas ou planilhas com as dicas que estou passando e para aqueles que gostam de um pouco mais de sofisticação, que comprem softwares de controle de rebanho ou que baixem as versões gratuitas disponíveis na Internet.

Cérebro e mãos e à obra!

OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

Melhoramento Genético de Caprinos e Ovinos - Embrapa

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LEONARDO MELO

EM 04/09/2018

Boa noite, gostaria de receber sua planilha, você pode enviar para leomelovet@gmail.com, obrigado pela atenção.
LEILA FEITOSA

OVINOS/CAPRINOS

EM 07/06/2017

GOSTARIA DE RECEBER A PLANILHA ENVIA PARA LEILAMGFEITOSA@HOTMAIL.COM
AECIO NETTO

CORURIPE - ALAGOAS - OVINOS/CAPRINOS

EM 23/08/2011

Bom Dia.



Gostaria de saber se tem possibilidade do Sr. me mandar alguns exemplos de planilhas para eu ter alguma ideia de como controlar melhor meu rebanho de bovinos. Obrigado

SAMUEL PINHEIRO FERREIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 28/02/2009

A planilha está pronta os amigos que tiverem interesse em recebela favor enviar um e-mail para samuelmedvet@hotmail.com

Quero opiniões sinceras e dicas para melhorias.

Obrigado

OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

SOBRAL - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2009

Obrigado pelo comentário, Samuel. Acho que seria ótimo você tornar disponível sua planilha e eu mesmo quero recebê-la. Um abraço.
SAMUEL PINHEIRO FERREIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 26/02/2009

Muito bom esse artigo,

Tenho trabalhado em uma planilha de excel onde seriam organizados todos estes dados e com esse artigo poderei complementar e muito minha planilha. Se for de interesse posso enviar para os companheiros para poder ouvir opniões e criticas a respeito do meu trabalho.

Um grande abraço a todos e Parabenizo o Octávio Rossi pelo artigo.
MARCUS VINICUIS DA FONSECA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/06/2008

Caro Octavio ,

Trabalho com caprinos de leite,na coleta de dados, onde hoje voce falou tudo ,pois o controle zootecnico é fundamental e sem ele não temos como medir nossa eficiência , e conhecer rebanhos , sendo fundamental a qualidade dos mesmos para dados consistentes.
Parabens!!!!
OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

SOBRAL - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 03/06/2008

Obrigado Guilherme, Márcio e Ananias, pelas considerações e interesse. As escriturações zootécnica e econômica, além de serem imprescindíveis para a parte gerencial, são imprescindíveis, também, para o melhoramento genético.

Márcio, com o que coloquei no artigo, você pode montar uma planilha de computador (Excel por exemplo) com fichas individuais e coletivas, ou fazer fichas em papel mesmo. Põe lá: ficha 1, animal nº x, data de nascimento x/x/x, pai nº Y, mãe nº W. Parto: ordem 1, reprodutor nº Z. tipo: duplo, cordeiro 1 macho nº R, cordeiro 2 fêmea nº S. Aí cria a ficha dos cordeiros nº R: mãe:X, pai: Y, data nascimento, peso ao nascimento... e assim vai.

Quando você usa um programa essas anotações são feitas em janelas próprias. Espero ter ajudado. Um abraço.
CAPATAZ ASSESSORIA RURAL

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 02/06/2008

Dr. Otávio; parabéns por mais esse instrutivo artigo.
A sua opinião, como formador de opinião, é de suma importância para o desenvolvimento da ovinocaprinocultura em nosso pais.

Comungo, 100%, com o seu ponto de vista e suas sugestões. Fico feliz, pois conheço e uso um software que faz tudo que o Sr. sugere, no que se refere a Escrituração Zootécnica (EZ). Quanto à parte econômica, ainda falta alguma coisa. Mas, considerando que conheço os desenvolvedores do tal programa, vou passar suas dicas para eles.
Entretanto, confesso que estou satisfeito com as informações zootécnicas produzidas pelo programa que uso. Quanto a parte econômica, por serem mais fáceis e menos complexas, uso uma planilha eletrônica o uma planilha eletrônica para apurar o resultado do meu negócio, o qual, diga-se de passagem, melhorou, significativamente, após a adoção da EZ.
MÁRCIO APARECIDO VILARINHO GOMES

CAPINÓPOLIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 02/06/2008

Boa tarde.

Lendo este artigo, gostaria de saber se tem possibilidade do Sr. me mandar alguns exemplos de planilhas para eu ter alguma ideia de como controlar melhor meu rebanho de ovinos. Obrigado
GUILHERME DAGNONI

IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/05/2008

Parabéns pelo artigo Octávio!

É de grande relevância o assunto gerenciamento nos empreendimentos rurais. Notamos no dia a dia que o produtor sabe muito sobre a atividade, mas falta um conhecimento administrativo para o negócio. Todas as atividades operacionais podem ser bem feitas, mas sem um controle na ponta do lápis dos custos e rendimentos da atividade, dificilmente o proprietário vai responder a seguinte pergunta: O meu negócio é rentável?

Pela prática vejo que apenas uma pequena organização na estrutura de registro de dados de rebanho, insumos, reais/kg na venda, fazem uma grande diferença no balanço final do produtor. Diferenciando quem esta na atividade por hobby, de passagem ou por um longo período.

No mercado há diferentes softwares que ajudam nessa organização. Com uma simples mudança na hora de registrar os dados da minha produção, passei a ter mais controle da mesma, gerando mais ganhos na hora da venda.

O final do artigo "Cérebro e mãos à obra" é fantástico para essa mudança de mentalidade!

Nós da área temos que usar cada vez mais ferramentas administrativas para profissionalização da ovino/caprino cultura.