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Competitividade da carne ovina brasileira no mercado internacional

PRODUÇÃO

EM 27/01/2011

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Este artigo faz parte do Estudo de Mercado Externo de Produtos e Derivados da Ovinocaprinocultura da editora Méritos. Este trabalho foi viabilizado pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Sistema Agroindustrial, cuja gestão cabe ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC.

Sua execução foi possível graças à celebração de convênio entre a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) e o MDIC. Elaborado a partir de proposta da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) - representa sinergia entre as ações das Câmaras Setoriais do MAPA e a PDP do Sistema Agroindustrial do MDIC.

Este artigo faz parte do capítulo 8, "Competitividade da carne ovina brasileira no mercado internacional".


Introdução

Quando se compara preços de importação e exportação, deve-se lembrar que os países que exportam informam o preço com base FOB (free on board - livre à bordo, em inglês), no porto de origem da mercadoria. Já os países importadores informam o preço com base CIF (cost, insurance and freight - custo, seguro e frete, em inglês), no porto de chegada da mercadoria.

Para fins de comparação, será demonstrado o preço comparativo da carcaça ovina nos diferentes países, com exceção da China, que não importou carcaças em 2008 e, neste caso, está sendo considerado o preço da carne com osso.

Entre os países exportadores, a carne refrigerada vale um terço a mais do que a congelada. O preço da carne congelada obtido pela Índia foi quase 40% superior ao obtido pela Nova Zelândia. E na carne refrigerada, os EUA conseguiram preço 90% superior àqueles obtidos pelo Uruguai.

Estes números têm que ser vistos com cuidado, pois os volumes exportados por Austrália e Nova Zelândia são muito superiores aos de qualquer país e suas médias correspondem a amostras mais extensas. A distância dos portos de destino também influencia a formação de preços nos mercados exportadores.

Tabela 1 - Preço da carcaça ovina, países exportadores - 2008 (US$/t).



O preço da carne ovina nos mercados importadores varia bastante, de acordo com nível de renda do país, com as exigências dos consumidores, com o tipo de animal - cordeiro ou adulto -, e com o fato de a carne ser refrigerada ou congelada. Naturalmente, os países exportadores destinam os animais mais jovens e os cortes mais nobres para os países importadores que se dispõem a pagar mais pelo produto.

O México paga menos da metade do preço pela carne congelada e pela carne refrigerada do que a União Europeia, que pratica os preços médios de importação mais altos do mundo.

Tabela 2 - Preço da carcaça ovina nos países importadores - 2008 (US$/t).



Em alguns poucos casos, a carcaça refrigerada vale menos do que a congelada. São duas explicações principais - ou os dados se referem à carne de animais adultos, enquanto parte da carne congelada é de cordeiros, como é o caso da importação brasileira, ou então o volume de carcaça refrigerada é muito pequeno em comparação à congelada, como é o caso dos EUA.

A partir dos valores nos mercados importadores, é possível conduzir um raciocínio para determinar o preço que pode ser pago ao criador para que a carne ovina brasileira seja competitiva no mercado internacional.

As cotações médias do custo de frete saindo dos portos brasileiros em agosto de 2009, incluindo as taxas locais de desembarque (aproximadamente US$ 150 por container), estão demonstradas na Tabela 3.

Tabela 3 - Preço de frete de container refrigerado conforme o porto de embarque - agosto 2009 (US$/container de 40 pés ou 28,3t).



Se cada container de 28,3 toneladas custa, em média, US$ 4.095 para chegar ao destino, significa dizer que cada tonelada transportada sai em média por US$ 145, ou US$ 0,15 (quinze centavos de dólar por kg).

Levando-se em consideração os preços CIF de referência pagos pelos países importadores, demonstrado e deduzindo-se o custo de frete médio, é possível definir os preços FOB da carne embarcada nos portos brasileiros (levando-se em conta um dólar custando R$ 1,75 em outubro de 2009):

Tabela 4 - Preço FOB máximo estimado da carne ovina brasileira, conforme o destino da importação (R$/t).



Se for levada em conta uma margem de comercialização de 15% do frigorífico exportador, então o preço ao produtor seria aproximadamente o seguinte:

Tabela 5 - Preço máximo estimado da carne ovina ao criador brasileiro, conforme o destino da exportação e do tipo de carne exportada (R$/kg de carcaça).



Se forem considerados os preços médios pagos pela carne ovina no Brasil no mês de setembro de 2009, R$ 6 por kg de carcaça, o país é pouco competitivo no mercado internacional. Só conseguiríamos exportar carne refrigerada, para a União Europeia, para a Arábia Saudita, para os Emirados Árabes Unidos e para o Japão. Em nenhum país o Brasil seria competitivo com carne congelada.

Em relação aos animais vivos, o volume de trocas internacionais é significativo, mais de US$ 1 bilhão por ano. Porém, são destinados para este tipo de comércio os animais mais velhos, ovelhas e machos capões de descarte. Por este motivo, o preço que é pago por cabeça costuma ser baixo. Em um navio de exportação de ovinos são carregados 40 mil animais, mais alimentos e água, e o preço de frete por animal, com as taxas portuárias, fica em torno de US$ 20 para o Oriente Médio e US$ 15 para África do Sul e México.

Fazendo o mesmo raciocínio que foi aplicado para a carne ovina, com margem do exportador de 10%, o preço que poderia ser pago ao produtor brasileiro para exportação de ovinos vivos seria o seguinte (dólar de R$ 1,75 em outubro de 2009):

Tabela 6 - Preço máximo estimado do ovino vivo para abate ao criador brasileiro, conforme o destino (R$/cabeça).



Este mercado de exportação de animais vivos para abate em outros países pode se tornar uma alternativa principalmente para os criadores situados mais próximos aos portos escoarem seus animais mais velhos, que não são tão interessantes para os frigoríficos, que tendem a preferir os cordeiros.

O estudo está disponível para download no site da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO)

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APARECIDO ROBERTO

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/03/2014

ola amigo queria fazer um pedido se possível vc poderia me mandar os preço da carne de cordeiro e de matrizes descartadas e venda com futuras matrizes o maximo de ano. obrigado
GERARDO FRANCISCO CUNHA

EMBU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 03/04/2011

Gostaria de me comunicar com pessoas que mexem com estes tipo de carnes de ovino pois ja trabalho com estes cortes a mais de 15 anos.