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As fraudes e o marketing do leite: como destruir a imagem de um produto?

PRODUÇÃO

EM 07/08/2014

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A série de fraudes e escândalos dentro da cadeia produtiva do leite que vieram à tona desde 2013 representam um desastre para a imagem de um dos produtos mais presentes na cesta do brasileiro (1). Talvez não seja possível prever ou quantificar com exatidão os danos que séries de inserções negativas na mídia possam causar, mas o fato é que o impacto no médio e longo prazo poderá ser sentido nas escolhas dos consumidores.

O café da manhã do brasileiro tem sido alvo de uma intensa disputa pelas preferências dos consumidores. A nova classe média por exemplo é responsável por grande aumento no consumo de um derivado do leite, o iogurte. Outras categorias que ganham importância são os sucos prontos (com uma gôndola cada vez mais diversificada e “saudável) e as bebidas à base de soja. A disputa por espaço traz apelos dos mais diversos, desde o sabor a questões ligadas à saúde ou sustentabilidade. Com certeza, escândalos que colocam em risco à imagem de segurança alimentar que o leite possui podem abrir espaço para que bebidas concorrentes roubem a cena.

O tema da segurança alimentar ganha importância cada vez maior com a globalização. O intercâmbio entre países - não importando a distância - cresce e com ele a preocupação sobre a origem e sanidade dos alimentos. Temas como rastreabilidade e certificações já estão presentes não apenas em congressos de especialistas e em ONGs, mas dentro das grandes corporações mundiais. Tenha certeza que elas irão adotar e implementar sistemas de controle cada vez mais completos, buscando rastrear a origem do alimento e a forma como foi produzido. É um caminho sem volta. Estas grandes empresas sabem que um arranhão na imagem de seus produtos pode virar uma bola de neve e acabar com a credibilidade de toda a organização.

É importante salientar que o consumidor possui conceitos sobre segurança alimentar muito diferentes de acordo com seu nível de conhecimento. Muitas vezes estes conceitos se confundem. Existe por exemplo a errônea associação de que o simples fato de um produto ser orgânico, ele automaticamente é mais seguro. O caso da contaminação dos brotos de feijão orgânicos é um triste exemplo sobre como conceitos diferentes podem levar à percepções confusas (2). Veja bem, seguro é diferente de saudável, ou “livre de agrotóxicos”. A adição de qualquer produto estranho em algo que é de sua inteira confiança gera a percepção de risco e de enganação. Com certeza, álcool etílico no leite, buscando mascarar uma fraude com água, não pode causar boa impressão nas mães que buscam no leite uma fonte de alimento saudável para seus filhos.

As decisões de compra são afetadas significativamente com a perda da confiança. Talvez as fraudes impactem diretamente apenas no consumo de leite in natura ou em caixinha, não em seus derivados. Mas o dano na imagem do produto, este tende a perdurar por um bom tempo.

Em grandes empresas, com departamentos de marketing bem estruturados, as relações públicas estão preparadas para conter de forma sistemática os danos à imagem da organização. A equipe de relações públicas rapidamente emite notas de esclarecimento e fornece informações à imprensa de forma a não deixar que o estrago se torne incontrolável. A demora na resposta pode significar que uma informação ou boato se torne verdade em pouco tempo e cause enormes prejuízos financeiros.

Agora, como uma cadeia que envolve milhares de produtores e empresas pode se articular de forma coesa para rebater com rapidez estas crises? Este é o desafio, integrar a comunicação de todos os representantes da cadeia, afinal, todos tem a perder com os escândalos. Para a mídia como um todo, chama mais a atenção do público o desastre, a crise, não a resposta oficial que às vezes é mencionada no final de uma reportagem em forma de nota.

Esta crise demanda uma resposta à sua altura. A disputa por espaços na cesta de compras da população ficará mais intensa, e os que perderem espaço, terão que investir muito para recuperar sua credibilidade. Os consumidores não podem ficar com a única versão da fraude de alguns poucos desonestos que prejudicam o trabalho de milhares de produtores no Brasil. O leite brasileiro e seus consumidores merecem respeito.

 

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1 – Ver a reportagem “Ministério Público do RS convoca duas cooperativas por álcool no leite” (http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/giro-lacteo/ministerio-publico-do-rs-convoca-duas-cooperativas-por-alcool-no-leite-90437n.aspx) e a reportagem “Entenda como o álcool etílico foi parar no leite das cooperativas” (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/08/entenda-como-o-alcool-etilico-foi-parar-no-leite-das-cooperativas-4568104.html).

2 - Bactéria letal mata pelo menos 10 pessoas e afeta outras 300 na Alemanha (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/05/110529_alemanha_bacteria_rp.shtml).

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JOÃO NILSON DA ROSA

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/08/2014

Celso, concordo plenamente, estão expondo toda a cadeia do RS, o Governo pouco tem feito para ajudar a excluir e manter bons níveis de acompanhamento da qualidade. Trabalho no meio a mais de 30 anos, inclusive em Laticínio, é imprecionante o descaso.
No PR também apareceu problemas de leite adquiridos no RS e tranportado para lá. a pergunta que fica é: Se o Paraná (algumas Cooperativas e Laticínios) recbem leite adulterado, onde esta a fiscalização?
Antigamente comprar produtos fiscalizados pelo SIF é certeza de qualidade, já ataulamente..........
CELSO MEDINA FAGUNDES

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 12/08/2014

Lucas, gostaria que MAPA, tivesse apresentado a técnica para detectar alcool no leite, pois salvo melhor juízo, não tem. E o produtor não faria esse tipo de fraude, pois teria que ter uma destilaria na propriedade.
CELSO MEDINA FAGUNDES

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 11/08/2014

Testes para detectar resíduos de antibióticos no leite existem, vou citar dois: de rotina Snap de laboratório, Delvotest P. O que causa estranhesa e o MAPA REALIZAR TESTE PARA DETECTAR, alcool sabendo que não existe. João, eu atuo a mais de 30 anos na área de qualidade de leite, e sei que não há testes para alcool no leite em nível de plataforma e salvo melhor juízo tamb´rm em nível de laboratório, a não ser alguma tese inédita e sigilosa do MAPA.
JOÃO NILSON DA ROSA

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/08/2014

Celso, infelizmente não há. Se nem o do antibiótico tem imagina o teste para detectar alcool. Existem Laticínios e Laticínios, os menos honestos fazem vistas grossas para este tipo de controle, porque a fiscalização é complacente e também não faz sua parte, a partir deste conceito, tudo pode, efeito cascata na deia do leite, infelizmente no sentido danoso do processo.
IRAUTO GOMES DE MELO

PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/08/2014

Isto acontece pq o Brasil é terra sem lei.
MARCOS KOCH ORTIZ

CASTRO - PARANÁ

EM 11/08/2014

apenas uma conclusão lógica dos fatos... se alguém quer segurança ao seu negócio, deveria se importar com o todo que compõem a cadeia, desde seus fornecedores de insumos para produção do leite até a garantia da sua marca na gôndola.

O grande problema é que o produtor muitas vezes vê apenas sua fazenda da porteira pra dentro, só se importa com o valor do seu litro de leite e não entende que nestas horas esta sendo lezado por um mercado de ações negativas como essas que vivenciamos. Não se tem visão de sustentabilidade.

/MKO.

LUCAS BIANCHI COUTO

JOÃO MONLEVADE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/08/2014

Os fornecedores que adicionam qualquer substancia no leite, mesmo que seja apenas água, e prejudicam todos os envolvidos na cadeia láctea, desde produtores a consumidores, deveriam ter no mínimo a propriedade fechada proibindo a produção de qualquer tipo de alimento. Penas deste tipo deveriam se aplicar para transportadores e laticínios.
Qualquer pena para esse tipo de ''gente'' é pouco.
Att
CELSO MEDINA FAGUNDES

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 11/08/2014

Gostaria de saber, se existe teste(S) ESPECÍFICO(S),para detectar alcool no leite na rotina da indústria.
JOÃO NILSON DA ROSA

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/08/2014

Perfeito Kassiano, concordo com teu posicionamento, os Governos devem ser proativos, o que não acontece no momento na cadeia produtiva do leite. Em determinado omento tive a oportunidade de trabalhar com os Laticínios e presenciei quemmuitos fiscais federais estavam preocupados em multar e muito pouco preocupados com a função orientativa e em fornecer a população produtos saudáveis e que mereciam o selo do SIF. Realmente são poucos os praticantes de fraudes mas a midia está emparelhando todo mundo e colocando os produtos de maneira geral no mesmo cesto. gde abraço conte sempre comigo que defendo a cadeia fui produtor também.
KASSIANO ANDRE TREZZI

TEUTÔNIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/08/2014

O relato do colega é o retrato do que está acontecendo...não vejo autoridades e nossos representantes legais (governantes) envolvidos e/ou engajados em pró da cadeia lactea, principalmente em relação aos fatos negativos vinculados sobre o leite no RS, temos uma minoria que são exemplos negativos , mas a grande maioria das empresas e pessoas envolvidas são sérios e merecem respeito...temos exemplos bons de trabalho de industrias, de transportadores e principalmente temos produtores muito bons no estado, com conhecimento de causa..o consumidor precisa saber e conhecer o lado positivo do negócio também..todos nós envolvidos com a cadeia de lacteos devemos fazer nossa parte, também precisamos de governantes com atuação forte nesta atividade..

att, kassiano..

att,
kassiano.
JOÃO NILSON DA ROSA

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/08/2014

A América Latina quer se firmar como fornecedor de leite a nível mundial, esta notícia é conflitante com o que acontece com a qualidade do leite Gaúcho, pois mais e mais fraudes são desvendadas a cada dia, a mídia está atenta e os comentários são danosos no meio empresarial rural. Quem trabalha no meio sabe que uma parcela muito pequena de produtores fazem uso de meios ilícitos para auferir lucros, como mascarar a qualidade do produto, adicionando substâncias extras para aumentar o volume, atingindo em cheio a qualidade do produto.
A intenção da América Latina em se firmar como uma das lideranças na oferta de leite para o Mundo, certamente o Brasil irá ser excluído do mercado por conta das atrocidades que acontece na manipulação do produto (leite).
Quem terá corregem de importar um produto suspeito de fraude que pode prejudicar a saúde pública?
Deixo aqui uma sugestão: Os Governos devem fazer a gestão e disponibilizar recurso a fundo perdido para as Indústrias de Leite adquirir equipamentos para "in loco" fazerem a análise do produto na chegada da plataforma da Indústria e antecipando a autorização de descarga verificar o nível de pureza, a partir daí a responsabilidade total seria das Indústrias, pois, atualmente há desconfiança generalizada na cadeia produtiva havendo uma transferência de responsabilidade mútua e os Governos se esquivando e mantendo-se alheio ao assunto, ano de eleição não podem se expor, por certo que sim.
As empresas tem a certificação federal ou estadual, portanto, há corresponsabilidade técnica dos Fiscais com a responsabilidade de intervenção se antecipando a estes fatos, manipulação de produto (leite in natura), determinando o descarte e que jamais fosse incorporado nos estoques dos Laticínios.
Nenhuma autoridade Governamental se manifesta há um receio geral em se expor e estão deixando o Brasil com a imagem de País "podre" no mercado internacional. País sem lei e que não tem eficiência nos processos de manipulação dos produtos, que trata as boas práticas de fabricação como se fosse mera formalidade.
Que está sofrendo são as Indústrias éticas e que trabalham de acordo com as leis, instruções técnicas e diretrizes de manipulação industrial alimentícia e na realidade a mídia faz o seu trabalho, porém se sabe que os desvios de conduta e ética são pontuais e estas indústrias e pseudos industriais que colocam os lucros a frente de tudo e de todos deveriam ser banidos da atividade.