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Alternativas para alimentação de ovinos e caprinos

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 05/06/2008

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A alimentação representa elevado custo em sistemas de produção de ovinos e caprinos, e o aproveitamento de alimentos alternativos, quando adequadamente tratados e tecnicamente orientados para o uso animal, não afetam o desempenho zootécnico e contribuem decisivamente para a viabilidade econômica dessas atividades.

Dos diferentes tipos de restos culturais, os resíduos gerados durante a colheita de grãos, apresentam grande potencial como volumoso para ruminantes (Rahal et al. 1997), podendo ser utilizados como suplementação volumosa na época de escassez de forragens nas pastagens e também como volumoso exclusivo em confinamentos, em regiões ou propriedades em que este resíduo é abundante.

A quantidade disponível de cereais de inverno é muito grande em todo o mundo, e basta dizer que se fossem utilizadas apenas 5% de maneira correta na alimentação animal, poderia suprir as necessidades dos rebanhos existentes no mundo e assim atender as demandas de energia e proteína da população mundial, carente e necessitada (Souza & Santos, 2003), contribuindo ainda para a redução de impacto ambiental negativo.

Essa disponibilidade de restos culturais tem despertado interesse em pesquisadores no sentido de avaliar sistemas mais eficientes para sua utilização na produção de ruminantes. Os ruminantes são capazes de converter alimentos de baixa qualidade em nutrientes quando fornecido em conjunto com alimentos de alto valor energético, e a substituição de parte da dieta das categorias animais mais exigentes por resíduos pode representar diminuição de custos, sem alterar o desempenho animal.

Entre os fatores que limitam a utilização dos restos de culturas, na sua forma in natura, para a alimentação de ruminantes, destacam-se a baixa disponibilidade de compostos nitrogenados, os elevados teores de carboidratos fibrosos, os altos teores de lignina e a baixa digestibilidade da matéria seca. Esses fatores, em conjunto, restringem o consumo desses volumosos, que, por sua vez, resultam em baixo desempenho animal (Van Soest, 1994; Jung & Allen, 1995).

Concentrações elevadas da fração fibrosa do alimento reduzem o consumo voluntário e, conseqüentemente, a disponibilidade de energia. Isto ocorre pelo efeito de enchimento do rúmen antes que todos os nutrientes necessários aos animais sejam ingeridos, como também pela saturação da capacidade de ruminação, o que refletirá na limitação da produção animal. Entretanto, uma quantidade mínima de fibra é essencial para manter um balanço adequado da fermentação ruminal (Mertens, 1994; Dias et al., 2001).

Contudo, na utilização de alimentos com alto teor de fibra, o tratamento de forragens de baixa qualidade com uréia (46% de N), como fonte de amônia, vem sendo alvo de vários estudos. Simultaneamente, ocorrem dois processos dentro da massa da forragem tratada com uréia: ureólise, a qual transforma a uréia em amônia, sendo que esta, subseqüentemente, gera os efeitos nas paredes da célula da forragem (Garcia & Pires, 1998).

A ureólise é uma reação enzimática que requer a presença da enzima "urease" no meio. A urease é praticamente ausente nas palhas ou material morto, como por exemplo, os capins secos. De acordo com Willians et al. (1984), citado por Garcia & Pires (1998) a urease produzida pelas bactérias "ureolíticas", durante o tratamento de resíduos, tais como as palhadas, é suficiente, pelo menos em determinadas condições onde a umidade não é limitante.

As palhadas de cereais são pobres em proteína e podem ser utilizadas para ruminantes em manutenção, quando devidamente suplementadas com nitrogênio na forma protéica ou não. Trabalhos realizados com blocos de mineral e uréia e outras formas de fornecimento de nitrogênio-não-protéico em dietas pobres em nitrogênio foram utilizados para ruminantes com bons resultados (Madrid et al., 1997, Puga et al., 2001, Zanetti et al, 2000, Gallina et al., 2004,).

Além dos aspectos nutricionais, a possibilidade do uso de resíduos de beneficiamento de cereais de inverno na alimentação dos ovinos e caprinos tem conduzido à atividade de integração das culturas anuais e exploração pecuária, podendo resultar em melhor aproveitamento do potencial das propriedades rurais tornando esse sistema mais uma opção para produtores agregarem valores em seus sistemas integrados de produção animal e vegetal, bem como desenvolver sistemas de produção a pasto através da suplementação com misturas múltiplas.

Atualmente tem-se usado as misturas múltiplas ou "sal proteinado" (uréia, cloreto de sódio, ingrediente protéico e energético), para suplementar dietas pobres em nitrogênio. O sal proteinado fica a disposição dos animais e tem o cloreto de sódio como regulador do consumo. O cloreto de sódio pode ser utilizado para controlar o consumo de misturas múltiplas, pois os animais tem apetite específico para o sódio e não ingerem quantidades muito acima do requerimento (Underwood e Suttle, 2003), o que pode diminuir riscos de intoxicações, considerando que na composição da mistura múltipla utiliza-se de 10 a 20% de uréia e o animal ingerindo e degradando lentamente esse nitrogênio de origem não proteica, associado a disposição de sal, esses riscos ficam bem mais amenizados.

Atentos a essa demanda tecnológica e científica, a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, órgão de pesquisa agropecuária da APTA - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios / SAA-SP, desenvolveu o estudo "Níveis de cloreto de sódio na mistura múltipla para caprinos alimentados com palhada de trigo", onde foi avaliado o consumo de algumas formulações de mistura múltiplas com intuito de fornecer nitrogênio para dietas pobres em proteína.

O cloreto de sódio foi utilizado como controlador da ingestão da mistura para evitar ingestão excessiva. O experimento foi conduzido na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, no período de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006 durante 71 dias. Foram utilizadas 12 cabras Saanen, secas, em manutenção, com peso vivo médio de 49,9 ± 6,3 kg, dispostas em baias individuais e alimentadas com palhada de trigo e tiveram a sua disposição a mistura múltipla (15, 20 e 25 % de NaCl) com 10% de uréia. Foram avaliados o consumo da mistura múltipla e de MS da palhada e o ganho de peso dos animais. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três tratamentos e 4 repetições por tratamento.

Observou-se que o consumo diário médio da mistura múltipla (g/kg PV) mostrou diminuição linear significativa (P<0,05) com o aumento da concentração de cloreto de sódio. A ingestão média de cloreto de sódio foi 18,9 g e não mostrou efeito de tratamento (P>0,05). A ingestão média de uréia foi de 13,6; 8,3 e 7,8 g/dia para os tratamentos com 15, 20 ou 25 % de cloreto de sódio. O consumo voluntário da palhada não sofreu efeito de tratamento (P>0,05) e teve média geral de 2,34 % do peso vivo. O ganho de peso vivo diário médio foi de 44,5 g e não mostrou efeito com o aumento da concentração de cloreto de sódio na mistura múltipla.

Tabela 1. Consumo voluntário de palhada de trigo e mistura múltipla (MM)


Tabela 2. Desempenho de cabras em manutenção alimentadas com palhada de trigo e mistura múltipla (MM)


Como conclusão do projeto, consideramos que o cloreto de sódio foi efetivo para controlar a ingestão voluntária das misturas múltiplas e que a mistura múltipla com 15 % de cloreto de sódio propiciou ingestão adequada de nutrientes e pode ser aconselhada para a formulação de sal proteinado para caprinos.

Espera-se com o presente projeto de pesquisa trazer resultados para os pequenos produtores e trabalhadores rurais inseridos na agricultura familiar, como alternativa no sistema de produção de ovinos e caprinos. A expectativa é que possam incrementar suas atividades pecuárias com melhores rendimentos por unidade animal e área e gerar mais emprego e renda. Os avanços esperados, tecnicamente, é que o produtor possa manejar seu rebanho em um sistema de produção intensivo, com o aproveitamento de resíduos de beneficiamento de cereais de inverno de grande disponibilidade na região e a baixo custo. Espera-se com esse experimento a substituição de fontes de volumosos, por resíduos de beneficiamento de cereais de inverno, propiciando, destarte, possibilidades dos produtores de ovinos e caprinos obterem maiores rendimentos na produção de cordeiros e cabritos e obter melhores índices zootécnicos em suas explorações pecuárias. Em fim, as aplicações são totalmente viáveis para ovino-caprinocultores familiares, proporcionando melhorias nos índices de produção, considerando ainda, que a região Sudoeste detém cerca de 75% de pequenos e médios produtores rurais, que poderão aplicar esses conhecimentos nessas atividades, diminuindo custos de produção, auferindo assim maior renda.

Como regra prática, pode-se utilizar essa mistura na ordem de 100 a 150 g/animal/dia, não esquecendo, portanto, de fazer a adaptação desses animais com a ingestão de metade da dosagem/animal, na primeira semana que antecede o fornecimento regular. Caso seja interrompido o fornecimento da mistura múltipla, por mais de 2 dias, há necessidade de refazer novamente a adaptação dos animais.

Formulação básica sugerida pela UPD Itapetininga para manutenção corporal de fêmeas caprinas adultas vazias e ou secas.


Referências bibliográficas

Galina, M.A., Guerrero, M., Puga, C., Haelein, G.F.W., Effect of a slow-intake urea supplementation on growing kids fed corn stubble or alfalfa with a balanced concentrate. Small Ruminant Research, vol. 53, n 1-2, p. 29-38, 2004.

Kaye.M.M., Fernandez, J.M., Williams, C.C., White, T.W., Walker, R.L. Differential reponses to an oral urea load test in small ruminants : species and breed effects. Small Ruminant Resesearch, vol 42, n 3, p.209-215, 2001.

Madrid, J., Hernandez, F., Pulgar, M.A., Cid, J.M. Urea and citrus by-product supplementatin of straw-based diets for goats: effect on barley straw digestibility. Small Ruminant Research, vol. 24, n 3, p.149-155, 1997.

Puga, D.C., Galina, H.M., Peréz-Gil, Sangines, G.L., Aguilera, B.A., Haelein, F.W., Baraja, C.R., Herrera, H.J.G. Effect of a controlled-release urea supplementatin on feed intake, digestibility, nitrogen balance and ruminal kinetics off sheep fed low quality tropical forage. Small Ruminant Reseach, vol 41, n 1, p. 9-18, 2001.

Underwood, E.J., Suttle, N.F. Los Minerales En La Nutrición Del Ganado. Zaragoza : Acribia, 2003. 648 p.

Zanetti , M.A.Resende, J.M.L., Schalch, F., Miotto, C. Desempenho de novilhos consumindo suplemento mineral proteinado convencional ou com uréia. Revista Brasileira de Zootecnia, vol.29, n 3, p. 12-24, 2000.

JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

Pesquisa/Ensino

CARLOS FREDERICO DE CARVALHO RODRIGUES

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JOÃO ELZEÁRIO CASTELO BRANCO IAPICHINI

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/06/2010

Prezado José Romualdo,

A casca de arroz apresenta grande quantidade de sílica (cinzas) e sua digestibilidade é muita baixa, em decorrência do alto teor de fibra e com baixo valor energético. Há também problemas do consumo dela natural, por apresentar riscos perfurantes. No entanto, ela moida fina e juntamente com o Farelo de arroz, por exemplo, pode entrar até em 15 a 20% na composição da ração.

att.
abraço

João Iapichini
JOSÉ ROMUALDO LOPES DE SOUSA

PIAUÍ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 13/06/2010

É possivel adicionar como suplementação alimentar, aos caprinos de corte a casca do arroz após seu beneficiamento? Se possivel, de que forma?
WESTON MACEDO

UMBURANAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 27/04/2009

Admiramos a disponibilidade da matéria exibida.

Estamos participando da administração da Associação dos Produtores de Caprinos e Ovinos de Umburanas, APROCABRA, ( composta por 32 produtores, todos agricultores famiilares) há mais de 05 anos, e já trabalhamos na produção de alimentação alternativa de caprinos e ovinos por meio de silagem e fenação proveniente das nossas culturas nativas e cultuivadas e precisamos ampliar nossos conhecimentos nesta área. Gostaríamos de estreitar os laços de comunicação com os profissionais aqui identificados.

Temos uma grande reserva de alimentos naturais até os meses de agosto, para quando, então, precisamos de fabricar reservas alternativas, o que já está se procedendo em Campos Experimentais de Policultura.
JOAO LEANDRO SILVEIRA DOS SANTOS

PALMARES DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 27/10/2008

Tenho na minha propriedade resíduos gerados no beneficiamento de arroz, onde 70% é casca de arroz e o restante são restos de graos que não são aproveitados.

Gostaria de saber qual a melhor maneira de aproveitar, para a suplementação de ovinos?
SIDNEI DE SOUZA

TOLEDO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 14/07/2008

Boa noite !!!!

Parabens pelo artigo, pois ele pode ser de grande ajuda para os pequenos criadores ou aqueles que estão ingressando na atividade como eu, sendo que ele propicia a nós criadores o uso de residuos que diminuen o custo de produção.

Tenho animais Santa Inês e Texel e por isso gostaria de receber algumas informações de vocês a respeito do residuo de mandioca vindo da industria de fécula, pois aqui na minha cidade tenho acesso a este subproduto e preciso saber se posso utiliza-lo e como administra-lo na alimentação do rebanho, sem problemas com intoxicação, sendo que este residuo vem da industria com uma grande quantidade de umidade, por isso preciso saber se devo secar o produto ao sol e só depois fornecer aos animais, bem como a quantidade que posso fornecer diariamente.