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Alimentação durante a fase de aleitamento e desmama precoce

PRODUÇÃO

EM 09/07/2010

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Para que o sistema de recria e terminação de ovinos em confinamento seja realizada com êxito, alguns fatores importantes não devem ser negligenciados pelo produtor; dentre os quais podemos destacar a condição da ovelha durante a gestação e lactação e o crescimento do cordeiro até a desmama.

Em regiões com elevada pluviosidade os problemas de verminose são mais acentuados, principalmente quando ovelhas em lactação são mantidas em pastejo, uma vez que esta categoria libera maior quantidade de ovos de helmintos, contaminando a pastagem e, consequentemente a cria. Desta forma, o confinamento da ovelha durante o período de amamentação e a desmama precoce são práticas recomendadas para sistemas intensivos de produção, evitando perdas pela mortalidade e melhores condições sanitárias do cordeiro ao ser confinado.

Trabalhando com a estimativa da produção e composição do leite de ovelhas da raça Santa Inês, Mendes et al. (2003) observaram que a produção média diária por ovelha foi de 1,40 kg durante as oito semanas experimentais e que o pico de produção ocorreu na terceira semana de lactação (Figura 1). Dados da literatura demonstram que produção máxima de leite das ovelhas ocorre entre os 21 e 28 dias de lactação (Cardelino e Benson, 2002).

Considerando que os dados obtidos com a raça Santa Inês na região Sudeste estão de acordo com os encontrados na literatura e que 75% do total de leite é produzido nas primeiras oito semanas pós parto (Jordan e Hanke, 1977), recomenda-se que a desmama seja realizada até os 60 dias de idade.

O sucesso da desmama precoce está diretamente relacionada ao desenvolvimento ruminal dos cordeiros, o qual depende da habilidade desses animais em consumir e utilizar o alimento sólido. Siqueira (1999) recomenda a utilização do "creep feeding" a partir dos 7 dias de idade, para acelerar o desenvolvimento ruminal e condicionar o animal a uma dieta sólida. Adicionalmente, Susin (2001) coloca que embora o consumo de alimento sólido não seja significativo até 3 semanas de idade, as pequenas quantidades ingeridas são muito importantes para estabelecer a função ruminal e o hábito de ingestão. Avaliando o desempenho de cordeiros da raça Santa Inês alimentados em sistema de creep feeding.

Figura 1 - Curva de lactação de ovelhas da raça Santa Inês, da segunda até a oitaca semana pós parto.



Mendes et al. (2003) observaram consumo médio diário de 127 g durante o período de aleitamento. Nas duas semanas que seguiram à desmama, efetuada aos 56 dias, os cordeiros aumentaram consideravelmente o consumo do concentrado inicial, apresentando média diária de 480g (Tabela 1). Estes resultados mostram a importância da utilização da alimentação privativa durante o período de amamentação, uma vez que o consumo de alimento sólido é o melhor critério para desmamar cordeiros precocemente. Neres et al.(2000) comparou o desempenho de cordeiros desmamados aos 56 dias com e sem acesso ao alimentador privativo e obteve peso à desmama de 25,60 e 18,30 kg, respectivamente.

Considerando o elevado crescimento apresentado pelos animais jovens e visando ganhos de peso acelerado, as dietas fornecidas no "creep feeding" devem ser palatáveis, altamente energéticas e conter teores adequados de proteína e minerais. Gates (1993) verificou que nas primeiras sete semanas de vida as exigências dos cordeiros por proteína é maior. Este autor recomenda teores de 20% de proteína bruta na dieta para cordeiros até 40 dias de idade e 16% dos 41 até 70 dias. Sawal et al. (1996) avaliaram teores de proteína para cordeiros suplementados em sistema de alimentação privativa, com valores variando de 11 a 21% e concluíram que o valor de 11% de proteína bruta na dieta é adequado. O NRC (1985) sugere teores protéicos entre 12 e 14% de proteína bruta para dietas de "creep feding". Mendes et al. (2003) utilizaram valores de 13, 16 e 19% de proteína bruta no concentrado inicial de cordeiros da raça Santa Inês e não observaram diferenças entre os teores utilizados, concluindo que o desempenho é satisfatório quando a dieta contém 13% de PB (Tabela 1).

Tabela 1 - Idade, peso vivo, ganho de peso e consumo de concentrado pelos cordeiros alimentados com teores crescentes de proteína bruta.



A alimentação dos cordeiros durante o período de aleitamento é extremamente importante para que a desmama seja realizada com sucesso e os animais apresentem as condições necessárias para serem terminados em confinamento.

Durante o primeiro mês de vida o cordeiro depende basicamente do leite materno, a partir desse período ocorre um aumento gradativo no consumo de alimento sólido, o qual é acompanhado pela elevação do peso corporal e das exigências nutricionais. Em geral, cordeiros começam a consumir quantidades significativas de ração ao redor dos 10 a 14 dias de idade, sendo o consumo inversamente proporcional à ingestão de leite. O rápido crescimento do cordeiro nos primeiros meses de vida aliado à redução na produção de leite da ovelha, a partir da terceira semana pós-parto, tornam a técnica de alimentação privativa, conhecida como "creep-feeding", indispensável dentro do sistema produtivo.



Este trecho faz parte do módulo 5 do Curso Online Princípios da Nutrição em Ovinos e Caprinos de Corte que tem como instrutores Clayton Quirino Mendes (engenheiro agrônomo pela Esalq/USP e doutor em Ciência Animal pela mesma universidade. É colunista da seção Pastagem do FarmPoint e desde 1999 desenvolve projetos na área de nutrição junto ao Sistema Intensivo de Produção de Ovinos e Caprinos (SIPOC), do departamento de Zootecnia da ESALQ) e Rafael Camargo do Amaral (zootecnista pela Unesp/Jaboticabal e doutorando em Ciência Animal e Pastagens pela Esalq/USP, onde desenvolve pesquisas na área de conservação de forragens e nutrição de ruminantes. É também colunista da seção conservação de forragens do BeefPoint, MilkPoint e FarmPoint).

O grande desafio dos ovinocultores é gerenciar a alimentação do rebanho de forma correta, para que este não seja um fator limitante de produção. Por isso, o objetivo deste treinamento é apresentar os conceitos nutricionais essenciais que devem ser utilizados na alimentação de ovinos e caprinos de corte.

Empregar as técnicas corretas no manejo nutricional e na formulação de rações é uma medida importante para atender as necessidades específicas de cada categoria animal e utilizar ingredientes que reduzam os custos com alimentação, sem afetar o desempenho e a eficiência produtiva do sistema.

Destinado a profissionais que estão iniciando uma produção de ovinos e caprinos de corte, ou que já têm vivência com a atividade, aprenda neste treinamento como balancear corretamente a alimentação do rebanho, conhecendo as alternativas de volumosos para o período seco do ano, o manejo nutricional ideal para as diferentes categorias animais e os ingredientes que devem ser usados na composição da dieta dos ruminantes.

Para saber mais sobre esse assunto e as particularidades dos princípios da nutrição de ovinos e caprinos de corte, participe do curso que terá início no dia 29 de julho.

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SERGIO DE LIMA CAVALCANTI

PETROLINA - PERNAMBUCO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/06/2016

quero participar de cursos que deem orientação de manejo, nutrição e reprodução de ovinos, favor me enviem todas as opções que surgirem.

estou iniciando um rebanho com 1500 matrizes de ovinos e tenho todo interesse em me atualizar.