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A raça Assaf: melhoramento sem preconceitos

POR OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

PRODUÇÃO

EM 24/04/2009

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Como prometi, vamos falar um pouco da história das ovelhas Assaf.

A raça Assaf é uma raça sintética, assim como a Dorper. A Assaf é o resultado do cruzamento das raças Awassi, originária do Oriente Médio e da alemã/holandesa Ostfriesisches Milchschaf, ou East Friesian ou "aportuguesando" Frísia do Leste.

A raça Awassi tem origem controversa, mas aparentemente é iraquiana e espalhou-se para os países vizinhos. Os israelenses fizeram um intenso trabalho de seleção para conformação de úbere e produção de leite nessa raça, até que ela se tornasse uma das principais raças leiteiras no mundo. Há quem afirme que a Awassi Melhorada (Improved Awassi) já é a raça ovina que mais produz leite. Por outro lado, as ovelhas East Friesian já eram conhecidas há séculos por sua alta produção leiteira e sua incrível prolificidade.

Pois bem, as ovelhas Awassi, adaptadas ao clima e vegetação do deserto, com suas caudas gordas (um macho adulto pode ter mais de 10 quilos de gordura na cauda) são criadas extensivamente, na tradição dos povos do Oriente Médio. As East Friesian são consideradas ovelhas de quintal, de criações pequenas e cuidados individualizados. Com o intuito de produzir leite em sistemas mais intensivos e de melhorar a prolificidade das Awassi, pesquisadores Israelenses iniciaram, na década de 1950, cruzamentos entre as duas raças.

Ninguém estava preocupado com o tamanho da orelha, com a cor da lã, com a cor dos cascos ou presença de chifres, o objetivo era produzir leite e bons cordeiros para abate.

O resultado disso é que as ovelhas Assaf são bem feias, boas leiteiras e boas parideiras. Uma ovelha Assaf produz de 400 a 600 litros por lactação (padronizada em 210 dias), uma média diária de 2,7 litros nos sistemas intensivos. A raça se adapta bem aos sistemas semi intensivos e tem muito baixa estacionalidade. A média de cordeiros é de 1,6 por parto, parecida com a da nossa Morada Nova. Isto fez com as Assaf fossem cobiçadas por todos os interessados em produzir leite de ovelha no mundo e a raça foi exportada para diversos países (dizem que até para o Peru e o Chile), mas especialmente para Portugal e Espanha.

Recentemente os israelenses introduziram o gene FecB (o gene da prolificidade dos Merinos Booroola) nas Awassi Melhoradas e nas Assaf, gerando as linhagens Afec Awassi e a Afec Assaf. Isto elevou a prolificidade em ambas as raças para 2 cordeiros por parto, em média. Pois é isso mesmo, cruzaram Merino Booroola com os dois xodós da ovinocultura israelense e ninguém deu chilique. Aliás só se aplaudem as atitudes desses pesquisadores e cada vez mais os produtores de leite ovino cobiçam as duas raças trabalhadas em Israel. Isto tudo é fruto de objetividade e trabalho árduo.

Tanto em Israel como na Espanha, onde há pouco tempo a raça Assaf foi reconhecida, o trabalho continua. As lactações são controladas e a seleção é feita de acordo com a produção e a lucratividade desses animais. Ninguém duvide que, se alguma outra característica importante tiver que ser incorporada ou melhorada nas Assaf e nas Awassi, os israelenses lançarão mão de novos cruzamentos e mais seleção.

Enquanto isso, no reino dos brasucas, certamente há interessados em importar "Assafs" e "Awassis" de algum lugar, mas quando esses animais chegarem aqui vão inventar regras e padrões que nada têm a ver com a produtividade e a lucratividade dos animais, e acima de tudo irão "proteger" a pureza da raça, para depois de muitos anos se vangloriarem, como fazem alguns criadores de raças bovinas, de terem o rebanho mais puro que no próprio país de origem, mesmo que isso não sirva para nada.

OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

Melhoramento Genético de Caprinos e Ovinos - Embrapa

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ROQUE IMAGEMVID

EM 01/10/2018

Pretendo iniciar um pequeno criatório, sou leigo no assunto e tenho muitas duvidas! A Raça Assaf é mujito exigente em relação ao clima, Esta raça é indicada para o nordeste brasileiro? Obrigado!
SILAS VASCONCELOS

EM 27/03/2018

Prezado,

Vi que tem interesse na importação da raça leiteira Assaf, favor me adicionar no WhatsApp: 071 99210-6123
Estamos fazendo um grupo para importação.

Grato,

Silas Vasconcelos
SILAS VASCONCELOS

EM 27/03/2018

Olá, amigo!

Qual seu WhatsApp? Estamos fazendo um grupo.
Chama por favor no whatsapp: 071 99210-6123

Obrigado,

Silas
SILAS VASCONCELOS

EM 25/07/2017

Olá, pessoal, beleza?

Alguém teria interesse em importar sêmen de Assaf? Caso sim, favor enviar-me um whatsapp 071 99210-6123 ou um e-mail: silasvasconcelos1988@gmail.com.

Pretendo fazer um grupo para baratear os custos.



Abraços,



Silas
JOSUÉ MARIANO BORGES

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE LEITE

EM 09/07/2015

Caro Sr. Octávio Morais.

Tenho a pretensão em importar embriões/sêmen de Israel ou Austrália.

A Embrapa pode oferecer algum suporte técnico?

Meu e-mail para contato é: technosplanta@hotmail.com

Cordialmente,

Josué Borges
RICARDO IMBASSAHY

SALVADOR - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/05/2014

O Álvaro está absolutamente correto,a ARCO dá mais importância a aspectos raciais que a produtividade, minha opção foi introduzir genética Milchschaf do INIA - Las Brujas, lá tenho segurança de dep's, e fazer pressão seletiva sobre meu rebanho Bergamácia até que estabilizei num 5/8 BB X 3/8 FM, muito produtivo para as condições da Mantiqueira, chamo Bergamácia Brasileira pois corresponde ao tipo. Em contrapartida para condições de transição no nordeste baiano esse sintético não aprovou e estou iniciando um composto com Bergamácia, White Dorper e Santa Inês, do Santa Inês irei utilizar genética de animais com maternal alto já comprovado por dep e selecionar um tipo deslanado leiteiro.
JOAQUIM CORRÊA DE OLIVEIRA ANDRADE

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/05/2013

A todos um bom dia!



Senhores gostaria de parabenisar a todos pela preocupação e interesse na ovinocultura, principalmente a leiteira, concordo que o produtor de leite não se apegue a detalhes de fenótipo na sua criação e sim com a produção de leite, porem quem quer criar com o objetivo de vender raça (genética) tem a obrigação de manter o padrão racial e a pureza da raça, não esquecendo que: a produção de leite, longevidade da lactação, força  leiteira, aprumos, fertilidade, prolificidade, etc. são características importantes tanto para a atividade leiteira como manutenção da pureza genética da maioria das raças.

Posicionamento da orelha, pescoço, cauda, etc. são característica insignificante para quem quer produzir leite, mais este mesmo produtor de leite não utilizaria um East Frisian deslanado, preto, com orelhas pendentes para melhorar a capacidade produtiva de seu rebanho leiteiro. Vejo na bovinocultura leiteira a preocupação de produtores muitas vezes semi-analfabetos em utilizarem animais puros e avaliados para melhorarem suas matrizes mestiças.

OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

SOBRAL - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 31/01/2013

Caros Carlos, Álvaro e Rui, obrigado pelos comentários e desculpem pela demora nas respostas. Para o Carlos: no Brasil tanto a Lacaune como a East Friesian estão indo muito bem, assim como são boas produtoras as ovelhas cruzadas (as meio sangue sempre melhores por causa da heterose). Álvaro, embora nunca tenhamos nos falado tenho acompanhado os casos da sua cabanha pelos amigos em comum (Érico e Fabiana), sempre torcendo por você e pelo seu empreendimento. Sim, você tem razão, aqui as associações estão muito preocupadas com padrão racial, e despreocupadas com produção. A ABCOL é uma exceção, mas ainda temos muito que caminhar para ganhar força e fazer valer nossas convicções. E por fim, Rui Tiago, olha Rui, não conheço a legislação portuguesa, mas acredito que seja mais fácil importar embriões e sêmen de East Friesian da Austrália e Nova Zelândia, já que no Brasil essa raça ainda está em fase de implantação. Um abraço a todos!  
RUI TIAGO CORREIA DA SILVA

PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 21/01/2013

gostaria de saber como posso adquirir ovinos da raca east friesian,com genetica de 100%,visto que pretendo iniciar a fazer criacao em portugal!!!
ALVARO LARGURA

CASCAVEL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 13/11/2012

Caro Octávio, parabéns pelo artigo. Realmente a preocupação brasileira (associação) é de preservar as características da ovelha criada na origem, sem dar importância  mínima importância a produção. Importamos embriões da raça East Friesian da Austrália e tentamos registrar os nascimentos. Depois de todos os documentos exigidos, que não são poucos, agora exigem exame de DNA da fêmea doadora e do reprodutor. Também sou criador de Lacaune, aliás, estes sim, já com um grande potencial de consanguinidade devido as restrições de importação de genética da Europa. Final da ópera, não vou registrar meus ovinos. Meu negócio é queijo de ovelhas e vou melhorar a genética do meu rebanho fazendo os cruzamentos necessários.
CARLOS FELIPE TAVARES MONTEIRO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 16/06/2012

Olá Octávio Rossi,moro em Juiz de Fora M.G. a +- 2 anos fiz um curso com a professora Aurea na ufmg,com o objetivo de criação de ovelhas para produção de leite,lendo seus artigos,me chamou atenção as raças awassis e assafs pela capacidade de produção de leite.Pergunto! é muito difícil importar essas raças?existe alguma possibilidade de formar um grupo para a importação?.Na sua opinião qual seria a raça ideal para leite aqui no brasil?

Abraços ,Carlos Felipe Tavares Monteiro.

                  

                  tavaresm@powerline.com.br
OCTÁVIO ROSSI DE MORAIS

SOBRAL - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 19/05/2009

Caros Samuel e Sérgio, obrigado pelos comentários. Samuel, entre em contato comigo para conhecer os trabalhos pioneiros da ovinocultura leiteira em Minas. Sérgio, a coisa é por aí, e o pior é que assim como está acho que a ovinocultura não será negócio do futuro, ao contrário, muito bom será se tiver algum futuro...
SÉRGIO MANGANO DE ALMEIDA SANROS

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/05/2009

Excelente artigo. Parabens

Concordo totalmente com você Octávio.

Enquanto os criadores nacionais ficarem se preocupando com tamanho de orelha, ou área de pintas, ao inves de realizarem um trabalho sério, com índices de seleção específicos para produção de carne, a ovinoculura continuará sempre sendo o negócio do futuro e não do presente

Mais uma vez, parabenizo-o pelo artigo.
SAMUEL PINHEIRO FERREIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 25/04/2009

Parabens pelo artigo Octávio,

tenho grande interesse em conhecer um pouco mais sobre a ovinocultura leiteira, mas tenho poucas noticias sobre algo do tipo aqui em MG.