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Utilizando estação de monta para ovinos

POR ALEXANDRE DE CAMPOS GONÇALVES

E FERNANDO LOGAR SERAPHICO PEIXOTO DA SILVA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/01/2007

3 MIN DE LEITURA

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O Brasil é um país de proporções continentais, possuindo diversos ambientes, cada um com peculiaridades que podem variar desde clima, tipos de solo, situação econômico-cultural, hábitos alimentares e outras características específicas que distinguem cada região.

A cria de ovinos depende de diversos fatores para que apresente uma rentabilidade atrativa a produtores rurais e empresários que queiram investir no segmento. Diversas são as técnicas que visam a melhora do manejo dos ovinos, um bom exemplo disso é a estação de monta que consiste em restringir a um determinado período o contato entre reprodutores e matrizes aptas à reprodução.

No entanto, cabe a um técnico especializado no assunto definir qual sistema de monta utilizar, levando-se em conta as características econômicas (valor da terra, demanda por cordeiros, preço do cordeiro, preço dos insumos) e produtivas de cada propriedade.

Por que utilizar estação de monta?

A estação de monta é uma ferramenta de manejo que promove o controle do rebanho, pois auxilia na avaliação dos índices zootécnicos da propriedade, uma vez que facilita o dia-a-dia da fazenda concentrando os serviços e possibilitando a melhoria de sua eficiência (otimiza a mão-de-obra, a infra-estrutura e os reprodutores).

As características positivas advindas desta importante ferramenta de manejo são devido ao fato desta facilitar as operações de manejo e centralizar o foco das atenções no período em questão (monta, parição, lactação, desmame engorda).

Levando-se em conta os aspectos econômicos é possível posicionar a estação de monta visando o abate dos cordeiros nos meses do ano em que a demanda é maior. Para determinar o período do ano em que ela deve ocorrer, é necessário levar em conta uma série de fatores (dieta, peso de abate, manejo, objetivo da criação), além da raça do rebanho, pois se esta for poliéstrica estacional (apresenta cio apenas em determinadas épocas do ano) será necessária a utilização de ferramentas (tratamento hormonal ou de luz, tosquia estratégica, "flushing") para que as matrizes entrem em cio na época esperada.

Níveis de intensificação

Cada propriedade deve estabelecer seus abates de acordo com o sistema de engorda dos cordeiros, visando programar a estação de monta nos meses exatos para que os animais cheguem ao peso desejado.

Em sistemas de baixa intensificação normalmente é utilizada somente uma estação de monta, na qual o lote de matrizes fica com o reprodutor uma vez por ano pelo período pré-estabelecido, que em geral é de dois a três meses. Notem que apenas com isso já é possível concentrar os períodos de nascimento, de desmama e de abate.

Em sistemas de baixa a média intensificação, podem ser utilizada duas montas por ano, sendo necessário dividir as matrizes em dois lotes, obtendo dois períodos de nascimento e dois de abate.

O sistema de alta intensificação permite a utilização de três estações por ano, sendo necessária a utilização de dois lotes, que entrarão em monta alternadamente (a cada oito meses), obtendo-se por ano três períodos de nascimento, desmama e abate. Ao utilizar este sistema é possível atingir três partos em dois anos e planejar as coberturas de forma a obter cordeiros para abate nas três épocas do ano em que ocorre maior demanda.

Na figura 1 observa-se os dois primeiros anos de implantação de um sistema de produção com três estações de monta anuais (os meses são apenas ilustrativos, o sistema deve iniciar de acordo com calendário de abate da propriedade).


Figura 1. Sugestão de sistema de reprodução simples.

Montas especializadas

Diversos modelos de estação de monta, mais e menos complexos podem ser adotados, desde que adaptados às particularidades produtivas e ao ambiente sócio-econômico em que a propriedade se encontra.

No mesmo sistema de três parições por ano, pode-se chegar a seis ou doze parições anuais, no entanto é necessário possuir grande número de piquetes e/ou baias para fracionar o rebanho em vários lotes de manejo, além de organização, acompanhamento meticuloso das atividades da fazenda e utilização de raça adequada ao sistema de produção (nesta situação é ainda mais difícil utilizar raças poliéstricas estacionais devido ao alto custo de indução de cio). Com isso é possível distribuir de uma maneira mais uniforme a produção de cordeiros para abate ao longo de todo o ano.

Na figura 2 podemos observar a distribuição da monta e da parição ao longo de dois anos em sistema de manejo da reprodução com seis montas anuais.


Figura 2. Sugestão de sistema de reprodução especializado.

Conclusões

A estação de monta é uma ferramenta de manejo essencial aos produtores que almejam administrar sua propriedade com visão empresarial, buscando lucratividade e eficiência produtiva.

No entanto, cada propriedade deve possuir um sistema de produção desenvolvido por técnicos especializados e que atendam as características e expectativas da fazenda, da mão-de-obra, do proprietário e do mercado consumidor.

ALEXANDRE DE CAMPOS GONÇALVES

FERNANDO LOGAR SERAPHICO PEIXOTO DA SILVA

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ITAMAR LOPES BRAGA

BEBEDOURO - SÃO PAULO

EM 24/04/2017

Prezados Srs. Alexandre e Fernando. Me chamo Itamar Lopes Braga, me  passem por favor seus respectivos emails para que possamos trocar algumas duvidas e experiencias sob estação de monta.

Meu email  itamar-braga@hotmail.com

Agradeço se me responderem. Abçs
ANDRÉ PAIVA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/11/2009

Prezados Alexandre e Fernando, parabéns pelo artigo.

Gostaria de uma opinião sua a respeito da mudança de um sistema de produção extensivo com pastagens de tifton, utilizando animais Santa Inês sem muito controle zootécnico para um sistema de maior controle zootécnico e sanitário, com mudança para pastos bem manejados de Aruana.

Estamos com dúvida na hora de estabelcer estação de monta, pela sua experiência, qual seria melhor planejar este sistema para uma ou duas EM? Uma estação de monta de 3-4 meses seria viável, já que não há conhecimento prévio de quando é concentrado o maior número de concepções?
FERNANDO LOGAR SERAPHICO PEIXOTO DA SILVA

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2008

Prezado Dr. Alan Pereira

Obrigado pela atenção, ficamos satisfeitos de ter atendido suas expectativas com o artigo.

Os trabalhos que preconizam a utilização de estações de monta de 49 dias, partem da prerrogativa que as matrizes colocadas em reprodução possuam a oportunidade de apresentar de 3 a 4 cios por estação de monta. Isso considera que o ciclo estral dos ovinos varia de 16 a 17 dias, ou seja, 3 ciclos completos * 16,5 dias = 49,5 dias de estação.

É importante lembrar que para se determinar o tamanho da estação de monta é necessário levar em conta o manejo nutricional, reprodutivo e sanitário do rebanho, pois quanto melhores forem estes, menor o período necessário de estação de monta, pois a chance das fêmeas necessitarem de uma nova cobertura diminui (aumenta a eficiência da monta).

De uma maneira geral consideramos o período de 60 dias como um tempo de fácil assimilação pelos produtores e que também permite a monta nos 3 a 4 cios férteis.

Por outro lado, fazendas muito eficientes podem trabalhar com até 32 dias de estação de monta (2 ciclos completos), no entanto, aumentam os riscos da propriedade reduzir a taxa de prenhez do rebanho.

Algumas referências bibliográficas para o assunto são:

EMBRAPA OVINOS
site - www.embrapa.br
link direto - http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/#caprinoovinocorte

INSTITUTO DE ZOOTECNIA DE SÃO PAULO - IZ
site - www.iz.sp.gov.br

Atenciosamente,
Fernando Logar e Alexandre Gonçalves.
ALAN PEDREIRA

SALVADOR - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 30/07/2008

Olá Doutores Fernando e Alexandre, muito bom o artigo de vocês.

Sem dúvida alguma a estação de monta nos trás uma série de benefícios. Tenho uma propriedade na Bahia e o animais nesta região são considerados poliéstricos contínuos. Tenho dúvidas sobre esse tipo de manejo reprodutivo e gostaria que vocês pudessem me dar algum auxilio.

Faço 3 estações de 60 dias/ano. Em alguns artigos divulgam que devemos utilizar estações de 49 dias no máximo. Gostaria de algum comentário a respeito. Possuo 100 matrizes e o meu intervalo entre partos é de 8,4 meses em média.

Agradeceria muito se vocês me fornecessem alguma referência bibliográfica no assunto. Mesmo sendo de tanta importância não encontro nada a respeito!
JOSÉ ALBERTO MALUF

CACHOEIRA DE MINAS - MINAS GERAIS - VAREJO

EM 27/12/2007

Prezados Fernando e Alexandre

O trabalho é excelente, mas infelizmente atenderá, na minha opinião a produção que tenha muitas matrizes.
Digo infelizmente,pois falta ao pequeno produtor ter mais "parceiros" para que "a estação de monta" seja participativa.
Falta também maior colaboração e participação do reduzido número de frigoríficos em especial na região onde me encontro (Sul de Minas Gerais).
Desejo que muitos produtores (em especial os pequenos) em razão da falta de área possam em função do trabalho de voces, interagirem para melhorar e aprimorar a cadeia produtiva da ovinocultura.

Parabéns
JOHNY SANTHIAGO DOS SANTOS

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 04/12/2007

Sr.Alexandre quero agradecer sua pessoa por ter tirado inúneras dúvidas minhas sobre a estação de monta, fico muito feliz por ter aguem como o Sr. nesse programa tirando não só minhas dúvidas mas tambem de outras pessoas que tenha insegurança sobra esse assunto.




MUITO OBRIGADO!!!
JOHNY SANTHIAGO DOS SANTOS.
FERNANDO LOGAR SERAPHICO PEIXOTO DA SILVA

PIRACICABA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/03/2007

Dr. Fernando, bom dia, obrigado pelos seus pertinentes comentários sobre o texto.

Também nas condições do Sul é possível adotar programas de reprodução controlada objetivando maior estabilidade na produção de cordeiros. Apesar das raças citadas como base do plantel daí apresentarem ciclo reprodutivo estacional (não apresentam cio em determinadas épocas do ano), é possível, adotando tecnologias apropriadas (não necessariamente dispendiosas), induzir a reprodução desses animais nas épocas em que estariam em anestro. Com isso aproveita-se a base genética (matrizes) já disponível na região. A alternativa de introduzir raças com ciclo reprodutivo não estacional é interessante, no entanto exige a substituição da maior parte do plantel (fêmeas) o que pode ser um pouco complicado num primeiro momento.

Para escolha dos reprodutores (carneiros) é importante avaliar seu potencial de imprimir qualidade a carcaça e a carne das crias, havendo diversas raças indicadas para isso, cada uma com características específicas que as tornam melhores conforme as condições da propriedade e objetivo da criação.

Sobre o Poll Dorset, cabe ressaltar que é uma das raças mais utilizadas na moderna produção de carne ovina, sendo a principal raça em diversos países. O rápido crescimento, a boa qualidade de carcaça e de carne de suas crias, a relativa rusticidade e o fato de não apresentar estacionalidade reprodutiva são algumas das características dessa raça que a tornam atrativa.

Sucesso em seu empreendimento.

Atenciosamente

Alexandre e Fernando.

FERNANDO BECCON NERVA

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 26/02/2007

Caros Fernando e Alexandre, parabéns pelo artigo que traz uma opção para o que o mercado comprador(frigoríficos com inspeção) mais pede, que é a distribuição da oferta de cordeiros para o abate. Com a exigência do mercado comprador em limitar a idade de compra de cordeiros/borregos, diria até no máximo 2 dentes (1ano), o parto em vários lotes auxilia na formação de uma equipe especializada em cuidar do rebanho, com atividade durante todo o ano.

Pergunto se nas condições do sul do país, seria possível implantar esse esquema com a utilização das raças mais comuns por aqui (Corriedale, Romney, Ideal, Suffolk, Texel) ou haveria a necessidade de se cruzar com raças que entram em cio o ano todo (Poll Dorset, Crioula, como exemplo das lanares, ou Santa Ines nas sem lã por exemplo).

Se possível comentar sobre a raça Poll Dorset, pois estamos investindo num criatório de médio porte na região.

Abraços, Fernando Beccon Nerva.
MilkPoint AgriPoint