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Utilização de aditivos químicos na ensilagem da cana-de-açúcar

POR THIAGO BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/10/2007

5 MIN DE LEITURA

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A constatação de fermentações indesejáveis em silagens de cana-de-açúcar, atingindo perdas excessivas e podendo prejudicar o desempenho animal, despertou grande interesse da comunidade científica em solucionar esses problemas por meio do uso de aditivos, que inseridos durante o processo de ensilagem fossem capazes de alterarem a rota fermentativa verificada nessas silagens, bem como reduzirem as perdas no valor nutritivo desses volumosos, por meio da inibição da população de leveduras produtoras de etanol.

Recentemente, pesquisas desenvolvidas a respeito do processo de conservação da cana-de-açúcar, relatam a ocorrência da problemática fermentação alcoólica, sugerindo a utilização de aditivos na minimização das perdas e na redução no valor nutritivo dessas silagens. Diversos aditivos são utilizados na ensilagem da cana-de-açúcar, sendo classificados como aditivos químicos, bacterianos e enzimáticos.

Os aditivos químicos são classificados em subgrupos de acordo com sua forma de atuação, podendo citar os agentes alcalinizantes, os aditivos nutrientes e os aditivos conservantes. Durante o processo de ensilagem, a finalidade desses é para que interfiram na dinâmica fermentativa, alterando o pH e a pressão osmótica da massa de forragem e, por conseguinte, inibir o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis durante a fermentação do volumoso (SANTOS, 2007).

Dentro do grupo dos aditivos químicos alcalinizantes são encontrados os hidróxidos, óxidos básicos e carbonatos, sendo que, na conservação da cana-de-açúcar são encontrados trabalhos que em sua maioria utilizaram hidróxido de sódio (NaOH), hidróxido de amônio (NH4OH), hidróxido de cálcio, carbonato de cálcio (CaCO3) e óxido de cálcio (CaO) como aditivo químico para o controle da fermentação alcoólica.

Segundo Castrillón et al. (1978), a utilização do hidróxido de sódio durante a ensilagem tem a capacidade de alcalinizar o meio e alterar o processo fermentativo, reduzindo a fermentação alcoólica, aumentando a concentração de ácido lático e elevando a digestibilidade. Avaliando aditivos químicos (benzoato de sódio, uréia e hidróxido de sódio) na ensilagem da cana-de-açúcar crua e queimada, Siqueira; Bernardes e Reis (2005) verificaram maior eficiência no controle das perdas durante a fermentação para o aditivo hidróxido de sódio, observando para este, menores teores de FDN (53,6%) e maiores teores de CNF (34,1%), o que refletiu em maiores valores médios de DVIVMS (61,3%) quando comparado aos demais tratamentos.

De acordo com Siqueira et al. (2007) o tratamento da cana-de-açúcar com 1% de hidróxido de sódio durante a ensilagem resultou em silagens com menores teores de FDN e FDA, promovendo também o aumento nos coeficientes de digestibilidade. Pedroso et al. (2007) ainda ressalta sobre a redução nas perdas de matéria seca e melhoria no valor nutritivo de silagens de cana-de-açúcar tratadas com NaOH. Por outro lado, Nussio; Schmidt e Queiroz (2005) apesar de observarem benefício referente ao valor nutritivo e no controle de perdas das silagens ressaltaram as limitações em seu uso, devido a condições de segurança durante a aplicação do produto e a elevação no custo do alimento.

Dessa forma, alguns aditivos químicos alcalinizantes estudados na década de 60 nos Estados Unidos ressurgiram no cenário nacional em substituição ao hidróxido de sódio, destacando-se o óxido de cálcio e o calcário calcítico. A prerrogativa para o uso desses aditivos é a de serem mais seguros durante sua manipulação e por promoverem efeitos benéficos durante a conservação da cana-de-açúcar.

Segundo Klosterman et al. (1960), a adição de calcário resulta em silagens com maiores valores de pH, neutralizando parte dos ácidos produzidos durante o processo de conservação. Segundo os mesmos autores, essa parcial neutralização requer ao material ensilado maior tempo de fermentação, o que confere maiores quantidades de ácidos produzidos durante o processo fermentativo. Essig (1968), trabalhando com silagens de milho com adição de 0,5 a 1,0% de calcário, observaram melhorias na fermentação e na aceitabilidade das silagens pelos animais, ressaltando a capacidade do aditivo em estimular a produção de ácidos orgânicos, especialmente o ácido lático e, ao contrário do esperado, aumentando o pH das silagens.

Santos (2007) avaliando aditivos químicos durante o processo de ensilagem da cana-de-açúcar verificou que a adição de cal virgem e calcário calcítico promoveu silagens com maiores valores de pH, porém com maiores concentrações de ácido lático em relação ao tratamento controle. Segundo o autor o efeito de tamponamento dos aditivos fez com que houvesse estímulo para maior intensidade de conversão dos carboidratos solúveis em ácido lático. Além disso, as silagens tratadas com os agentes alcalinizantes apresentaram menores concentrações de etanol, maiores recuperações de carboidratos solúveis e menores perdas de gases e de matéria seca, sugerindo efeito inibidor dos aditivos ao crescimento de leveduras.

Balieiro Neto et al. (2005) e CavaIi et al. (2006) verificaram diminuição na produção de gases nas silagens tratadas com diferentes doses de cal virgem. Segundo Roth et al. (2007) a adição de 1% de óxido de cálcio nas silagens de cana-de-açúcar acarretou em silagens com maiores valores de pH (4,12) frente a silagem controle (3,70), porém o uso da cal virgem proporcionou menores perdas gasosas e por efluentes, apresentando maiores valores de recuperação de matéria seca.

Segundo Balieiro Neto et al. (2007) a adi��ão de óxido de cálcio nas silagens de cana-de-açúcar promoveu a solubilização parcial da hemicelulose, sendo que a adição de 2% do aditivo acarretou em aumento da digestibilidade verdadeira in vitro, redução dos constituintes da parede celular e manutenção da FDN e hemicelulose após a abertura dos silos. Cavali et al. (2006) avaliando diferentes doses de cal virgem em silagens de cana-de-açúcar observaram 40 dias após a ensilagem, menores concentrações nos valores de FDN, FDA e hemicelulose e maiores coeficientes de digestibilidade nas silagens tratadas.

Balieiro Neto et al. (2007) observaram recuperação de matéria seca e de carboidratos não-fibrosos de aproximadamente 88% e 86%, respectivamente, para as silagens tratadas com 2% de cal virgem. Oliveira et al. (2004) avaliando a adição de hidróxido de cálcio na ensilagem da cana-de-açúcar, encontraram valores de recuperação da matéria seca de 77,4% para as silagens aditivadas com 0,5% de cal contra 72,1% para as silagens controle.

Até o momento, os resultados desses aditivos tem sido interessantes na melhoria no valor nutritivo de silagens de cana-de-açúcar frente às silagens não tratadas, porém maiores investigações são necessárias em relação ao consumo e ao desempenho animal para validação de sua utilização.

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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LUCIMELRY PORTO

EM 11/05/2018

Obrigada pelas informações, me ajudaram muito !!!!
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/12/2008

Prezado Rogerio Ramos,

Se o silo permitir boa vedação, a silagem é considerada conservada e sem perdas. Assim, não existe um tempo, o que é necessário é a boa vedação. Caso o silo seja aberto, a silagem começará a deteriorar pela presença de oxigênio.
Já ensilei cana-de-açúcar que ficou vedada por 1 ano, e a silagem apresentou-se muito boa.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago
ROGERIO RAMOS

VALENÇA - RIO DE JANEIRO

EM 13/12/2008

Parabenizo e agradeço pelas informações contidas no artigo. Esta é minha primeira experiênca com ensilagem de cana. Possuo silos de poço em alvenaria (tijolos cimento e Sika) com 5m de profundidade, capacidade de 20 ton de ensilagem cada, que eram utilizados para ensilagem de capim. Época em que meu pai ainda vivo tocava a pecuária leiteira. Hoje fabrico cachaça na propriedade, e com um excedente de cana, mais própria para gado, que me servia como moeda de troca para adquirir bezerros para semi confinamento, resolví lançar mão do Lalsil cana para aproveitar tal excedente. Alimento os animais na época da safra com as pontas de cana picadas agregadas com vinhoto e outros nutrientes.

Minha questão é quanto ao tempo que posso deixar os silos fechados. Após enchê-los, cobri com um lonado duplo e por cima muita terra para peso. A intenção continua a tê-los como moeda de troca com vizinhos que produzem leite, claro que agregando valor ao produto. A partir do momento de abertura de cada silo, por quanto tempo ele deverá ser utilizado sem a perda de sua qualidade?

Desde já agradeço,
Rogerio Ramos
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/12/2008

Prezado ALESSANDRO SOUZA SILVA,

As duas formas podem ser realizadas, vai depender dos equipamentos que possui. Caso aplique na forma pulverulenta, aconselho a proteger as mãos, olhos e uso de máscaras.

Atencioamente,

Rafael e Thiago
ALESSANDRO SOUZA SILVA

SÃO JOSÉ DOS QUATRO MARCOS - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/12/2008

Boa tarde caros amigos, isso é interessante.
Para que eu possa utilizar qualquer um desses aditivos, eu posso mistura-lo em agua ou in natura?
Aguardando resposta.

Obrigado.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/10/2008

Prezado Adrian da Silva Barreto,

Você pode trabalhar com a uréia (1%) ou com Lactobacillus buchneri, que sào bons controladores da produção de etanol dessas silagens.
Atenciosamente
Rafael e Thiago
ADRIAN DA SILVA BARRETO

NOVA VIÇOSA - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/10/2008

Bom dia.

Por favor, em um silo trincheira com medidas: 07 largura, 12 comprimento e 02 metros de altura, com silagem de cana-de-açúcar, quais os aditivos melhor indicados para esta silagem na região sul da Bahia, próximo ao litoral?

Obrigado, bom final de semana a todos.

ADRIAN BARRETO
EAFCOL-ES 00/02
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/08/2008

Prezada Rafaella Christina Machado de Melo.

Seguem as referências:

BALIEIRO NETO, G.; SIQUEIRA, G.R.; REIS, R.A.; NOGUEIRA, J.R., ROTH, M.T.P.; ROTH, A.P.T.P. Óxido de cálcio como aditivo na ensilagem de cana-de-açúcar. Revista Brasileira de Zootecnia. Brasília, v. 36, n. 5, p. 1231-1239, 2007.

CASTRILLOÓN, M.V.; SHIMADA, A.S.; CALDERÓN, F.M. Manipulacion de la fermentacion em ensilajes de caña de azucar y su valor alimentício para borregos. Técnica Pecuária em México, Palo Alto, v. 35, p. 48-55, 1978.

CAVALI, J.; PEREIRA, O.G.; SOUSA, L.O.; PENTEADO, D.C.S.; CARVALHO, I.P.C.; SANTOS, E.M.; CEZÁRIO, A. Silagem de cana-de-açúcar tratada com óxido de cálcio: composição bromatológica e perdas. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43., 2006, João Pessoa. Anais ... João Pessoa: SBZ, 2006. 1 CD ROM.

KLOSTERMAN, E.W.; JOHNSON, R.R.; SCOTT, H.W.; MOXON, A.L.; STAVERN, J.V. Whole plant and ground ear corn silages, their acid content, feeding value and digestibility. Journal of Animal Science, Albany, v. 19, n. 2, p. 522-532, 1960.

ROTH, M.T.P.; SIQUEIRA, G.R.; REIS, R.A.; RESENDE, F.D.; ROTH, A.P.T.P.; MONTEIRO, R.R.; DOMINGUES, F.N. Lactobacillus buchneri, cal microprocessada e sua associação na ensilagem de cana-de-açúcar crua ou queimada. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 44., 2007, Jaboticabal. Anais ... Jaboticabal: SBZ, 2007. 1 CD-ROM.

SANTOS, M.C. Aditivos químicos para o tratamento da cana-de-açúcar in natura e ensilada (Saccharum officinarum L.). 2007. 112 p. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal e Pastagens) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2007.

SIQUEIRA, G.R.; REIS, R.A.; SCHOCKEN-ITURRINO, R.P.; BERNARDES, T.F.; PIRES, A.J.V.; ROTH, M.T.P.; ROTH, A.P.T. Associação entre aditivos químicos e bacterianos na ensilagem de cana-de-açúcar. Revista Brasileira de Zootecnia. Brasília, v. 36, n. 4, p. 789-798, 2007.

PEDROSO, A.F.; NUSSIO, L.G.; LOURES, D.R.S.; PAZIANI, S.F.; IGARASI, M.S.; COELHO, R.M.; HORII, J.; RODRIGUES, A.A. Efeito do tratamento com aditivos químicos e inoculantes bacterianos nas perdas e na qualidade de silagens de cana-de-açúcar. Revista Brasileira de Zootecnia. Brasília, v. 36, n. 3, p. 558-564, 2007.

Atenciosamente,
Rafael
RAFAELLA CHRISTINA MACHADO DE MELO

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 26/08/2008

Bom Dia

Primeiramente parabenizo pelo artigo e peço as referências bilbliográficas citadas neste artigo.

Obrigada
CLARICE CARTER MANICA

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 29/06/2008

Prezados Drs Rafael e Thiago

Tenho uma lavoura de cana de baixa produção em função da seca, numa propriedade que não tenho animais para utilizá-la. Estou a procura de algum produto que possa ser adicionado a cana triturada e que permita sua utilização em poucos dias e conservada em tubos ou sacos de plástico. Deram-me uma fórmula, mas nunca vi ser utilizada, e gostaria de uma avaliação e outras sugestões, se possível.

A fórmula é a seguinte:1000Kg de cana triturada, 12Kg de uréia, 15Kg de sal mineral, 2Kg de sulfato de amonia, misturar tudo e espalhar no piso de uma área coberta e deixar por mais ou menos 3 dias até dar uma secada. Como sei que a cana fermenta, tive receio de experimentar.

Aguardo retorno na certeza de uma ótima orientação. Desde já agradeço a atenção.
RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/01/2008

Prezado Daniel Nunes Gomes,

A cal virgem para o processo de ensilagem e para o armazenamento em montes tem objetivos diferentes. Na ensilagem o objetivo é restringir a fermentação alcoólica, já para o armazenamento em montes, esse aditivo tem o objetivo de manter o material picado por um período de tempo maior, sem ter necessidade de cortes diários.

A sua questão está relacionada ao segundo objetivo. Alguns trabalhos demonstraram que a cana após 6 horas da aplicação do aditivo e exposta ao ambiente começa a perder carboidratos solúveis, com perdas de MS ao redor de 5 - 6 % durante cinco dias de exposição ao ar.

Um experimento envolvendo consumo de novilhas mostrou que o maior consumo foi para animais tratados com cana sem aditivo (picada e fornecida no momento da colheita). Com a inserção do aditivo em tempos diferentes (fornecimento do volumoso após 24, 48 horas do tratamento), os dados de consumo decresceram em relação a cana fresca.

Atenciosamente,
Rafael e Thiago
DANIEL NUNES GOMES

ARAPOTI - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/01/2008

Bom dia. Realmente este tipo de metodologia está em crescente desenvolvimento, parabéns pelo trabalho realizado por vocês.

Trabalho para uma cooperativa em Arapoti (PR), e ao ralizar visitas técnicas a produtores no norte do estado tive contato com esse processo, sobre o qual fui questionado e não tive embasamento prático para discutir o assunto com o produtor.

Bom, a questão é o seguinte: um produtor de leite de pequena a média produção está utilizando o processo de hidrólise de cana com (cal) algo em torno de 1-1,5% de cal diluidos em 40 litros de água para 100-150 kg de cana. Este material é amarzenado e fornecido para os animais 3 dias após o processo.

Quanto tempo, após realizado o processo de hidrólise, o material pode ser utilizado, sendo que ele apenas armazenava o material sem compactar?

Há necessidade adaptação dos animais? Existe um consumo máximo? Restrição?

Obrigado!
FABRICIO PEREIRA FROTA

PORTO NACIONAL - TOCANTINS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 19/11/2007

Prezados Thiago e Rafael,

Meu pai possui uma propriedade rural no interior do Tocantins, e como um futuro técnico das agrárias achei esta matéria um tanto esclarecedora.

Sou estudante da área de ciências agrárias e como tal me interessei por sua matéria, na segunda vez que a li, me atentei para algumas dúvidas, que para alguns podem soar como banais, mas para mim são de suma importância.

O processo de obtenção da cana pode ser feito incorporando outras culturas ou alimentos?

Quais seriam as melhores sugestões? Qual variedade cana seria a mais apropriada? Ouvi falar da BR 86.

Fabrício.

<b>Resposta dos autores:</b>

Caro Fabrício,

Nós ficamos com dúvida sobre os seus questionamentos. Não sabemos se você quer consorciar a cana-de-açúcar com outras culturas (termos agronômicos) ou se você deseja introduzir espécies forrageiras associda a cana no momento da ensilagem.

Quanto à variedade, não existe a ideal. Se vocês desejam cultivar esta cultura devem analisar qual é a variedade mais adaptada a vossa região, entranto em contato com outros produtores que já estão utilizando ou com usinas que estão instaladas na região Centro-Oeste.

Sucesso na atividade.

Atenciosamente,
Thiago e Rafael.
ANGELO JOSÉ DE OLIVEIRA

JI-PARANÁ - RONDÔNIA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 05/11/2007

A cana-de-açúcar veio para resolver o problema da escassez de forragem na época seca, justamente porque sua colheita coincide com a escassez de forragem, dispensando portanto o processo de ensilagem e aí está seu grande diferencial. Sua qualidade não é tão boa, já que possui baixa digestibilidade e baixo teor de proteínas.

Quando o canavial de alguém pegou fogo, lhe foi sugerido fazer silagem para não perder toda a produção e o que era uma exceção está virando regra. A coisa parece aquela velha "Fábula dos Porcos Assados".
FRANCISCO DE ASSIS LAMAR

SÃO LUÍS - MARANHÃO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/11/2007

Rafael e Thiago,

Vocês estão duplamente de parabéns, não só pela grandeza do artigo, mas tambêm pela presteza com responderam às minhas dúvida, eu quero aqui agradecer a vocês. Eu tenho me dirigido através do MilkPoint a vários autores de artigos com algumas dúvidas, mas somente vocês e o Rodrigo Emediato responderam. Estava preocupado se minhas dúvidas não eram boas capazes de não mecerem resposta. Quero lhes agradecer. Muito Obrigado!

Lamar.

<b>Resposta dos autores:</b>

Prezado Lamar,

Não há perguntas bobas, o importante é não ter dúvidas sobre o assunto.

Obrigado pelos comentários e ficamos contentes de estar de alguma forma contribuindo no setor agropecuário.

Atenciosamente,

Rafael e Thiago
FRANCISCO DE ASSIS LAMAR

SÃO LUÍS - MARANHÃO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/10/2007

Rafael e Thiago,

Na prática, come é feito a aplicação da cal virgem, em forma pulverulenta?

Quanto que se usa de cal para 1 tonelada, e de que forma ela é distribuída? Acredito que seja o mais homogênea possível. E qual a melhor maneira de fazer? Ao usar a cal, com quantos dias deve ser aberto o silo? A cal referida, é a cal micro? Voces poderiam enviar a análise bormatológia?

Lamar.

<b>Resposta dos autores:</b>

Prezado Lamar,

A aplicação da cal microprocessada pode ser realizada tanto na forma pulverulenta como diluída em água (ao redor de 40 litros de água/ tonelada de cana fresca). Trabalhos com adição entre 1 e 1,5% de cal com base na matéria verde (1 kg de cal para 100 kg de cana fresca) tem apresentado bons resultados. A homogeneização poderá ser realizada com pás e enchadas, ou caso haja um vagão misturador a homogeneização também fica muito boa.

A partir de 60 dias o silo já pode ser aberto. Valores médios de composição química vão depender do momento em que a cana será colhida e da variedade utilizada. Colheita com aproximadamente 12 meses de crescimento poderá apresentar em média: 35% MS; 5% MM; 2,5% PB; 51% FDN.

Atenciosamente,

Rafael e Thiago
ADRIANI SANTINNI

RECIFE - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/10/2007

Bem interessante a matéria. Felizmente eu tenho uma árdua tarefa de convencer alguns clientes a optarem pelo Dióxido de Cloro Estabilizado a 8%. Isto porque, além de melhorar o produto final, ele atua como bactericida e fungicida. Entre outros, este tipo de trabalho se deve ao fato do Dióxido ser ogânico e não traz nenhum custo adicional à ensilagem. Melhorando a qualidade de quem opta por ele.
RAFAEL MONTEIRO

JABOTICABAL - SÃO PAULO - ZOOTECNISTA

EM 19/10/2007

Gostaria de parabenizar os autores pelo artigo, e de saber qual a melhor forma de aplicação dos aditivos químicos.

Grato

<b>Resposta dos autores:</b>

Prezado Rafael,

A aplicação da maioria dos aditivos químicos é realizada em forma de solução aquosa, fato que auxilia para maior homogeneização deste na forragem. Entretanto, para os aditivos cal virgem e calcário, nossa experiência foi bem sucedida também na aplicação na forma pulverulenta.

O único cuidado na aplicação em forma pulverulenta é o contato do aditivo com as mãos e na inalação, porém ainda, esses dois aditivos são considerados mais seguros em relação ao hidróxido de sódio.

Atenciosamente,

Rafael e Thiago

AMAURI VALLE

MACHADINHO D'OESTE - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 19/10/2007

Interessante o artigo, este ano eu fiz o primeiro silo utilizando cana de açúcar de primeiro ano ensilada, aos 10 meses de idade. Após ler sobre o assunto eu optei pelo lalsil cana da matusada para controle da produção de álcool. Coloquei 150 bois de 2 anos no cocho, no inicio de setembro com aproximadamente 450 kg, e estou tratando com silo de cana adicionado de 1 kg de caroço de algodão e 1 kg de ração proteinada a base de milho com 17% de PB. Vou abater os bois no final de novembro com aproximadamente 17,5 @.

Tenho observado o seguinte: Com dois tratos diários um as 6:00 hs e outros as 16:00 o bois tem consumido a silagem dentro do esperado, com uma observação. Dependendo do ponto do silo, que concentrou mais ou menos folhas secas e verdes, tem variado o consumo, com alguns dias sobrando o produto no coxo e outros faltando.

No geral aprovei totalmente a silagem de cana, e vou dobrar a plantação este ano, com o propósito de colocar no próximo ano 500 animais no trato. Continuo buscando informações que possa melhorar a produção desta importante fonte de MS na propriedade.

Amauri Valle
MilkPoint AgriPoint