1) A administração de vermífugos sem a observação correta do peso dos animais, o que leva à aplicação de doses menores ou maiores que as recomendadas;
2) A aplicação em massa de vermífugos em todos os animais do rebanho, aos invés do tratamento seletivo: tratamento somente dos animais que estão com sintomas de verminose (mucosa ocular com a coloração rósea a clara, magreza, pelos arrepiados e sem brilho, presença de diarreia e lã solta). Para o tratamento seletivo, os animais devem ser avaliados por meio da contagem de ovos nas fezes (OPG) ou pela coloração da mucosa ocular de acordo com o método Famacha e avaliação do estado geral;
3) A subnutrição dos animais, que favorece o parasitismo.
Assim, atualmente é difícil encontrar uma só propriedade que não sofra com o problema da baixa eficácia dos vermífugos no combate dos vermes de ovinos. Se você está nessa situação, o que fazer? Com certeza a principal medida é consultar um técnico para rever em que etapas podem existir falhas no manejo do seu rebanho e procurar corrigi-las. Além disso, é necessário saber que vermífugo é realmente eficaz para ser aplicado nos animais.
Para isso, existe um teste que permite avaliar qual é o vermífugo mais recomendado para a sua propriedade. Esse teste é chamado de Teste de Redução da Contagem de Ovos nas Fezes ou, para simplificar, TRCOF. O TRCOF consiste na seleção e no tratamento com anti-helmíntico de uma amostra de animais do rebanho.
Para a seleção dos animais que serão destinados ao teste, devem ser utilizados alguns critérios como: contagem de OPG superior a 200, idade superior a 2 meses, escore corporal entre 1,75 e 3,75, grau Famacha entre 1 e 4 e animais que não tenham sido tratados com anti-helmínticos recentemente. A seguir, os animais são divididos em grupos, com aproximadamente 10 animais cada, e cada um desses grupos é submetido ao tratamento com um produto anti-helmíntico disponível no mercado, de preferência com os vermífugos utilizados na propriedade.
O teste deve ser feito com produtos de princípios ativos diferentes, por exemplo, um só produto à base de ivermectina é utilizado, e não várias marcas de produtos à base de ivermectina. Além dos animais tratados com vermífugos, é mantido um grupo de animais sem qualquer tratamento, e esses animais servem de controle para o teste.
Após a seleção, os animais são tratados com os vermífugos nas doses recomendadas pelos fabricantes e mantidos nas mesmas condições de manejo que estavam antes dos tratamentos. Após 14 dias da aplicação dos anti-helmínticos, as fezes de todos os animais, tratados e controle, submetidos ao teste são coletadas e submetidas à contagem de OPG. Com os resultados do OPG faz-se um cálculo para saber quanto cada tratamento reduziu o OPG em comparação ao OPG observado no grupo controle não-tratado.
Quando um vermífugo é capaz de reduzir a contagem de OPG em mais de 90%, ele é considerado eficiente e deve ser o medicamento de escolha para ser utilizado, e com critério, no rebanho. Quando o medicamento apresenta redução entre 80 e 90%, ele apresenta baixa eficiência, mas quando ele apresenta redução menor que 80%, ele é ineficiente no combate de helmintos no seu rebanho. Assim, o TRCOF fornece boa orientação para a escolha do melhor produto a ser utilizado no tratamento do seu rebanho ovino ou caprino.
As fezes utilizadas para a contagem de OPG podem ser submetidas ao cultivo (coprocultura) para a obtenção de larvas e avaliação das espécies de vermes mais frequentes no rebanho.
A metodologia mais detalhada para a realização do TRCOF está disponível numa publicação gratuita da Embrapa Pecuária Sudeste.
Resultados parciais de TRCOF realizado em algumas propriedades do Estado de São Paulo foram publicados no artigo "Controle da verminose: menos vale mais".
Vale ressaltar que o TRCOF pode ser aplicado por qualquer técnico capacitado. No Estado de São Paulo, existe uma rede de pesquisa em sanidade de ovinos composta por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, do Instituto de Zootecnia, do Instituto Biológico e de diversos Centros de Pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). Além desses pesquisadores, o projeto conta com a colaboração do Prof. Marcelo Beltrão Molento, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de Curitiba - PR.
Abaixo, há uma listagem dos pesquisadores dessa rede de pesquisa que podem ser contactados em sua região para a obtenção de mais informações sobre a aplicação do TRCOF.

Para mais informações entre em contato pelo box abaixo: