Tecnologias para produção orgânica de leite

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Por Luiz J. M. Aroeira1, Elizabeth Nogueira Fernandes1

Atualmente, o grande desafio da ciência agropecuária é o de manter a produção agrícola em níveis tais que sustentem uma população em crescimento, sem com isto contribuir para aumentar ainda mais a degradação do meio ambiente. Existe um reconhecimento, não só da comunidade técnico-científica como também dos governos acerca da necessidade de adoção de ações que promovam um redirecionamento das atividades agropecuárias, a fim de garantir a conservação dos recursos naturais para as gerações futuras.

Os novos anseios que envolviam a produção de alimentos despertaram o mundo para sistemas de produção mais conservacionistas, e a palavra ecologia ganhou significado especial. Surgem, então, os sistemas alternativos com propostas ambiciosas para a produção de alimentos em harmonia com o meio ambiente. Em comum, todas apresentam forte preocupação com os destinos inseparáveis do homem e do meio ambiente, sendo a agricultura orgânica a mais conhecida desse segmento.

Define-se pecuária orgânica como um processo cuja premissa seja uma criação economicamente viável, ecologicamente correta e socialmente justa. Além de criar o animal de forma saudável, é necessário que o pecuarista esteja preocupado com a preservação ambiental e ofereça boas condições de trabalho e de vida a seus funcionários.

Entretanto, a produção atual orgânica de leite necessita de tecnologias que viabilizem a produção de alimentos e os cuidados sanitários do rebanho. Tecnologias que contribuam para o desenvolvimento sustentável do sistema podem agregar valor à produção da agricultura familiar. A pecuária orgânica consiste na exploração de policultivos que estimulam a biodiversidade, sem deixar de lado a produtividade e a rentabilidade para o produtor.

A Embrapa Gado de Leite, atendendo aos apelos do consumidor por um produto " limpo", propôs um projeto em parceria com a Agência Rural do Estado de Goiás, a Universidade Federal de Goiás e a Universidade Federal de Viçosa, cujo enfoque é o estudo da caracterização da produção orgânica de leite no Brasil, suas restrições e potencialidades; fornecer subsídios para a produção orgânica de forrageiras, enfocando o policultivo e a sucessão de culturas, baseado, principalmente, em pastagens consorciadas, sistemas silvipastoris (árvores frutíferas e madeiráveis) para os biomas Mata Atlântica e Cerrado e fornecer alternativas (fitoterápicos e homeopáticos) para os cuidados sanitários dos bovinos, enfocando problemas relacionados a parasitoses e mastites.

Os objetivos do projeto são:

1 - fornecer opções ao produtor orgânico, para o plantio de árvores e arbustos em pastagens do Cerrado, aumentando a diversidade do fornecimento de forragem para bovinos e diversificando a renda para agricultura familiar;

2 - avaliar o impacto da introdução da produção orgânica de leite na exploração agrícola (café, frutas e essências florestais), na área de influência da Mata Atlântica;

3 - fornecer subsídios para a produção orgânica de forrageiras, enfocando o policultivo e a sucessão de culturas na área de influência da Mata Atlântica e 4 - fornecer alternativas (fitoterápicos e homeopáticos) para os cuidados sanitários dos bovinos, enfocando problemas relacionados a parasitoses e mastites.

Alem disso, pretende-se, com o suporte financeiro da Fapemig, e o apoio da Epamig, Univale, Fazu, Emater-MG e UFMG, criar módulos, de aproximadamente, 25-30 ha, em regiões estratégicas do Estado de Minas Gerais (Bioma Cerrado: Sete Lagoas e Uberaba e Bioma Mata Atlântica: Governador Valadares), levando-se em conta a representatividade do sistema de produção de cada uma dessas regiões e seu potencial como pólo multiplicador da tecnologia gerada. Nesses módulos serão estabelecidas pastagens consorciadas de gramíneas e leguminosas herbáceas e sistemas silvipastoris, com o objetivo de diversificar o fornecimento de forragem para os animais, respeitando-se as normas das certificadoras referentes à utilização de no máximo 15% da matéria seca dos alimentos provenientes de fora da propriedade e agregar valor à renda do produtor. Serão introduzidas nestes módulos novilhas recém-desmamadas, a fim de serem recriadas de acordo com as recomendações preconizadas num sistema de produção orgânico. Pretende-se com essas atividades obter ao final de dois anos um módulo pronto para iniciar a produção orgânica de leite.

Em todas as atividades previstas, os dados de custos e as receitas obtidas serão anotados para uma análise econômica das práticas estudadas. A difusão de tecnologia dar-se-á a partir de aulas ministradas, para estudantes dos 1 e 2 graus, alunos de graduação e pós-graduação e dias de campo para produtores e extensionistas, enfatizando os cuidados com a terra e potencial de diversificação de renda, principalmente para o agricultor familiar.
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1 Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite
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