Resistência do carrapato bovino a carrapaticidas no Estado de São Paulo
O parasitismo dos bovinos pelo carrapato <i>Rhipicephalus (Boophilus) microplus</i> é uma das principais causas de perdas econômicas na pecuária, sendo responsável por prejuízos de 1 bilhão de dólares ao ano na América Latina e 7 bilhões de dólares no mundo, estimado pela FAO em 2004. Os prejuízos são determinados pela diminuição do ganho de peso, da produção de leite, danos no couro provocados pelas picadas, além de transmitirem o protozoário <i>Babesia</i> sp, agente causador do complexo Tristeza Parasitária Bovina, que pode levar à morte. O uso de carrapaticidas é o principal meio de combate da praga há pelo menos 60 anos e, devido à insistente aplicação de drogas, foi inevitável o desenvolvimento de populações de carrapatos resistentes.
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Na região sudeste o carrapato está presente ao longo de todo ano com maior prevalência nos meses mais quentes e úmidos, de setembro a abril.
O uso de carrapaticidas é o principal meio de combate da praga há pelo menos 60 anos e, devido à insistente aplicação de drogas, foi inevitável o desenvolvimento de populações de carrapatos resistentes. Atualmente, das sete classes de carrapaticidas registrados no Brasil, cinco estão comprometidas parcial ou totalmente pela resistência, dependendo da fazenda ou região. Como agravante, a existência de populações resistentes, na maioria dos casos, leva a uma maior frequência de aplicações dos produtos, o que pode intensificar a resistência e provocar a presença de resíduos em níveis acima do tolerado em alimentos como a carne e o leite.
O Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico (IB-APTA), órgão ligado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, sob a coordenação da pesquisadora Dra. Márcia Cristina Mendes, em parceria com o Laboratório de Parasitologia Experimental e Aplicada do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, seis Pólos Regionais da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo e com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) realizou um levantamento inédito da resistência do carrapato do boi frente aos carrapaticidas usados nas regiões de São Paulo. O trabalho foi realizado nos anos de 2007 e 2008.
Foram acompanhadas pequenas fazendas de gado de leite no interior do estado. Inicialmente foi feito um questionário para verificar os métodos que o produtor usa para controlar o carrapato, como a escolha do carrapaticida, produtos usados, modo e freqüência da aplicação. Também foram coletadas amostras de carrapatos para verificar a resistência em ensaios de laboratório.
De acordo com o questionário aplicado, de forma geral, já foram utilizados todos os grupos químicos disponíveis para o controle do carrapato [organofosforados, formamidinas (amitraz), piretróides (cipermetrina e deltametrina), lactonas macrocíclicas (avermectinas) e os fenilpirazóis (fipronil)]. A maioria dos produtores não possui critérios para a escolha do carrapaticida, seguem a indicação de vendedores ou vizinhos e fazem o tratamento somente quando visualizam os carrapatos.
Para verificar a resistência foram realizados testes usando as larvas dos carrapatos, a fim de se obter o nível de resistência aos produtos mais utilizados para o seu controle.
Os resultados mostram que os casos positivos para carrapatos resistentes aos piretróides foi alta em todas as regiões analisadas, passando de 83,33% em 2007 para 100% em 2008 no caso da deltametrina e de 83,33% em 2007 para 84,21% em 2008 considerando a resistência a cipermetrina.
Para o organofosforado clorpirifós, os casos positivos foram de 50% em 2007 e 95% em 2008. Levando-se em consideração que a maioria das propriedades utilizou este produto durante o período do estudo, o aumento da prevalência da resistência já era esperado.
Para a ivermectina, a resistência ocorreu em 30% das fazendas analisadas no ano de 2007 e 56,25% em 2008. Possivelmente, o aumento da resistência a essa droga está ligado ao seu uso como alternativa aos demais carrapaticidas com resistência já desenvolvida. As lactonas macrocíclicas se caracterizam por apresentar um longo período de ação residual, chegando a 120 dias em alguns casos, fator que favorece a seleção de cepas resistentes.
Diante do estudo, os pesquisadores sugerem a realização anual do biocarrapaticidograma para verificar qual o produto mais indicado para o tratamento dos bovinos. Além disso, indicam que o tratamento seja feito somente nos animais mais sensíveis à infestação por carrapatos, quando os parasitos ainda se encontram na sua forma jovem (larvas e ninfas), lembrando de utilizar a dosagem correta do produto, aplicando-o por todo o animal, no caso da pulverização.
O Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico presta o serviço de realização de biocarrapaticidograma.
Material escrito por:
marcia mendes dos santos alves
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BELA VISTA DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 16/08/2015

SÃO GABRIEL DO OESTE - MATO GROSSO DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 08/04/2014

BOTUCATU - SÃO PAULO - ESTUDANTE
EM 06/11/2013
grato

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 17/12/2012

FONTOURA XAVIER - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 17/12/2012
Jacir Carlotto
Fontoura Xavier RS
Email Carlotto@ginet.com.br

BOM CONSELHO - PERNAMBUCO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 04/02/2012

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 18/08/2011
e o famoso produto em pó que tanto propagam na midia - difly s3, qual é realmente a sua efetividade para o controle dos carrapatos?

CARIACICA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/05/2011

CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO
EM 17/03/2010
o tempo satisfatorio entre uma aplicação e outra nesse caso o que vcs sugerem.
Parabens pelo trabalho realizado pelo site é suma importancia para os produtores rurais....

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 10/12/2009
Sou Thales, Médico Veterinário e colaborador da Agripoint e Coordenador Técnico de Grandes Animais da Agener Saúde Animal.
Li seu artigo no Beefpoint sobre resitência do carrapato a carrapaticidas e, nele a senhora relata que foi realizado um estudo inédito no Estado de SP. Gostaria de saber se o mesmo já foi publicado e em qual fonte devo procurar, pois gostaria de me apronfundar nesta brilhante pesquisa.
Parabéns pela pesquisa e na qualidade das informações
Fico no aguardo.
Atenciosamente,
Thales
LUZIÂNIA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/09/2009

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 04/06/2009
Atendemos todo o Brasil. Você pode entrar no site do Instituto Biológico no setor de triagem animal ou ligar no telefone (11) 50871707 assim orientaremos melhor sobre o teste.
Obrigada
Márcia
ASTORGA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 04/06/2009
Prezada Doutora Márcia Mendes.
Gostaria de me informar de como posso receber instruções para realização do
biocarrapaticidograma através Laboratório de Parasitologia Animal do Instituto Biológico mesmo sendo da região do norte do Paraná.

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 03/06/2009
Entre os bovinos especializados para a produção de leite, destaco o girolando (mestiço Gir x Holandês), com grau de sangue de no máximo 3/4 Holandês, e o gado Jersey, que, em um rebanho pesquisado pelo Instituto de Zootecnia, mostrou ter um grau de resistência bastante razoável a este parasita.

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 03/06/2009
Realmente nos assusta o fato de que a resistência à ivermectina tenha se disseminado de maneira muito rápida nos últimos anos. Provavelmente vinculado ao uso indiscriminado desta droga, inclusive para tratar animais leiteiros.
Os testes mencionados foram feitos com larvas, através da técnica de imersão (ver: Sabatini et al., 2001 - Vet. Parasitol., v.95(1) p.53-62; Klafke et al., 2006 - Vet. Parasitol. 142(3-4), p.386-390), utilizando a ivermectina grau técnico e comparando a resposta com a cepa referência susceptível da FAO, Mozo que é mantida no Instituto Biológico. Para cada população foram feitos três testes em triplicata. Vale lembrar que mantemos também uma cepa controle resistente isolada de uma população de campo, sob pressão de seleção com ivermectina que nos serviu para validar o teste em questão.
Acredito que seria interessante averiguar qual o nível de susceptibilidade das populações de carrapatos que são efetivamente controladas por 120 dias e se a eficácia da droga se mantém ao longo do ano.
Tem toda razão quando diz que os dados dos biocarrapaticidogramas devem vir acompanhados de uma orientação para interpretação dos resultados. Realmente eles somente indicam a eficácia do produto em uma condição in vitro. Entretanto nossos resultados demonstraram uma correlação positiva entre a falta de eficácia (entende-se por falta de eficácia um controle menor que 95%) e Fatores de Resistência significativos determinados pelo testes padrão da FAO, para as populações de campo em questão frente ao tratamento com o clorpirifós, deltametrina e cipermetrina. Até o momento, os testes com ivermectina para teleóginas não demonstraram resultados satisfatórios e confiáveis na determinação de eficácia in vitro. Somente os testes com larvas foram utilizados para o diagnóstico da resistência.
Espero ter ajudado,
Atenciosamente,
Guilherme Klafke.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/05/2009
Por outro lado, entende-se do texto que as provas de comprovação de sensibilidade tenham sido conduzidas in vitro, de modo que com referência à ivermectina é importante saber:
Que técnica foi usada e com que estágio parasitário.
Foi eventualmenmte usada alguma cepa de referência( se disponível ou factível) como comparação ou controle?
Também convém que se saiba que ivermectina atualmente comercializada chega efetivamente a prover 120 dias de controle em carrapato!.
Parabenizo ao IB pela iniciativa, porém entendo que a disponibilização dessas provas deveria envolver também a orientação de como interpretar os resultados já que por vezes, dependendo de como o resultado é expresso, existe confusão entre dados de sensibilidade e percentual de resistência.
Atenciosamente
Edson Luiz Bordin
Gerente Serviços Técnicos
Merial Saúde Animal ltda

ARAGUAÍNA - TOCANTINS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 03/05/2009
Abraço

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 28/04/2009
Obrigada
Márcia

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 28/04/2009
Infelizmente eu não conheço quem poderia fazer o teste no Estado de Santa Catarina, mas acredito que se voce entrar em contato com com professores de Universidades na área de veterinária eles poderão te informar.
Obrigada
Márcia

SÃO GABRIEL DO OESTE - MATO GROSSO DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 26/04/2009
Obrigado.