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Raiva em pequenos ruminantes

POR GUSTAVO PUGLIA MACHADO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2010

3 MIN DE LEITURA

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Introdução

A raiva é uma enfermidade infecto-contagiosa, de origem viral, aguda, quase sempre fatal, que acomete mamíferos, sendo considerada uma das mais terríveis zoonoses. Caracteriza-se principalmente por sinais nervosos, mudança de comportamento, paralisia progressiva e morte após curta evolução de 7 a 10 dias.

A ocorrência desta doença em pequenos ruminantes parece estar associada com surtos epizoóticos em populações de animais selvagens. Esses reservatórios selvagens no Brasil incluem morcegos hematófagos (Desmodus rotundus, Diphylla ecaudata, Diaemus youngi), cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e raposa-do-campo (Pseudolopex vetulus).

A suscetibilidade de ovinos e caprinos à raiva aumenta em função da capacidade de invasão viral, quantidade de partículas virais inoculadas, histórico de vacinação do animal e local da mordida. Quanto mais próxima a ferida do sistema nervoso central maior a susceptibilidade à infecção. O vírus se dissemina ao longo dos nervos periféricos, a partir do local do ferimento, para o sistema nervoso central e, por via sistêmica, alcançam as glândulas salivares.

O período de incubação varia de semanas a vários meses. Períodos de incubação mais curtos estão associados com mordidas mais próximas ao sistema nervoso central (pescoço e cabeça). No Brasil os casos de raiva em ovinos e caprinos já foram registrados em todos os estados, ocorrendo principalmente na região Norte e Nordeste do país.

Sinais Clínicos

Ovinos e caprinos podem manifestar vários sintomas, inclusive apatia ou excitação, anorexia, nistagmo e espasmo muscular. Os carneiros podem exibir excitação sexual. Caprinos e ovinos podem também, tornarem-se agressivos atacando objetos e pessoas. Em geral, o curso da doença evolui na forma de paralisia ascendente que inicialmente pode parecer déficit proprioceptivo (paralisia de posterior, flexão articular), ataxia e paralisia de pênis e cauda. A paralisia de faringe resulta em sialorréia. A doença evolui para decúbito, convulsões e morte dentro de 7 a 10 dias.

Diagnóstico

A raiva deve fazer parte da lista de diagnóstico diferencial de todos os casos neurológicos. Quando há suspeita em função de sinais clínicos, anamnese ou morte do animal, as autoridades sanitárias devem ser notificadas e a cabeça ou o cérebro do animal devem ser enviados acondicionados em caixa de isopor com gelo ao laboratório para o diagnóstico.

Existem laboratórios especializados, como o Instituto Pasteur, Instituto Biológico e Centro de Controle de Zoonoses em São Paulo. O diagnóstico laboratorial é confirmatório e pode ser realizado a partir de pesquisa citológica de inclusões de Negri, pela técnica de imunofluorescência direta, e pela prova biológica ou isolamento viral, sendo as duas últimas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.

Prevenção

Não existe tratamento específico, sendo a raiva considerada fatal, devendo-se adotar medidas profiláticas para o seu controle onde ela ocorrer. O uso de vacina, pasta e produtos vampiricidas constituem-se em avanços no combate da enfermidade e tem sido utilizados pelos médicos veterinários nos focos, perifocos e quando há mordedura de morcegos hematófagos em herbívoros.

Em região endêmica, a vacinação deve iniciar aos 3 meses de idade e, em seguida, anualmente. Os protocolos de vacinação pós-exposição parecem ser menos úteis em ovinos e caprinos, devendo os animais expostos ser submetidos à quarentena durante 6 meses e vacinados imediatamente com uma segunda e, se possível, uma terceira dose 2, 4 e 6 semanas após a exposição.

A pasta vampiricida deve ser aplicada no final da tarde no local da mordida dos morcegos, pois eles têm o hábito de visitarem o mesmo local para o repasto sanguíneo. Por causa do potencial zoonótico da enfermidade, o clínico deve ter muito cuidado quando manusearem tecidos e animais suspeitos.


Referências bibliográficas

Corrêa WM, Corrêa CNM. Raiva. In: Corrêa WM, Corrêa CNM. Enfermidades infecciosas dos mamíferos domésticos. 2aed. Rio de Janeiro: MEDSI, 1992. p.609-628.

Domingues PF, Langoni H. Manejo Sanitário Animal. In: Domingues PF, Langoni H. Raiva. 1aed. Rio de Janeiro: EPUB, 2001. p.207.

Pugh DG. Clínica de ovinos e caprinos. In: Machen MR, Waldridge BM, Cebra C, Cebra M, Belknap EB, Williamson LH, Pugh DG. Raiva. São Paulo: ROCA, 2004. p.331.

Radostits OM, Gay C, Blood DC, Hinchcliff KW. Clinica veterinária - um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e equinos. In: Radostits OM, Gay C, Blood DC, Hinchcliff KW. Raiva. Rio de Janeiro: GUANABARA KOOGAN, 2000. p.1077-1083.

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