Deus proteja a Presidente
Na guerra cambial com R$ 1,70/US$ a desaceleração da indústria nacional, cuja produtividade é baixa e sofre o efeito do “custo Brasil” e dos impostos, desacelerou. Agora, com o câmbio a R$ 1,92, os empresários estão sorrindo diz o ministro Mantega. Mas na realidade como a produção industrial recuou muito no longo período com o real em baixa a retomada é incerta, mesmo por que é incerta a manutenção do real nesse novo patamar.
A economia mundial é incerta, não estando afastado o risco do agravamento da crise mundial e da recessão na Europa e nos USA, o que certamente trará reflexos para a economia e geração de postos de trabalho.
A agricultura e pecuária brasileira tem se empenhado para melhorar a sua produtividade, mas sofre a pressão do aumento dos custos de produção, tanto da mão de obra como dos insumos.
Os “ambientalistas” tupiniquins, com o apoio dos “ambientalistas” de outros países querem exigir um código florestal para o Brasil, quando não tem nada nem perto do que foi aprovado na Câmara e enviado para a Presidente Dilma. É muita cara de pau desses “ambientalistas”, que depois de duas semanas em Nova York negociando o rascunho do documento a ser debatido na Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, terminaram sem acordo sobre o texto final. A tendência é que esse documento será pobre, sem estabelecer metas para a área de meio ambiente, não devendo passar de intenções na direção a um desenvolvimento sustentável.
E aqui no Brasil a atriz Camila Pitanga, mestre de cerimônias num evento, se acha no direito de se dirigir à Presidente e pedir que vete o Código Florestal aprovado na Câmara. A reveita Veja já mostro que o povo não aprova manifestações de artistas oportunista usando a mídia para falar de algo que não tem o menor conhecimento.
Mas temos manifestações mais graves, quando um grupo de empresários pede o veto ao Código Florestal aprovado na Câmara e encaminhado para sanção da Presidente. São eles Horácio Lafer Piva ( acionista da Klabin AS que atua no ramo de celulose e papel ), Roberto Klabin ( ligado a Klabin ), Pedro Passos ( ligado a Natura ), Roberto Oliveira de Lima ( presidente da Vivo e membro do Conselho de Administração da Natura ) e Paulo Nigro ( presidente da Tetra Park Brasil ).
Pedro Passos pergunta se queremos o País da anistia ou de incentivos para correções.
Quando temos mais de 90% dos agricultores na ilegalidade, vamos convir que o que estava errado é o Código de 1965 e não os agricultores, mesmo porque muito do que aconteceu foi feito antes do Código de 1965, a mais de 100 ou até mesmo 200 anos atrás, dentro da legislação então vigente e em muitos caso com incentivos do Governo. Por isso senhor Pedro Passo é preciso anistia sim para que haja justiça no País, o que não impede que correções possam ser feitas dentro da racionalidade e viabilidade, bem como do respeito ao produtor rural, que não é bandido e embora seja minoria ( não passa de 5% da população) com seu trabalho, penoso e muitas vezes mal remunerado, alimenta a maioria nas cidades ( mais de 95% da população ).
Democracia, mais do que fazer a vontade da maioria, é respeitar os legítimos direitos das minorias. A reforma da aberração que é o Código Florestal de 1965 é um legítimo direito dessa minoria que vive e trabalha no campo. Não podemos esquecer que o relator da primeira versão do Código Florestal não era um representante de ruralista latifundiário, mas um deputado do Partido Comunista Brasileiro, e apontou claramente que os maiores prejudicados com o Código de 1965 eram os pequenos produtores.
Roberto de Lima diz que não se deveria alterar o Código vigente até que se tenha visão do que fazer depois.
Ora senhor Roberto de Lima, o que não se pode realmente fazer é manter o Código Florestal de 1965, que caracteriza que 90% dos produtores estariam na ilegalidade e as incertezas com relação ao futuro, que naturalmente impedem investimentos no campo necessários para aumentar a produtividade e competitividade da agropecuária nacional, assegurando abastecimento do mercado interno e exportações importantes para a geração de trabalho e renda no País. As alterações propostas acertam no atacado e os pequenos erros no varejo poderão se corrigidos com revisões futuras ou legislação complementar.
Paulo Nigro diz que o projeto aprovado olha para trás, que deveríamos aprovar algo olhando para frente para ser a grande estrela do Rio + 20.
Ora senhor Paulo Nigro, com o Código Florestal aprovado pela Câmara e enviado para ser sancionado pela presidente País, mesmo sem nenhum veto, já é a grande estrela da Rio + 20, pois que país tem uma legislação florestal que se aproxime do que foi aprovado pela Câmara. Aliás, para ser estrela da Rio + 20 parece que não precisa muita coisa, pois os “ambientalistas” de fora parece que não apresentarão nenhuma proposta ou compromisso concreto, ficando apenas na intenção de trabalhar em prol do desenvolvimento sustentável.
Quando falo de ambientalista colocando aspas me refiro a pessoas que falam como donos da verdade, ignorando que o verdadeiro sábio é que sabe o grau da sua ignorância. Os verdadeiros ambientalistas falam pouco e apresentam mais dúvidas do que dogmas, pois sabem da complexidade que está envolvida na questão da preservação ambiental e principalmente em equilibrar as necessidades de preservar o meio ambiente com as necessidades de desenvolvimento social e econômico.
Dentro desse cenário complexo, a presidente Dilma tem um prazo curto para se manifestar sobre o Código Florestal, sancionando ou vetando total ou parcialmente. A sua decisão terá consequências importantes para o País, boas ou más.
Não acredito que vá vetar o Código na totalidade, pois seria um duro golpe na democracia, na governabilidade e no desenvolvimento econômico e social do País.
Também não acredito que sancione sem nenhum veto, pois há colocações de ambientalistas ( sem aspas ) que são equilibradas e de bom senso, além de suas próprias convicções pessoais. Espero a Presidente use seu poder de veto com sabedoria, para que ela sancione um novo Código Florestal, justo e o mais equilibrado possível entre as necessidades de proteção ao meio ambiente e as necessidade de produção agropecuária, de geração de trabalho e de geração renda no País.
Que Deus proteja a presidente.
Marcello de Moura Campos Filho
Que Deus proteja a Presidente
Comenta o cenário complexo atual quando Dilma terá num prazo curto tomar uma decisão com relação ao Código Florestal, e as consequências dessa decisão para o País.
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 5 minutos de leitura
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.