Por se tratar de uma doença contagiosa, a primeira medida a ser tomada é isolar os animais portadores para evitar a propagação da doença na propriedade, de preferência, em baia coberta, que seja sempre limpa, arejada, e vazada para que os raios de sol possam nela incidir no período da manhã e/ou da tarde, ou em piquete limpo, ensolarado, e livre de lama e acúmulo de fezes, próximo ao curral de manejo onde fica o pedilúvio.
Na ocorrência de um surto, o rebanho deverá ser vistoriado com alta frequência (até diariamente), e os animais que estão claudicando devem ser levados à enfermaria para serem tratados. Animais com "foot rot" devem ficar em baias ou piquetes separados daqueles que estão em tratamento por outras doenças. Também, toda vez que o rebanho for levado ao pedilúvio, cabe observar e separar os que estão claudicando. Estes deverão passar no pedilúvio após os animais sem sintomas, e permanecer nele por mais tempo. Os animais que estão claudicando devem ser minuciosamente examinados, casqueados, retirando-se toda a parte podre do casco (partes enegrecidas) com rineta ou canivete, e tratados convenientemente, conforme o quadro clínico, com produtos tópicos recomendados para esta finalidade (soluções líquidas ou pomadas, mata-bicheiras, etc). Antibióticos (à base de florfenicol ou tetraciclina de longa ação em duas aplicações com 48 horas de intervalo, ou uma aplicação de enrofloxacina 10%, ou, ainda, Penicilina G procaína e Dihidro-estreptomicina, na dose de 50.000 a 70.000UI/kg) e anti-inflamatórios também poderão ser aplicados, se o caso for grave, e se necessário.
A utilização de banhos podais com substâncias antissépticas, onde os animais permanecem com as patas de molho no pedilúvio durante um período mínimo entre 10 e 15 minutos, três vezes por semana, em dias alternados, é uma forma de tratamento que tem controlado a doença.
Aplicar tintura de iodo 2% no espaço interdigital (entre os cascos dos animais) e, em seguida, uma mistura em partes iguais de sulfato de cobre bem moído com sulfa em pó, após a limpeza das lesões, também tem colaborado no curativo da doença. A medida deverá ser repetida até as lesões secarem.
Três aplicações em dias alternados de uma mistura de três partes de um produto à base de iodo com o antibiótico à base de tilosina têm sido recomendadas como forma de tratamento.
A Embrapa, Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros, comercializa um produto para uso no casco (Curadermite®), aprovado em pesquisa científica (OLIVEIRA et al., 1998) para ser usado no tratamento curativo e preventivo com sucesso em casos de "foot rot". Oliveira (2002) recomenda o tratamento curativo individual, com a imersão da pata afetada neste produto líquido por 30 segundos diariamente, ou a cada dois dias, ou preventivo, por meio de passagem do rebanho no pedilúvio com o produto. O autor sugere o uso de garrafa plástica, cortada acima da metade para imersão da pata no produto, ou inclusão deste em um recipiente do tipo spray para aspergir sobre as patas afetadas, com o animal deitado com as patas voltadas para cima.
Conclusão
Animais em tratamento devem ficar isolados do rebanho e de animais com outras doenças, passando por exame minucioso antes de serem reintegrados ao rebanho, após estarem completamente restabelecidos. A identificação do animal e o tempo de duração do tratamento devem ser anotados, para saber se a doença é reincidente ou está acometendo o ovino pela primeira vez. Ovinos com casos crônicos de "foot rot", ou que não respondem ao tratamento, mesmo aqueles de alto valor zootécnico, devem ser descartados para o abate, pois se tornam portadores da bactéria causadora do mal. Muitos animais desenvolvem infecção no interior do casco, de tratamento difícil e custo elevado, e, uma vez portadores, irão transmitir a doença em outros rebanhos.
As autoridades sanitárias brasileiras, tanto as de âmbito estadual como federal, parecem não estar preocupadas com esta doença, já que no Brasil não há limitações para o trânsito e comercialização de animais com podridão dos cascos. Em países como a Austrália existe um formulário a ser preenchido pelo produtor declarando-se livre ou declarando a ocorrência da doença, e um animal portador de pododermatite só pode ser vendido para o abate. Aqueles que já vivenciaram a entrada da doença (ou de cepa virulenta desta) no rebanho sabem que é uma doença extremamente contagiosa e de difícil controle, porque há dificuldade em se eliminar animais de alto valor zootécnico, acometidos por pododermatite crônica, que perpetuam a doença no rebanho, ou os produtores ainda adquirem animais de alto valor zootécnico portadores de "foot rot".
Por isso, a importância do conhecimento da doença, a consciência dos elevados prejuízos financeiros que ela impõe, e as possibilidades de prevenção, de modo a evitar sua entrada na propriedade (acompanhamento de técnico competente para detectar a doença em animais a serem adquiridos pelo produtor, e quarentena com passagens em pedilúvio de animais recém-adquiridos), ou tentar erradicá-la da propriedade, o que é difícil, mas não impossível de ser conseguido, com casqueamento preventivo, passagens por pedilúvio constantes, aliada ao rodízio de pastagens e aplicação da vacina contra a doença de forma sistemática, nos períodos recomendados, e, finalmente, e mais importante, descarte dos animais com pododermatite crônica.
Figura 1.: Animal apresentando lesão crônica, que não respondeu ao tratamento, e foi vendido para o abate.

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