O MilkPoint no Giro Lácteo traz matéria mostrando que aumentam as importações brasileiras de leite, atingindo até setembro o equivalente a 800 milhões de litros!
Ora, nada de novo num País que, salvo o período de 2004 a 2008 devida uma desvalorização do real com relação ao dólar americano e alguns aspectos conjunturais desse período, onde se atendeu ao consumo interno e sobrou algo para exportar, importa leite todos os anos. Houve ano que as importações de leite chegaram ao equivalente a 3,5 bilhões de litros!
No artigo “Importação de leite da Argentina e o futuro da pecuária leiteira brasileira” mostrava que o Brasil é importador de leite a décadas por que por falta de apoio da indústria e do Governo nossa pecuária leiteira é pouco competitiva, com um custo de produção alto, que segundo o pesquisador da Embrapa Lorildo Aldo Stock pode chegar a US$ 0,58/litro ( R$ 0,99/litro para um câmbio de R$ 1,70/US$ ), e que levou o Deputado Estadual de Minas Gerais Antonio Carlos Arantes declarar que se algum produtor acha que está lucrando produzindo leite é por que não sabe fazer conta.
Recente trabalho publicado pelo CEPEA confirma as colocações de Stock Arantes, quando mostra que quando se considera apenas o Custo Operacional Efetivo ( COE ) configura-se o retorno do investimento na pecuária de leite, mas quando se considera o Custo Operacional Total ( COT ), que inclui as depreciações, manutenção de pastagens, pro-labore, etc, o retorno da atividade leiteira se torna negativo, ou seja, quando se considera todo o investimento em infraestrutura e a manutenção de forrageiras, em qualquer região do País, o produtor de leite tem prejuízo do ponto de vista econômico.
E se o Custo Operacional Total é negativo a atividade leiteira não é sustentável do ponto de vista econômico no longo prazo, o que naturalmente desmotiva os produtores e explica por que o Brasil tem uma pecuária leiteira pouco competitiva e é importador de leite.
É possível muda essa situação? O que precisamos fazer para isso?
A resposta é sim, e para isso precisamos reduzir o Custo Operacional Efetivo.
Como fazer isso?
É preciso disponibilizar financiamentos com prazos e juros compatíveis com a pecuária leiteira e viabilizar assistência técnica para capacitação dos produtores e desenvolvimento da competividade das fazendas leiteiras.
E para isso é necessário uma mudança de postura do Governo e da Indústria, que tem que ser os catalizadores do processo de desenvolvimento da pecuária leiteira.
Se não houver a mudança de postura do Governo e da indústria, resta-nos cantar, parodiando o jingle de uma propaganda, “o tempo passa, o tempo voa e a incompetência de nosso setor leiteiro continua numa boa”, e continuar importando leite.
Marcello de Moura Campos Filho
Ora, nada de novo num País que, salvo o período de 2004 a 2008 devida uma desvalorização do real com relação ao dólar americano e alguns aspectos conjunturais desse período, onde se atendeu ao consumo interno e sobrou algo para exportar, importa leite todos os anos. Houve ano que as importações de leite chegaram ao equivalente a 3,5 bilhões de litros!
No artigo “Importação de leite da Argentina e o futuro da pecuária leiteira brasileira” mostrava que o Brasil é importador de leite a décadas por que por falta de apoio da indústria e do Governo nossa pecuária leiteira é pouco competitiva, com um custo de produção alto, que segundo o pesquisador da Embrapa Lorildo Aldo Stock pode chegar a US$ 0,58/litro ( R$ 0,99/litro para um câmbio de R$ 1,70/US$ ), e que levou o Deputado Estadual de Minas Gerais Antonio Carlos Arantes declarar que se algum produtor acha que está lucrando produzindo leite é por que não sabe fazer conta.
Recente trabalho publicado pelo CEPEA confirma as colocações de Stock Arantes, quando mostra que quando se considera apenas o Custo Operacional Efetivo ( COE ) configura-se o retorno do investimento na pecuária de leite, mas quando se considera o Custo Operacional Total ( COT ), que inclui as depreciações, manutenção de pastagens, pro-labore, etc, o retorno da atividade leiteira se torna negativo, ou seja, quando se considera todo o investimento em infraestrutura e a manutenção de forrageiras, em qualquer região do País, o produtor de leite tem prejuízo do ponto de vista econômico.
E se o Custo Operacional Total é negativo a atividade leiteira não é sustentável do ponto de vista econômico no longo prazo, o que naturalmente desmotiva os produtores e explica por que o Brasil tem uma pecuária leiteira pouco competitiva e é importador de leite.
É possível muda essa situação? O que precisamos fazer para isso?
A resposta é sim, e para isso precisamos reduzir o Custo Operacional Efetivo.
Como fazer isso?
É preciso disponibilizar financiamentos com prazos e juros compatíveis com a pecuária leiteira e viabilizar assistência técnica para capacitação dos produtores e desenvolvimento da competividade das fazendas leiteiras.
E para isso é necessário uma mudança de postura do Governo e da Indústria, que tem que ser os catalizadores do processo de desenvolvimento da pecuária leiteira.
Se não houver a mudança de postura do Governo e da indústria, resta-nos cantar, parodiando o jingle de uma propaganda, “o tempo passa, o tempo voa e a incompetência de nosso setor leiteiro continua numa boa”, e continuar importando leite.
Marcello de Moura Campos Filho