Piada de mau gosto?
Comenta a questão do preço ao produtor, da produtividade e competitividade na pecuária leiteira nacional
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As cartas relativas à matéria “Bom gosto prepara oferta pública de ações”, trazem mensagens que deveriam merecer atenção do governo e a cadeia produtiva se não tiverem intenção de tornar o Brasil novamente um grande importador de leite como o foi no passado.
O Darlani Porcaro desafia a indústria a assumir as fazendas leiteiras, opera-las e mantê-las, pagando ao produtor R$ 0,05 por litro produzido se o preço da matéria prima para a indústria não for superior a US$ 0,28 por litro. O Roberto Jank Jr. Mostra que basta ver os balanços das grandes empresas que implantaram fazendas no Uruguai nos últimos 3 anos para ver a tragédia econômica desses negócios. O Mauricio Santolin lembra que o produtor nacional além de não ter subsídios enfrenta as conseqüências do “custo Brasil”.
Importante a carta do Sávio Santiago, da Indústria de Lacticínios Rezende, onde concorda que do jeito que está a nossa pecuária leiteira não é competitiva e que é difícil a sobrevivência do produtor de leite brasileiro, mas que temos que buscar competitividade para o futuro desde que esta seja sustentável.
Concordo plenamente com o Sávio, e justamente pelas dificuldades que vem sendo enfrentadas pelo produtor brasileiro e pela falta de competitividade de nossa pecuária leiteira comparativamente à da Argentina e do Uruguai, a Leite São Paulo se posicionou que qualquer ação de integração dos setores lácteos entre esses paises por parte do Governo precisa ser cuidadosamente discutida, com toda a cadeia produtiva, internamente antes de ser discutida com os paises vizinhos.
Mas essa integração pode ser feita por parte da iniciativa privada, com instalação de fabrica de um país em outro, como está fazendo a Bom Gosto. Isso é bom ou ruim para a nossa produção primária? É uma pergunta que cabe aos produtores e suas entidades responder. Se for bom, os produtores devem dar preferência para vender seu leite a essas empresas. Se for ruim, devem começar a dar preferência a vender leite para outras empresas.
A Bom Gosto, com recursos do BNDES cresceu muito nos últimos anos, mas é preciso pensar não só no tamanho, mas nos resultados. A própria empresa afirma “nos últimos anos corremos atrás de tamanho. Hoje temos tamanho. Agora precisamos correr atrás de resultados”. Admitem que possuem 22 fábricas com capacidade de processar 6 milhões de litros dia e que processam apenas 4 milhões de litros dia, e que a ociosidade freiou o ritimo das aquisições”. Mas estão implantando no Uruguai uma fabrica com capacidade de processar 600 mil litros dia. O Ministério Público Federal de Pernambuco acatou denúncias de concorrência desleal da Bom Gosto. É preciso analisar os resultados da Bom Gosto para avaliar a sustentabilidade desse crescimento para o futuro.
O senhor Wilson Zanatta da Bom Gosto diz que o Brasil será o grande exportador de leite do futuro e para isso o produtor de leite brasileiro terá que, nos próximos 10 a 15 anos se adequar ao custo da Nova Zelândia, da Argentina e do Uruguai da ordem de US$ 0,28 por litro. Imagino que o senhor Zanatta ao fazer essa colocação pensa que a pecuária de leite brasileira terá nesses próximos 10 a 15 anos terá apoio, por parte do BNDES e do Governo no para poder aumentar sua produção e competitividade,semelhante ao que teve a Bom Gosto, pois caso contrario essa colocação só poderia ser considerada como piada de mau gosto.
Aproveito a oportunidade para manifestar a opinião de que já é mais do que tempo das nossas universidades e órgãos de pesquisa, como a Embrapa Gado de Leite, analisarem a produtividade e custos dos vários sistema produtivos empregados no Brasil e apontarem os caminhos para aumento da produtividade e da competitividade de nossa pecuária leiteira.
Marcello de Moura Campos Filho
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CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 31/05/2010
Obridago pelo comentário.
A competitividade pode ser aumentada com o aumento de produtividade e redução de custos de produção, e existe campo para trabalharmos nisso. Mas para exportação, a competitividade passa, além desse trabalho na cadeia produtiva passa principalmente pela questão da taxa de câmbio irreal que se pratica no Brasil, que supervaloriza o R$ frente ao US$.
Naturalmente que a qualidade é fundamental para exportação. O primeiro passo é realmente cumprirmos a IN 51, mas para exportar para muitos paises teremos que ir além disso, e as indústrias que pretendem exportar para esses paises precisam desenvolver fornecedores que permitam atingir essas exigências de qualidade.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL
EM 31/05/2010
Na conclusão de sua matéria, refere-se a um aumento de competitividade frente a exportação de leite, certo? Como poderiamos faze-la? Só existe uma saída, melhorando a qualidade do leite, creio que com oque propus, certamente poderemos agregar valor ao produto e consequentemente poderemos negocia-lo com o respaldo de que existe sim na propriedade, um histórico visando a melhoria da qualidade, trazendo benefícios não só ao produtor como a indústria. O fato de a Bom Gosto estar abrindo suas portas ao mercado de ação, tornase natural, haja visto que essa medida é tomada pelo BNDS, que após apoio financeiro, tem como critérios o mercado de ações. A política leiteira no Brasil não esta alicerçada e por isso fica a mercê das adversidades que invariavelmente acontecem não só neste setor. Quem sabe, o MAPA resolva colocar definitivamente em prática a IN51, fiscalizando-a de maneira condizente com as suas regras as quais a mesma rege. Forte abraço.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/05/2010
Aradeço a informação.
Como produtor faço parte de uma associação semelhante, a APLEC, e comercializamos nosso leite em conjunto, temos o nosso controle de qualidade e também trabalhamos de forma virtual seno as notas fiscais diretas para cada produtor, e trabalhamos com também contrato indexado ao CEPEA, e também achamos que o resultado vale a pena. Se puder, mande seu e-mail pessoal para que possamos trocar mais idéias sobre associações como a que pertencemos.
Abraço
marcello de Moura Campos Filho

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 29/05/2010
A APLISI ( www.aplisi.com.br ), existe desde 2002. Hoje tem quase 40 associados em Valença, B. Mansa, B. Pirai (RJ) e Carvalhos, Liberdade, Aiuruoca ( MG) e 26.000 litros por dia. Para nós que dependemos do faturamento do leite, a APLISI é uma história de sucesso extraordinário.
Funciona assim: Vendemos todos juntos ( 26000 litros*365 dias=9.490.000 litros por ano). Quem não quer comprar? A industria precisa.
Fazemos uma carta de concorrência uma vez por ano. Indexamos ao CEPEA. Temos planilha própria, adptada do Conseleite Paraná, com ágio para volume, e ágio e deságio para gordura, proteina, CCS e CBT ( UFC). Cada produtor tem um preço, de acordo com o seu volume, sólidos e qualidade.
Não lidamos com logística, nem nota fiscal. Somos virtuais. Funciona muito bem.
O Marcelo Pereira de Carvalho está interessado em mostrar um pouco mais o funcionamento da APLISI. Acho que vale a pena.
Abraço.
Paulo Fernando.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 28/05/2010
Agradeço os comentários.
Não há dúvida que o produtor precisa ser um empreendedor rural, administrando adequadamente sua propriedade, estabelecendo protocolos para o manejo sanitário, nutricional, genético e de qualidade do leite, escriturando a contabilidade e resultados, caracterizando o histórico da sua atuação. Só não vejo como isso vai ajudar na negociação de vantagens com a indústria. Nenhum produtor de leite, por maior que seja, não tem força de negociação com a indústria.
Concordo com você que o produtor brigar com a indústria é tempo perdido. Mas acho também que a posição da indústria que tem mostrado descaso com a produtor e com a qualidade do leite, não desenvolvendo seus fornecedores, também é tempo e dinheiro perdido para a indústria.
O setor leiteiro nacional, especialmente a pecuária leiteira, só ganhará se a indústria entender que é preciso mudar o relacionamento com os produtores e estabelecer realmente parcerias onde os dois lados tem a ganhar.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
TAPEJARA - RIO GRANDE DO SUL
EM 28/05/2010

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/05/2010
Agradeço o comentário.
De fato precisamos fazer nossa indignação, unanimidade não só na internet, chegar o governo, Bndes, EMBRAPA, MAPA, CNA, etc. Para isso é preciso que os produtores se concientizem que se trabalharem um pouco da porteira para fora terão um grande retorno no seu trabalho da porteira para dentro.
Você poderia falar um pouco da APLISI e do trabalho que estão fazendo no sul do RJ e de MG?
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 27/05/2010
Agora precisamos fazer a nossa idignação chegar ao governo ( BNDES, EMBRAPA, Ministérios, etc) e à própria industria.
Não podemos é ficar trocando unanimidade de opinião, como é comum na internet.
Sobre a união e a força, com a APLISI, estamos fazendo o nosso esforço aqui no Sul do RJ e de MG.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/05/2010
Agradeço os comentários.
A nossa falta de união é fruto do absurdo número de produtores e que você diz que há muitos interessezs em manter essa pulverização da produção. Aliás, maquiavel já falava em dividir para reinar.
Os custos citados são apenas referências para o fato de que não é possivel produzir leite se o que o produtor não receber pelo leite valor que cubra os custos de produção e uma margem mínima de ganho. Nós aqui trabalhamos em Reais, e não sentido a indústria pensar, nem em balão de ensaio, que nós produtores teremos que produzir a preços para que em US$ compensemos a distorção de uma taxa de câmbio absurda decorrente de um R$ super valorizado bem como subsidios que os produtores da União Européia e dos USA recebem. Para isso precisariamos fazer milagres, o que não temos condições de fazer, e mesmo nque tivessemos não interessaria em fazer, lembrando que o último que fez milagres a 2010 anos atrás foi crucificado.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho
SALES - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/05/2010
Se fosse possível produzir leite no Brasil a US$ 0,28 com lucro de 0,05, o beneficiário seria claramente o setor que o Sr. Zanatta representa. Então qual seria o motor que faria isso possível? o lucro de 5 centavos de dolar por litro ?
Historicamente o produtor rural de forma geral não comanda os preços dos insumos assim como os da venda. Assim dado que o preço é fixado em US$ 0,28, não vejo como poderíamos assegurar os 0,05 de lucro, uma vez que os custos não
não terão balizamento.
Assim o Sr. Zanatta só está lançando um balão de ensaio para ver a reação.
Não tem sentido nem validade, é só mais uma tentativa de puxar a sardinha para a industria da qual faz parte;uma visão egoísta e estreita do mercado.
Existe um interesse enorme em todas as esferas de manter o mercado produtor de leite tão pulverizado quanto possível para evitar que a união e a força possam impor melhores resultados para quem produz a materia prima "LEITE"
Um abraço e obrigado pelos seus comentarios.
Marcos Tadeu Cosmo

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/05/2010
Agradeço o comentário.
Peço desculpa, de fato fiz confusão, gerada pelo fato do Darlani, a respeito dessa questão, ter citado o valor de 28 centavos sem falar a moeda e depois especificando que era de US$, coincidindo com o valor do seu comentário.
Como você mostra, com ajuda do BNDES a Bom Gosto conseguiu em 3 nos comprar 7 fábricas, enquanto nenhum produtor conseguiu ajuda do BNDES para comprar 7 fazendas em 3 anos. Não seria um caso para Sherlock Holmes investigar e explicar?
Realmente da para ficar com a pulga atrás da orelha a coincidência da liberação geral de importação de leite e lácteos do Uruguai como contrapartida da liberação de restrições a entrada de carne de ave e a instalação da fábrica da Bom Gosto no Uruguai, que poderia ter benefícios adicionais aos do Mercosul. Seria também um caso para invesigação do Sherlock?
Mesmo que não tenhamos Sherloc Holmes investigando, é bom os produtores nacionais ficarem de olho no que vai acontecer em função desse acordo e em quem estará exportando de lá para o Brasil.
Qualquer produtor está careca de saber que seria muito bom aumentar sua produtividade e reduzir seus custos de produção, assegurando margem adequada mesmo recebendo preços menores. Mas isso só acontecerá se os produtores tiver recursos para investir nessa direção, o que não vem acontecendo e parece não preocupar a indústria, o Governo e o BNDES.
O produtor nacional já está cansado de declarações que soam como piada, seja de mau gosto ou da Bom Gosto.
E soa como piada toda colocação da indústria nacional no sentido de que para de preços em US$ para se tornar competitiva como player no mercado internacional, cogitar reduções dos preços pagos ao produtor brasileiro, fingindo ignorar as dificuldades da pecuária de leite nacional e que aqui se produz leite em Reais, e pretender que seja o produtor nacional que compense a distorcida taxa de câmbio que supervalorizou o Real, bem como subsídios dados a produtores de paises da União Européia e USA. Se pretendemos ser grandes exportadores no longo prazo é preciso comerçarmos falar sério desde já.
Penso que a indústria nacional sem realmente ser parceira dos produtores não logrará exito em ser grande exportadora e poderá até levar o Brasil a ser grande importador de leite.
Grande abraço
Marcello de Moura Campos Filho
NITERÓI - RIO DE JANEIRO
EM 26/05/2010
Já há algum tempo que não comento sobre o mercado de leite, ainda é um pouco confuso entender os mecanismos para estabelecimento do preço ao produtor.
Só para corrigir. O comentário sobre passar as fazendas para serem operadas pela indústria foi meu.
Quanto ao assunto Bom Gosto. Acho que o Sr. Zanatta deveria avaliar melhor suas considerações, pois eu meu comentário eu perguntei: Qual o produtor que no prazo de 3 anos conseguiu compra 7 fazendas? A Bom Gosto conseguiu em igual prazo comprar 7 indústrias de laticinios com ajuda do BNDS, e ainda montou uma fábrica no Uruguai.
Se a margem da indústria fosse a mesma dos produtores eu dúvido que conseguissem fazer esta farra toda. Outra questão a ser analizada: Será que a fábrica do Uruguai já não está prevendo a exportação para o Brasil, fruto deste sinistro acordo entre os dois países. Será que o comércio intercompany Bom Gosto - Uruguai e Bom Gosto - Brasil gozará de benefícios adicionais aos já concedidos pelo mercosul.
Como você bem disse em seu comentário isto só pode ser piada de mau gosto, ou melhor dizendo uma piada da Bom Gosto.
E realmente já passou da hora de nossas universidades e institutos de pesquisa formularem uma política estratégica para o setor leiteiro.
Um grande abraço
Ramon Benicio

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 26/05/2010
Agradeço o comentário.
É isso aí, falar é muito fácil, dificil é assumir o que se fala. Eu também gostaria de ver qual a indústria que se disporia a atuar na produção primária e produzir leite nas condições brasileiras para passar para a industrialização a US$ 0,28/litro, com um lucro de R$ 0,05/litro ( US$ 0,028/litro ), ou seja de 0,78% na atividade primária.
Abraço
Marcello de Moura Campos Filho

RIO DE JANEIRO
EM 26/05/2010