O frango, o leite e o entendimento
O jornal Correio Popular do dia primeiro de setembro, na secção de economia, traz o título “Carne de frango sobe 71% em 71 dias”, sendo que nos últimos sessenta dias a carne de frango resfriada passou de R$ 2,80/kg para R4 3,80/kg. O motivo? A alta noss preços dos insumos, principalmente a alta da soja e do milho no mercado internacional, causada pela seca nos EUA, com reflexo repassados no mercado interno através das exportações de grãos.
Mas mostra também que não é só no bolso do consumidor que o preço está pegando, mas também no bolso do produtor, que trabalha no vermelho e muitas granjas já fecharam as portas ou entraram em concordata.
O presidente da Associação Paulista de Avicultura – APA, disse que esse não é o único problema do setor, que sofre com a grande margem de lucro do varejo, principalmente do grande varejo ( mais da metade das vendas de carne branca está na mão de três grandes empresas, que recebem diversos incentivos fiscais do Governo enquanto os produtores carecem de subsídios e linhas de crédito ) que vendem o frango com 100% de lucro, puxam a alta da inflação e privam a população de um preço acessível da carne. Em São Paulo temos o agravante da invasão de frangos do Paraná e do Centro Oeste, onde os produtores recebem apoio dos Governos Estaduais.
Vemos pois na cadeia produtiva do frango um grande entendimento entre a indústria e os produtores, que buscam a sustentabilidade econômica para a atividade tanto na normalidade quanto nos períodos de crise.
E na cadeia produtiva do leite?
Os aumentos no varejo foram ínfimos e ocorreram pequenas reduções no preço ao produtor!
Vemos a indústria brigando com os produtores, atribuindo a eles todos os seus problemas. Reduziram-se as margens da indústria? Querem recuperar reduzindo os preços aos produtores, atribuindo que sua perda de margem foi para os produtores quando na realidade os números mostram que foi o varejo que absorveu as margens da indústria, principalmente em certos produtos, como o leite UHT. E insistem em aumentar a produção de UHT em vez de incrementar a produção de leite pasteurizado, que hoje representa menos de 18% da produção de leite fluido.
Alegam que as margens da indústria são pequenas porque os custos de produção das granjas leiteiras brasileiras é alto: em U$ os produtores nacionais recebem mais que os produtores na maior parte do mundo, alegam! Mas o produtor nacional produz em R$ e não em US$, e se feita a conversão a uma taxa do Real sobrevalorizado ao Dólar ( mesmo a US$ 2,00/ R$ a sobrevalorização é da ordem de 30% ), o valor pode ser maior que em outros países, mas descontada a sobrevalorização, o valor em US$ que o produtor nacional recebe está entre os mais baixos do mundo!
A indústria parece não entender que o produtor de leite brasileiro não pode compensar produtividade e competitividade as distorções de taxas cambiais. Se a indústria quer preços do leite cru mais competitivo em R$, precisa entender que precisa investir na assistência técnica e capacitação do produtor de leite, que em 90% dos casos não tem mais do que instrução primária.
A indústria precisa estar junto com o produtor para recuperar margens perdidas para o varejo, tanto numa ação política e comercial, como na mudança de mix dos produtos, em vez de simplesmente brigar para reduzir o preço ao produtor.
Os fatos mostram uma diferença marcante no entendimento entre a indústria e produtores no caso do frango e do leite. Resultado: A cadeia produtiva do frango abastece o mercado nacional e se tornou uma grande exportadora, enquanto a cadeia produtiva do leite não é capaz de abastecer o mercado levando o Pais ser importador de leite a décadas.
É mais do que hora da indústria e produtores de leite buscarem o entendimento e, com participação do Governo, buscarem soluções para os problemas crônicos que afetam a cadeia produtiva, tanto face às perspectivas de uma crise face à escalada dos custos de produção como para buscar um cenário mais sustentável a médio e longo prazo.
Por isso a Leite São Paulo propôs e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do MAPA na reunião de 14/08/2012 aprovou a criação de um Grupo de Trabalho, constituído pelo G 100, CNA, OCB, CONAB, SPA, Leite São Paulo, e que será coordenado pela CNA.
A Leite São Paulo na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados de São Paulo propôs na reunião de 30/08/2012, e foi aprovada, uma articulação dos participantes, virtual via internet ou presencial, através de reunião extraordinária da Câmara se necessário, para contribuir com os trabalhos do Grupo de Trabalho criado na Câmara Nacional.
E convidamos a todos os leitores que queiram contribuir enviarem suas considerações e sugestões para o trabalho desse Grupo de Trabalho, o fazerem através do e-mail leitesaopaulo@mpc.com.br
Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo
O frango, o leite e o entendimento
Mostra as diferença de entendimento que ocorrem nas cadeias produtivas do frango e do leite, que é mais do que hora de procurar o entendomento entre a indústria e produtores de leite para enfrentar uma crise eminente e construir um futuro maus sustentável. Mostra a criação de um Grupo de Trabalho criado na Câmara Nacional do Leite e Derivados e o empenho da Leite São Paulo para levar a melhor contribuição possível de São Paulo a esse grupo.
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MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO
CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/09/2012
Caro Gilson
Agradeço o comentário.
Realmente o grande varejo tem um poder que desiquilibra a cadeia produtiva, e para buscar o equilibrio é fundamental que a indústria e os produtores de leite se entendam e tenham posições em comum, além do Governo fazer o seu papel para evitar grandes distorções causadas por ação de grande concentarção de poder econômico e comercial de um agente do mercado.
O Grupo de Trabalho criado na Câmara do MAPA poderá contribuir par que sejam tomadas as medidas emergenciais necessárias para para evitar uma crise no setor leiteiro nacional, bem como para que tenhamos um cenário melhor para o setoe leiteiro brasileiro a médio e longo prazo, que nos permita não só abastecer o mercado nacional, mas também exportarmos.
Você tem razão, os impostos, os juros, a falta de infra estrutura, enfim aquilo que chamamos de "Custo Brasil", contribui para que o custo de nossoas lácteos seja alto.
Mas mesmo que o "Custo Brasil" baixe drasticamente e o produtor e a indústria consigam reduzir muito ses custos, com uma distorção cambial com uma sobrevalorização do real com relação ao dolar, como a de hoje que avaliam em 30%, o preço dos lácteos brasileiro em US$ será alto. É preciso uma política cambial adequada para que o esforço da área produtiva para ganhar produtividade e competitividade não seja solapado.
Marcello de Moura Campos Filho
Agradeço o comentário.
Realmente o grande varejo tem um poder que desiquilibra a cadeia produtiva, e para buscar o equilibrio é fundamental que a indústria e os produtores de leite se entendam e tenham posições em comum, além do Governo fazer o seu papel para evitar grandes distorções causadas por ação de grande concentarção de poder econômico e comercial de um agente do mercado.
O Grupo de Trabalho criado na Câmara do MAPA poderá contribuir par que sejam tomadas as medidas emergenciais necessárias para para evitar uma crise no setor leiteiro nacional, bem como para que tenhamos um cenário melhor para o setoe leiteiro brasileiro a médio e longo prazo, que nos permita não só abastecer o mercado nacional, mas também exportarmos.
Você tem razão, os impostos, os juros, a falta de infra estrutura, enfim aquilo que chamamos de "Custo Brasil", contribui para que o custo de nossoas lácteos seja alto.
Mas mesmo que o "Custo Brasil" baixe drasticamente e o produtor e a indústria consigam reduzir muito ses custos, com uma distorção cambial com uma sobrevalorização do real com relação ao dolar, como a de hoje que avaliam em 30%, o preço dos lácteos brasileiro em US$ será alto. É preciso uma política cambial adequada para que o esforço da área produtiva para ganhar produtividade e competitividade não seja solapado.
Marcello de Moura Campos Filho
GILSON GONÇALVES COSTA
GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 05/09/2012
Ola Marcello,
ótimas suas colocações, parabéns.
Realmente o grande varejo (leia-se supermercados) estão como se diz "com a faca e o queijo nas mãos" estão totalmente blindados.
Quanto ao nosso custo ser o maior do mundo, em dolar, deve-se a maior parte aos nossos altíssimos impostos e ainda dos juros.
As mudanças necessárias passam por atitudes como a que voces estão propondo.
Abç do Gilson
ótimas suas colocações, parabéns.
Realmente o grande varejo (leia-se supermercados) estão como se diz "com a faca e o queijo nas mãos" estão totalmente blindados.
Quanto ao nosso custo ser o maior do mundo, em dolar, deve-se a maior parte aos nossos altíssimos impostos e ainda dos juros.
As mudanças necessárias passam por atitudes como a que voces estão propondo.
Abç do Gilson