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Nutrição, nitrogênio uréico no leite e reprodução

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/07/2002

5 MIN DE LEITURA

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A possibilidade de utilização dos teores de nitrogênio uréico no leite (NUL) como parâmetro para avaliação da nutrição dos animais já foi comentada em artigo anterior desta seção.

A proteína é um dos nutrientes mais caros da dieta. Seu fornecimento em excesso representa, portanto, uma despesa desnecessária. Além disso, vários estudos têm demonstrado associação entre a nutrição protéica e o desempenho reprodutivo de vacas de leite. O fornecimento de proteína em excesso pode causar infertilidade. Este "excesso" tem sido avaliado em função dos níveis de nitrogênio uréico no leite.

O nitrogênio uréico no leite é um indicativo da adequação ou excesso de amônia ruminal em relação à energia disponível para o crescimento microbiano no rúmen. Alta quantidade de proteína disponível no rúmen (degradável/solúvel) em relação à quantidade de carboidratos disponíveis resulta em altos níveis de nitrogênio uréico no leite.

Por vários anos os nutricionistas têm adotado teores de 17 a 18 mg/dl como valor máximo de nitrogênio uréico no leite, em função de estudos que demonstraram que valores acima de 19 mg/dl estariam associados à redução na fertilidade. A maioria destes estudos utilizou grupos relativamente pequenos (100 a 200) de animais de forma experimental.

Um estudo recente, no entanto, indicou que níveis inferiores a 13-15 mg/dl podem estar associados a aumentos nas taxas de concepção.

O diferencial deste estudo é que ele foi baseado nos dados de 12 fazendas de alta (média de 10433 kg de leite) e 12 fazendas de baixa (média de 7258 kg de leite) produção. Ao todo iniciaram o estudo 1728 vacas. Os teores de nitrogênio uréico foram gerados de amostras de leite coletadas mensalmente durante um ano, pelo serviço de controle leiteiro do estado de Ohio - EUA e foram associadas às taxas de concepção das vacas confirmadas prenhes.

As médias dos níveis de nitrogênio uréico antes da data da concepção ou até o final do estudo (caso a vaca não tenha sido confirmada prenhe) foram utilizadas nos cálculos. As vacas foram então divididas em quatro grupos, tendo como referência o nível de nitrogênio uréico no leite: abaixo de 10, entre 10 e 12,7; entre 12,7 e 15,4 e acima de 15,4 mg/dl. Portanto, um quarto das vacas situou-se em cada grupo. Os dados foram ainda analisados separadamente para as vacas de alta e baixa produção, utilizando valores de referência para divisão dos grupos baseados nos dados de cada grupo.

A análise estatística avaliou a chance das vacas conceberem em função do nível de nitrogênio uréico no leite. Somente as (1249) vacas que foram cobertas pelo menos uma vez foram incluídas na análise. Os resultados podem ser observados na tabela 1.

Como exemplo, a interpretação da tabela deve ser feita da seguinte forma: as vacas pertencentes ao grupo de menor teor de nitrogênio uréico no leite (menos que 10,0 mg/dl, se considerarmos todos os rebanhos), tiveram 2,4 vezes mais chances (P=0,0001) de conceber que as vacas enquadradas no grupo de maior teor de nitrogênio uréico no leite (acima de 15,4 mg/dl). Estes valores caem, conforme o nível de nitrogênio no leite aumenta. O mesmo comportamento foi observado quando os animais foram separados (baixa e alta produção), somente tendo níveis distintos de nitrogênio como parâmetro para separação dos grupos. Entre as vacas de baixa produção, níveis de nitrogênio uréico abaixo de 8,0 mg/dl representaram 2,5 vezes mais chance de confirmação de prenhez que as vacas com níveis acima de 13,6 mg/dl. Já nas vacas de alta produção, níveis abaixo de 11,1 mg/dl representaram 2,3 vezes mais chance de conceber que níveis acima de 15,9 mg/dl. A média de dias do parto até a concepção (somente vacas prenhes) foi de 125 dias para os rebanhos de baixa produção e 123 dias para os de alta produção.

Tabela 1: Chance de concepção em função de diversos fatores.
 


1- As médias de nitrogênio uréico utilizadas para a separação dos grupos foram 10.0,
12.7 e 15,4 mg/dl, para o conjunto de todas as vacas; 8.0, 10.9 e 13.6 mg/dl para as
vacas de baixa produção e 11.1, 13.5 e 15.9 mg/dl para as vacas de alta produção.
2- Pico de leite em incrementos de 4.,4 kg; p. ex.: um aumento de 4,54 kg no pico de
produção aumentava a chance da vacas ser confirmada prenhe em 8% em todos rebanhos.
3- A cada serviço adicional, o risco de concepção era de apenas 41, 46 e 37% que o da cobertura anterior, respectivamente em todos rebanhos, baixa e alta produção.
Adaptado de: Rajala-Schultz, 2001.

Nos rebanhos de alta produção os níveis de NUL foram superiores aos encontrados nos rebanhos de baixa produção. Todavia, em ambos os grupos as vacas com menores teores de NUL tiveram mais de duas vezes mais chance de virem a ser confirmadas prenhes que as vacas com os maiores teores de NUL, o que sugere uma associação negativa entre níveis crescentes de NUL e a fertilidade, independentemente do nível de produção do rebanho.

Neste estudo, níveis abaixo de 10,0 mg/dl parecem ser interessantes do ponto de vista reprodutivo, enquanto os estudos anteriores sugeriam que somente a partir de 17-18 mg/dl causariam problemas. Os autores sugerem que esta diferença pode ser explicada pela separação dos animais em quatro grupos, ao invés de dois, como normalmente era feito. Isto pode ter permitido maior sensibilidade na determinação dos valores adequados.

Paralelamente a estes dados, pode ser observado na tabela que a ordem do parto teve pouca influência na possibilidade de concepção. Já a época do parto alterou consideravelmente os resultados. Vacas parindo no verão tiveram a menor chance de concepção, provavelmente em função de estresse por calor. É interessante notar que este efeito foi menos pronunciado nos rebanhos de produção mais elevada (melhor manejo/instalações?).

Em vista destes dados os autores concluem que níveis crescentes de NUL parecem estar negativamente correlacionados com a fertilidade de vacas leiteiras, diminuindo, portanto, sua chance de virem a ser confirmadas prenhes. Os resultados também sugerem que a faixa ideal de NUL, no que diz respeito à fertilidade pode ser inferior aos valores reportados até o momento.

Comentário do autor: é preciso cuidado para não reduzir excessivamente o aporte de proteína degradável no rúmen pois, de outro lado, isto limitaria a produção dos animais. Todavia, outros pesquisadores mencionam rebanhos de alta produção com médias de NUL bastante baixas (8,0 mg/dl), o que indicaria o uso bastante eficiente da proteína da dieta. Maiores estudos precisam ser conduzidos para que se possa melhor utilizar esta informação. O nitrogênio uréico cada vez mais se mostra uma ótima ferramenta para o monitoramento da nutrição do rebanho.

Fonte: Rajala-Schultz, P.J. et al. 2001. Association Between Milk Urea Nitrogen and Fertility in Ohio Dairy Cows. J.D.Sci. 84(2):482-489.

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JULIANO (LEITE VERDE)

UBERABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/05/2010

o nitrogenio ureico no leite esta ligado somente a quantidade de proteina fornecida ao animal ou também na mesma proporção a produção em litros/animal/dia e também a estagio da lactação desses animais.

outra pergunta. se o nivel for inferior a 8 mg/dL a minha produção seria comprometida em quais niveis respectivamente.

obrigado.
AGMAR MACEDO ASSIS

CAMPINA VERDE - MINAS GERAIS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 19/06/2009

Bom dia,
Gostaria de saber se o nitrogenio Ureico do leite estiver abaixo de 8,0 mg/dl, vai afetar na fertilidade e se eu tenho que aumentar a quantidade de proteina fornecida.

Obrigado.
Agmar Macedo Assis
SYDERLEY SILVA GONÇALVES

CAMPINA VERDE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/06/2009

Bom dia! Gostaria de saber qual teor ureico no leite normal de uma boa alimentação animal. Tenho informações que dizem ser de 9 a 14. É isso mesmo?
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