Monensina sódica como aditivo na alimentação de ovinos: eficiência alimentar e coccidiose
A monensina sódica é um antibiótico ionóforo largamente utilizado como aditivo na alimentação animal, principalmente ruminantes e aves. Para os ruminantes é utilizada, principalmente, como modificador da fermentação ruminal, pois melhora a conversão alimentar (kg de alimento /kg de ganho de peso). Seu mecanismo de ação consiste em selecionar microorganismos do rúmen e inibir o crescimento das bactérias gram-positiva. Essa seletividade depende da permeabilidade da membrana celular aos íons, pois as bactérias gram-positivas (cuja membrana celular é composta apenas de parede celular) são mais susceptíveis à ação dos ionóforos do que as gram-negativas típicas (cuja membrana celular é formada por parede celular e membrana externa).
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Atualmente, mais de 120 ionóforos foram descritos, mas somente monensina sódica, lasalocida, salinomicina e laidomicina propionato são aprovadas para uso em dietas de ruminantes. A monensina é produzida pelo microorganismo Streptomyces cinnamonesis e teve seu uso aprovado nos EUA, para gado de corte em confinamento, em 1976, e para animais em pastejo, em 1978. Os ionóforos, principalmente a monensina, são provavelmente os aditivos mais utilizados em dietas de ruminantes e seus efeitos benéficos têm sido relatados por diversos autores, tais como:
- Melhora na eficiência do metabolismo energético ruminal, pois altera a proporção dos ácidos graxos voláteis produzidos no rúmen, por meio do aumento na concentração de propionato, que é o principal precursor da glicose sanguínea em ruminantes e diminuição na perda de energia na forma de metano;
- Redução da degradação de proteína dietética já que podem diminuir em até 10 vezes a população de bactérias proteolíticas (fermentadoras de aminoácidos), diminuição de até 50% na produção de amônia o que leva a uma menor síntese de proteína microbiana e, conseqüentemente, a um aumento na quantidade de proteína de dietética que chega ao intestino delgado ( By pass);
- Aumento da digestibilidade dos alimentos,
- Redução na incidência de algumas enfermidades que ocorrem principalmente em cordeiros confinados em dietas de alto concentrado como acidose láctica, timpanismo, coccidiose e outras.
A coccidiose é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Eimeria, que atacam a parede intestinal, com grave danos aos tecidos. O sinal clinico evidente é o aparecimento de diarréia escura devido à presença de sangue nas fezes, com reduções na absorção de nutrientes e consequentemente diminuição no ganho de peso e crescimento dos animais afetados. É uma parasitose de distribuição mundial, muito comum em rebanhos submetidos aos mais diferentes sistemas de manejo, embora seja mais frequente em sistema intensivo, com alta densidade animal, como o confinamento de cordeiros.
A utilização dos ionóforos como coccidiostático é de caráter preventivo, antes do aparecimento dos sinais clínicos (diarréia escura, emagrecimento), através da sua incorporação à dieta dos animais, nas rações de concentrados ou à dieta total. Deve ser iniciado no momento ou logo após a exposição dos animais aos oocistos esporulados, que geralmente ocorre nas duas primeiras semanas de vida.
Os animais devem ser adaptados ao consumo de monensina e as quantidades fornecidas devem estar de acordo com as recomendações do fabricante. Inicialmente pode-se incorpora-lo como aditivo nas rações concentrada de creep feeding, em uma concentração de 5 a 10 ppm(mg/kg ou g/tonelada. Após a desmama, na terminação em confinamento, pode-se utilizar a concentração de 25 a 30 ppm nas matéria seca da dieta total (que inclui concentrado e volumoso).
Além do tratamento profilático, as medidas sanitárias são de fundamental importância para o controle da coccidiose dos pequenos ruminantes, principalmente a higienização das instalações, impedindo que os oocistos eliminados através das fezes tornem-se infectivos e sejam ingeridos pelos animais.
Em função de sua complexidade e alto grau de especificidade, os ionóforos parecem não contribuir para o desenvolvimento de resistência de microorganismos de importância humana. Alguns estudos com vacas de leite indicaram a existência de adaptação das bactérias ruminais ao ionóforo, que teve seu efeito reduzido após algumas semanas de uso. Em ovinos ainda não há relatos de resistência aos ionóforos.
Aparentemente, a monensina é rapidamente excretada após sua ingestão, com mínima acumulação nos tecidos animais.
É importante lembrar que há uma preocupação cada vez maior do consumidor com a qualidade dos alimentos de origem animal, portanto a restrição ao uso de antibióticos na alimentação animal torna-se cada vez mais rigorosa. Além disso, a União Européia em 2006, baseando-se no "Princípio da Precaução", proibiu o uso de ionóforos como aditivos alimentares (monensina sódica e lasalocida), mesmo na ausência de dados científicos conclusivos sobre seus possíveis efeitos prejudiciais ao consumidor. Outros países, no entanto, aprovam totalmente seu uso como aditivo alimentar, pois adotam o "Principio da Prova", baseando-se em evidências cientificas para uma tomada de decisão, como o caso dos Estados Unidos e Brasil.
Referências bibliográficas
ARAÚJO, J.S.; PEREZ, J.R.O.; PAIVA, P.C.A.; PEIXOTO, E.C.T.M.; BRAGA, G.C.; OLIVEIRA, V.; VALLE, L.C.D. Efeito da monensina sódica no consumo de alimentos e ph ruminal em ovinos. Archives of Veterinary Science, v. 11, n. 1, p. 39-43, 2006.
BERCHIELLI, T. T.; PIRES, A. V.; OLIVEIRA, S. G. de. Nutrição de Ruminantes. 1a edição. Jaboticabal: FUNEP, 2006. 583 p. 28 cm.
NICODEMO, M.L.F. Uso de aditivos na dieta de bovinos de corte. Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2001. 54 p.
RODRIGUES, P.H.M.; MATTOS, W.R.S.; MELOTTI, L.; RODRIGUES, R.R. Monensina e digestibilidade aparente em ovinos alimentados com proporções de volumoso/concentrado. Scientia Agricola, v.58, n.3, p.449-455, jul./set. 2001.
SILVA,T.P.; FILHO, E.J.F.; NUNES, A.B.V.; ALBUQUERQUE, F.H.M.A.R.; FERREIRA, P.M.; CARVALHO, A.U. Dinâmica da infecção natural por Eimeria spp. em cordeiros da raça Santa Inês criados em sistema semi-intensivo no Norte de Minas Gerais. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.59, n.6, p.1468-1472, 2007.
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Material escrito por:
Milena Hama Totake Watanabe
Acessar todos os materiais
Mauro Sartori
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TERESINA - PIAUÍ - OVINOS/CAPRINOS
EM 03/05/2020

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LONDRINA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
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PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE
EM 06/01/2013

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 15/06/2009
Desculpe pela demora.
A monensina pode sim ser adicionada ao proteinado, porém deve-se tomar cuidado com a quantidade fornecida.
Existem alguns fatores que podem interferir nessa quantidade fornecida, como categoria animal (ovelha, cordeiro, reprodutor), quantidade de proteinado que o animal ingere por dia e diluição da monensina no produto utilizado (por exemplo alguns produtos apresentam uma diluição de 10 vezes). Observe mais ou menos quanto seus animais estão ingerindo de proteinado por dia e calcule (regra de três) quanto deve ser fornecido de monensina para que eles consumam 25mg por dia de monensina a cada quilo da dieta total consumida. Por exemplo, uma ovelha de 60 quilos consome aproximadamente 3,5% do seu PV, ou seja, 2 quilos de alimento por dia, logo, multiplica-se 25mg de monensina por 2, que dá 50 mg de monensina por dia que a ovelha deve consumir. Agora, você deve observar a quantidade de proteinado que a ovelha está consumindo, por exemplo, se a ovelha consumir 100g de proteinado por dia, em um quilo de proteinado deve ser adicionada 500mg de monensina sódica ou 0,5g.
Cuidado com a diluição do produto, se o produto for diluído em dez vezes, multiplique por 10 a quantidade fornecida. Espero que tenha esclarecido a questão, qualquer dúvida pode mandar um e-mail perguntando.
Att

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 02/06/2009
Parabés pelo artigo. Gostaria de obter informações sobre o fornecimento do Rumezin junto ao sal proteinado. Isso é possivel? E qual quantidade?
Att,

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 21/05/2009
A Monensina sódica pode ser utilizada na alimentação de cabras leiteiras, na mesma dose de 25ppm, porém fique atento ao ler a bula do produto e verificar se há diluição da monensina, por exemplo, se o produto apresentar uma diluição de 10 vezes, multiplique a quantidade por 10 também resultando em 250ppm(mg/kg ou g/ton).
Não se esqueça de adequar também ao consumo do animal, observe quanto da dieta o animal está ingerindo, por exemplo se estiver ingerindo metade da dieta total, pode dobrar a inclusão da monensina. E não esqueça que o excesso pode ser tóxico e diminuir o consumo.

CODÓ - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 20/05/2009

LEOPOLDINA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 20/05/2009

RIO BRANCO - ACRE - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 19/05/2009

SÃO BERNARDO DO CAMPO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 18/05/2009

MONTE SIÃO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 18/05/2009