O cloreto de sódio tem a função de atrair os animais a ingerir a mistura, já que a uréia é pouco palatável. Também funciona como regulador de ingestão excessiva, pois os animais têm apetite específico para o sódio e não ingerem quantidades muito acima do seu requerimento. A probabilidade de ingestão excessiva da mistura e, consequentemente, de uréia é baixíssima, quando houver uma mistura bem formulada com proporção adequada de cloreto de sódio.
A finalidade da mistura múltipla é fornecer nitrogênio solúvel no rúmen para o crescimento das bactérias celulolíticas e aumentar a digestibilidade da fibra assim como o aporte de energia para o animal. Ruminantes em geral tem exigência mínima de 7% de proteína bruta na dieta, para que ocorra o adequado crescimento microbiano, fermentação da fibra e retirada de energia desta fração. Dietas fibrosas com conteúdo muito baixo de proteína bruta acarretam diminuição do consumo voluntário e do peso vivo dos animais.
A uréia caracteriza-se como fonte de nitrogênio-não-protéico solúvel no rumem, Porém, apresenta também algumas limitações como sua baixa aceitabilidade pelos animais, sua segregação quando misturada com outros ingredientes e sua alta toxicidade, que é agravada pela elevada solubilidade no rúmen. Portanto, deve ser fornecida aos animais em quantidades controladas.
A uréia ao ser ingerida e alcançar o rúmen é rapidamente desdobrada em amônia e CO2 pelas bactérias. A amônia é captada pelas bactérias fermentativas ruminais e é utilizada para seu crescimento e síntese de sua própria proteína. O aumento da população de bactérias celulolíticas aumenta a produção de energia proveniente da fermentação da fibra, o que leva a melhora do desempenho animal. A massa microbiana apresenta proteína de alto valor biológico e vai ser utilizadas pelo animal após sua saída do rumem.
As forrageiras das pastagens diminuem seu valor nutritivo durante o período da seca, notadamente por diminuição de seu teor protéico e aumento do de fibra. Isso acontece em função da diminuição na proporção de folhas e aumento na proporção de colmos e material morto na pastagem. Teores baixos de proteína dietética levam a redução do crescimento microbiano ruminal, com diminuição da digestibilidade da fração fibrosa da forragem e redução do desempenho animal.
A mistura múltipla é recomendada para animais alimentados com dietas ricas em fibra e com baixo teor protéico. Pode ser utilizada para animais criados extensivamente sobre pastagem diferidas, assim como aqueles alimentados com palhada de cereais (palha de trigo, milho, etc). Dietas a base de cana de açúcar podem ser melhoradas com a utilização da mistura múltipla, devido ao seu elevado teor de açúcares solúveis, elevado teor de fibra e baixo teor de proteína dietética. Animais alimentados com silagem de milho podem ser beneficiados pelo aporte de nitrogênio através da mistura múltipla.
Estudos realizados na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga, APTA Regional-SAA-SP avaliaram algumas formulações de mistura múltipla associadas para cabras em manutenção alimentadas com palhada de trigo e observaram que quanto maior o teor de cloreto de sódio menor a ingestão voluntária da mistura. Os animais mantiveram o peso vivo, o que denota sua utilização para animais em mantença.
tabela 1. Formulações de mistura múltipla para suplementação de dietas de ovinos e caprinos com diferentes volumosos.

O consumo voluntário da mistura múltipla é muito variado e é inversamente proporcional á concentração de cloreto de sódio. Ingestão voluntária ao redor de 200g/dia para ovelhas adultas, com acesso irrestrito à mistura, parece ser satisfatória e adequada. Isso representa 0,4 a 0,5% do peso vivo.
O produtor deve começar com teores mais elevados de sal branco e diminuir até atingir o consumo preconizado para que os animais possam se adaptar aos poucos à ingestão de uréia.
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