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Milho hidropônico para ruminantes - Parte 2 - Composição e degradabilidade

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2001

3 MIN DE LEITURA

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José Roberto Peres

No último artigo desta seção, foram apresentados dados de produtividade de milho produzido por hidroponia. Foi visto que os resultados obtidos não foram encorajadores.

A mesma "forragem" produzida no experimento anteriormente descrito foi utilizada pelos pesquisadores para avaliação de sua composição bromatológica e degradação ruminal.

Para a avaliação da degradabilidade in situ, foram utilizados apenas os materiais oriundos da densidade de semeadura de 1 kg/m2 e quatro caprinos machos da raça Saanen, fistulados no rúmen. As amostras, antes de sua incubação no rúmen, foram picadas manualmente em partículas de aproximadamente 0,5 cm. Cada saco de nylon recebeu 20 mg de amostra por cm2. Foram utilizados 4 tempos de incubação: 6, 24, 48 e 96 horas.

Os resultados das análises bromatológicas podem ser observados na tabela 1. Os teores de nutrientes não diferiram (P>0,05) entre si para os diferentes substratos utilizados no cultivo, exceções feitas à proteína bruta (PB), matéria mineral e matéria orgânica. As partes aéreas produzidas sobre os substratos de cama de frango e grama apresentaram maior teor de PB (P<0,05), o que os autores atribuem a uma possível maior disponibilidade de nutrientes para a planta. Não foram observadas diferenças significativas nos teores de constituintes da parede celular. Segundo os autores, os teores médios de lignina podem ser considerados baixos para forragens, o que provavelmente é reflexo da pouca idade da planta.

Tabela 1: Composição bromatológica da parte aérea do milho hidropônico

 

Tabela 1


Fonte: Amorim et al. (2001) - Médias com letras diferentes na mesma linha, diferem pelo teste de Tuckey (P<0,05)
BC = bagaço de cana; BH = bagaço de cana hidrolisado; GR = grama; CF = cama de frango

É interessante notar que o material produzido é bastante úmido, enquanto que o teor de matéria mineral é elevado se comparado, por exemplo, à silagem de milho, talvez em função do cultivo em solução mineral. Por último, os níveis de fibra são relativamente altos, considerando-se a idade de corte avaliada (28 dias).

A tabela 2 apresenta os dados de degradabilidade da parte aérea do milho hidropônico. Não ocorreram diferenças (P>0,05) nas taxas de degradação da matéria seca (MS) e da FDN em função dos diferentes substratos de cultivo. Todavia, no caso da PB, o substrato BH proporcionou menor valor (P<0,05). Os autores atribuem isto a um possível erro analítico.

Não houve efeito dos diferentes substratos utilizados no cultivo sobre as degradabilidades potencial (DP) e efetiva (DE) da MS e da FDN. A DP da matéria seca foi considerada alta, independente do substrato de cultivo, o que pode ser atribuído à baixa fração não degradável ("I").

Tabela 2: Degradabilidade in situ da parte aérea do milho hidropônico

 

Tabela 2


Fonte: Amorim et al. (2001) - Médias com letras diferentes na mesma linha, diferem pelo teste de Tuckey (P<0,05)
BC = bagaço de cana; BH = bagaço de cana hidrolisado; GR = grama; CF = cama de frango

Os autores concluíram que a composição bromatológica e a degradabilidade indicam que a parte aérea da planta de milho produzida por hidroponia apresentam bom valor nutricional, com elevada disponibilidade de nutrientes.

Comentário MilkPoint: realmente os valores indicam que a parte aérea do milho hidropônico tem bom valor nutritivo, todavia, embora os teores de nutrientes na matéria seca sejam adequados, não se pode esquecer que o material possui teor muito baixo de matéria seca, sendo necessário o consumo de grande quantidade para que se possa efetivamente fornecer aos animais a quantidade necessária de nutrientes, especialmente considerando-se animais de maior nível de produção. Isto pode ser um fator extra a se considerar, já que a capacidade (física) de consumo é limitada. Também em função disso, o custo do material deve ser avaliado em função dos níveis de nutrientes na matéria seca, especialmente quando comparado a outras forragens.

Fonte: Amorim, A. C., Resende, K.T., Medeiros, A. N. et al., 2001. Composição bromatológica e degradabilidade in situ da parte aérea da planta de milho (Zea mays) produzida por hidroponia. In: Anais da XXXVIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Piracicaba, SP.

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NEGO DA BETÂNIA

CÍCERO DANTAS - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 05/03/2018

Quantos quilos de milho hidropónico por dia para cada ovino criado em confonamento?


grato

Janilson
MARCO SARAIVA

EM 23/03/2017

Na propriedade planto capim elefante sorgo cana milho qual seria a dosagem a misturar com milho hidroponico pois tenho  50 bacas leiteira e quero complementar com milho hidrológico manter o volumoso o ano todo e não fazer silagem
MARCO SARAIVA

EM 23/03/2017

Gostaria de saber qual a quantidade de milhovque eu gastaria para produzir uma tonelada de milho hidroponico por dia para introduzir como alimento para vacas leiteira
ALEXSANDER BRAZ

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 14/11/2016

Gostaria de saber,  posso fazer um tratamento no cocho do milho hidropônico com o capim picado qual a proporção capim x milho hidropônico por dia a cada animal? e qual a produtividade poderia ser alcançada sendo que as vacas ficariam no cocho somente com essa forragens sem o uso de concentrados  durante o dia e pastagem a noite?
MARCOS MARTINS DOS SANTOS

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - ESTUDANTE

EM 10/01/2014

Comentário Milk Point "realmente os valores indicam que a parte aérea do milho hidropônico tem bom valor nutritivo"...

MEU COMENTÁRIO: Onde não tem nada para ser comido como algumas regiões do sertão da Bahia, Nordeste e outros pontos do nosso Brasil! As cabras, ovelhas, vaquinhas, porcos e galinhas ficariam supernutridas.

Todavia, embora os teores de nutrientes na matéria seca sejam adequados, não se pode esquecer que o material possui teor muito baixo de matéria seca, sendo necessário o consumo de grande quantidade para que se possa efetivamente fornecer aos animais a quantidade necessária de nutrientes, especialmente considerando-se animais de maior nível de produção.

O sertanejo pode colocar muita matéria seca para seus animais no cocho, exemplo. O milho que não granou e secou devido à falta de chuva, a palhada do feijão dentre outros.

Isto pode ser um fator extra a se considerar, já que a capacidade (física) de consumo é limitada. Também em função disso, o custo do material deve ser avaliado em função dos níveis de nutrientes na matéria seca, especialmente quando comparado a outras forragens.

Vejo que este comentário se refere a grandes produções com fartura de capins, muitas agua adubação pesada, uso de pivô central, piquetes rotacionados, colheita mecanizada, etc.

VIABILIDADE DO CULTIVO HIDROPÔNICO

Trata-se de uma excelente alternativa para obtenção de volumoso de qualidade, com alto valor protéico, para alimentação animal, embora seja pobre em massa seca.

RENDIMENTO: 1,6 A 2,0 kg de milho m2, mais substrato (bagaço de cana, capim picado, ou outro material) é igual a 25 ou 30 kg/m2 em 15-20 dias com (25-30 cm de altura).

4 sacos de milho de 60 kg = R$ 120,00

Preço do adubo para 2.000 litros de agua R$ 60,00

Preço do saco de milho R$30,00

Para produzir 2.275 kg de forragem R$180,00

biomartins@gmail.com

Marcos Martins

Técnico Agrícola
RONALDO ADRIANO DE O. OLIVEIRA

JUAZEIRO - BAHIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 24/03/2008

quero saber detalhadamente o processo de plantio de milho hidroponico, quantidade a ser dada na alimentacao dos animais (engorda de ovinos).
MilkPoint AgriPoint