No último artigo desta seção realçamos a importância da avaliação da matéria seca dos alimentos úmidos, para que se mantenha constante a composição da dieta e, por conseqüência, o desempenho dos animais. Foi demonstrado que uma pequena variação no consumo de matéria seca pode refletir em grande diferença de produção.
A questão que deve ter sido feita por muitos é como fazer esta avaliação, já que as análises laboratoriais têm custo relativamente elevado e demandam tempo (envio da amostra; análise e retorno do resultado), o que permitiria que, no momento que se recebesse o resultado, o teor de umidade do material já tivesse alterado.
Felizmente, existe um método bastante simples e eficaz para avaliação do teor de umidade (ou por diferença a matéria seca) dos alimentos. Para que ele possa ser realizado são necessários somente um forno microondas (muito comum atualmente nos domicílios, inclusive de fazendas, custa R$ 300,00) e uma balança com capacidade de pesar pequenas quantias (100 a 300 gramas) e precisão de 0,1 grama (pode ser adquirida por menos de R$ 200,00).
Mesmo não dispondo destes equipamentos, pode ser interessante o investimento. Se admitirmos que, através do controle da ingestão da matéria seca, conseguiremos aumentar o consumo em pelo menos 1 kg (de matéria seca) por dia e que, em função disso, a produção irá aumentar pelo menos 2 kg de leite, numa fazenda de 100 vacas em lactação, isto representaria mais 6000 kg de leite no final do mês, o que deve pagar o investimento em muito pouco tempo.
Para fazer a avaliação serão necessários ainda um copo de água e um prato de papelão. O processo é como se segue:
1. Pese o prato de papelão e anote o valor.
2. Coloque no prato uma pequena amostra (que represente bem) o alimento a ser avaliado, pese e anote novamente. Se trabalhar com 100 gramas de amostra (sem contar o peso do prato) os cálculos ficam mais fáceis.
3. Coloque um copo quase cheio (3/4) de água no fundo do forno de microondas. De acordo com os fabricantes, a presença da água evita danos ao magneto do forno durante o uso, além de diminuir a possibilidade de combustão do material que está sendo seco (existe esta possibilidade, especialmente quando o alimento está próximo de seu ponto de matéria seca, por isso não deixe o material secando no forno sem observação).
4. Coloque o prato com a amostra no forno. Ajuste a potência para 80-90% do máximo.
5. Ajuste o tempo inicialmente para cinco minutos. Alimentos mais úmidos (silagens de capim ou mesmo de milho podem ficar inicialmente por 10 minutos).
6. Decorrido o tempo acima, retire o prato, pese novamente e anote o valor. Mexa o material do prato, tomando o cuidado de não deixar cair nada para fora.
7. Volte o prato ao forno e ajuste o tempo para mais 2 minutos, na mesma potência anterior. Passado o tempo retire, pese e anote novamente. Mexa o material novamente.
8. Continue este processo, a partir de agora em intervalos de 1 minuto de secagem, sempre mexendo novamente, até que a diferença entre uma pesagem e outra seja menor que 1 grama. Neste ponto o material já perdeu sua umidade e o restante é a matéria seca.
9. Cuidado para não queimar o material (passar o ponto de secagem). Se isto ocorrer, o processo deve ser reiniciado com uma nova amostra. Isto normalmente ocorre quando o tempo ou a potência são muito altos, ou ainda se a água do copo se evaporar totalmente. Na realidade, o ideal é que a água seja trocada a cada nova seqüência, para evitar que ferva pois isto faz com que ela espirre, molhando novamente a amostra; com isto o processo demora mais tempo (normalmente serão necessários cerca de 15 minutos).
10. A equação 1 calcula a porcentagem de matéria seca da amostra. Não esqueça de subtrair o peso do prato tanto do material úmido quanto do seco no cálculo.

Comentário do autor: Esta aferição é muito simples de ser feita, todavia, só trará benefícios se for possível controlar o consumo de todos os alimentos, ou sua proporção na dieta dos animais. Normalmente só se consegue isto com o uso de vagões de ração completa com balança, que pesa inclusive o volumoso.