Indução do parto em pequenos ruminantes
O desencadeamento artificial do parto em pequenos ruminantes, aliado a outras biotécnicas reprodutivas, é uma importante opção como agente de otimização de diferentes sistemas de produção de caprinos e ovinos, contribuindo para a obtenção de resultados mais viáveis do ponto de vista econômico, sanitário, zootécnico e do melhoramento genético.
Publicado por: carlos frederico de carvalho rodrigueseJoão Elzeário Castelo Branco Iapichini
Publicado em: - 3 minutos de leitura
O desencadeamento artificial do parto em pequenos ruminantes, aliado a outras biotécnicas reprodutivas, é uma importante opção como agente de otimização de diferentes sistemas de produção de caprinos e ovinos, contribuindo para a obtenção de resultados mais viáveis do ponto de vista econômico, sanitário, zootécnico e do melhoramento genético.
Nos programas de manejo reprodutivo envolvendo a indução e ou sincronização do estro e ovulação, a inseminação artificial e a transferência de embriões, a indução do parto permite a racionalização do tempo e mão-de-obra gastos na observação de parturientes, com melhor assistência obstétrica e neonatal. Portanto, contribui de forma decisiva na sobrevida dos cabritos e cordeiros, minimizando as perdas desses produtos devido a partos distócicos, traumatismos no pós-parto imediato e outras ameaças para a vitalidade e viabilidade das crias, o que compromete o retorno econômico desses investimentos.
A sanidade dos rebanhos também é beneficiada pela indução do parto, pois impede a ingestão de colostro de cabras e ovelhas portadoras de agentes infecciosos transmitidos via colostro ou leite, possibilitando a manutenção no rebanho de matrizes de bom valor zootécnico, apesar de contaminadas. Desta forma, a caprinocultura leiteira tem na indução do parto uma importante ferramenta auxiliar no controle da artrite-encefalite caprina e da micoplasmose.
A finalização de prenhez prolongada, de alto risco para a matriz, ou ainda aquela ligada a algum transtorno patológico é outra forma de contribuição da técnica de partos induzidos para a sanidade de ovinos e caprinos.
A indução do parto em cabras e ovelhas aumenta a eficiência de produção, reduzindo o intervalo entre partos, e não afeta significativamente a produção de leite. Na caprinocultura leiteira, pode contribuir para uma melhor distribuição dos partos ao longo do ano, diminuindo ou até mesmo suprimindo a entressafra de leite, abrandando entraves produtivos para esse segmento.
Princípio primordial para a implantação e condução de programas de indução e sincronização de partos, a adoção de escrituração zootécnica organizada e confiável permite a determinação da idade gestacional, principal parâmetro para o uso da técnica.
Fundamental também para o sucesso da técnica é a elaboração de um plano nutricional próprio para as fêmeas gestantes, principalmente no terço final da prenhez, garantindo não só a condição corporal da matriz e sua futura produção de leite, mas principalmente o adequado desenvolvimento dos fetos, o que certamente proporcionará melhores coeficientes de peso ao nascimento induzido.
Sendo assim, a orientação profissional para a devida aplicação dessa prática é premissa básica, notadamente na escolha do fármaco desencadeador do parto, seja em função da espécie animal (prostaglandinas para cabras e corticosteróides para ovelhas), o melhor momento de sua aplicação, além de outras ações e cuidados pertinentes. Com isso, os aspectos fundamentais da dinâmica do parto fisiológico e sua manifestação circadiana serão mantidos, com a maioria dos nascimentos ocorrendo no período diurno.
Em contra ponto às vantagens decorrentes do seu uso, a aplicação mais intensiva dessa técnica esbarra na relutância dos criadores em intervirem num processo natural, e também por aumentar sua responsabilidade na condução de todas as etapas inerentes para a adequada utilização do método de indução de partos.
Quando conduzida sem os devidos cuidados e critérios técnicos, a prática de indução de nascimentos pode promover o sofrimento materno através da ocorrência de partos distócicos, predisporem perdas ou desenvolvimentos retardados das crias, diminuição temporária da produção de leite, demora para delivramento das secundinas, retenção de placenta e patologias decorrentes. A utilização inadequada da prática pode então comprometer o desempenho reprodutivo futuro do plantel e certamente transcorrer em índices zootécnicos abaixo dos níveis ideais esperados.
Desta maneira, os meios e os fins para a indução do parto em animais de produção não devem priorizar a busca do aumento da produtividade a qualquer custo, ou pior, por pura conveniência do criador, pois os preceitos de bem-estar animal devem ser preservados.
Referências bibliográficas
GORDON, I. Controlled reproduction in sheep and goats. 2. ed. Cambridge: CABI Publishing, 1999. 450 p.
LICKLITER, R. E. Behavior associated with parturition in the domestic goat. Appl. Anima. Behav. Sci. , v. 13, p. 335-345, 1984.
MODOLO, J. R., STACHISSINI, A .V.M., CASTRO, R.S., RAVAZZOLO, A. P. Planejamento de saúde para o controle da artrite-encefalite caprina, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 80 p.,2003.
Rodrigues,C.F.C.; Bicudo, S.D.; Takada, l.; Requena, j.r.f.; otsuk, i.p.; Leinz, F.F.; Bianchini, D. Indução do parto em cabras Saanen com d-cloprostenol e carbetocina. Revista Universidade Rural, Série Ciência Vida, v.25, suplemento, p. 385 - 386, 2005.
RUBIANES, E.; RODAS, E.; BENECA, A.; CARRAU, A.; FERREIRA, A. Lambing and placental expulsion time after dexamethasone induced parturitionin Corriedale and Polwarth ewes. Theriogenology, v.36, n.2, p.329-334, 1991.
SILVER, M. Parturition: spontaneous or induced preterm labor and its consequences for the neonate. Anim. Reprod. Sci., v. 28, p. 441-449, 1992.
TRALDI, A S. Controle farmacológico do ciclo estral e da superovulação em caprinos e ovinos. In: Controle Farmacológico do Ciclo Estral de Ruminantes, São Paulo, Anais: 306-332, 2000.
Nos programas de manejo reprodutivo envolvendo a indução e ou sincronização do estro e ovulação, a inseminação artificial e a transferência de embriões, a indução do parto permite a racionalização do tempo e mão-de-obra gastos na observação de parturientes, com melhor assistência obstétrica e neonatal. Portanto, contribui de forma decisiva na sobrevida dos cabritos e cordeiros, minimizando as perdas desses produtos devido a partos distócicos, traumatismos no pós-parto imediato e outras ameaças para a vitalidade e viabilidade das crias, o que compromete o retorno econômico desses investimentos.
A sanidade dos rebanhos também é beneficiada pela indução do parto, pois impede a ingestão de colostro de cabras e ovelhas portadoras de agentes infecciosos transmitidos via colostro ou leite, possibilitando a manutenção no rebanho de matrizes de bom valor zootécnico, apesar de contaminadas. Desta forma, a caprinocultura leiteira tem na indução do parto uma importante ferramenta auxiliar no controle da artrite-encefalite caprina e da micoplasmose.
A finalização de prenhez prolongada, de alto risco para a matriz, ou ainda aquela ligada a algum transtorno patológico é outra forma de contribuição da técnica de partos induzidos para a sanidade de ovinos e caprinos.
A indução do parto em cabras e ovelhas aumenta a eficiência de produção, reduzindo o intervalo entre partos, e não afeta significativamente a produção de leite. Na caprinocultura leiteira, pode contribuir para uma melhor distribuição dos partos ao longo do ano, diminuindo ou até mesmo suprimindo a entressafra de leite, abrandando entraves produtivos para esse segmento.
Princípio primordial para a implantação e condução de programas de indução e sincronização de partos, a adoção de escrituração zootécnica organizada e confiável permite a determinação da idade gestacional, principal parâmetro para o uso da técnica.
Fundamental também para o sucesso da técnica é a elaboração de um plano nutricional próprio para as fêmeas gestantes, principalmente no terço final da prenhez, garantindo não só a condição corporal da matriz e sua futura produção de leite, mas principalmente o adequado desenvolvimento dos fetos, o que certamente proporcionará melhores coeficientes de peso ao nascimento induzido.
Sendo assim, a orientação profissional para a devida aplicação dessa prática é premissa básica, notadamente na escolha do fármaco desencadeador do parto, seja em função da espécie animal (prostaglandinas para cabras e corticosteróides para ovelhas), o melhor momento de sua aplicação, além de outras ações e cuidados pertinentes. Com isso, os aspectos fundamentais da dinâmica do parto fisiológico e sua manifestação circadiana serão mantidos, com a maioria dos nascimentos ocorrendo no período diurno.
Em contra ponto às vantagens decorrentes do seu uso, a aplicação mais intensiva dessa técnica esbarra na relutância dos criadores em intervirem num processo natural, e também por aumentar sua responsabilidade na condução de todas as etapas inerentes para a adequada utilização do método de indução de partos.
Quando conduzida sem os devidos cuidados e critérios técnicos, a prática de indução de nascimentos pode promover o sofrimento materno através da ocorrência de partos distócicos, predisporem perdas ou desenvolvimentos retardados das crias, diminuição temporária da produção de leite, demora para delivramento das secundinas, retenção de placenta e patologias decorrentes. A utilização inadequada da prática pode então comprometer o desempenho reprodutivo futuro do plantel e certamente transcorrer em índices zootécnicos abaixo dos níveis ideais esperados.
Desta maneira, os meios e os fins para a indução do parto em animais de produção não devem priorizar a busca do aumento da produtividade a qualquer custo, ou pior, por pura conveniência do criador, pois os preceitos de bem-estar animal devem ser preservados.
Referências bibliográficas
GORDON, I. Controlled reproduction in sheep and goats. 2. ed. Cambridge: CABI Publishing, 1999. 450 p.
LICKLITER, R. E. Behavior associated with parturition in the domestic goat. Appl. Anima. Behav. Sci. , v. 13, p. 335-345, 1984.
MODOLO, J. R., STACHISSINI, A .V.M., CASTRO, R.S., RAVAZZOLO, A. P. Planejamento de saúde para o controle da artrite-encefalite caprina, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 80 p.,2003.
Rodrigues,C.F.C.; Bicudo, S.D.; Takada, l.; Requena, j.r.f.; otsuk, i.p.; Leinz, F.F.; Bianchini, D. Indução do parto em cabras Saanen com d-cloprostenol e carbetocina. Revista Universidade Rural, Série Ciência Vida, v.25, suplemento, p. 385 - 386, 2005.
RUBIANES, E.; RODAS, E.; BENECA, A.; CARRAU, A.; FERREIRA, A. Lambing and placental expulsion time after dexamethasone induced parturitionin Corriedale and Polwarth ewes. Theriogenology, v.36, n.2, p.329-334, 1991.
SILVER, M. Parturition: spontaneous or induced preterm labor and its consequences for the neonate. Anim. Reprod. Sci., v. 28, p. 441-449, 1992.
TRALDI, A S. Controle farmacológico do ciclo estral e da superovulação em caprinos e ovinos. In: Controle Farmacológico do Ciclo Estral de Ruminantes, São Paulo, Anais: 306-332, 2000.
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VAGNER GUASSO DA COSTA
SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE
EM 06/02/2008
Boa tarde! Após ler o artigo fiquei bastante interessado em colocar esta técnica em prática, porém desconheço os fármacos necessários e o protocolo da técnica, seria possível citarem-me alguns nomes comerciais? Há alguma objeção quanto a raça texel e condição corporal para aplicação? Parabéns pelo artigo e obrigado pela atenção!

LUIZ CARLOS SILVEIRA
EXTREMA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 22/01/2008
gosto muito de acessar o farmpoint, pois todos os dias temos novidades e aprendemos muito com vocês . acompanhei a matéria e gostei muito doque li . O rebanho onde presto assistência os animais estão atrasando o cio, não é falta de mineral pois isso eles comen á vontade . gostaria de usar um novo método de prenhês . gostei do artigo o qual eu li , achei muito bom e muito bem explicado . boa noite!