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Elevando a produtividade - intervalo entre partos

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/12/2009

4 MIN DE LEITURA

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Como já mencionado no artigo anterior, (texto I) - na pecuária ovina de corte, os incrementos em produtividade estão diretamente relacionados ao número de cordeiros disponíveis para abate, assim como, à quantidade de animais com potencial para serem descartados em boas condições corporais.

Nesse sentido, além da idade ao primeiro parto, o intervalo entre partos (IP) é outro índice que possui grande impacto sobre a produção de cordeiros e sobre a disponibilidade de animais para venda.

O intervalo de partos refere-se à média de dias entre dois partos consecutivos de cada animal ou de um lote. O IP é um índice que depende de duas outras variáveis: o intervalo entre o parto e o 1o estro e o número de serviços/concepção, porém não é tão exato para medir a eficiência reprodutiva do rebanho, pois não inclui fêmeas com apenas um parto, inférteis e/ou descartadas. Contudo, quando dentro de valores aceitáveis, é um excelente indicador de fertilidade.

No entanto, como o intervalo de partos é dependente do intervalo entre o parto e o 1o estro e do número de serviços/concepção, e considerando que a duração da gestação na espécie ovina é de cerca de 150 dias, o período de serviço - intervalo de tempo entre o parto e a nova concepção - varia de 66 a 90 dias em sistemas acelerados de parição, sendo este o tempo disponível para que ocorra a involução uterina, o retorno da atividade ovariana cíclica e a concepção.

Para tanto, o sucesso nesses sistemas é estreitamente dependente de um programa nutricional e de um manejo alimentar de excelência, principalmente no sistema Cornell STAR.

Como um reflexo direto do período de tempo existente entre duas parições consecutivas, quanto menor o intervalo de partos maior o número de parições ocorridas dentro de um rebanho ao longo do tempo e, consequentemente, maior o número de cordeiros desmamados ou produzidos anualmente.

Dessa forma, o sistema de parição pode ter grande influência na taxa de desfrute do rebanho, especialmente, quando o fenômeno da estacionalidade reprodutiva - marcante em alguns grupos genéticos ovinos em determinadas épocas do ano - é superado, parcial ou completamente.

Nos sistemas extensivos ou tradicionais de produção, principalmente na região sul e sudeste, os rebanhos apresentam apenas uma parição por ano concentrada na estação da primavera. Esse sistema confere um IP igual ou superior a 12 meses, considerando que, geralmente, em condições extensivas de criação, as ovelhas que não foram fecundadas na estação reprodutiva atual permanecem no rebanho e estendem o IP médio apresentando, no ano vindouro, um IP de 24 meses. Assim, a produção de cordeiros fica comprometida e a produção do sistema minimizada.

Já em sistemas de produção onde há um processo de intensificação do manejo reprodutivo, com a implementação de programas acelerados de parição do tipo "5 em 3" (Cornell STAR) ou "3 em 2", o IP médio do rebanho se mantém entre 7,2 e 8 meses, respectivamente, o que aumenta grandemente a disponibilidade de animais para venda, conforme a Tabela 1.

Tabela 1. Produtividade em sistemas acelerados e tradicional de parição



Como observado acima, a Tabela 1 simula a produtividade (em termos de número de animais abatidos por ano) de sistemas de produção com apenas uma parição por ano (IP 12 meses), 3 parições em 2 anos (IP 8 meses) e 5 parições em 3 anos (IP 7,2 meses - sistema Cornell STAR).

Com a redução do intervalo de partos de 12 para 8 meses há um incremento de 50% na quantidade de animais disponíveis para abate, incluindo cordeiros e ovelhas de descarte. Por sua vez, quando o IP é reduzido de 12 para 7,2 meses, os ganhos são da ordem de 66%, havendo um incremento de 11% quando o IP é reduzido de 8 para 7,2 meses.

Em relação aos sistemas tradicionais onde o intervalo de partos é igual ou superior a 12 meses, os sistemas de parição que buscam um IP inferior ou igual a 8 meses viabilizam a produção anual de um maior número de cordeiros, otimizam a utilização dos reprodutores, produzem mais gerações em um menor período e promovem uma maior rentabilidade.

Quando o rebanho de cria é dividido e manejado na forma de lotes ao longo do ano pode-se reduzir o total de capital investido ou imobilizado na atividade, uma vez que é possível diminuir o número de reprodutores no rebanho e dimensionar instalações menores para as fases de recria e terminação de cordeiros. Além disso, permite uma oferta regular de animais para abate, distribui melhor as receitas ao longo do ano, otimiza o trabalho da equipe operacional da empresa e reduz os riscos inerentes à produção.

Assim, a redução no intervalo de partos é mais uma estratégia potencial, do ponto de vista de eficiência reprodutiva para elevar a produtividade dos sistemas de produção em sua expressão final, ou seja, taxa de desfrute.

No próximo artigo, estaremos abordando a prolificidade sob a mesma perspectiva.

Para comentários e dúvidas, utilize o box abaixo.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

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DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 06/01/2010

Olá Pedro,

Essa seria outra alternativa, inclusive quando se utiliza as embalagens plásticas comumente usadas para envase de leite fluido ou bebidas lácteas. Você poderia usar essas embalagens plásticas e vedá-las por meio de um selador por calor.

De qualquer forma, se os recipientes de plástico forem apropriados para congelamento de alimentos (e apropriado para uso em micro-ondas) em geral, os problemas em relação à reação calor X plástico podem ser nulos ou imperceptíveis.

Muito obrigado por sua participação!!

Atenciosamente,

Daniel
PEDRO MAGIOLO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 06/01/2010

Ola : Daniel gostaria de tirar uma outra duvida sobre pasteurização ?
Se eu pasteurizar o leite já embalado em recipientes de plastico já esterezizado,
em banho maria á 65 graus p/ depois resfriar e congelar.
Este processo pode deixar algum vetigio de contaminação do proprio plastico no leite devido o aquecimento ?
Antecipadamente : Obrigado.
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 05/01/2010

Olá Pedro,

Para armazenamento do leite produzido você pode estar utilizando potes de vidro ou recipientes de plástico, de preferência os potes de vidro. Esses materiais devem passar por um processo de esterilização em água fervente por 10 minutos, sendo depois resfriados em temperatura ambiente com a boca do recipiente virada para baixo.

Quanto ao leite, você deve coá-lo (para retirada de pêlos e outras sujidades) e colocá-lo em uma panela larga e não muito funda. Leve ao fogo médio-baixo (no fogão a gás) até que o leite atinja a temperatura de 65oC, mexendo levemente para homogeinizar a temperatura (você deve adquirir um termômetro adequado para isso). Uma vez atingido os 65oC, mantenha o processo por no mínimo 30 minutos (pasteurização lenta) e depois coloque o leite nos recipientes esterilizados e leve a geladeira (a 4-5oC) até que resfrie completamente. Depois disso, você pode levá-los ao freezer ou congelador. Uma vez congelado, o leite pode ter um tempo de conservação de até 4 meses.

Uma outra alternativa é ferver o leite por 10 minutos, resfriá-lo e congelá-lo. No entanto, esse processo irá alterar algumas características nutricionais, físicas e químicas do leite.

Atenciosamente,

Daniel
PEDRO MAGIOLO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 03/01/2010

Bom dia : Estou iniciando agora em Caprinocultura tenho 20 animais produzindo leite meu maior problema agora é o apreitamento do leite, como á produção é ainda pequena, deixo á maior parte do tempo as crias apreitarem nas mamadas.
Pretendo embalar o leite em recipientes de 500ml e congelar p/ fornecimento p/ amigos e parentes até adiquirir novos conhecimentos, e equipamentos.
Como faço isso de maneira artesanal ?

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