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E os preços dos insumos?

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2012

4 MIN DE LEITURA

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Recentemente publiquei nesta coluna o artigo Mais que ouro! (para ler, clique aqui), em que demonstrei que o preço do leite ao produtor cresceu mais que o preço do ouro, o ativo que mais valorizou em 2011, para espanto de muitos leitores. Agora, vamos completar a análise e pesquisar o comportamento dos preços do insumos. Será que eles cresceram também mais que o ouro?

Para entender o que está pressionando os custos de produção, vamos analisar o comportamento dos preços de cada um dos grupos que compõem a estrutura de custos. Todos nós sabemos que o salário mínimo vem subindo mais que a inflação, ano a ano. Esta política começou ainda no Governo Fernando Henrique Cardoso e foi intensificada nos Governos Lula e Dilma. Isso acabou demonstrando que não fazia sentido aquele argumento sempre presente durante décadas, que dizia ser impossível dar ganhos reais ao salário mínimo pois haveria crescimento da inflação. Ao contrário, o crescimento do poder de compra do salário mínimo, juntamente com outras políticas de transferência de renda, como o bolsa família, foi vital para estimular a manutenção da economia brasileira aquecida e preservou o emprego dos trabalhadores e o lucro dos empresários.

Pois o custo da mão de obra cresceu 10,5% entre janeiro e dezembro de 2011. Portanto, cresceu acima da inflação, mas bem abaixo do crescimento do preço recebido pelo leite. Em igual período, o concentrado teve comportamento similar e acumulou um aumento de 12,8%. A figura 1 mostra o comportamento dos preços mês a mês.

Figura 1. Comportamento dos preços de Mao de Obra, Concentrado e do Leite ao Produtor em números índices. Brasil. Janeiro a Dezembro de 2011.


Fonte: Embrapa Gado de Leite (preços de Insumos) e Cepea/USP (preço de leite)

Energia e Combustível são itens de custos que não oscilam livremente no Brasil. Energia tem preços reajustados por índices de inflação, seguindo acordo contratual. Já os combustíveis tem os preços administrados e a variação fica na dependência do interesse do Governo em segurar preços para controlar inflação. Em 2011, o preço do petróleo oscilou muito, mas a Petrobrás não repassou esta oscilação para o consumidor. Tudo isso levou o seguimento Energia e Combustível a apresentar uma variação acumulada de 10,0% em doze meses e o comportamento dos preços foi uma reta, como mostra a Figura 2. Também os gastos com sanidade subiram e bastante! Em doze meses a variação acumulada foi de 15,4%, um pouco abaixo da variação acumulada pelo preço do leite, enquanto que o Sal Mineral apresentou tendência vertiginosa de crescimento de preços desde abril, fechando o ano com preços elevados em 17,6%. Portanto, os preços do Sal Mineral acumulou variação igual à elevação verificada nos preços do leite.

Figura 2. Comportamento dos preços de Energia e Combustível, Sanidade e do Sal Mineral em números índices. Brasil. Janeiro a Dezembro de 2011.


Fonte: Embrapa Gado de Leite (preços de Insumos) e Cepea/USP (preço de leite)

Os custos com Reprodução, Produção de Volumosos e com a Qualidade do Leite acumularam crescimento superiores ao preço do Leite ao Produtor. Custos com Reprodução cresceram mais que o preço do leite em dez dos doze meses, atingindo o acumulado de 27,1%. Já a Qualidade do Leite ficou onerada em 31,9%, enquanto que o volumoso acumulou elevação de custos de 41,4%. O comportamento destas três categorias de custos estão apresentadas na Figura 3.

Figura 3. Comportamento dos preços de insumos usados em Reprodução, Qualidade do Leite e Produção de Volumosos e Leite ao Produtor em números índices. Brasil. Janeiro a Dezembro de 2011.


Fonte: Embrapa Gado de Leite (preços de Insumos) e Cepea/USP (preço de leite)

Em essência, vimos que dois dos principais insumos em termos de peso no custo de produção tiveram comportamento favorável ao produtor, pois os preços cresceram abaixo do preço do leite. Refiro-me ao preço da Mão de Obra e do Concentrado. O mesmo comportamento tiveram os preços de Combustível e Energia. Já os preços de Sal Mineral e de produtos utilizados com cuidados com Sanidade fecharam o ano de 2011, acumulando crescimento praticamente igual ao preço do Leite ao Produtor. Por outro lado, os custos com Reprodução, Qualidade do Leite e Volumoso suplantaram em muito o crescimento do preço do Leite ao Produtor.

Os dados apresentados não permitem afirmar que quem produziu leite perdeu dinheiro em 2011. Nem que os custos engoliram a receita. Afinal, cada um obteve o seu preço e o impacto de cada item no custo de produção varia de propriedade para propriedade. Ademais, os itens que menos subiram são de grande peso no custo. Já os que mais subiram tem peso restrito, excetuando-se Volumoso. Então, o correto é você conhecer o seu custo de produção. A partir daí, é muito fácil conhecer o peso de cada item no seu custo total, o que permitiria você criar um indexador próprio para a sua fazenda e conhecer a inflação do seu leite em particular. Mas, uma coisa é certa. Todos os gráficos demonstraram que começando este ano com margens menores que as experimentadas no início do ano passado.

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WALDIR BRASIL SANTIAGO

ITATINGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/04/2012

--DEMAGOGIA À PARTE,TEMOS QUE SER RADICAIS E OBJETIVOS.PRODUZIR LEITE
NESTE PAÍS REQUER UM JOGO DE CINTURA VIOLENTO.SÓ SOBREVIVERÃO QUEM
TIVER UM APURADÍSSIMO TINO COMERCIAL.
--OS PREÇOS AO PRODUTOR NA MELHOR DAS HIPÓTESES COM UM VALOR PARA
EVITAR O FECHAMENTO DA FAZENDA QUANDO,APESAR DE TUDO HOUVER SI-
-TUAÇÃO DE SUSTENTABILIDADE PRODUTIVA.
--CONFORME DITO PELO PAULO MARTINS CADA UM TEM O SEU GRÁFICO,POREM
MELHOR QUE ISSO É A SENSIBILIDADE ADMINISTRATIVA DE CADA UM.ESPERAR
QUE UM DIA VAMOS TER A BONANZA É CRIAR UM FACTÓIDE,IMAGINAR QUE VAMOS
SER RESPEITADOS É SE ILUDIR QUE UM DIA COLOCAREMOS PREÇOS NO LI-
-TRO DE LEITE.
JOSÉ MAURÍCIO GOMES

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/04/2012

A conta é simples:
1) Se a propriedade em questão é agricultura familiar, o dinheiro que entrou foi para a sobrevivência da familia de quem trabalha no ramo
2) Se a fazenda é profissionalizada, ou seja, o dono tem funcioñários para tirar o leite, com certeza ele no máximo empatou.

Em ambos os casos as multinacionais do setor que exploram o produtor ganharam dinheiro.
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/03/2012

Prezado Alccio,

Este é um importante assunto, que tem merecido atenção das lideranças. concordo com você.
ALCIO AZAMBUJA DE AZAMBUJA

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 27/03/2012

Há outro tema importante, antigo, mas que retorna inexoravelmente à mesa de debate, que são as importações e de novo quem sabe as triangulações
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/03/2012

Prezado João Teofilo,

Obrigado pelo envio da mensagem. Em resumo, cada propriedade tem a sua própria estrutura de custos, o que significa dizer que os itens de custos tem pesos diferenciados em cada propriedade. Por exemplo, mão de obra pode pesar de 10% a 40% no custo da produção de leite de uma propriedade, ou até mais... Então, não é possível afirmar que alguém ganhou e perdeu dinheiro com leite em 2011 somente olhando pelo comportamento dos preços dos insumos. É necessário verificar o peso de cada item e multiplicar pela variação de cada item.
Por outro lado, afirmei que o ano de 2011 terminou com os preços dos insumos em curva crescente, sinalizando o as margens do produtor estavam ficando mais estreitas. Esta afirmação valem também para a industria, se considerarmos os gráficos de outro artigo que aqui publiquei, o "mais que ouro"...
JOAO TEOFILO PARAIBA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/03/2012

Prezado Dr Paulo,
Sou fã incondicional de seus artigos!
O Sr foi brilhante na conclusão do seu artigo, quando fala que "os dados apresentados não permitem afirmar que quem produziu leite perdeu dinheiro em 2011. Nem que os custos engoliram a receita. Afinal, cada um obteve o seu preço e o impacto de cada item no custo de produção varia de propriedade para propriedade".
Excelente Conclusão!
Mas me ajude a entender um pouco a choradeira do mercado!
O Sr comentou que "uma coisa é certa. Todos os gráficos demonstraram que começamos este ano com margens menores que as experimentadas no início do ano passado".
Esse comentário acima é para o produtor de leite e não para a Industria ne?
Porque o comprador do meu leite só fala nisso para mim, que não dá para aumentar o preço esse mês porque as margens estão apertadas, que o preço do leite pago para mim nesse inicio do ano esta mais caro que o ano passado e os produtos (leite UHT, Leite em Pó), não subiram, etc...
Já não sei em que acreditar nesse mercado do leite Dr Paulo.
Espero que me ajude a entender essas conversas de mercado...
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/03/2012

Caro José Humberto,

Este é um ótimo e oportuno assunto para artigos futuros!
JOSÉ HUMBERTO ALVES DOS SANTOS

AREIÓPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2012

Olá Paulo
Tivemos debates aquí sobre o custo de mão de obra e sobre os benefícios do Bolsa Família que alavancaram o crescimento da renda.
Hoje os jornais estampam manchetes sobre os 100milhões de pessoas na classe média.
Fico satisfeito que voce, um técnico de altíssimo nível e isento em suas análises, reconheça a conexão de renda, aumento do consumo e como consequência preço do leite.
Agora temos que discutir as "proteções" do mercado.
Voce sabe, sou contra a reserva de mercado; vivemos no passado o tabelamento do preço do leite em contrapartida da reserva de mercado.
Por favor nos ajude a não cair novamente nessa armadilha.
A qualidade de seu pronunciamento é inegável.
Abraços
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/03/2012

Olá Guilherne,

Obrigado pela saudação.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2012

Prezado Paulo: Até que enfim, você retornou a seus ensinamentos, imprescindíveis para o desenvolvimento da pecuária leiteira nacional. Já estávamos ficando enferrujados pela sua longa ausência (rsrsrs).
Parabéns pela nova lição. É por estes fatores que o controle rigoroso de custos, cada dia mais, se nos apresenta como a maior de todas as ferramentas para o desempenho financeiro e econômico da propriedade, não se podendo olvidar de que este é um dos esteios do profissionalismo dentro da atividade.
Numa propriedade bem controlada, dificilmente levamos sustos com as variações mercadológicas e podemos ter, sempre, bons resultados finais.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
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