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Dietas aniônicas: resultados positivos na prática

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/09/2000

4 MIN DE LEITURA

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José Roberto Peres

O que acontece com as vacas secas na sua fazenda? Elas são colocadas num pasto no fundo da fazenda pra que "se virem" sozinhas? Ou você as trata como um investimento para o futuro?

No último artigo desta seção (Estudo avalia efeito de dietas aniônicas em vacas e novilhas pré parto), foram apresentados os resultados de um experimento com dietas aniônicas para vacas pré parto. Este artigo traz os resultados de uma fazenda comercial que adotou a tecnologia.

A fazenda é localizada no Texas (EUA) e vinha apresentando um número significativo de vacas recém paridas com problemas. Encabeçando a lista estava a alta incidência de retenção de placenta. Além disso, embora a febre do leite não fosse alta neste rebanho, todas as vacas com três ou mais lactações recebia uma aplicação oral de cálcio logo após o parto. Uma conferência da dieta das vacas secas demonstrou que ela estava corretamente balanceada.

Para trabalhar o problemas da retenção de placenta, uma decisão foi tomada no sentido de se aumentar o espaço de cocho, numa tentativa de diminuir a competição. As novilhas foram agrupadas num lote diferente. Por algum tempo o rebanho ficou dividido em vacas secas distantes e pré parto, mas os problemas persistiram.

Decidiu-se então por fornecer uma dieta com balanço cation-aniônico (BCA) negativo para as vacas pré-parto. Isto beneficiaria as vacas secas.

Cátions são íons com carga positiva, e ânions são íons com carga negativa. O fornecimento de dietas com BCA negativo auxilia a controlar a incidência de febre do leite clínica e subclínica, bem como da síndrome da vaca caída (definida como uma vaca que não expulsa a placenta em tempo adequado e não come e produz leite como deveria no início da lactação).

Em Agosto de 1999, uma dieta aniônica passou a ser fornecida para as vacas pré parto. Uma vez que as novilhas de primeira cria estavam num grupo separado, elas não receberam a dieta aniônica. Inicialmente, a dieta foi formulada de acordo com as recomendações básicas de níveis de minerais (1,2% de cálcio; 0,44% de fósforo; 0,4% de magnésio; 0,15% de sódio; 1,33% de potássio; 0,74% de cloro e 0,37% de enxofre). A formulação foi feita pelas recomendações padrão para ânions limitantes, primeiramente cloro, devido a possíveis problemas de ingestão.

Embora esta dieta tenha proporcionado um BCA de -3,3 {[(Na/0,023)+(K/0,039)]-[(Cl/0,0355)+(S/0,016)]}, as vacas nesta dieta não atingiram o pH da urina desejado. O pH foi em média de 7,9, não 6 a 6,5, conforme recomendado. Numa tentativa de diminuir este pH da urina, foram feitas mudanças adicionais na dieta para que se atingisse um BCA final de -20,2 (aumentou-se o cloro para 1,07% e o enxofre para 0,56% - os demais minerais permaneceram constantes). Em uma semana, o pH da urina destas vacas foi de 6,5 em média. O pH passou a ser monitorado semanalmente e ajustes são feitos quando necessário.

Os níveis de vitamina E para as vacas recém paridas eram baixos, embora as pré parto recebessem 1000 UI de vit. E por vaca por dia (mudança também feita no final de Agosto).

Em Outubro, pareceu que as mudanças estavam fazendo efeito, já que o número de retenções de placenta tinha caído tremendamente. Os níveis de cálcio no sangue também estavam altos. Baseado nestes resultados o fornecimento do cálcio oral foi interrompido.

A figura 1 mostra o nível de retenção de placenta em vacas com duas ou mais lactações neste rebanho, de fevereiro de 1999 a fevereiro de 2000. Os primeiros sete meses foram anteriores à dieta aniônica. Os seis últimos meses demonstram o sucesso das alterações.

No início de Dezembro, os sais aniônicos foram acidentalmente removidos da dieta. Ocorreu um imediato aumento na incidência de febre do leite e retenção de placenta. O aumento cessou tão logo os sais aniônicos foram incluídos à dieta das vacas pré-parto. Cerca de metade de todos estes casos ocorridos em Dezembro ocorreram quando as vacas estavam sem os sais aniônicos e alguns poucos dias após sua reintrodução. Portanto, o nível em Dezembro teria sido grosseiramente a metade daquele apresentado na figura 1, se os sais não tivessem sido acidentalmente omitidos.

 

Figura 1



Comentário Milkpoint: Estes dados "de campo", concordam com as pesquisas atuais sobre o assunto e colaboram para a recomendação de dietas aniônicas para vacas (adultas) no período pré parto. Posso dizer que tenho pelo menos três experiências semelhantes em fazendas brasileiras (com vacas a pasto), onde o índice de retenção de placenta caiu drasticamente após a introdução de uma dieta aniônica. A adoção de um grupo pré parto também permite outros ajustes na dieta (maior nível de vitamina E; inclusão de niacina; teores de carboidratos solúveis), que também contribuem para melhor desempenho pós parto.

fonte: Jordan, E. R e Stokes, S. R., 2000. Pampering dry cows pays dividends. Hoard’s Dairyman, August 10. Pag. 510.

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