O primeiro passo para iniciar um processo de compostagem de carcaças é procurar um profissional que possa adequar o manejo da compostagem às características da propriedade. Além disso, durante a fase inicial de adaptação do processo, um técnico pode orientar sobre os sinais que representam falhas na compostagem e recomendar as soluções.
O apoio de um profissional que trabalhe com compostagem não representará altos custos, já que sua assessoria será essencial somente para a implantação do processo.
O segundo passo é a escolha de um local para a construção da unidade de compostagem. O local ideal deverá ser alto, seco, de fácil acesso em todas as estações do ano, e que tenha espaço suficiente para manobrar tratores que serão usados para trazer as carcaças e, posteriormente, retirar o material produzido.
O local escolhido, também deverá ser afastado da área onde ficam os animais do rebanho. Outra característica, que deve ser observada é questão ambiental, sendo que a unidade de compostagem deverá ficar distante de nascentes. As Secretarias de Agricultura ou do Meio-ambiente de cada região, possuem a orientação sobre a distância exigida para as nascentes e lençol d'água.
O terceiro passo é dimensionar a unidade de compostagem de acordo com a taxa de mortalidade do rebanho. Desta forma, é possível ter uma idéia aproximada, de quantas carcaças serão colocadas por ano na unidade de compostagem. Lembre-se de considerar animais de todas as faixas etárias (bezerros, novilhas, vacas).
No início do processo, a área ocupada por cada carcaça é aproximadamente do tamanho do animal vivo. Serão também acrescentados os materiais usados como fonte de carbono (no caso, a maravalha). Todavia, as carcaças que serão colocadas na parte superior da pilha irão comprimir as camadas inferiores, onde se encontrarão as carcaças em compostagem e as já compostadas.
O ideal é que a altura das pilhas seja, no máximo, de 1,80 metros. A largura da unidade de compostagem deve ser, de aproximadamente, 4,00 à 4,50 metros e o comprimento será de aproximadamente 6 metros (dependendo do tamanho e do número de animais).
Lembre-se que as portas de acesso devem ser largas o suficiente para permitir a entrada de tratores. O piso da unidade de compostagem é um outro fator de grande relevância, deve ser feito de concreto (para garantir o fácil acesso do maquinário e impedir a penetração de líquidos que possam contaminar o lençol d'água). Além disso, o caimento do piso deverá ser de 2 à 3%. Um material que oferece um bom detalhamento sobre a construção da área para compostagem pode ser encontrado na Internet no seguinte endereço www.mwpshq.org.
O manejo da compostagem deve ser iniciado com as primeiras carcaças sendo depositadas sobre uma camada de 30 à 50 centímetros de maravalha. A maravalha é utilizada no processo como uma fonte rica de carbono (sua relação C/N é de 140:1). A relação C/N regula o processo de compostagem, e as carcaças possuem grande quantidade de água e de nitrogênio. Depois, sucessivamente, cada carcaça é colocada na pilha e coberta com maravalha, formando camadas. As carcaças podem ser empilhadas até uma altura máxima de 1,80 metros.
O manejo pode parecer complexo, à princípio, mas na realidade envolve uma seqüência de práticas muito simples e ao alcance da compreensão dos funcionários da fazenda. Destaca-se ainda, o fato do processo de compostagem ser independente do uso de energia elétrica ou combustível; um processo de fluxo contínuo, independente do momento em que o óbito ocorra na fazenda; e ainda, o fato de ser modulável de acordo com a dimensão do rebanho.
Sendo a compostagem um procedimento biotecnólogico, controlado pelo homem, durante o processo podem ocorrer problemas na fase de oxidação ou na fase de maturação. Cada sintoma indica um tipo de erro no manejo, que pode ser corrigido acertando detalhes como a umidade, a qualidade da maravalha e a higiene do local.
Neste momento, o técnico no assunto é muito importante para treinar o funcionário e adequar o funcionamento da compostagem. Os principais sintomas de imperfeições no processo são: problemas com a temperatura (dificuldade de atingir ou de manter a temperatura); maus odores; surtos de moscas, problemas com animais escavadores.
Resumindo, pode-se relacionar que os custo do processo de compostagem estão associados à implantação do método, que consiste na construção de uma pequena estrutura, na assessoria de um técnico e no treinamento do funcionário que irá manejar o processo. Com base nestas informações, e considerando a importância da sustentabilidade da atividade, a compostagem destaca-se como uma apropriada solução para a questão ambiental e para a biosegurança do rebanho.
Referência Bibliográfica:
"On-farm Composting Handbook" Northeast Regional Ag Engineering Service/Cooperative Extension Service (NRAES-54). Oregon Department of Environmental Quality. www.mwpshq.org.
Sandeen, A.; Gamroth, M. Composting - An Alternative for Livestock Manure Management and Disposal of Dead Animals. http://extension.oregonstate.edu/catalog/html/em/em8825-e/
Whole animal composting of Dairy Cattle: http://www.cahe.nmsu.edu/pubs/_d/D-108.pdf ou em http://www.dairybusiness.com/western/Nov01/NovWDBcompost.htm
Composting: A Treatment Alternative for Dairy Cattle Mortalities http://www.agnr.umd.edu/AGNRnews/Article.cfm?&ID=4071&NL=1
Bley, C.J. Compostagem de Carcaças e outras mortalidades suínas "Destino de carcaças de suínos mortos: compostagem a alternativa ideal?" XI Congresso Brasileiro de Veterinários Especialistas em Suínos, p.110-117, outubro de 2003.
U.S. Composting Council: http://www.compostingcouncil.org/index.cfm
Compostagem: como eliminar as carcaças do rebanho? - parte 2
Publicado por: Renata de Oliveira Souza Dias
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Renata de Oliveira Souza Dias
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