Como tirar vantagem dos atuais preços do leite

É inegável que estamos vivendo um momento muito especial na atividade leiteira. Os preços do leite pagos ao produtor atingiram preços impensáveis alguns meses atrás. Na região Centro Oriental Paranaense (bacias leiteiras de Arapoti, Carambeí, Castrolanda e Witmarsum), para produtores de leite com grande volume e adequada qualidade e composição do seu leite, o preço pago ao produtor subiu de R$0,50-0,55/L em janeiro para R$0,90-0,95/L neste mês de setembro.

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Introdução

É inegável que estamos vivendo um momento muito especial na atividade leiteira. Os preços do leite pagos ao produtor atingiram preços impensáveis alguns meses atrás. Na região Centro Oriental Paranaense (bacias leiteiras de Arapoti, Carambeí, Castrolanda e Witmarsum), para produtores de leite com grande volume e adequada qualidade e composição do seu leite, o preço pago ao produtor subiu de R$0,50-0,55/L em janeiro para R$0,90-0,95/L neste mês de setembro.

Embora o pico máximo no preço já parece ter sido atingido, e o preço do leite pago ao produtor já esteja caindo alguns centavos, os especialistas confirmam que os preços irão diminuir, mas irão se manter num patamar significativamente mais alto do que as médias históricas observadas. Como mencionado pelo colega Marcelo Pereira de Carvalho, em artigo publicado na semana passada aqui mesmo no MilkPoint, tudo leva a crer que estamos diante de um novo patamar de preços de lácteos no mundo.

Não me aventuro a afirmar qual será o ritmo da queda nos preços do leite pagos ao produtor e em qual patamar os preços se estabilizarão. Certamente há especialistas muito mais habilitados para fazer tais previsões. Mas tomo a liberdade de sugerir algumas dicas para aproveitar ao máximo este momento de ouro que a pecuária leiteira está vivendo...

Dicas

Procure a produção de leite marginal na sua fazenda

Os litros de leite mais baratos a serem produzidos são os próximos 2 a 3 litros que cada vaca pode produzir. Já que os custos fixos estão cobertos, os únicos custos associados com esta produção extra são alguns custos variáveis (principalmente alimentos).

Sempre devemos lembrar que uma vaca de 30 litros/dia é mais eficiente (energeticamente falando) que duas vacas de 15 litros/dia, já que no primeiro caso temos que atender somente uma demanda por mantença.

Considere a possibilidade de usar somatotropina bovina no seu rebanho

Certamente esta dica é exclusiva para os rebanhos de maior produtividade, visto que a dose do produto está entre R$15,00 e R$18,00/dose, e teremos que diluir este custo (e as despesas extras com alimentação) nos 14 dias de intervalo entre aplicações.

O mais interessante desta ferramenta é que o aumento na produção de leite é quase que imediato e, em casos de queda nos preços do leite, a suplementação com somatotropina bovina (bST) pode ser interrompida também bruscamente.

Recomendamos esta suplementação em vacas com, pelo menos, 70-80 dias pós-parto e estas vacas devem ter um escore de condição corporal (ECC) mínimo, porque parte da resposta em produção de leite adicional é oriunda da mobilização das reservas de tecido adiposo, portanto, vacas já magras têm menor potencial de resposta ao bST.

Lembrar que as vacas não respondem de forma homogênea à suplementação com bST (e algumas simplesmente não respondem...) e, portanto, é importante mensurar individualmente a resposta ao bST.

Use aditivos de comprovada eficácia

Há um número considerável de aditivos como tamponantes, suplementos de gordura, ionóforos, leveduras, biotina, etc., em que há consideráveis evidências científicas de boa relação custo:benefício. O uso destes aditivos já era recomendado em épocas de menores preços do leite, mas agora suas indicações são ainda mais seguras, particularmente em rebanhos que estão suplementando elevadas quantidades de concentrados.

Considere a possibilidade de ordenhar 3 vezes ao dia

Se o seu rebanho já tem uma produção superior a 25 kg/vaca/dia, ao mudar de duas para três ordenhas diárias, você observará um aumento imediato de 3-4 litros/vaca/dia. Com os atuais preços do litro do leite, mesmo considerando os custos adicionais com alimentação e mão de obra, esta produção adicional normalmente supera estas despesas extras.

Mas é importante salientar que, assim como na suplementação com somatotropina bovina, a produção adicional de leite pelo aumento na freqüência de ordenha tem o seu preço: vacas ordenhadas 3x ao dia perdem mais escore de condição corporal e este escore deve ser recuperado no estádio final de lactação; do contrário, a produção de leite na lactação seguinte será comprometida!

Componentes do leite

Esta dica é particularmente importante para os produtores que tem o seu preço de leite definido por um sistema de pagamento de leite por qualidade. Neste caso devemos tentar maximizar a produção sem que haja o comprometimento dos teores de gordura e de proteína. Ou seja, de nada adianta produzir um maior volume de leite com menores teores de componentes, se a indústria penalizá-lo por esta menor composição.

Para os produtores de leite que não recebem por qualidade, níveis de gordura no leite um pouco mais baixos (3,1-3,2%G) do que os usuais 3,4-3,5%G podem significar maiores produções e podem ser aceitos.

Percentuais de gordura abaixo de 3,0%, mesmo para estes produtores que não recebem por qualidade, não são desejáveis porque junto com este reduzido teor de gordura geralmente observamos uma maior incidência de distúrbios metabólicos (tais como acidose e laminite) que comprometem a saúde, o bem estar e a longevidade da vaca leiteira.

Mantenha suas instalações lotadas

Tenha certeza que suas instalações estão lotadas ou até mesmo permita um pouco de sobrepopulação (até 10%), desde que você não esteja sacrificando a produção. Isto permite você diluir os custos fixos da atividade em um maior número de unidades de produção (vacas) e, assim, reduzir seu custo total de produção.

Mantenha suas vacas confortáveis e minimize os efeitos do estresse calórico

O verão rapidamente se aproxima. Neste início do mês de setembro, mesmo aqui no Paraná, as temperaturas já estão beirando os 30oC. Certamente estes próximos meses serão quentes e limitarão a produção de leite. Devemos tentar reduzir estas perdas adotando práticas de manejo e nutricionais que amenizem o estresse calórico, especialmente se suas vacas são Holandesas ou de outras raças européias.

Práticas de manejo para reduzir o estresse calórico não são necessariamente estratégias caras e de difícil adoção por produtores menos tecnificados. A simples instalação de sombrites nos piquetes e de bebedouros na pré-ordenha podem amenizar o estresse calórico.

Produza e forneça forragens de alta qualidade

Vacas alimentadas com forrageiras grosseiras e de baixa digestibilidade não conseguem manifestar todo o seu potencial produtivo porque simplesmente não conseguem comer o que precisam.

Forragens de alta qualidade, com teores não excessivos de fibra detergente neutra (FDN) e lignina, permitem maiores consumos de matéria seca e, por consequência, maiores produções de leite.

Mensagem final

Fazer o melhor uso possível dos seus recursos financeiros é tão importante agora que os preços do leite estão altos quanto no momento em que os preços estiverem baixos. Agora é a hora de preparar o seu negócio para os próximos períodos difíceis que certamente virão. Fazer isto pode significar a diferença entre sobreviver ou não na atividade leiteira.

Também percebemos no noticiário dos últimos dias tentativas de vilanizar o leite, a carne bovina e outros produtos agropecuários por um aumento momentâneo dos índices de inflação. Ministros já nos ameaçam com discursos de possíveis reduções nas taxas de importação dos lácteos. Mesmo acreditando que esta ameaça é de difícil implementação (afinal o preço do leite subiu no muito inteiro), a hora é de afirmarmos que os preços do leite subiram sim, mas tão somente alcançaram o patamar justo que um alimento tão nutritivo e saudável mereceria permanecer!

Leitura Complementar

Hilty, B.J. How to take advantage of high milk prices. Hoard's Dairyman. August 25, 2007. Página 567.
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Material escrito por:

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Ivon Correa
IVON CORREA

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/04/2008

Prezado professor.

Quero felicitá-lo pela clareza do texto e pela contribuição em informções que o mesmo nos trás. É lógico que sempre haverão de surgir controvérsias sobre qualquer artigo que escrevamos, cabe ao leitor filtrar e agregar a informação útil a sua realidade, uma vez que não devemos jamais estar ligados a uma única fonte de informação.

Tenha certeza que que ficamos ansiosos no aguardo de novos artigos.
Lucas Antonio do Amaral Spadano
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/04/2008

Obrigado pela atenção e pela rápida resposta. Estarei acompanhando outros artigos elaborados pelo Senhor.
Obrigado e um abraço
Rodrigo de Almeida
RODRIGO DE ALMEIDA

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 27/03/2008

Prezado Lucas Antonio do Amaral Spadano

Obrigado pelos seus elogiosos comentários em relação ao meu artigo. Não tenho muito a dizer mas concordo com as suas ponderações a respeito do uso da somatotropina bovina e de alguns (ótimos) subprodutos como o caroço de algodão e a polpa cítrica.

Embora este meu artigo tenha sido publicado sete meses atrás, acredito que o tema abordado volta a ser pertinente agora, já que os preços são crescentes e há uma ótima perspectiva para os próximos meses. Em algumas regiões do Paraná o preço do leite pago ao produtor será de R$0,85/L a partir de 1o. de abril.

Mas infelizmente reconheço que os custos com alimentação também subiram bastante nos últimos 6 meses, o que deverá limitar um pouco a renda sobre o custo com alimentação.

De qualquer forma, volta a ser importante conhecer algumas opções de "como tirar vantagem dos atuais preços do leite."

Abraços e novamente obrigado.

Prof. Rodrigo de Almeida
Lucas Antonio do Amaral Spadano
LUCAS ANTONIO DO AMARAL SPADANO

GOUVÊA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/03/2008

O artigo é muito bom, meu comentário é tardio em relação à polêmica levantada, mas a minha experiência com o BST é positiva ao extremo, bem como com os subprodutos também, claro, algumas vacas não respondem totalmente, mas aquelas que respondem bem à somatotropina, não aumentam tão somente 3 ou 4 litros, é até mais importante frisar, que retomam a produção perdida após já estarem prenhes novamente e com algum acréscimo.

Caroço de algodão e polpa cítrica fazem parte da dieta rotineira em minhas propriedades. Aliás, Minas Gerais se utiliza de tais subprodutos e outros, há muito tempo, talvez até mesmo por isso, produzimos atualmente, mais que todos os outros estados, sem bairrismos e sem querer diminuir nenhum deles.

Parabéns Dr. Rodrigo.

Um abraço.
Romulo César Alves da Silva
ROMULO CÉSAR ALVES DA SILVA

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 18/09/2007

Ótimo artigo Rodrigo, essas são as considerações que sempre exponho aos meus clientes. Interpretando-as e colocando seus prós e contras, sempre chegamos a um acordo visando um aumento de produção.
washingtonserafim@yahoo.com.br
WASHINGTONSERAFIM@YAHOO.COM.BR

JUAZEIRO - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 17/09/2007

Muito bom o artigo, claro e objetivo nas suas recomendações.

Gostaria de maiores informações sobre a relação entre aumento do leite e consumo percapita atual.

Washington Serafim.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Washington

Obrigado pelos comentários pertinentes ao meu artigo.

Sobre sua pergunta sobre a relação entre o aumento no preço do leite e o consumo per capita atual, reconheço que não sou a pessoa mais qualificada para respondê-lo. Mas pelo que tenho lido não houve um aumento significativo no consumo per capita de lácteos no mercado interno brasileiro, que justificam esta aguda elevação dos preços do leite. Pelo contrário o consumo per capita brasileiro está estabilizado nos 135 litros/habitante/ano.

Parece que um dos principais fatores que contribuíram para esta elevação de preços foi o aumento no consumo per capita de lácteos em vários países asiáticos, em particular a China. Comentam que os chineses "aprenderam" a tomar leite e esperamos que esta tendência seja irreversível, o que deverá colocar o leite e seus derivados num novo patamar de preços.

Abraços e me desculpe em não respondê-lo de uma maneira mais efetiva.

Prof. Dr. Rodrigo de Almeida
Departamento de Zootecnia - Universidade Federal do Paraná

<b>Resposta de Washington:</b>

Caro professor Rodrigo,

Fico lisonjeado pela presteza e velocidade da resposta ao meu questionamento, atendido em parte pela sua explicação.

Parece-me que surge uma oportunidade para os nossos especialistas da área verificar até que ponto, os programas sociais do governo tem contribuido para aumento do consumo per capita, especialmente no Nordeste.

Creio que a elevação do preço do leite terá sustentabilidade necessária, a partir do momento em que o consumo per capita evolua como resultado da mudança de hábito alimentar e da melhoria do poder aquisitivo das camadas mais baixa da população.
Quem sabe o MilkPoint não pode estimular pesquisa neste sentido?

Obrigado.

Washington Serafim
Veterinário
Consultor FAEB-SENAR/SEBRAE
Marius Cornélis Bronkhorst
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/09/2007

Prezado Rodrigo,

Nós nos conhecemos já há algum tempo, por esta razão condeno o seu artigo. Para um produtor ineficiente e com baixas produções e que não sabe por qualquer razão que seja produzir forragem na altura e nessecidade do seu rebanho - não falando em forragem de primeira qualidade jamais deve lançar mão de BST - BST é ilusão, pois nenhum animal produz leite ou carne de vento, tudo tem seu custo incluzive BST, ou simplificandoem nomes comercias.

Desejamos que nosso rebanho seque os passos dos rebanhos americanos que trabalham com descartes de 30% ou mais, essas ferramentas são que nem bisturi, quem não aprende a usá-la, se corta e muito bem.

Sobre tamponantes e sub produtos também tenho algo a dizer, gordura protegida vendida por aí e as que eu conheço são de péssima qualidade, não recomendáveis a ninguém. Subprodutos só de perto e com certificado de análise bromatológica resente. Não se aventure em subprodutos tão pouco de vendedores e ou revendas não conceituados e conhecidos profissionalmente.

Não pude me segurar para dar este comentário, pois nem sempre uma produzão de 30 litros por vaca dia é melhor do que 27 litros, pois isto depende de cada produtor e a possibilidade do último lucrar mais que o primeiro é muito bem possivel.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Sr. Marius Bronkhorst

Inicialmente obrigado pela sua participação. Mesmo não concordando com a maioria dos seus comentários, respeito seu ponto de vista.

Também gostaria de compartilhar com todos os leitores do MilkPoint que o Sr. Marius Bronkhorst é um dos melhores produtores de leite que tenho a oportunidade de trabalhar. Com aproximadamente 225 vacas em lactação em 3 ordenhas diárias, o rebanho do Sr. Marius tem uma média de 35,0 kg/vaca/dia (evidentemente sem uso de bST), com 3,40% de gordura e 3,05% de proteína. Com este comentário, quero frisar o respeito pelos seus anos de experiência e sucesso na atividade leiteira.

Sobre seus comentários sobre o eficácia do uso de somatotropina bovina (bST), quero frisar que este produto foi um dos mais testados pela indústria leiteira nas últimas décadas. Há centenas de trabalhos científicos que comprovaram seu efeito no aumento na produção de leite. Acho que o senhor não pode negar este fato. Pelo que entendi do seu comentário, o senhor questiona o uso de bST por produtores que acreditam que a somatotropina é uma pílula mágica, e os 3-4 litros/dia de aumento na produção de leite seriam gratuitos.

Também concordo com este ponto e deixei bem claro este conceito no meu artigo. Ou seja, vacas leiteiras não respondem uniformemente a suplementação com bST e boa parte deste incremento na produção é fruto da mobilização das reservas de tecido adiposo da vaca leiteira. Em outras palavras, vacas suplementadas com bST emagrecem rapidamente e perdem escore de condição corporal (ECC) para subsidiar este aumento na produção de leite. Portanto minha recomendação é que a suplementação com bST deve ser interrompida várias semanas antes da secagem para que o escore de condição corporal seja recuperado (ECC ideal a secagem = 3,25) e a produção de leite na lactação seguinte não seja comprometida.

Vacas suplementadas com bST são descartadas mais precocemente do que vacas não suplementadas? Não há um consenso nos trabalhos que eu consultei, mas talvez o senhor tenha razão. Mas meu ponto é que este descarte mais precoce é fruto do aumento na produção de leite e não de um efeito direto e negativo da somatotropina.

Em outras palavras, toda vaca de alta produção está sob maior risco de ser descartada e este é um preço que temos que pagar por todas as práticas de seleção, de manejo e de nutrição que implementamos para aumentar a produção de leite. O grande desafio do produtor de leite de hoje é aumentar a produção de leite do rebanho, sem sacrificar o desempenho reprodutivo, a sanidade e a longevidade do seu plantel.

Já sobre seus comentários sobre tamponantes definitivamente tomo a liberdade de discordar! O uso de tamponantes em dietas com alta proporção de concentrados é uma das práticas de maior relação custo:benefício na alimentação de vacas leiteiras. Por um custo de R$0,15-0,18/vaca/dia (200 g de bicarbonato de sódio) podemos amenizar a grande quantidade de ácidos produzidos por uma vaca suplementadas com 8, 10, 12, ou até 15 kg de concentrado. Os efeitos da acidose ruminal podem ser devastadores num rebanho leiteiro.

Já seus comentários sobre gordura protegida são compreensíveis porque há boas e não tão boas fontes de gordura protegida no mercado. Pelo custo desta suplementação (R$0,45-0,50/vaca/dia), concordo que o uso deste produto deve ser questionado. Mas para lotes de vacas de alta produção em rebanhos também de alta produção (ou seja, vacas com produções superiores a 35-40 L/vaca/dia) acredito que a suplementação com gordura protegida é praticamente inevitável!

Como atender as exigências energéticas de mantença e de produção de uma vaca leiteira de alta produção (40 ou mais megacalorias por dia!)? Uma boa silagem de milho (alta digestibilidade e boa proporção de grãos), níveis adequados de amido na dieta (24-25%) e a suplementação de oleaginosas (como o caroço de algodão) são as primeiras tentativas, mas muitas vezes não são suficientes para atender esta alta demanda energética! E uma boa fonte de gordura protegida pode "fechar" esta quantidade de energia que falta!

Por fim seus comentários sobre subprodutos; mais uma vez não posso concordar com seu ponto! Como fechar uma dieta de vaca leiteira hoje, sem lançar mão de subprodutos? Fechar uma dieta de vaca leiteira hoje somente com milho grão e farelo de soja (que estão subindo cada vez mais) é proibitivo. Talvez esta seja a grande aptidão da vaca leiteira: produzir proteínas de alto valor biológico como a caseína às custas de forragens e subprodutos que não podem ser utilizados na nutrição humana e nem mesmo na alimentação de aves e suínos.

Subrodutos como caroço de algodão, casca de soja, polpa cítrica, resíduo de cevada e outros são ingredientes que entram muito bem nas formulações de vacas leiteiras e nos ajudam a manter as dietas a custos menores e competitivos.

Por fim quero deixar bem claro que meus comentários são estritamente técnicos e acadêmicos e não tenho NENHUM interesse comercial em qualquer produto direta ou indiretamente mencionado no meu artigo.

Mais uma vez obrigado por compartilhar seus comentários com os leitores do MilkPoint e me desculpe pela longa resposta.

Prof. Dr. Rodrigo de Almeida
Departamento de Zootecnia - Universidade Federal do Paraná

<b>Resposta de Marius:</b>

Prezado Rodrigo e leitores do MilkPoint,

Agradeço a resposta, mas sendo assim tenho direito a uma replica....

Primeiro não posso nem devo duvidar da ciência, pois sem ela não seríamos o que nós somos hoje; a ciência e a pesquisa são ferramentas importantes nos dias de hoje numa fazenda de altas produções, mas deixo aqui registrado meus argumentos e espero ser úteis para quem ainda está em dúvida sobre BST.

Estudos cientificos e bolso de produtor são coisas bem opostas e devem ser bem analisados antes de qualquer tomada de desição.

Custos de BST

1- uma aplicação a cada 14 dias custando R$ 15.00 com um custo de R$ 1.071 sem cálculo de mão-de-obra, pois para padronizar a produção divide-se os animais em dois lotes para toda a semana ter aplicações a fazer.

2- aumentando a produção em 3 litros vaca dia a R$ 0.80 temos uma renda momentânea de R$ 2.40.

3- o custo destes 3 litros são R$ 1.071 do BST, mais R$ 0.55 de custo direto do leite, então 3 x R$ 0.55 = R$ 1.65 mais o custo do BST, chegando num total razoável de R$ 2.721, tendo assim um deficit de R$ 0.321, não tendo calculado o aumento do descarte e nem os partos gemelares.

Isto que é a diferença do trabalho cientifico e o bolso do produtor. Ao contrário do uso do BST, meu trabalho hoje é manter os patamares de produção diminuindo o descarte para aumentar em 30 dias a permanência dos animais no rebanho, pois seu custo já foi pago, resultado:

30 dias x 225 aimais x 30 litros são 202500 litros de leite a mais sem custo de reposição

x R$ 0.80 = R$ 162000,00 subtraindo seu custo de R$ 0.55 o litro = R$ 111375,00 tendo assim um saldo credor de R$ 50625,00

O saldo negativo do BST é de 3 litros/vaca/dia a R$ 0,321 = R$ 0,963 por vaca/dia negativo = 70% do rebanho em produção ativa é de 157,5 animais em tratamento, resultando por dia R$ 151,67 x 180 dias em tratamento = R$ 27300,60 negativos...

Quanto aos subprodutos eu tenho a reconhecer que tem produtos economicamente viáveis pra serem usados na propriedade, mas continuo a frizar análise bromatológica; mas antes de tomar uma decisão analise a forragem da propriedade, pois este ainda é e será por muito tempo, sendo bem feito a materia prima mais barrata, pois comforme a distância o frete custa mais de 25% do subproduto,
tornando-o, assim, inviável para a maioria ds nossos produtores....

Espero assim que eu cosiga esclarecer tecnicamente meu ponto de vista de produtor...

Atenciosamente
Marius Bronkhorst
Milton Tadeu Barrozo Gamborgi
MILTON TADEU BARROZO GAMBORGI

GASPAR - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/09/2007

Estamos evidenciando um momento que merece toda a nossa atenção, pois os preços ao consumidor estrapolaram muito o preço pago ao produtor.

Quando começar o recuo dos preços para patamares mais reais, eu temo que nos tornemos reféns das indústrias, que tentarão a qualquer custo manter esta margem de lucro. Portanto, vamos ficar atentos, pois teremos que nos mobilizar e negociar para a mantença do preço do leite nos patamares atuais, pois o custo de produção está em disparada.

Parabéns pelo artigo muito oportuno.
Rogerio Eduardo de Souza Junior
ROGERIO EDUARDO DE SOUZA JUNIOR

PASSOS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 12/09/2007

Ótimo artigo, sucinto e muito bem escrito. Parabéns, e o que os produtores sigam seus conselhos.
Umberto Macedo
UMBERTO MACEDO

FRUTAL - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/09/2007

Estou começando na atividade leiteira. Por isso me cadastrei neste site tão importante que nos informa e nos orienta para uma melhor produção. Estão de parabéns pelo conteúdo. Sempre tive em mente este pensamento:

"No mundo dos negócios todos são pagos em duas moedas: dinheiro e experiência. Agarre a experiência primeiro, o dinheiro virá depois."
Harold Geneen

Abraço a todos.
Umberto Macedo
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