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Brucelose ovina: diagnóstico, controle e tratamento

POR FRANCISCO LOBATO

E RONNIE ANTUNES DE ASSIS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/12/2006

3 MIN DE LEITURA

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No primeiro artigo sobre este tema (Brucelose ovina ou Epidimite dos carneiros. Clique aqui para ler), discorremos sobre a epidemiologia, patogenia e sinais clínicos da brucelose, bem como suas conseqüências econômicas. Neste artigo abordaremos aspectos práticos de como diagnosticar a doença, seu controle e tratamento.

Diagnóstico: colheita de amostras

Para o diagnóstico preciso de um caso de brucelose, deve-se levar em consideração uma boa colheita de amostras. A seguir são descritos alguns aspectos em relação à esta colheita de amostras.

As amostras devem ser colhidas e acondicionadas em sacos plásticos em seguida congeladas e transportadas sob refrigeração 4ºC, providenciando a chegada até o laboratório mais próximo no período máximo de 72 horas.

Carneiro: a colheita do sêmen deve ser realizada com auxilio de vagina artificial. No caso do carneiro não ser treinado, recomenda-se o uso de eletroejaculador e coleta do material na cavidade prepucial com auxilio de zaragatoas.

Pode-se ainda adotar a monta natural, que consiste em deixar o carneiro introduzir e ejacular na cavidade vaginal de uma ovelha em cio e em seguida coletar o sêmen da cavidade vaginal e acondicionar em frascos previamente esterilizados.

A cavidade prepucial é um local que normalmente é colonizado por bactérias oportunistas, recomenda-se também uma higienização, primeiramente se faz corte dos pelos próximo ao óstio do prepúcio, seguido de uma lavagem da cavidade com salina e a secagem externa do local com papel toalha.

Ovelha: deve ser realizada uma higienização do úbere e das tetas para coletar-se o leite. É importante que sejam descartados os primeiros jatos e que seja colhido de cada metade um volume de 10 a 20 ml.

No laboratório, o leite deve ser centrifugado a 2000 rpm por um período de 15 minutos, tendo cuidado de manter os frascos fechados Desta forma, evita-se a disseminação de aerossóis, o sobrenadante (creme) e o sedimento devem ser semeados em meio sólido em porções separadas da placa.

Caso for utilizar amostras oriundas de subprodutos como por exemplo queijo e derivados deve-se proceder tratamento diferenciado de acordo com as recomendações do Manual de Métodos Microbiológicos Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

No caso da morte do animal, ou aborto, sob suspeita de brucelose, é também importante proceder a necropsia logo após a morte dos animais. A seguir são descritos alguns dos materiais de eleição conforme o animal acometido.

Carneiro: epidídimo, vesículas seminais, linfonodos ingüinais, esplênico, pré-femural, pré-escapular e testicular.

Ovelha: placenta, secreção uterinas, leite e linfonodo supra-mamário.

Feto abortado: conteúdo do estômago, pulmão.

Diagnóstico: exames laboratoriais

Análises laboratoriais devem ser realizadas para confirmar a doença, sendo empregados métodos direto e indiretos.

Método direto: isolamento da Brucella ovis a partir de amostras de sêmen, tecidos, descargas vaginais e leite.

Métodos indiretos: empregam-se diferentes testes sorológicos, dentre os quais:

Teste de imunodifusão em ágar gel (IDGA):

É o teste amplamente utilizado no Brasil e consiste em utilizar antígeno composto de proteínas e lipolisacarídeos, extraídos de B. Ovis amostra Reo 198.

A leitura do teste deve ser realizada com base no soro padrão, observando-se as linhas de precipitação. As reações observadas usualmente são negativa e positiva.

Reação negativa : Não há linhas de precipitação entre o antígeno e os soros do teste

Reação positiva: Há formação de linhas de precipitação entre o antígeno e os soros do teste. A seguir está representado um esquema de um exame de IDGA (Fig. 1).

Figura 1. Esquema de colocação dos soros suspeitos (2, 3 , 5 e 6), soro padrão positivo (1 e 4) e antígeno (A) na roseta.


Teste de ELISA:

Utilizado principalmente nos Estados Unidos da América, principalmente na fase de erradicação da doença nos rebanhos, no entanto, não permite diferenciar anticorpos vacinais dos de doença.

Controle

Um dos primeiros objetivos no controle é identificar animais positivos, para evitar que a doença se espalhe rapidamente no plantel de carneiros e ovelhas. Deve-se proceder o isolamento dos ovinos por meio da formação de dois rebanhos, o primeiro de carneiros e ovelhas jovens sorologicamente negativos e o segundo de carneiros e ovelhas adultas formado por animais suspeitos.

Os animais infectados com sorologia positiva e sinais clínicos compatíveis, devem ser abatidos em frigorífico com inspeção oficial e deve-se realizar colheita de material para análise laboratorial.

A vacinação é recomendada para fêmeas jovens com 2-3 meses de idade, principalmente em rebanhos nos quais a prevalência é alta. A vacina produz boa proteção e níveis de anticorpos persistentes no soro, entretanto não deve ser aplicada em ovelhas prenhes e em lactação.

Tratamento

São indicados antibióticos de longa ação, tais como, a oxitetraciclina na dosagem de 20 mg/kg de peso vivo de 24 em 24 horas durante 3 dias. Outra alternativa consiste na administração de dihidroestreptomicina na dosagem de 20 mg/kg de peso vivo, por via intramuscular, de 12 em 12 horas por um período de 3 a 4 dias.

Deve-se também levar em conta que em uma população de ovinos com epididimite, podem ocorrer enfermidades causadas por uma variedade bactérias oportunistas como por exemplo: Actinobacillus, Haemophilus, Moraxella e Pasteurella spp.

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ROGÉRIO MACHADO PEREIRA

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL

EM 11/05/2013

pergunto se existe vacina preventiva para brucelose ovina?
MARIA DO SOCORRO DOS SANTOS

RECIFE - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 24/05/2010

Tenho uma pequena criação de ovinos e de uns meses pra cá estamos registrando um grande número de ovelhas abortando e borregos nascendo fracos e morrendo em seguida, tivemos uma ovelha que entrou em trabalho de parto onde nasceram 5 fetos, porém todos morreram, os dois primeiros nasceram vivos mas muito fraco, deram alguns suspiram e morreram.
Tivemos recentemente duas ovelhas que tb abortaram, ou seja não nasce mas nenhum borrego.
Será que isso esta associado a um quadro de brucelose?
Obrigada,
Socorro Santos
CLODOALDO DA SILVA

CAMPO LARGO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/04/2010

Gostei das informações! Gostaria de saber se há um exame com reagente no qual posso realizar na própria propriedade? Se sim, é comercializado no Brasil?
ANTONIO ALVES VILELA DE QUEIROZ

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE

EM 28/10/2009

Gostei pois foi só aqui que eu encontrei tratamento
para brucelose em ovinos , eu só queria saber se
a B. abortus também acomete os ovinos .
obrigado !
PAULA LORENA G. SOUTO

GAMA - DISTRITO FEDERAL - ESTUDANTE

EM 14/09/2008

Só gostaria de ressaltar que a duração da antibioticoterapia deve respeitar o prazo de no mínimo de 7 dias e máximo de 15, ou continuar a administração do medicamento até 3 dias após o desaparecimento do último sintoma, visando não causar resistência bacteriana.
RONNIE ANTUNES DE ASSIS

MATOZINHOS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 31/01/2008

Prezada Sandra Renata Sampaio Salaberry,


Cita-se o uso de rev-1 para ovinos, mas não exite no país

Deve-se descartar os positivos
RONNIE ANTUNES DE ASSIS

MATOZINHOS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 31/01/2008

Prezado Ewerton A. Henrique,


-Deve-se descartar os animais do rebanho

-a vacina não é comercializada no país
EWERTON HENRIQUE

SOCORRO - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 18/01/2008

Olá ,parabéns aos autores. Posso tratar a brucelose em ovinos e deixá-los no rebanho? É que pra bovinos é recomendado o desacarte quando se tem caso de brucelose. Também gostaria de saber se a vacina de brucella ovis é comercializada no brasil, e se sim por qual empresa. Obrigado
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