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Brucelose e leptospirose em ovinos

POR JOÃO OTÁVIO BERNARDES RODRIGUES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2009

6 MIN DE LEITURA

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O mercado de ovinos está em franco crescimento movimentando milhões de reais no mercado pecuário nacional (RONCOLETTA, 2008) motivado, entre outros fatores, pelo aumento do consumo da carne que passou de 200g/habitante (1998) para 700g/habitante (2004) e consequentemente, com maior retorno financeiro para o criador, gerando um acréscimo de 30% do preço da carne para o produtor (DA COSTA, 2008).

Atualmente, encontra-se em fase de implantação no país, o Programa Nacional De Sanidade de Caprinos e Ovinos (PNSO) que foi aprovado pela Instrução Normativa nº 87 da Secretaria de Defesa Agropecuária, datada de 10 de dezembro de 2004. O qual têm por objetivo o controle e a erradicação das doenças de caprinos e ovinos, por meio de ações sanitárias e de vigilância epidemiológica definidas pelo Departamento de Defesa Animal (DDA) e executadas pelos serviços oficiais e médicos veterinários cadastrados (MAPA, 2008).

A epididimite dos carneiros encontra-se priorizada como uma das enfermidades que compõem o programa. O gênero Brucella apresenta uma afinidade seletiva pela espécie de hospedeiro que acomete. Pelo exposto, os ovinos são preferencialmente acometidos pela Brucella ovis, mas também são sensíveis a infecção pelas demais espécies de Brucella, principalmente a B. abortus e a B. melitensis que é exótica no Brasil. A Brucelose se caracteriza por ser uma doença infecciosa crônica, também denominada de Epididimite dos carneiros que se apresenta por vários graus de epididimite e orquite, como também, placentite, aborto com elevada mortalidade de cordeiros (Niilo et al. 1986, Homse et al. 1995, Baigún et al. 2000).

Atualmente, tem sido descrita em praticamente todos os países, onde se explora a ovinocultura, e é considerada uma das principais causas de perdas reprodutivas desta espécie animal, em decorrência da redução da fertilidade dos rebanhos (Pinochet et al. 1987, Homse et al. 1995) em Clementino et al. (2007). Poucos países possuem dados precisos sobre a prevalência da infecção por B. ovis, sendo de apresentação variável em diversos países. Clementino et al. (2007) encontraram uma prevalência de 5,57% de carneiros soropositivos pelo teste de imunodifusão em gel de agar (IDGA) e confirmados pelo teste de fixação de complemento (RFC). Diferentemente, dos resultados observados por Schäfer et al. (1997) e Marinho & Mathias (1996), que não encontraram animais reagentes na IDGA, sendo que estes últimos autores trabalharam com apenas 17,65% (151/850) de animais machos.

Magalhães Neto & Gil-Turnes (1996) observaram uma prevalência de 12,6% pela IDGA em carneiros no Rio Grande do Sul. No Estado de Pernambuco, Coleto et al. (2003) encontraram 16,25% de ovinos de ambos os sexos soropositivos na IDGA. Utilizando a mesma técnica, Silva et al. (2003), no Rio Grande do Norte, encontraram 35% dos carneiros reagentes, sendo que eles trabalharam apenas com 14 carneiros e 256 ovelhas, obtendo uma prevalência geral de 34%. No mesmo estado e utilizando a mesma técnica, Azevedo et al. (1999) referiram 11,3% de ovinos soropositivos.

A leptospirose não faz parte do elenco das enfermidades a ser controladas e erradicadas pelo PNSO, entretanto o conhecimento da sua ocorrência e dos principais sorovares que incidem na região noroeste do estado de São Paulo é de vital importância para se elaborar futuras estratégias de controle.

A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial que acomete animais domésticos, silvestres e o homem. Assume um caráter epidêmico em determinadas regiões, com maior freqüência em países tropicais e em desenvolvimento (Bharti et al, 2003), acarretando com isto sérios problemas sócio-econômicos.

As manifestações clínicas da leptospirose variam conforme a espécie animal, a susceptibilidade individual, a patogenicidade e a virulência do sorovar envolvido, (Venugopal, 1990, Macedo, 1991). Em ovinos e caprinos observam-se transtornos reprodutivos esporádicos e, eventualmente, quadro nervoso e respiratório (André-Fontaine, 1985; Giles, 1993).

Do ponto de vista epidemiológico, é importante o conhecimento das espécies animais que atuam como reservatórios, e quais os sorovares prevalentes em determinada área. Alguns sorovares apresentam certa eleição para algumas espécies, sendo assim chamados de hospedeiros primários, nos quais causam doença moderada com pequenos danos. Estes, ainda podem albergar a leptospira em seus túbulos renais, onde permanecem livres da ação dos anticorpos, e eliminá-las de forma intermitente pela urina por longos períodos (Cordeiro et al.,1981), atuando assim como fonte de infecção para o homem e outros animais .

O impacto da leptospirose em termos da saúde pública reflete-se no alto custo do tratamento dos seres humanos acometidos com letalidade da ordem de 5% a 20%. No entanto, quanto à saúde animal, as conseqüências dessa infecção são particularmente da esfera econômica, tendo em vista o envolvimento de bovinos, eqüinos, suínos, caprinos e ovinos, espécies animais produtoras de alimentos nobres como a carne, o leite, e ainda de produtos de interesse industrial, tais como a lã e o couro (Badke, 2001).

Em inquérito sorológico realizado no Rio Grande do Sul, Herrmann et al., (2004) observaram a presença de aglutininas anti-Leptospira spp. em 1360 amostras soros de ovinos, clinicamente sadios com mais de um ano de idade, criados extensivamente em 136 fazendas de 18 municípios. Das 1360 amostras de soros testados, 466 (34,26%) animais foram reagentes.

Pelo exposto, o conhecimento da soroprevalência de enfermidades relacionadas diretamente com a esfera reprodutiva e as condições sanitárias destinadas ao rebanho é de extrema importância para a saúde animal e pública.

Referencias:

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AZEVEDO S.S., ALVES C.J., ANDRADE J.S.L. & SANTOS F.A.. Prevalência deovinos reagentes à prova de imunodifusão em gel para Brucella ovis namicrorregião do Seridó do Rio Grande do Norte. Anais 4º Congr.Pernambucano Med.Veterinária, Recife, .269-270, 1999.

BAIGÚN R., CONIGLIARO A.S. & LUNA F. Aislamiento de Brucella ovis y controlde reaccionantes serológicos en epididimitis ovina. Vet. Argent.17(162):103-107, 2000.

BHARTI AR, NALLY JE, RICALDI JN, MATTHIAS MA, DIAZ MM, LOVETT M, LOVETT PN, GILMAN RH, WILLIG MR, GOTUZZO E, VINETZ JM. Leptospirosis: a zoonotic disease of global importance. Lancet Infect Dis. 2003; 3: 757-771, 2003.
CLEMENTINO I.J. ALVES C.J. ; AZEVEDO S.S.; PAULIN L.M., MEDEIROS K. A. Inquérito soro-epidemiológico e fatores de risco associados à infecção por Brucella ovis em carneiros deslanados do semi-árido da Paraíba. Pesq. Vet. Brás. 27: 4 137-143,2007.

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DA COSTA, R. L. D. Manejo Reprodutivo Intensivo de Ovinos. Noticiário Tortuga. Especial Ovinos e Caprinos Ed. Ano 53, p.47-48, Fev/Mar 2008.

HOMSE A.C., CASARO A.P. & CAMPERO C.M. 1995. Infertilidad em ovejas porBrucella ovis. Vet. Argent. 12(114):243-249, 1995.

MACEDO, N.A. Influência da via de inoculação sobre o estabelecimento e a evolução da leptospirose em hamster (Mesocricetus auratus) experimentalmente infectados com L. interrogans sorovar pomona. São Paulo, 1991, 45 p. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo.

MAGALHÃES NETO A. & GIL-TURNES C. 1996. Brucelose ovina no Rio Grande do Sul. Pesq. Vet. Bras. 16(2/3):75-79, 1996.

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JOÃO OTÁVIO BERNARDES RODRIGUES

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