Botulismo em pequenos ruminantes
O botulismo é uma intoxicação causada pela ingestão de uma neurotoxina produzida pelo <i>Clostridium botulinumn</i>. Antes de falar do botulismo propriamente dito, é importante ressaltar a diferença entre uma intoxicação e infecção, para que possamos entender como ocorre à contaminação dos animais e como deve ser feita sua prevenção.
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O botulismo é uma intoxicação causada pela ingestão de uma neurotoxina produzida pelo Clostridium botulinumn. Existem sete tipos de C. botulinum, classificados de A a G, de acordo com a produção de toxinas, sendo os tipos C e D e raramente A e B os responsáveis pela doença em animais (GARRITY, 2005).
O C. botulinum é uma bactéria anaeróbia estrita, ou seja, vive em locais onde não há oxigênio. A contaminação dos animais pode ocorrer devido à osteofagia, que é o habito dos animais ingerirem ossos encontrados nas pastagens, pela ingestão de alimentos contaminados com matéria orgânica em decomposição, ingestão de silos em más condições, cama-de-frango contaminadas com carcaças de animais mortos ou ingestão de água estagnada de lagoas ou poços contaminados.
Por se tratar de uma intoxicação, a velocidade de evolução e aparecimento dos sintomas clínicos estão diretamente relacionadas com a quantidade de toxinas ingeridas pelo animal, logo seu prognóstico também dependente desse fator. A doença pode ser dividida em quatro formas distintas (superaguda, aguda, subaguda e crônica), de acordo com a gravidade dos sintomas e do tempo de vida do animal (Ristic & McIntire, 1981).
Geralmente no início da doença os animais começam a apresentar algum grau de incordenação e ataxia, nesta fase dificilmente param de se alimentar.
Com a evolução da doença, surge um quadro de paralisia flácida, que pode ser mais comumente notado nos membros pélvicos e faz com que os animais permaneçam a maior parte do dia deitados em decúbito esterno-abdominal. Ao assumirem a posição de decúbito os animais começam a ingerir menos alimento devido à dificuldade de locomoção, o que leva a uma piora do seu quadro clínico.
Com o passar do tempo a doença continua avançando fazendo com que a paralisia progrida para os membros torácicos, pescoço, músculos da mastigação e deglutição, se tornando cada vez mais acentuada. Nesta fase o animal não consegue mais se alimentar, caminhar e raramente se mantém em decúbito esternal, ficando cada vez mais prostrado até que seu quadro evolua para a morte.
Os sintomas do botulismo podem demorar de algumas horas até dezoito dias para aparecer, mesmo após a retirada da fonte de intoxicação, variando apenas a severidade e velocidade de seu aparecimento, sendo de um a sete dias, dependendo da quantidade de toxinas ingeridas e da resistência do animal.
O diagnóstico da doença deve ser baseado na sintomatologia e histórico dos animais, levando em consideração as práticas de manejo sanitário e alimentação de cada propriedade no período. É de extrema importância a investigação de possíveis fontes de infecção como silos, alimentos armazenados de forma precária, ossos de outros animais na pastagem e fontes de água.
O tratamento do botulismo pode ser feito através de terapia de suporte com fluidoterapia, antibióticos a fim de evitar infecções secundárias e soroterapia específica com soro antibotulínico, porém esse tratamento muitas vezes não se justifica por se tornar muito dispendioso e apresentar baixo índice de sucesso. Antes de tratar um animal doente devemos sempre eliminar a fonte de intoxicação.
Por se tratar de um rebanho, a maior preocupação deve ser a saúde de todo o grupo, através da adoção de medidas preventivas. A prevenção do botulismo pode ser feita através de vacinação, correto armazenamento de rações e feno a fim de evitar materiais em decomposição, utilização correta do silo, tanto durante a "ensilagem" quanto "desensilagem" sempre mantendo o material coberto de forma adequada e desprezando pedaços com odor fétido ou enegrecido. Bebedouros e comedouros devem ser lavados periodicamente para remoção de sujidades e matéria orgânica em decomposição.
Referências bibliográficas
GARRITY, G.M. Bergey's manual of systematic bacteriology. 2.ed. Hardcover, 2005. 2816p.
Iveraldo S. Dutra, Jürgen Döbereiner, Ivan V. Rosa, at AL. Surtos de botulismo em bovinos no Brasil associados ingestão de água contaminada . Pesq. Vet. Bras. 21(2):43-48, abr./jun. 2001
LOBATO, F.C.F. et al. Botulismo causado pelo Clostridium botulinum tipo B. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.40, p.445-446, 1988.
LOBATO, F.C.F. et al. Potência de toxóides botulínicos bivalentes C e D produzidos e comercializados no Brasil. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v.20, n.1, p.35-38, 1998.
RISTIC, M.; McINTYRE, I. Diseases of cattle in the tropics. The Hague : Martinus Nijhoff, 1981. 662p
SANTOS, B.L. et al. Botulismo experimental em caprinos pela toxina tipo C. Pesq. Vet. Brás.,v.13, p.73-76, 1993.
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Material escrito por:
Felipe Monteiro Telles
Médico veterinário de São Paulo, residente em Dunsandel/Christchurch - Nova Zelândia. Herd manager na empresa Synlait Farms
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CAMPINAS - SÃO PAULO
EM 16/09/2020
Oque pode ser?
Si alimenta normal faz xixi e coco normal.
Obrigada.
Boa noite!

EM 26/01/2020

EM 27/06/2019

EM 01/12/2018

EM 23/11/2018
CANINDÉ - CEARÁ
EM 02/11/2018

EM 01/11/2018

EM 14/09/2018
EM 09/09/2018

EM 09/09/2018
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EM 16/08/2018
EM 28/07/2018

EM 09/07/2018
EM 03/04/2018
EM 31/03/2018

EM 20/03/2018
Estamos iniciando a criacao de carneiros e, em menos de um mes ja morreram 3 cabecas, todas gordas, principal sintoma o animal fica tremendo nao consegue mais se levantar.

OLINDA - PERNAMBUCO - OVINOS/CAPRINOS
EM 22/12/2017

TORITAMA - PERNAMBUCO - ESTUDANTE
EM 13/11/2017

SÃO SEBASTIÃO - ALAGOAS - ESTUDANTE
EM 15/10/2017