Análise dos coeficientes de desempenho técnico e econômico que caracterizam as Unidades Produtoras Benchmark na atividade leiteira (parte 3 de 4)

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Por Edna Menegaz1

3º Etapa

Análise dos coeficientes de desempenho técnico e econômico

Para avaliar o comportamento e a evolução dos indicadores benchmark, será realizada a análise dos principais coeficientes de desempenho técnico e econômico que caracterizaram as Unidades Produtoras benchmark nas três fases de análise do Sistema Benchmarking. Esta análise será realizada de acordo com os dados apresentados na tabela 1.1.

1 Sistema de produção intensivo confinado

Considerando os três anos de análise, observa-se que a área total do Condomínio Rural Cristal (CRC) passou de 79 ha, em 2000, para 64 ha, em 2004, o que representou uma redução de 19% da área total ao longo deste período. Analisando o percentual da área total destinada à atividade leiteira, verifica-se que, de 2000 para 2002, houve uma retração de 6,15 pontos percentuais, passando de 91% para 84,85%, respectivamente. Entretanto, o percentual da área total destinada ao leite aumentou 4,21% de 2002 para 2004, recuperando assim a redução ocorrida entre 2000 e 2002.

Durante o período de análise, observa-se que todas as variáveis, que expressam o potencial produtivo da exploração leiteira, obtiveram um desempenho crescente de 2000 para 2004, com exceção dos indicadores referentes à mensuração da produtividade da mão-de-obra. Em 2000, para cada trabalhador empregado na atividade eram produzidos 482 litros de leite/dia, enquanto que, em 2002, foram produzidos apenas 358 litros de leite/Eq. H./dia. A redução na eficiência da mão-de-obra ocorreu devido ao aumento no número de funcionários, haja vista que a produção diária de leite apresentou uma pequena variação durante este período. Já em 2004, houve um incremento na produtividade da mão-de-obra com relação ao ano de 2002, onde foram produzidos 414 litros de leite/Eq. H./dia. Este aumento na eficiência da mão-de-obra explica-se pelo significativo crescimento da produção diária de leite de 2002 (2.864 litros) para 2004 (3.309 litros). É importante destacar que, apesar de ter ocorrido uma recuperação do desempenho da mão-de-obra de 2002 para 2004, este incremento ainda não foi suficiente para superar a produtividade obtida em 2000.

Considerando a sazonalidade da produção nos três anos de análise, observa-se que, em 2000, a produção de leite foi 26,8% maior no período de safra. Segundo Krug (2001), o ineficiente manejo alimentar e reprodutivo do rebanho leiteiro colaborou para a obtenção deste elevado índice sazonal. Para reduzir a irregularidade da produção ao longo do ano, a UP decidiu investir no planejamento alimentar, bem como concentrar as parições nos meses de menor produção (março - junho).

Clique aqui e veja a tabela 1.1 - Indicadores dos coeficientes de desempenho técnico e econômico das Unidades Produtoras benchmark.

Estas ações auxiliaram a diminuir a sazonalidade da produção para 8,2% em 2002. O mesmo deveria ter ocorrido em 2004, mas devido à comercialização de 30 novilhas prenhas e, também, às altas temperaturas ocorridas no início do ano, a produção de leite no 1º semestre foi prejudicada e o índice sazonal aumentou para 23,08% neste ano.

A eficiência na utilização da área destinada ao leite pode ser analisada através da relação existente entre o número de Unidades Animais presentes na UP e a área efetivamente utilizada na atividade leiteira (UA/ha). Assim, analisando esta relação, observa-se que, de 2000 para 2004, a lotação das pastagens aumentou 58,62%, passando de 2,9 para 4,6 UA/ha. Este incremento também pode ser observado com relação ao número total de animais destinados ao leite, onde se obteve um crescimento de 8,37% neste mesmo intervalo de tempo. O aumento do rebanho leiteiro foi ocasionado pelo aumento no número de terneiras e novilhas, as quais obtiveram um crescimento de 33,73% entre 2000 e 2004. No entanto, este crescimento poderia ter sido ainda maior se não tivesse ocorrido, entre 2000 e 2002, a reposição de apenas metade do total de vacas descartas, além da comercialização, em 2003, de 30 novilhas prenhas que iriam parir em 2004.

Com a redução do total de vacas em lactação, a relação de vacas secas sobre o total de vacas apresentou uma pequena elevação, a qual passou de 13% (2000) para 14, 75% (2004). Entretanto, a idade do 1º parto e o intervalo entre partos permaneceram estáveis entre 2000 e 2002, ocorrendo uma melhoria destes indicadores em 2004 e, conseqüentemente, melhorando o manejo reprodutivo e produtivo dos animais.

Analisando o desempenho dos indicadores econômicos, observa-se que a atividade leiteira manteve-se rentável nos três anos de análise, obtendo um lucro médio de R$ 0,0327 por litro de leite comercializado (TABELA 1.2).

Tabela 1.2 Indicadores de desempenho econômico apresentados pelo Condomínio Rural Cristal em 2000, 2002 e 2004.

Figura 1

Por outro lado, verifica-se que, em 2002, a atividade obteve o pior desempenho quando comparado aos demais períodos de análise. Neste ano, o custo operacional total representou 88,7% da renda bruta, havendo um aumento de 1,7% em relação a 2000. Este aumento ocasionou uma diminuição de 52,56% do lucro, o qual passou de R$ 0,0215 em 2000 para R$ 0,0113 em 2002. O melhor desempenho da atividade leiteira foi alcançado em 2004, onde os indicadores econômicos, além de recuperarem as perdas ocorridas em 2002, superaram os ganhos obtidos em 2000. O lucro, que era de R$ 0,0215 em 2000, passou para R$ 0,0652 em 2004, atingindo um crescimento superior a 300% neste intervalo de tempo. Este aumento da lucratividade foi impulsionado pela expressiva redução do custo operacional total, o qual passou a representar 81,3% da renda bruta em 2004, havendo um decréscimo de 5,7% em relação a 2000.

1.1 Indicadores benchmark

Considerando, para uma mesma variável, os indicadores apresentados pelas três UPs benchmark durante todo o período de análise, verifica-se que o Condomínio Rural Cristal apresentou, em 2000, o melhor desempenho na utilização da área total, onde destinou 91% à atividade leiteira, e obteve o melhor índice de proteína do leite, com 3,25%.

Em 2004, destacou-se por apresentar a maior produção de leite/UP/dia, com 3.309 litros, além de obter a maior produtividade/vaca em lactação e a maior produção/total vaca/dia, com 30,76 e 26,22 litros, respectivamente.

2 Sistema de produção intensivo semiconfinado

A área total da Cabanha Bogorny apresentou pequenas oscilações durante o período de análise, havendo um aumento de 1,4 ha de 2000 para 2002 e uma redução de 0,8 ha de 2002 para 2004. Estas variações, apesar de irrelevantes, ocorreram em detrimento da área arrendada anualmente pela UP, uma vez que a área própria manteve-se estável durante os três anos de análise. Vale ressaltar que, ao longo do período de análise, não houve diferença significativa no percentual da área total destinada ao leite. Além disso, quando comparado aos demais sistemas de produção, observa-se que esta UP obteve o melhor percentual médio, com 89,16% da área total destinada à atividade leiteira.

A produção de leite/UP/dia apresentou um crescimento gradual entre 2000 e 2004, passando de 1.619 para 2.114 litros de leite, respectivamente. Este aumento da produção ocasionou um incremento da produtividade obtida por unidade de área utilizada na exploração leiteira e, também, um acréscimo da produção de leite/Eq. H./dia. A melhoria destas variáveis deve-se exclusivamente ao aumento da produção de leite/UP/dia, haja vista que o número de trabalhadores e o percentual da área total destinada ao leite permaneceram estáveis durante este período. É importante mencionar que o crescimento da produção de leite/UP/dia foi ocasionado pelo aumento no número total de vacas, uma vez que a produtividade, tanto das vacas em lactação como do total de vacas, apresentou uma pequena variação ao longo dos três anos de análise. O inexpressivo aumento da produtividade dos animais explica-se pelo incremento ocorrido no número de animais da raça Jersey entre 2000 e 2004, o qual passou de 7,79% para 24,7% do rebanho leiteiro, respectivamente.

Com relação a sazonalidade da produção de leite, observa-se que a produção desta UP sempre foi maior no período de safra. Em 2000, a produção comportou-se 14,65% acima da produção comercializada no período de entressafra. O mesmo pode ser observado em 2002, onde a produção foi 15,71% maior no período de safra. Este elevado índice sazonal justifica-se pelo manejo reprodutivo adotado pela UP, no qual grande parte das parições passam a ser realizadas nos meses de maior produção (setembro - dezembro). Este fato aliado à excelente disponibilidade de forrageiras ocorrida em 2004, contribuiu para o aumento da sazonalidade da produção de leite neste ano, a qual aumentou 9,41% em relação a 2002. Considerando a lotação das pastagens, observa-se que não houve diferença significativa desta variável ao longo dos três anos de análise. Além disso, quando comparado aos demais sistemas de produção, verifica-se que esta UP apresentou a melhor eficiência na utilização da área total destinada ao leite, obtendo uma lotação média de 5,38 UA/ha. O rebanho leiteiro apresentou um crescimento constante entre 2000 e 2004, onde o número total de animais destinados ao leite passou de 128 para 146 animais, respectivamente. A relação vacas secas/total de vacas apresentou uma pequena variação durante o período de análise, sendo o índice médio alcançado pela UP de 19,13%.

Além destas variáveis, o desempenho do manejo reprodutivo também pode ser observado através do número de doses de sêmen utilizado por prenhez. Este indicador contribui diretamente para a redução dos custos de produção, além de colaborar para a redução do intervalo entre partos e, conseqüentemente, para o aumento da produção de leite. Assim, constata-se que, de 2000 para 2002, foram utilizados 1,6 doses de sêmen por prenhez e, devido o aumento de 15% no número total de vacas, houve uma pequena alteração no intervalo entre partos, o qual passou de 415,2 para 416,2 dias, respectivamente. No entanto, observa-se que o melhor desempenho foi obtido em 2004, onde foram utilizados, em média, 1,3 doses de sêmen/prenhez e o intervalo entre partos foi reduzido para 409,5 dias.

O resultado dos cuidados despendidos com o manejo alimentar, reprodutivo e sanitário dos animais, reflete diretamente nos indicadores de qualidade do leite. Durante o período de análise, observa-se que os percentuais de gordura e proteína do leite sofreram pequenas alterações, enquanto que a Contagem de Células Somáticas (CCS) reduziu consideravelmente entre 2000 e 2004. Os indicadores médios obtidos pela UP, nos três anos de análise, encontram-se em 3,31% de gordura, 3,15% de proteína e 402,58 células/ml (CCS). Considerando o desempenho dos indicadores econômicos, observa-se que a Cabanha Bogorny, ao longo do período de análise, destacou-se por apresentar uma lucratividade superior àquelas apresentadas pelas demais UPs benchmark, obtendo um lucro médio de R$ 0,0836 por litro de leite comercializado (TABELA 1.3).

Tabela 1.3 Indicadores de desempenho econômico apresentados pelo Cabanha Bogorny em 2000, 2002 e 2004.

Figura 2

Tal desempenho justifica-se pela excelente produtividade obtida por unidade de área destinada à atividade leiteira. Analisando os três anos de análise, observa-se que a UP obteve uma produtividade média de 28.116 litros de leite/ha/ano, sendo este índice 65% superior àquele apresentado pelo sistema de produção intensivo confinado, o qual obteve uma produtividade média de 18.175 litros de leite/ha/ano (TABELA 1.1).

2.1 Indicadores benchmark

De acordo com os indicadores apresentados pelas três UPs benchmark, verifica-se que, em 2002, a Cabanha Bogorny, representante do sistema de produção intensivo semiconfinado, apresentou o melhor desempenho na lotação das pastagens, alcançando o índice de 5,71 unidades animais por hectare.

Em 2004, destacou-se por apresentar a maior produtividade por unidade de área destinada à exploração leiteira, com 31.367 litros de leite/ha/ano, e, também, por apresentar a melhor eficiência da mão-de-obra, produzindo 528,5 litros de leite /Eq. H./dia. Neste mesmo ano, aprimorou o manejo reprodutivo do rebanho leiteiro e, com isto, obteve o melhor índice de prenhez, utilizando 1,3 doses de sêmen/prenhez, e reduziu a idade média das novilhas ao parto para 23 meses.

Ainda em 2004, superou o desempenho das demais UPs benchmark e obteve a maior receita bruta por litro de leite produzido (R$ 0,6874/l), a maior margem bruta (R$ 0,1972/l) e a maior margem líquida (R$ 0,1597/l), além de alcançar o maior lucro na atividade leiteira com R$ 0,1211/litro de leite.

3 Sistema de produção intensivo a pasto

Devido à eliminação da área arrendada, a Agropecuária Puxiretê apresentou, de 2000 para 2002, uma redução de 16% na área total, passando de 44 ha para 37 ha, respectivamente. Já, em 2004, não houve alteração na área total da UP, a qual manteve-se estável quando comparada ao ano de 2002. Com relação à área destinada ao leite, observa-se que, de 2000 para 2002, esta área passou de 29,5ha para 23 ha, o que representou uma redução de 22% na área destinada à atividade leiteira. No entanto, de 2002 para 2004, houve um acréscimo de 32% na área total destinada ao leite, a qual passou de 23 ha para 30,33 ha. Ainda, dentre os três anos de análise, verifica-se que o ano de 2004, foi aquele em que a UP obteve um melhor aproveitamento da área total, uma vez que 81,97% desta área foi utilizada na exploração leiteira.

A produção de leite/UP/dia obteve um crescimento gradual durante o período de análise, sendo que o melhor desempenho foi alcançado em 2004, onde foram produzidos 1.264 litros de leite por dia. Quando comparado ao desempenho obtido em 2002, observa-se que houve um crescimento de 41% na produção diária de leite. O expressivo aumento da produção observado em 2004, justifica-se pelo incremento, ocorrido neste mesmo ano, no número total de vacas e na produtividade tanto das vacas em lactação quanto do total de vacas.

Mesmo com as oscilações ocorridas, durante os três anos de análise, no percentual da área total destinada à atividade leiteira, verifica-se que a produtividade obtida por unidade de área também apresentou um crescimento contínuo entre 2000 e 2004, a qual passou de 10.485 litros para 15.212 litros de leite/ha/ano, respectivamente. O mesmo pode ser observado com relação à eficiência da mão-de-obra, onde o melhor desempenho foi alcançado no ano de 2004 com uma produção de 316 litros de leite/Eq. H./dia.

A Agropecuária Puxiretê caracteriza-se primordialmente por manter a regularidade da produção de leite ao longo do ano. Em 2000, a produção da entressafra manteve-se 4,37% superior àquela obtida no período de safra. O mesmo pode ser observado em 2002, onde a produção da safra comportou-se 1,77% abaixo da produção obtida no período de entressafra. A obtenção deste excelente índice sazonal justifica-se pelo planejamento alimentar adotado pela UP, o qual contribui para que ocorra uma oferta equilibrada de forrageiras ao longo do ano, e, também, pelo manejo reprodutivo do rebanho leiteiro, onde as parições concentram-se, preferencialmente, no período de entressafra. O mesmo comportamento deveria ter sido observado em 2004, mas devido os problemas ocorridos no manejo reprodutivo dos animais, a produção da safra manteve-se 11,74% superior à produção obtida no período de entressafra.

Com relação à lotação das pastagens, observa-se que houve um aumento de 2000 para 2002, a qual passou de 2,2 UA/ha para 3,39 UA/ha, respectivamente. Já, em 2004, não houve diferença significativa desta variável quando comparada ao ano de 2002. Contudo, apesar do pequeno incremento ocorrido durante o período de análise, pode-se dizer que a lotação das pastagens ainda caracteriza-se pela baixa eficiência, uma vez que a realização de pesquisas tem comprovado a possibilidade de se manter 5 UA/ha sob o mesmo sistema de produção (FARIA, 2001).

O rebanho leiteiro apresentou, de 2000 a 2004, um crescimento de 49% no número total de animais destinados ao leite. Considerando que este incremento também pode ser observado sobre o número total de vacas, verifica-se que a relação de vacas secas sobre o total de vacas apresentou, de 2000 para 2002, uma pequena redução, a qual passou de 15% para 13%, respectivamente. No entanto, em 2004, não houve diferença significativa desta variável quando comparada ao ano de 2002.

Analisando as demais variáveis responsáveis pela mensuração do desempenho reprodutivo dos animais, observa-se que, de 2000 para 2002, houve uma melhoria significativa no índice de prenhez e, conseqüentemente, no intervalo entre partos. Entretanto, em 2004, devido os problemas ocorridos com a fertilidade dos animais, o índice de prenhez voltou a aumentar, sendo utilizado, em média, 2 doses de sêmen/prenhez. Este retrocesso contribuiu diretamente para o aumento do intervalo entre partos, o qual passou, neste mesmo ano, para 420 dias.

Com relação aos indicadores de qualidade, observa-se que os percentuais de gordura e proteína do leite apresentaram pequenas variações durante o período de análise, enquanto que a Contagem de Células Somáticas (CCS) reduziu expressivamente em 2004 quando comparados aos demais anos de análise.

De acordo com os indicadores econômicos apresentados pela Agropecuária Puxiretê, verifica-se que a exploração leiteira, assim como nos demais sistemas de produção, manteve-se lucrativa nos três anos de análise, obtendo um lucro médio de R$ 0,0512 por litro de leite comercializado (TABELA 1.4).

Devido à menor despesa com a alimentação dos animais e, também, ao uso exclusivo da mão-de-obra familiar, a UP destacou-se por apresentar, nos três anos de análise, o menor custo de produção. Traçando um comparativo com o sistema de produção intensivo confinado, observa-se que, mesmo obtendo uma receita bruta menor, o sistema de produção intensivo a pasto caracterizou-se por apresentar uma margem líquida maior, a qual permaneceu, em média, 41% acima daquela apresentada pelo sistema de produção intensivo confinado.

Tabela 1.4 Indicadores de desempenho econômico apresentados pela Agropecuária Puxiretê em 2000, 2002 e 2004.

Figura 3

3.1 Indicadores benchmark

Após a análise dos principais coeficientes de desempenho técnico e econômico, observa-se que a Agropecuária Puxiretê apresentou, em 2000, o melhor índice sazonal, onde a produção da entressafra manteve-se 4,37% superior àquela obtida no período de safra. Ainda, neste mesmo ano, obteve o melhor índice de gordura do leite (3,58%), além de apresentar o menor custo operacional efetivo (R$ 0,1777/l) e o menor custo operacional total (R$ 0,2361/l).

Em 2002, superou o desempenho das demais UPs benchmark e destacou-se por apresentar o menor intervalo entre partos (390 dias). Já, em 2004, obteve o melhor desempenho com relação à Contagem de Células Somáticas (CCS), sendo registrado, em média, 157.000 células somáticas/ml de leite.

4 Análise comparativa

De acordo com a análise realizada anteriormente, verifica-se que, dentre as três UPs benchmark, o Condomínio Rural Cristal destacou-se por apresentar a maior área total, sendo o índice médio apresentado pela UP de 69,67ha. No entanto, analisando o percentual da área total destinada à atividade leiteira, observa-se que a Cabanha Bogorny obteve o melhor aproveitamento, uma vez que 89,16% da área total foi utilizada na exploração leiteira.

Considerando a produção de leite/UP/dia, constata-se que o Condomínio Rural Cristal apresentou a maior produtividade média, com 3.022 litros de leite. Além desta variável, a UP também se destacou por obter a maior produção de leite/vaca em lactação/dia (27,73 litros) e a maior produção de leite/total vaca/dia (23,81 litros).

A maior eficiência na utilização da área destinada ao leite foi alcançada pela Cabanha Bogorny, a qual obteve, em média, 28.116 litros de leite/ha/ano. O mesmo desempenho pode ser observado com relação à eficiência da mão-de-obra, onde foram produzidos 475,5 litros de leite/Eq. H./dia, e, também, com relação à eficiência da lotação das pastagens, onde se obteve, em média, uma lotação de 5,38 UA/ha.

A Agropecuária Puxiretê, comparada aos demais sistemas de produção, destacou-se por apresentar a menor sazonalidade da produção de leite, uma vez que a produção da safra manteve-se, em média, apenas 1,87% acima daquela comercializada no período de entressafra.

Dentre as três UPs benchmark, observa-se que o Condomínio Rural Cristal apresentou o maior número de animais destinados ao leite, sendo o rebanho leiteiro composto por 224,67 animais. No entanto, não houve diferença significativa na relação vacas secas/total de vacas apresentada por esta UP e o sistema de produção intensivo a pasto.

Considerando o manejo reprodutivo dos animais, verifica-se que a Cabanha Bogorny, apesar de obter o melhor coeficiente de prenhez, apresentou o maior intervalo entre partos (413,63 dias), sendo o melhor desempenho obtido pela Agropecuária Puxiretê, a qual obteve, em média, um intervalo entre partos de 405 dias.

Analisando os indicadores de qualidade, obtidos pelas UPs benchmark nos três anos de análise, verifica-se que a Agropecuária Puxiretê apresentou o melhor percentual médio de gordura do leite e a menor Contagem de Células Somáticas. Enquanto que, a Cabanha Bogorny, destacou-se dos demais sistemas produtivos por apresentar o maior índice de proteína do leite.

De acordo com os coeficientes, de desempenho econômico, apresentados pelas três UPs benchmark, observa-se que a Cabanha Bogorny obteve, em média, a maior receita bruta por litro de leite produzido (R$ 0,5134/l). Esta performance contribuiu para que a UP atingisse a maior margem bruta e a maior margem líquida, além de obter o maior lucro na atividade leiteira com R$ 0,0836/litro de leite comercializado. Enquanto que, a Agropecuária Puxiretê, apesar de ter obtido a menor receita bruta média (R$ 0,4121/l), destacou-se por apresentar o menor custo de produção.

Na próxima etapa, será apresentado as considerações finais da pesquisa, bem como as limitações do estudo e as contribuições da técnica de benchmarking para o aprimoramento do setor primário da cadeia produtiva do leite.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Divisão de Planejamento e Política Leiteira da Avipal Alimentos S.A. Banco de dados. Pesquisa Benchmarking, 2005.

FARIA, V. P. de. Avanços e desafios em P & D no segmento da produção da cadeia agroalimentar do leite no Brasil. In: VILELA, D., BRESSAN, M. e CUNHA, A. S. (ed). Cadeia de lácteos no Brasil: restrições ao seu desenvolvimento. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2001.

KRUG, Ernesto Enio Budke. Sistemas de produção de leite: identificação de Benchmarking. Porto Alegre: Pallotti, 2001.

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1Edna Menegaz é mestre em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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