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Produção Mais Limpa (P+L) em laticínios e seus benefícios para a empresa

INDÚSTRIA

EM 15/06/2020

5 MIN DE LEITURA

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Autores do artigo:

Luiz Antônio Rocha, Lilian Bechara Elabras Veiga e Simone Lorena Quiterio de Souza, do
Instituto Federal de Educação, Ciência Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Departamento de Alimentos.

O setor de alimentos tem um papel relevante para a economia brasileira. Dentre as diversas indústrias que compõe esse setor da economia, destaca-se a indústria de laticínios. No Brasil, a indústria de laticínios é numerosa e diversificada, conta com empresas de pequeno a grande porte, desde produtores artesanais, cooperativas até grandes multinacionais.

Tem como matéria-prima principal o leite, que após processamento gera diversos derivados, como leite pasteurizado, queijos, manteiga, margarina, coalhada, iogurte, bebidas lácteas, requeijão, doce de leite, creme de leite, leite condensado, leite em pó, sorvete e outros, de elevado valor nutritivo, por ter grande quantidade de cálcio.

Em 2017, o Brasil registrou uma enorme produção de leite de quase 34 bilhões de litros, ocupando o 4o lugar mundial atrás, respectivamente, dos Estados Unidos, Índia e China, sendo as regiões sul e sudeste do país as principais produtoras.

A indústria de laticínios é definida pela pluralidade de produtos, e consequentemente, de linhas de produção, responsáveis pelo elevado consumo de recursos naturais (entradas - matéria prima, energia e água), e por gerar significativos impactos ao meio ambiente, devido a elevada geração de resíduos, efluentes e emissões atmosféricas (saídas), que podem espelhar uma parcela considerável dos custos de produção.

O consumidor, por sua vez, cada vez mais procura adquirir produtos com “qualidade ética”, isto é, um alimento com alta qualidade biológica, impacto ambiental mínimo, bem-estar animal e inclusão social.  Neste contexto, os tomadores de decisão, além do aumento da eficiência e da produtividade, vêm buscando instrumentos que possam auxiliar na redução e mitigação dos impactos ambientais associados aos produtos e processos.

De fato, recentemente, as indústrias de laticínios na busca de melhorar o processo produtivo, reduzir o uso de recursos naturais, reduzir a poluição gerada, aumentar a eficiência, a produtividade, mantendo a competitividade vêm buscado alternativas sustentáveis. Uma destas alternativas que vem sendo adotada é a Produção Mais Limpa (P+L).

A Produção Mais Limpa (P+L), é um instrumento de gestão ambiental que busca através da redução do uso de recursos naturais e da redução da poluição atingir benefícios econômicos, ambientais e sociais, ou seja, a sustentabilidade.

Segundo o SENAI, a Produção Mais Limpa (P+L) pode ser entendida como “a aplicação de uma estratégia técnica, econômica e ambiental integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem dos resíduos e emissões, com benefícios ambientais, de saúde e econômicos”.

Para a CETESB, o conceito de P+L poder ser resumido como “uma série de estratégias, práticas e condutas econômicas, ambientais e técnicas, que evitam ou reduzem a emissão de poluentes no meio ambiente por meio de ações preventivas, ou seja, evitando a geração de poluentes ou criando alternativas para que que estes sejam ou reutilizados ou reciclados.”

A P+L, adota o princípio da prevenção da poluição, onde é mais barato e eficiente prevenir danos ambientais do que tentar controlá-los ou remediá-los. Para tanto, é necessário o envolvimento de todas as pessoas que participam das atividades industriais, como os gestores, trabalhadores, fornecedores e os consumidores.

Para Nunes Jr., a P+L chega como uma inovação nas estratégias das empresas, mudando a maneira de pensar e agir, tendo como objetivo aumentar a eficiência na utilização de matérias-primas, água e energia e a minimização dos resíduos gerados, obtendo um ganho econômico e ambiental.

Para implementar um Programa de Produção Mais Limpa em uma indústria de laticínios, o primeiro contato dever ser com os gestores e tomadores de decisão, através de uma visita técnica. O comprometimento da alta direção da empresa é fundamental.  Através de uma análise técnica, econômica e ambiental planejada do processo produtivo, identificam-se oportunidades de promover sua melhoria, reduzindo o consumo de recursos naturais e os impactos ambientais associados. Destaca-se que a P+L pode ser implantada em indústrias de qualquer porte, e em qualquer setor produtivo.

Assim, sabendo que a indústrias de laticínios, no seu processo industrial, causam diversos impactos ambientais, é importante identificar esses impactos e minimizá-los através de medidas de controle e prevenção da poluição.  

Um Programa de P+L poderá ser implementado de forma integrada a outros programas adotados pelas empresas como o Sistemas de Qualidade, o Sistema Gestão Ambiental e o Sistema de Segurança e Saúde Ocupacional, e outros programas conforme demonstrado na Figura 1.

Figura 1 - Sistemas/Programas de Gerenciamento. Fonte: SENAI, 2003.

O Programa de P+L pode resultar em benefícios ambientais e econômicos para as indústrias de laticínios, que se concretizam na eficiência global do processo produtivo:

  • Eliminação dos desperdícios;
  • Minimização ou eliminação de matérias-primas;
  • Redução dos custos de produção;
  • Aumento da produtividade;
  • Diminuição de acidentes;
  • Redução de multas;
  • Melhoria da saúde e segurança do trabalhador;
  • Melhoria na imagem da empresa;
  • Os funcionários ficam mais conscientes da questão ambiental e da importância da preservação dos recursos naturais.

Muitas vezes os gestores e tomadores de decisão acreditam que, para implantar um programa da P+L, são necessários recursos financeiros elevados e novas tecnologias, quando, na realidade, grande parte da poluição gerada poderia ser evitada com a melhores práticas de operação e mudanças no processo produtivo, ou mesmo a substituição de insumos. A ausência de planejamento, resistência a mudança e ausência de equipe técnica capacitada também tem sido apontados como barreiras à implementação de um programa de P+L.

A busca pela sustentabilidade é crescente, e cada vez mais vêm impulsionando indústrias a incorporem as questões ambientais em seus produtos, processo produtivo e administrativo, se adequando às exigências da sociedade, do mercado e do governo. A P+L vai ao encontro de uma produção sustentável, resultando em ganhos ambientais, econômicos e sociais. Além da Produção Mais Limpa (P+L), outros instrumentos de gestão ambiental associados ao processo produtivo que vem sendo adotados pelas indústrias são a avaliação do ciclo de vida (ACV), a simbiose industrial (SI), o ecodesign e a rotulagem ambiental dos produtos.

Referências bibliográficas:

ADISSI, P.J.; PINHEIRO, FA. CARDOSO, R da S. Gestão Ambiental de Unidades Produtivas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

CETESB. Guia técnico ambiental da indústria de produtos lácteos. São Paulo: CETESB, 2006. Disponível em: www.cetesb.sp.gov.br

CNTL- Centro Nacional De Tecnologias Limpas, Série de Manuais de Produção Limpa. Porto Alegre, 2003.

CRUZ, A.G., ZARCACHENO, P.B., OLIVEIRA, C.A.F. CORASSIN, CH. Química, Bioquímica, Análise Sensorial e Nutrição no Processamento de Leite e Derivados. Coleção lácteos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. 304p.

JERÔNIMO, C. E., COELHO, M. S., MOURA, F.N., ARAUJO, A.B. Qualidade ambiental e sanitária das indústrias de Laticínios do munícipio de Mossoró-RN. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental, 7(7):1349-1356, 2012.

NUNES JÚNIOR, M.L. Aplicação de metodologia produção limpa em uma pequena empresa de laticínios. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-graduação em Engenharia de Alimentos. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 2002. 78 p.

SENAI. Implementação de Programas de Produção mais limpa. Porto Alegre: Centro Nacional De Tecnologias Limpas. SENAI-RS/UNIDO/INEP. 2003. 42p.

SEÓ, H.L.S., MACHADO FILHO, L.C.P., RUVIARO, C.F., LÉIS, C.M. Avaliação do Ciclo de Vida na bovinocultura leiteira e as oportunidades ao Brasil. Engenharia Sanitária e Ambiental, 22 (2):221-237, 2017.

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IARA

PATOS - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 17/06/2020

Boa noite. Gostaria de saber como posso adquirir se há algum material orientando sobre como devemos implantar essa produção mais limpa