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Brasil leiteiro de Sul a Norte - Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

POR ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

ESPAÇO ABERTO

EM 23/09/2014

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Para concluir a serie na região Centro Oeste vamos tratar neste artigo do MT e MS juntos.

A produção de leite nos dois estados é pequena. Conforme mostra a tabela abaixo, baseada nos dados do IBGE, 2012, o MT produziu 722 milhões de litros, com 2,2% da produção nacional, ocupando o 8° lugar no ranking dos estados, enquanto o MS produziu 524 milhões, com 1,6%, ficando no 13° lugar.

O crescimento da produção nos últimos 5 anos foi 10% e 6%, respectivamente, nos estados do MT e MS. Juntos cresceram apenas 8,2%. Para se ter uma referência, no mesmo período, o PR cresceu 40%.


Fonte: IBGE, 2012

Analisando a evolução da produção no período de 1990 a 2011, o MT cresceu 343%, enquanto o MS, apenas 129%.

A vocação para produção de leite nos dois estados é grande tendo em vista a abundante disponibilidade de pastagens tropicais e as boas condições para sua produção. Normalmente, o período de chuvas (outubro a abril) favorece a produção de pastos e volumosos para a suplementação no período seco (maio a setembro). Outra vantagem competitiva é o custo da terra e da mão de obra, que são mais baratos, quando comparados a outros estados.

O pasto predominante é a Brachiaria brizantha. A produção de volumoso para a suplementação na seca é muito incipiente. No Diagnóstico da Cadeia do Leite do MT, 2012, realizado pelo Sistema FAMATO, apenas 3,2% da área está sendo utilizada para a produção de reserva de alimentos com predominância da cana com 2,3%. O milho e sorgo ocupam 0,7% e a capineira, apenas 0,1%, conforme gráfico abaixo.


Fonte: Diagnóstico da FAMATO, 2012

A sazonalidade da produção é bastante elevada nos dois estados. Segundo o Diagnóstico, as cooperativas e as indústrias tiveram em 2011 um aumento de 40% e 65 %, respectivamente, na produção do período das águas. Isto se explica, principalmente, pela maior dependência das pastagens cuja produção varia significativamente ao longo do ano. O excedente da produção no período da safra “joga os preços para baixo” afetando o fluxo de caixa dos produtores.

Nestas regiões a suplementação com volumosos no período seco é essencial para a regularidade da reprodução, dos partos e, por consequência, da produção.

O rebanho nos dois estados tem ainda prevalência das raças zebuínas. Baseado nos dados do IBGE/PPM, com estimativa da Embrapa Gado de Leite, a produtividade média por vacas ordenhadas (totais) no MT e MS foram respectivamente 1.252 e 994 litros. A produção média diária por produtor é baixa. Em ambos os estados ela é de apenas 59 litros de leite. Uma boa parte dos produtores estão em assentamentos do governo federal.

Nos dois estados o leite é recebido por cooperativas e indústrias privadas. A participação das cooperativas é menor que das indústrias. Segundo o Diagnóstico, em 2011, as cooperativas do MT comercializaram 43% da produção. Já no MS a cooperativa tem uma presença ainda menor.

O estado do MS conta com um parque industrial pequeno, mas ocioso. Apenas a SAGA envasa leite UHT. Ainda não tem nenhuma indústria de pó. Uma empresa iniciou a concentração de leite recentemente, para venda a terceiros, fora do estado. No MT, há quatro plantas habilitadas para a produção de leite UHT e ainda não tem nenhuma fábrica de pó.

O queijo mussarela é o principal produto da indústria nos dois estados. Mas também, são produzidos queijos tipo parmesão, prato e provolone. O volume excedente da indústria de leite do MT e MS tem sido comercializado “in natura” para dentro e fora do estado (SP, GO e PR).

Em ambos os estados a densidade de coleta de leite é muito baixa o que onera os custos logísticos para coletar o leite. Um trabalho para a otimização da coleta com aumento de produtividade dos produtores, melhoria da malha logística através deredesenho de plantas e postos de resfriamento, implantação de reboques (“Romeu e Julieta”) são fundamentais para se reduzir os custos de captação do leite, que são muito elevados.

Como a produção média por produtor é baixa, sendo muitos deles estabelecidos em assentamentos, a existência de tanques comunitários é uma realidade nestes estados. Desta forma a coleta do leite quente até o tanque coletivo é inevitável. Este processo requer mais atenção a fim de que o leite possa ser resfriado o mais rapidamente possível. É fundamental que a localização dos tanques fique o mais próximo possível dos produtores. O mais apropriado é utilizar tanques menores e melhor posicionados.

Nos dois estados a qualidade do leite medida em contagem de células somáticas é baixa, dado que o leite ainda é ordenhado de vacas com predomínio de sangue zebuíno e com baixa produção de leite por vaca.

No que se refere a contagem bacteriana total (CBT) devemos fazer dois comentários importantes. A CBT que considera toda a flora bacteriana é muita elevada por três motivos: o primeiro diz respeito aos processos de ordenha, que é manual na grande maioria das propriedades e é realizada ainda sem adoção das boas práticas de higiene. Outro ponto é ter muito leite coletado através de tanques comunitários. E por fim, há o agravante das grandes distâncias que aumentam o tempo de recolhimento do leite contribuindo para a elevação da contagem das bactérias psicrotróficas. Quanto aos sólidos, eles estão dentro de uma média nacional, mas são igualmente baixos, se comparados a países que já buscam há muitos anos ganhos genéticos para o respectivo aumento.

Em ambos os estados a assistência pública está presente, no MT através da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e no MS a Agência de Assistência técnica e Extensão Rural (Agraer). Como na maior parte do país faltam recursos para que o trabalho destas empresas possam promover o desenvolvimento dos produtores de leite.

No MS, o governo estadual está implementando, através da AGRAER, o projeto “Leite Forte” para promover o desenvolvimento da produção de leite. Muitos técnicos das empresas públicas e das indústrias e cooperativas estão sendo treinados pela Embrapa Gado de Leite para suportá-lo.

Outros projetos também procuram estimular a atividade leiteira no MS, como é o caso do “Vaca Móvel” que através de técnicos do Instituto Bio Sistêmico, do Sebrae e da Secretaria de Produção e Turismo do Estado visitam bimestralmente produtores de leite para analisar a qualidade do leite e as condições de higiene durante a ordenha. Nas visitas são feitas análises físico-químicas do leite, para melhor orientar as ações corretivas. O projeto Balde Cheio da Embrapa Sudeste também assiste grupos de produtores tanto no MT quanto no MS.

Nestes dois estados é muito relevante o interesse da organização dos produtores liderados pelas Federações da Agricultura. No MS a Federação da Agricultura e Pecuária do MS (FAMASUL) coordena junto com o Sindicato das Indústrias de Laticínios do MS (SILEMS) o Conseleite, conselho paritário, que baliza os preços praticados entre o produtor e a indústria, baseado no mercado.

A indústria é representada respectivamente pelos seus Sindicatos: o Sindicato das Indústrias de Laticínios (SINDILAT), no MT e o SILEMS, no MS. Uma ação eficaz destas duas instituições, juntamente com as respectivas Federações, (FAMATO e FAMASUL) é muito importante para o futuro do setor.

O Sebrae, em ambas unidades da Federação, têm procurado apoiar os produtores nos processos de profissionalização das cadeias produtivas, estimulando o empreendedorismo e a profissionalização.

Nesta mesma linha o SENAR tem cumprido o seu papel. No MS pude acompanhar o trabalho na implementação do “Leite Legal” lançada nacionalmente em 2013. Este programa é um modelo para se obter ganhos de qualidade e deveria ser massificado nos dois estados.

Quando nos referimos a outros produtos do Agronegócio, como o gado de corte, a soja, o algodão e o milho, estes dois estados são destaques no cenário nacional. Viajando pela região é impressionante a exuberância da produção. Entendemos que na mesma linha é possível organizar e profissionalizar a produção de leite.

Os dois estados juntos representam próximo de 15% do território Nacional. O MT, com 903 mil km2, é 1,7 vezes o tamanho da França. Com este gigantismo, é preciso zonear a produção para facilitar a estrutura logística, levando-se em consideração o estabelecimento da malha de fábricas, postos, compatível com o mercado.

Um programa liderado pelas indústrias deveria ser implementado com o objetivo de melhorar o resfriamento comunitário do leite e a logística da captação.

A indústria tem que fazer o seu “dever de casa” e melhorar seus processos de gestão. O desenvolvimento do produtor tem que decolar “com muita força”, através de uma sinergia robusta entre os segmentos da cadeia produtiva.

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ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

A SL Consultoria em Agronegócios é uma empresa criada em agosto de 2014, com sede em Goiânia, tendo a expertise em negócios relacionados com a Cadeia do Leite como seu pilar central. Ela foi projetada pelo seu sócio proprietário, que atuou por 23 ano

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EDSON RAMOS

TANGARÁ DA SERRA - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/10/2015

Boa noite Antônio Carlos. Parabéns pelo artigo. De fato temos um enorme potencial produtivo na cadeia do leite, porém, é fato também que temos muitos limites. A falta de serviços de ATER é um problema grave. Resido em um assentamento rural do INCRA onde possui 998 famílias assentadas e a principal cadeia produtiva é o leite, porém, à 10 anos não recebemos assistência do INCRA, EMPAER, Secretaria Municipal ou alguma das duas empresa que captam o leite aqui; o agricultor familiar praticamente abandonado às traças. Essa triste realidade impossibilita a melhoria da qualidade e produtividade do leite e renda dos produtores. Consequentemente, expulsa os trabalhadores do campo e, especialmente a juventude rural. Lamentável...

MARCIO ROBERTO DE MACEDO OLIVEIRA

DEODÁPOLIS - MATO GROSSO DO SUL - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 30/09/2014

Parabens pela otima matéria Sr. Antonio. O potencial aqui no MS é grande, temos q unir todos os pilares, e o produtor acredita no setor, se profissionalizar e investir em novas tecnologias e busca por conhecimento.



Grande Abraço
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/09/2014

Bom dia Rodrigo,

Concordo com seu comentário. Este é um grande gargalo do setor. Há muito que se trabalhar para que o produtor encare a atividade como um negócio. Para tanto, é preciso conhece-lo bem e buscar toda a agregação de valor possível, seja na otimização da terra, da mão de obra, da vaca ou de qualquer outro fator de produção.

Obrigado.

Abraço,
RODRIGO LINS GOMES DE ARRUDA

MUNDO NOVO - MATO GROSSO DO SUL

EM 26/09/2014

Boa tarde Antônio Carlos de Souza Lima JR. Acredito que para que haja um desenvolvimento leiteiro é necessário os pecuaristas terem conhecimento do que é produzir leite. É totalmente diferente de produzir carne. Sucesso.
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/09/2014

Marcel, foi uma boa surpresa receber um comentário seu sobre o artigo.

Você que conhece bem o leite no Brasil e em todo o mundo leiteiro, sabe o quanto podemos aqui nesse nosso país. Há muitas iniciativas boas, porém, isoladas. É preciso governança e sinergia na cadeia produtiva.

Acabei de chegar do Interleite Sul em Passo Fundo onde o americano Stan Erwine, da Dairy Management Inc (DMI), nos mostrou o quanto o setor é organizado e forte nos EUA. Apenas o DMI tem 160 pessoas trabalhando em prol do fortalecimento do segmento produtor e de toda a cadeia americana de lácteos.

Obrigado pelo comentário,

Grande abraço e muito sucesso aí na Venezuela!

  
MARCEL BARROS

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 25/09/2014

Antonio,

Parabens  pelo artigo, bastante interessante para regioes não muito comentadas com respeito a produção de leite mas como tudo no Brasil tem muito potencial, o desafio é transformar o potencial em realidade. Forte abraço.
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/09/2014

Larissa, agradeço seus comentários.

Trabalhei na região por um ano e meio e pude observar bem o quanto ele é próspera e o quanto ele promete em todo o agronegócio. Aliás, já se destaca na produção de gado de corte, soja, milho. O estado é espetacular. No leite é preciso que o setor se organize através de um bom entendimento  entre os diversos segmentos da cadeia produtiva.

Já tem produtores bem sucedidos no e que deveriam ser trabalhados como referência para o setor produtivo.

Abraço.
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/09/2014

Obrigado Luciano pelos comentários.

A região reúne muito boas condições para a produção de alimentos. Aliás, nos grãos, ela já se profissionalizou e é muito competitiva. É preciso que o produtor de leite também gerencie melhor seus recursos produtivos trabalhando a eficiência da terra, da vaca e da mão de obra. A indústria local também precisa mudar o comportamento e junto com os produtores liderar um processo de mudança.

Abraço.
LARISSA NAZARETH DE FREITAS

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/09/2014

Parabéns, excelente artigo!

Retrata bem a realidade dos Estados.

Sou natural de Mato Grosso do Sul, e posso afirmar, que o Estado têm enorme potencial de crescimento na pecuária leiteira, altos investimentos estão sendo realizados pelo governo (como contratação de novos técnicos) e toda a cadeia está começando a se organizar de forma coerente. Acredito que o Estado tende a crescer e melhorar muito sua produção de leite!
LUCIANO MACHADO DE SOUZA LIMA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/09/2014

Parabéns mais uma vez. Excelente artigo

É curioso saber estes dados, pois uma região com uma produtividade de insumos (milho,soja), topografia, tecnologias de irrigação, disponíveis, eram para ser grandes produtores. Mas se vê, diante dos números mostrados a importância de uma assistência técnica mais abrangente com as industrias atuando junto aos órgãos existentes. O que falta para o produtor, muitas vezes é um estimulo, um empurrão, para ele executar o seu sonho : produzir bem (volume e qualidade)