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Nutrição de precisão: como o NUL pode ajudar na formulação de dietas mais precisas?

Por Marina A. Camargo Danés e Ana Flávia de Morais S. R.e Andrade
postado em 09/02/2017

6 comentários
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O conceito de nutrição de precisão vem ganhando atenção nos últimos anos, ancorada à busca de sistemas de produção sustentáveis e rentáveis. Aumentar a precisão da formulação de dietas permite a otimização do aproveitamento dos nutrientes, atendendo à exigência dos animais, com desperdícios minimizados. Porém, para colocar esse preceito em prática, é necessário conhecer com mínima margem de erro as exigências do animal, a quantidade de nutrientes fornecidos e realmente ingeridos, além de controlar as variações na composição dos alimentos e homogeneidade de mistura.

Atender a esses requisitos não é tarefa fácil, uma vez que a dieta formulada na maioria das vezes difere da dieta consumida. Como, então, descobrir se o que o animal realmente consumiu foi adequado para suprir suas exigências sem desperdício de nutrientes? Alguns elementos mensurados no sangue, na urina, nas fezes ou no leite dos animais podem ser utilizados como indicadores não invasivos para monitorar a adequação da dieta. Dentre eles, o leite é o mais usualmente coletado e analisado e a concentração de nitrogênio ureico no leite (NUL) é facilmente medida, podendo ser usada para monitorar a eficiência de uso da proteína da dieta. A proteína é um nutriente essencial para o bom funcionamento do organismo da vaca de leite e afeta diretamente sua produção. Desta forma, formular dietas que atendam às exigências proteicas do animal é indispensável para obter-se uma boa resposta. Além disso, as fontes proteicas representam a fatia mais onerosa dos custos com alimentação de um rebanho, além dos impactos ambientais causados pelo excesso da excreção do nitrogênio não aproveitado.

Há alguns anos o conceito de proteína bruta (PB) deixou de ser absoluto. Atualmente consideram-se as diferentes frações nutricionais da proteína verdadeira para cálculo de dietas, sendo elas divididas em proteína degradável no rúmen (PDR) e proteína não degradável no rúmen (PNDR). O balanço entre essas duas frações, assim como suas composições, balanço de energia, vitaminas e minerais, interferem no metabolismo e aproveitamento do nitrogênio pelo animal. A PDR será alvo dos micro-organismos no rúmen, que utilizarão os aminoácidos e amônia provenientes de sua degradação para produção de proteína microbiana (Pmic). Para que ocorra essa degradação, a microbiota necessita de energia disponível no rúmen. Caso ocorra deficiência energética para os micro-organismos, a síntese de Pmic será prejudicada, promovendo como consequência, uma sobra da PDR. Da mesma forma, se houver excesso de PDR na dieta, haverá amônia em excesso, que será absorvida pelas papilas ruminais e cairá na corrente sanguínea. A amônia é tóxica para o animal e será convertida a ureia no fígado, que pode ser excretada na urina ou reciclada pelo sangue para o rúmen.

Junto com a Pmic, a PNDR deixará o rúmen e seguirá pelo trato gastrointestinal, onde os aminoácidos provenientes de sua digestão serão absorvidos no intestino. O perfil desses aminoácidos é extremamente importante para sua utilização na síntese de proteína do leite. O perfil inadequado ou excesso de PNDR resultam no aumento da excreção de nitrogênio, também na forma de ureia. Por ser uma molécula neutra e pequena, a ureia equilibra-se rapidamente com os fluidos corporais, difundindo-se pelas células da glândula mamária. Desta forma, os valores de nitrogênio ureico no plasma e no leite são altamente correlacionados, o que possibilita a utilização do NUL como forma de avaliar o status proteico no organismo do animal.

O intervalo de valores considerado ideal para o NUL na literatura vai de 8,5 a 16 mg/dL. Valores abaixo indicam deficiência de proteína bruta e PDR na dieta ou excesso de carboidratos rapidamente fermentáveis no rúmen, o que pode comprometer a produção. Acima, indicam excesso de PDR, desequilíbrio na relação energia:proteína no rúmen, excesso de PNDR ou ainda deficiência energética na dieta. Valores acima de 19 mg/dL têm sido associados a reduções na taxa de fertilidade de vacas leiteiras, além do gasto energético para excretar ureia do organismo, energia que poderia estar sendo utilizada para produção de leite.

Analisar o NUL mensalmente seria ideal, com coletas individuais, calculando posteriormente uma média por lote. A média por lote oferece uma análise melhor que a do tanque, uma vez que a dieta não costuma ser a mesma para todo o rebanho. A interpretação dos valores obtidos de acordo com as referências disponíveis na literatura possibilita a adequação da dieta. Entretanto, os valores de literatura foram obtidos em estudos realizados na Suíça e Estados Unidos, em condições de rebanho, clima, dieta e manejo muito diferentes do Brasil. Além disso, os métodos de análise diferem em seus resultados. Por exemplo, vacas holandesas confinadas recebendo uma dieta com 16,7% de PB, apresentaram valores de NUL de 11, 9 e 12, quando as análises foram analisadas respectivamente por colorimetria, urease e infravermelho. Esse fator, somado à carência de dados obtidos em realidades nacionais, dificulta as recomendações.

Fatores extrínsecos à dieta também podem interferir nos valores de NUL e, portanto, devem ser considerados nas recomendações. A produção de leite, estágio de lactação, raça e as concentrações de proteína e gordura no leite foram relatados por alguns autores como quesitos que podem alterar a concentração de NUL. Isso faz sentido, uma vez que o NUL é um indicador de eficiência de uso de nitrogênio, que é alterada de acordo com o estado fisiológico e metabólico do animal.

Uma ampla avaliação dos efeitos de fatores não-nutricionais nos teores de NUL foi realizada por Meyer et al. (2006), que utilizaram 7.000 observações provenientes de 855 vacas holandesas produzindo em média 35,8 kg/d. Os resultados mostraram que produção de leite e teor de proteína do leite explicam 65 e 60% da variação observada em NUL, respectivamente. Enquanto a produção de leite apresentou associação positiva com NUL, a do teor de proteína do leite foi negativa, o que quer dizer que quando o teor de proteína do leite subiu o NUL caiu e vice-versa. O número de dias em lactação e número da lactação também se correlacionaram com a concentração de NUL. Por outro lado, peso corporal e relação gordura/proteína não se correlacionaram com os valores de NUL.

Os resultados deste trabalham indicam fortemente que as recomendações de valores de NUL devem considerar os fatores não-nutricionais. Por exemplo, pode ser que exista uma faixa ideal para vacas no terço inicial da lactação e outra no terço-final. Ou que a combinação de valores de NUL e % de proteína do leite seja o indicador mais adequado para monitorar a adequação proteica da dieta. Apesar de bastante estudado e utilizado em realidades norte-americanas e europeias, faltam estudos mais detalhados sobre esses números com animais, alimentos e ambiente nacionais. Para iniciar uma discussão sobre o assunto e orientar uma pesquisa que será realizada no Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (DZO/UFLA), gostaríamos de convidar VOCÊ a responder um rápido questionário sobre sua experiência com NUL.

O investimento de tempo para responder o questionário é de menos de 10 minutos e o retorno sobre esse investimento será muito valioso. Após reunirmos um número adequado de respostas, postaremos um artigo neste radar com os resultados do questionário. Além disso, os resultados nos indicarão qual o caminho a ser seguido em uma pesquisa sobre melhor utilização do NUL como indicador do balanceamento adequado de nutrientes na dieta, conduzida aqui no DZO/UFLA.
 
Para participar dessa pesquisa, você nem precisa sair desta página! Você pode navegar pelo questionário na janela abaixo. Agradecemos imensamente sua participação!

 

Caso você prefira abrir em uma janela separada, clique no link abaixo.
https://goo.gl/forms/eCBRdOMe1bZzd9tY2

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Comentários

Marco Figueroa

Maracaibo - Zulia - Venezuela - Consultoria/extensão
postado em 09/02/2017

Tiene algunos resultados en sistemas a pastoreo?

Marina A. Camargo Danes

OUTRA - OUTRO - Pesquisa/ensino
postado em 09/02/2017

Prezado Marco,

Segue o link para minha tese de mestrado, em que avaliei teor de proteína no concentrado de vacas mantidas em pastagens tropicais bem manejadas. Na revisão de literatura e na discussão vc vai encontrar informações sobre NUL.

Um abraço,

Marina

Marina A. Camargo Danes

OUTRA - OUTRO - Pesquisa/ensino
postado em 09/02/2017

Marco, me desculpe, esqueci de colocar o link. Aí vai:

www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11139/tde.../Marina_Danes.pdf

Abraço,
Marina

Ruy Padula

Araçatuba - São Paulo - Consultoria/extensão
postado em 10/02/2017

Boa tarde.
Estamos com rebanho Jersey e Jersolando produzindo a pasto.
Este pasto é Tifton irrigado por gotejamento e estamos muito surpreso com a velocidade de desenvolvimento da planta estamos voltando os animais no máximo com 8 dias apos o ultimo pastejo.
Um dos objetivos é manejar o tifton corretamente ,evitando perda de pasto e buscando reduzir a presença do carrapato sendo que 5% esta nos animais e 95% na pastagens com isto estamos com muito proto no capim.
NUL 14 MEDIA DO REBANHO
GORDURA 4,65%  CLINICA DO LEITE
PROTEINA 3,25 cLINICA DO LEITE

Estão consumindo ração 21% PB e 83 NDT

Ruy

Marco Figueroa

Maracaibo - Zulia - Venezuela - Consultoria/extensão
postado em 10/02/2017

Gracias Dra Marina puede reescribir el link de su disertación tesis Maestría por favor

Murilo Romulo Carvalho

Lavras - Minas Gerais - Estudante
postado em 12/02/2017

Excelente artigo Marina e Ana, parabéns! Achei particularmente interessante o ponto que citam uma possível diferença dos valores de NUL para diferentes estágios da lactação, assim como a relação entre NUL e proteína no leite. Talvez essa relação e a questão do estágio da lactação explique melhor uma possível queda no desempenho reprodutivo.

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