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Clima de "chuva e sol" garantem estabilidade do mercado em junho

POR MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

E RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PANORAMA DE MERCADO

EM 16/06/2011

4 MIN DE LEITURA

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Pouca coisa mudou desde nosso último Panorama. O mercado nacional de leite segue equilibrado à medida que a safra do sul ainda não reagiu como o esperado, as importações continuam em alta, mas sob os mesmos patamares verificados na média do ano, e o comportamento de preços do leite longa vida que, apesar de leve baixa recente, continuam sob bom patamar, cerca de R$ 0,20 por litro acima do ano passado, no varejo e no atacado.

A expectativa de que os preços ao produtor sofreriam um reajuste negativo foi amenizada em junho e o clima do mercado em curto prazo é de um cenário de "chuva e sol", com fatores altistas e baixistas sustentando (não há viés de alta) ou derrubando os preços, como trataremos a seguir:

Importações - Em apenas cinco meses do ano, as importações acumularam um déficit de US$ 180,62 milhões, 3,31% acima de todo o déficit de 2010 (US$ 174,82 milhões). Em volume, o déficit é de 404,81 milhões de litros (gráfico 1), ou seja, são quase 405 milhões de litros internalizados em um mercado equilibrado e, portanto, sujeito a pequenas variações de oferta e demanda.

Gráfico 1. Volume e valor das importações em 2011.



Para junho e julho, mesmo com a prorrogação do acordo de limitação de leite em pó da Argentina, os volumes podem aumentar, já que a oferta de leite no Uruguai está bastante acima do ano passado (até abril, 14% a mais) e, de agora em diante, a safra tende a se elevar por lá. O mercado sulista já reclama inclusive da presença de leite longa vida do Uruguai, chegando no país a R$ 1,30/litro.

O gráfico a seguir mostra a participação dos dois países na importação e o comportamento da oferta em 2010.

Gráfico 2. Participação de Uruguai e Argentina nas importações e comportamento da oferta de leite.



Comportamento dos derivados - os principais derivados de leite vêm perdendo força no atacado/varejo e estreitando as margens da indústria. O leite em pó encontra-se em pior situação, com valores médios de R$ 7,80 a 8,50/kg no atacado e R$ 15,87 no varejo. Os queijos, representado pelo mussarela, estão em situação um pouco melhor, entre R$ 9,00-9,50/kg no atacado e R$ 18,52 no varejo, mas ainda longe dos patamares alcançados no fim de 2010.

O leite longa vida sofreu uma baixa de cerca de 5 centavos de real no atacado desde meados de maio, mas ainda assim continua sob interessante patamar para a indústria. Os valores variando de R$ 1,65-1,85/litro no atacado (gráfico 3), dependendo da região, e em média a R$ 2,13 no varejo.

Gráfico 3. Comportamento dos preços do leite longa vida.


*os valores para maio para o atacado foram projetos segundo agentes de mercado consultados pelo MilkPoint.

É possível observar pelo gráfico a ainda satisfatória margem da indústria e do varejo para o produto e cenário bastante favorável se comparado há um ano antes, quando os valores despencaram em maio. Nesse sentido, mesmo que haja uma pressão por recuo dos preços em função de pó e queijo, o longa vida ainda está bom e ninguém quer perder leite. Em outras palavras, se o longa vida se sustentar como vêm se sustentando, a pressão para ajuste de preços será menor, e fabricantes de queijos e principalmente pó, terão que seguir o mercado, sob o risco de perder captação.

Julho - o mês de julho, de férias, tradicionalmente aponta para uma redução no consumo de leite fluido, sendo um fator a se considerar na análise. Uma potencial elevação da safra no sul, junto a importações em elevação e consumo reduzido podem afetar o equilíbrio do mercado. A contrapartida pode ser a timidez da oferta no Sudeste e no Centro-Oeste. Analisando a Receita Menos Custo da Ração de uma vaca hipótetica de 20 kg, percebe-se que a situação em maio foi pior do que há um ano (gráfico 4), e o produtor não está estimulado. Com o fim das pastagens de verão e necessidade de aumento da suplementação - que está cara - produtores menos tecnificados tendem a pisar no freio, equilibrando o cenário de mercado.

Gráfico 4. Receita menos custo de ração - últimos 12 meses (R$/vaca/dia, corrigidos pelo efeito da inflação).



De fato, a demanda por leite por parte das indústrias ainda é grande no Centro-oeste e Sudeste, em período de entressafra. Nessas regiões, o leite spot deve permanecer estável - na faixa dos R$ 0,96-1,03/litro - e por consequência, também os preços aos produtores. Em algumas regiões, o assédio ao produtor é maior e algum ajuste positivo, mesmo que pequeno, poderá ser observado.

No Sul, com a safra chegando o preço do leite spot já sofreu reajuste de 5 a 8 centavos dependendo da região, sendo encontrado a R$ 0,86-0,93/litro. É possível que algumas empresas já façam o repasse aos produtores. De acordo com o Conseleite do Paraná, a projeção é de recuo de 2,7%, ou queda de 2 centavos de real no preço de junho.

No geral, para junho, a expectativa ainda é de estabilidade nos preços ao produtor, exceto talvez para a região sul. Contudo, o cenário que se apresenta adiante não é dos mais favoráveis com a chegada da safra do Sul e importações.

Em resumo, o mercado apresenta "sol" - valores do UHT em bons patamares, assédio ao produtor, pela necessidade de manter captação e oferta no Sudeste e Centro-Oeste em queda, mas também um pouco de "chuva", ou pelo menos algumas nuvens que, se não são tão espessas, demandam atenção: preço dos derivados, principalmente pó e queijos, oferta no Sul, importações de leite e mês de julho chegando. É esperar para ver.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"-USP, e Analista de Mercado do MilkPoint.

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