A nova gestão de Navratil herdou uma companhia pressionada pela retração no consumo e pelos impactos de tarifas comerciais americanas. Para contornar esse cenário, o executivo colocou o crescimento interno real, focado puramente no volume de vendas, como o grande motor de sua estratégia, o que também envolveu diminuir a exposição da empresa a marcas de água, vitaminas e sorvetes.
A tática se provou assertiva: o crescimento de volume atingiu 2,8% por cento, batendo com folga a previsão que era de apenas um vírgula cinco por cento. Em contrapartida, o avanço nos preços foi de 1,1% por cento, ficando abaixo das estimativas. Esse balanço marca a primeira vez desde 2024 em que o crescimento orgânico da Nestlé é mais impulsionado pela quantidade de produtos vendidos do que pelo encarecimento deles nas prateleiras. Apesar do otimismo geral, Navratil adotou um tom de cautela, afirmando estar satisfeito com o progresso, mas reconhecendo que a empresa ainda tem um longo caminho para destravar todo o seu potencial.
O mercado financeiro recebeu os dados de forma bastante positiva, embora com um olhar atento para o futuro. Analistas da Vontobel destacaram que esse avanço pautado no volume traz muita credibilidade à recuperação da empresa, mas ressaltaram que o verdadeiro teste será manter a consistência. Já o Barclays apontou que o principal desafio para 2027 será o debate sobre os preços, considerando que as empresas enfrentam custos de produção mais altos enquanto os consumidores continuam com os orçamentos apertados.
Para tranquilizar os investidores, a diretora financeira Anna Manz explicou que os reajustes de preços em 2026 foram apenas pontuais, diferentemente dos aumentos expressivos vistos em 2025. Ela confirmou que a Nestlé fará novos repasses em 2027 por conta do ambiente inflacionário, mas garantiu que isso será feito de forma cuidadosa para não afastar os consumidores a médio prazo. Diante de um cenário mais claro, a companhia decidiu manter sua projeção anual de crescimento nas vendas orgânicas entre três e quatro por cento.
Por fim, o trimestre da dona de marcas icônicas como Maggi e Nescafé também foi marcado por um impacto geopolítico importante. A empresa precisou excluir sua unidade russa dos balanços financeiros consolidados, depois que o governo de Moscou confiscou o negócio no mês passado, em mais um capítulo da pressão russa sobre empresas europeias devido ao apoio à Ucrânia. A diretoria minimizou o efeito da perda, destacando que a operação russa representava apenas 2% das vendas do grupo e que o confisco não afetará os volumes ou preços globais.
No entanto, a diretora financeira alertou que a exclusão da unidade terá impactos contábeis a partir do quarto trimestre, afetando o lucro operacional, o fluxo de caixa livre e elevando a dívida líquida em cerca de novecentos milhões de francos suíços para 2026. Somado a isso, a empresa registrará bilhões em baixas contábeis devido à remoção dos ativos e aos ajustes de variação cambial.
As informações são da Reuters.
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