Os dados revelaram que os preços deverão desempenhar um papel mais importante do que em 2025, uma vez que o crescimento das vendas em valor está se fortalecendo (em comparação com os 5,4% registrados em 2025), enquanto o crescimento em volume deverá desacelerar de 0,7% em 2025 para 0,5% em 2026. Quais são as principais tendências que estão moldando o mercado de produtos lácteos e suas alternativas à medida que o setor se aproxima de 2027?
Consumo de café em casa impulsiona a inovação
A categoria de produtos para adicionar ao café, como cremes e branqueadores, deverá liderar o crescimento durante o período projetado, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 4,1%, alcançando US$ 12,2 bilhões em vendas no varejo até 2031, impulsionada principalmente pela demanda nos Estados Unidos.
A busca por experiências de café mais sofisticadas em casa está aumentando a demanda por cremes inovadores, semelhantes aos utilizados em cafeterias, e produtos de espuma fria (cold foam). Isso representa a continuidade do ritmo de crescimento observado no período histórico, quando a categoria registrou uma taxa de crescimento anual composta de 3,9% entre 2021 e 2026. Segundo a Euromonitor, esse desempenho reflete a atividade constante de lançamento de novos produtos voltados à geração de valor e a resiliência do consumo.
Queda no volume de fórmulas infantis e alternativas vegetais aos lácteos
As fórmulas lácteas infantis e os produtos vegetais alternativos aos lácteos deverão ser as únicas duas categorias a apresentar queda no volume de vendas em 2026, com retrações de 0,2% e 0,6%, respectivamente.
As empresas de ambas as categorias estão redirecionando suas estratégias para novas oportunidades e ocasiões de consumo de maior valor agregado, por meio de produtos funcionais e fortificados, além do lançamento de formatos mais convenientes, adequados a uma variedade maior de estilos de vida.
Novas ocasiões de consumo
O setor continua se reorganizando em torno de propostas de maior valor agregado para competir com outras indústrias de alimentos industrializados e produtos voltados à saúde, posicionando-se como uma fonte de bem-estar e nutrição. Fazira afirmou: “Criar novas ocasiões de consumo, segmentar os consumidores e desenvolver novas formas de utilização dos produtos lácteos também são prioridades para gerar novas fontes de receita em um mercado cada vez mais competitivo.” Segundo a Euromonitor, as pressões sobre os custos e a oferta também dividiram o mercado em dois segmentos, levando as marcas voltadas ao grande público a desenvolver novas estratégias para manter o crescimento tanto em volume quanto em valor.
Produtos premium versus econômicos
Os hábitos de consumo cada vez mais polarizados aprofundaram a divisão entre os segmentos premium e econômico. A principal mudança para as marcas de grande consumo é a busca por produtos de maior valor agregado ou opções premium acessíveis. Esse movimento está fazendo com que o preço médio unitário dos produtos lácteos cresça 5,2% em 2026, acima da alta de 4,7% registrada entre 2024 e 2025.
Ao mesmo tempo, os fabricantes continuam oferecendo uma variedade de produtos básicos e econômicos para o consumo cotidiano, buscando preservar a confiança dos consumidores e manter uma demanda estável em volume.
Inovação em produtos refrigerados
As inovações deverão avançar ainda mais nos formatos refrigerados, aproveitando a expansão dos espaços de exposição refrigerada no varejo e a maior demanda dos consumidores por lanches frescos, saudáveis, prontos para consumir e fáceis de transportar.
Como resultado, os snacks refrigerados, com crescimento de 8,2%, e os queijos, com 6,6%, estarão entre as categorias de crescimento mais rápido, à medida que as marcas lançam snacks e sobremesas à base de lácteos em formatos práticos para consumo fora de casa nos estabelecimentos varejistas.
Saúde e bem-estar
A atual proposta de saúde e bem-estar dos produtos lácteos está sendo redefinida pelos medicamentos da classe GLP-1. As marcas estão intensificando seus investimentos em atributos funcionais, como teor de fibras, concentração de proteínas e benefícios relacionados à digestão.
Ao mesmo tempo, observa-se uma tendência em direção oposta, na qual os consumidores buscam características de bem-estar mais abrangentes. Em vez de se concentrarem exclusivamente na redução de nutrientes específicos, as marcas estão controlando o tamanho das porções e oferecendo soluções lácteas mais equilibradas, beneficiando categorias como fromage frais (queijo fresco) e quark (queijo fresco de consistência cremosa), para as quais se projeta uma taxa de crescimento anual composta de 3,8% entre 2026 e 2031.
O conceito de bem-estar também está avançando para áreas como relaxamento e concentração, beleza de dentro para fora e benefícios relacionados à hidratação. A previsão é que essas tendências levem mais tempo para formar mercados de tamanho significativo e que sejam incorporadas inicialmente às categorias já consolidadas.
Esse movimento deverá impulsionar o crescimento das bebidas lácteas, com taxa de crescimento anual composta de 4,2%, e dos iogurtes e produtos lácteos fermentados, com 4,5%, durante o período de 2026 a 2031, considerando as vendas em valor, a preços constantes e com taxas de câmbio fixas.
Cultura das cafeterias
A cultura das cafeterias está criando oportunidades de sofisticação e indulgência para as empresas do setor lácteo. As marcas estão aproveitando tendências observadas em lojas especializadas em chás, cafés e cafeterias para aprimorar seus portfólios destinados ao mercado profissional e aos estabelecimentos de alimentação, além de ampliar a oferta de produtos voltados ao preparo de bebidas no estilo barista nos canais de varejo.
Ingredientes utilizados em bebidas e sobremesas, como leite condensado e leite evaporado, que registraram crescimento de 7,9%, e creme de leite, com alta de 7%, lideraram a expansão em 2026. A expectativa é que essas categorias mantenham uma trajetória estável de crescimento até 2031, com taxas de crescimento anual compostas de 4,1% e 3,6%, respectivamente.
As informações são do Dairy Reporter.
Vale a pena ler tambpém:
Comer menos, escolher melhor: como os GLP-1 mudaram o mercado de bens de consumo
Produtos fermentados em alta: os probióticos estão na mira do consumidor