As embalagens são criação de uma startup paulista que utiliza para sua produção um ingrediente bem brasileiro: a mandioca.
“Tem vários motivos para a escolha desse ingrediente. O Brasil é um dos maiores produtores de mandioca do mundo. Normalmente, quem planta mandioca são pequenos agricultores. Tem uma questão social muito legal aí. Além disso, só ela consegue dar propriedades físico-químicas para fazer o nosso processo. Nenhum outro tipo de amido ia poder gerar isso pra gente”, explica o empresário Stelvio Mazza.
A fábrica usa na produção o amido ou a fécula da mandioca brava, que não é própria para consumo humano. “A gente foi se inspirar na natureza e copia o ciclo para a embalagem mais perfeita que existe. Se você for pensar, é a casca de uma fruta”, diz Stelvio.
A inovação está em unir biotecnologia com equipamentos criados pela startup. Eles transformam amido em uma embalagem 100% ecológica. O maquinário diminuiu o tempo de produção e aumentou o número de embalagens fabricadas. Assim, a empresa ficou viável comercialmente.
No catálogo, a empresa oferece potes, pratos e embalagens para delivery. A novidade são as embalagens de sorvete e de salada que viram adubo para jardim em 20 dias, com a água da chuva. “Ela vai se compostar, vai virar adubo e não vai gerar nenhum resíduo para o meio ambiente”, explica o empresário. Os produtos custam de R$ 0,60 a quase R$ 3 a unidade, mais caros do que os de produtos não degradáveis.
"A gente não vende embalagem, a gente vende justamente um conceito de economia circular. O desafio é justamente mostrar esse diferencial para o cliente, para que ele possa entender toda a cadeia, desde a produção até o descarte”, afirma Stelvio. Marcus Nakata, dono da sorveteria que usa as embalagens, concorda: “A gente acredita que pelo meio ambiente vale pagar um pouco mais, até pelo conceito que a gente criou com a marca”.
A pandemia assustou a startup, mas eles se recuperaram e estão expandindo a produção. Não revelam o faturamento deste ano, porém, em 2021 a expectativa é faturar R$ 4 milhões, graças a mandioca. “Isso mostra como a natureza pode ensinar a gente, o quanto de solução podemos tirar dela. Acho que não é só mandioca, tem muitas outras matérias-primas que estão sendo descobertas e ainda vão ser que o nosso próprio planeta cria pra gente”, afirma Stelvio.
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As informações são do G1.