Encontrar uma massa semelhante a manteiga dentro de um antigo pântano pode parecer estranho, mas depósitos desse tipo são conhecidos pela arqueologia como “manteiga de pântano”. Preservados em turfeiras da Irlanda e da Escócia, esses materiais orgânicos oferecem informações sobre alimentação, produção de laticínios e formas de armazenamento utilizadas muito antes da existência da refrigeração.
O que a ciência descobriu sobre a manteiga de pântano?
A chamada manteiga de pântano consiste em depósitos brancos ou amarelados, geralmente com aparência cerosa, encontrados enterrados em turfeiras. Alguns foram recuperados dentro de recipientes de madeira, enquanto outros estavam envolvidos em cascas ou membranas de origem animal.
Uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports analisou 32 amostras de manteiga de pântano da Irlanda, combinando datação por radiocarbono com análise de isótopos estáveis. O estudo mostrou que 26 das amostras tinham origem claramente compatível com gordura láctea de ruminantes, enquanto outras três também apresentavam forte indicação de origem em produtos lácteos.
As datações revelaram ainda que a prática é muito mais antiga do que os registros históricos poderiam sugerir. Os exemplares analisados abrangem um período de pelo menos 3.500 anos, desde a Idade do Bronze, por volta de 1700 a.C., até o século XVII.
Como um alimento conseguiu sobreviver durante tantos séculos?
A preservação está relacionada às características particulares das turfeiras. Esses ambientes permanecem constantemente úmidos e apresentam condições ácidas e pouco oxigenadas, fatores que podem dificultar a ação de organismos responsáveis pela decomposição de materiais orgânicos.
Isso não significa, porém, que a manteiga permaneça igual ao alimento fresco. Durante o longo período enterrada, a gordura passa por alterações químicas. O resultado pode adquirir uma aparência mais dura e cerosa, bastante diferente da manteiga produzida atualmente. A própria transformação química também é importante para os arqueólogos. Mesmo alterado, o material ainda pode conservar moléculas e assinaturas isotópicas capazes de revelar sua origem.
Foto: imagem ilustrativa
Por que alguém enterraria manteiga em um pântano?
A explicação mais direta está relacionada ao armazenamento de gordura e excedentes de produção. Antes dos métodos modernos de refrigeração, comunidades rurais precisavam encontrar maneiras de conservar alimentos perecíveis por períodos prolongados.
A manteiga era um alimento nutritivo e também representava um produto importante dentro de uma economia baseada na criação de animais e na produção de leite. Enterrá-la em uma turfeira poderia oferecer condições adequadas para sua conservação.
No entanto, a finalidade de todos os depósitos não pode ser explicada por uma única hipótese. Os próprios pesquisadores ressaltam que a deposição ocorreu durante milhares de anos e provavelmente teve diferentes motivações em períodos e comunidades distintas.
O que a manteiga antiga revela sobre a produção de alimentos?
A identificação da origem láctea das amostras fornece uma informação importante sobre a economia das comunidades que produziram esses depósitos. Os resultados indicam que a deposição de manteiga estava relacionada à produção de leite por animais ruminantes, como bovinos e outros animais capazes de fornecer gordura láctea. A existência de excedentes suficientemente grandes para serem armazenados também ajuda a pensar sobre a organização da produção de alimentos.
As amostras mais antigas analisadas remontam à Idade do Bronze, período em que a produção de laticínios já fazia parte das atividades agrícolas em diferentes regiões da Europa.
As informações são do Midiamax.
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