Em comparação com julho do ano passado, no entanto, as compras de lácteos no exterior caíram quase 13%. Naquele mês, as importações do segmento somaram 16,1 mil toneladas. As importações em julho deste ano custaram US$ 46 milhões ao Brasil, 14,6% abaixo dos US$ 54 milhões de uma ano antes.
O aumento das compras de lácteos em julho na comparação com junho, a despeito do dólar forte, pode ser explicado pela alta dos preços da matéria-prima no mercado interno num momento em que as cotações internacionais vêm perdendo força. Esse quadro permitiu que as importações continuassem competitivas. “O preço interno está alto em relação à cotação internacional”, afirma Marcelo Martins, diretor-executivo da Viva Lácteos.
Pelos cálculos de Valter Galan, do MilkPoint, a importação segue competitiva atualmente, ainda que o dólar tenha subido mais em relação ao real nos últimos dias. Considerando um dólar ao redor de R$ 4,15 (fechamento de terça-feira) e o preço do leite em pó no último leilão Global Dairy Trade (GDT), de US$ 2.883 por tonelada, o custo equivalente do leite para o importador sairia a R$ 1,36 por litro. O número considera os custos de internalização do leite em pó importado.
Nesse caso, o custo equivalente do produto importado estaria abaixo da média nacional, de R$ 1,5466 por litro ao produtor apontada pelo Cepea para o pagamento de agosto. Embora a tendência seja o preço do leite ao produtor recuar no país com a entrada da safra, Galan estima que mesmo com uma queda de R$ 0,10 por litro na cotação doméstica em setembro, o lácteo importado ainda seria competitivo.
Com o preço interno elevado, as exportações de lácteos ficaram estáveis na comparação mensal. Em julho, foram embarcados 1,17 mil toneladas de lácteos — contra 1,16 mil no mês anterior. Em comparação com igual mês de 2017, quando foram exportados 2,528 mil toneladas houve forte queda, de quase 54%, conforme compilação da Viva Lácteos. “Os preços não estão atraentes para importar nem para exportar”, comenta Martins.
Segundo ele, o ritmo de exportações de queijos vem se mantendo no ano. E a entidade segue trabalhando para estimular as vendas externas de produtos de maior valor agregado, com iniciativas de promoção comercial. “Nos atuais patamares de preços, é difícil exportar commodity”, diz, numa referência ao leite em pó.
Hoje, um grupo de empresas tem exportado de forma regular queijos para Rússia, Chile, EUA, e até Uruguai e Argentina, segundo ele.
Além disso, o Brasil negocia a exportação de lácteos para o México há cerca de quatro meses. Conforme Martins, o Ministério da Agricultura está enviando a autoridades sanitárias mexicanas informações sobre a sanidade dos lácteos brasileiros. A expectativa da Viva Lácteos é que negócios sejam concretizados “no médio a longo prazo”.
As informações são do Valor Econômico, resumidas pela Equipe MilkPoint.