Família cria fábrica de sorvetes artesanais em meio a onda de calor em Roraima

O negócio iniciou há quatro anos e aposta na produção de sabores como taperebá, murici, jaca, tamarindo, açaí e milho para atender à demanda provocada pelas altas temperaturas em Roraima.

Publicado por: MilkPoint

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Valdick Ribeiro e seu filho, Harison Cris, abriram a Sorveteria Amazônia em Boa Vista, Roraima, focando em sorvetes regionais. Com a demanda aumentada pelo calor, a sorveteria oferece sabores como taperebá e açaí, além de tradicionais. Apesar das dificuldades de empreender na região, o negócio tem crescido e é a principal fonte de renda da família. A estiagem e o fenômeno El Niño contribuem para o aumento das temperaturas e incêndios, impactando a economia local.
Valdick Ribeiro e o filho, Harison Cris, construíram juntos uma fábrica de sorvetes regionais no bairro Tancredo Neves, zona Oeste de Boa Vista. O negócio iniciou há quatro anos e aposta na produção de sabores como taperebá, murici, jaca, tamarindo, açaí e milho para atender à demanda provocada pelas altas temperaturas em Roraima.

A família já havia trabalhado em uma fábrica de sorvetes da capital. Depois de adquirir experiência na área, Harison decidiu investir no próprio negócio, desenvolver produtos com identidade própria e colocar o pai como gerente-geral. "Eu era motorista de profissão, depois me formei em outra área de trabalho, onde exerci até um tempo desse. Mas a paixão pelo sorvete fala mais alto. É uma área apaixonante, onde, a cada dia, a gente vê que era isso realmente que queria", contou Valdick.

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A Sorveteria Amazônia começou a funcionar em abril de 2022. Segundo Harison, apesar das dificuldades para empreender em Roraima, o negócio segue em expansão. "Acreditamos que é um mercado muito promissor. Hoje, o negócio é a principal fonte de renda da nossa família", afirmou o empresário.

Figura 1

O estabelecimento vende desde picolés até caixas de sorvete de cinco litros e baldes de 12 litros — Foto: Arquivo. 

Além dos sabores regionais, a sorveteria também oferece opções tradicionais, como chocolate, morango, flocos e chiclete. O estabelecimento vende desde picolés até caixas de sorvete de cinco litros e baldes de 12 litros, além de produtos como totó e sundae. Os picolés custam de R$ 1,75 a R$ 2. Os preços dos sorvetes variam conforme o tamanho e o sabor. Os potes de 200 ml custam R$ 5, enquanto os baldes de 12 litros chegam a R$ 115 nas opções especiais.

Calor aumenta procura por sorvetes

As altas temperaturas em Roraima favorecem a procura por produtos gelados. A assistente executiva Lyzandra Karolina, cliente da sorveteria, afirma que também considera a origem dos produtos na hora da compra. "Por conta desse calor de Roraima. E sempre procuro adquirir produtos locais e, aqui, pelo fato de ser uma fábrica local, de Boa Vista, sempre opto por aqui", disse.

De acordo com Valdick, a demanda por sorvetes aumenta nesta época do ano, o que exige preparação para atender aos consumidores. "Essa época do ano, a demanda aumenta bastante. No inverno, as vendas desse segmento gelado caem em um percentual bem significativo. Por isso, a gente precisa se preparar realmente para essa época, porque a demanda aumenta consideravelmente", explicou.

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O período também coincide com a estiagem em Roraima. Uma nota técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que o El Niño de 2026 e 2027 favorece temperaturas elevadas e períodos prolongados de seca na Região Norte. Em Roraima, a falta de chuvas começou de forma antecipada, em julho, e deve se estender até março de 2027.

El Niño em Roraima

O estado enfrenta uma alta expressiva nos incêndios. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 174 focos de calor apenas nas duas primeiras semanas de outubro. O número é 248% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Roraima já acumula 2.149 focos de calor em 2026.

Rorainópolis, Pacaraima e Caracaraí lideram os registros de queimadas neste mês. A combinação de fogo e estiagem prolongada preocupa as autoridades e agrava os danos ambientais.

A seca, intensificada pelo fenômeno El Niño, também afeta a economia local. A Associação dos Produtores de Soja de Roraima (Aprosoja) projeta uma perda de 50% na produtividade da atual safra de grãos. O estado está em situação de emergência desde setembro.

As informações são do G1.

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